segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Mundial do Paciente Transplantado: pesquisa revela medo e desinformação como inimigos da doação de órgãos no Brasil


Poucos sabem, mas o Brasil abriga o maior sistema público de transplantes do mundo, no qual o Sistema Único de Saúde (SUS) financia entre 90% e 95% dos procedimentos[1]. O transplante de rim é a cirurgia de órgão sólido mais realizada no país, posicionando o Brasil em 4º lugar no ranking mundial em números absolutos, com cerca de 62 mil transplantes renais realizados entre os anos de 2014 e 2024[2]. Mantendo uma curva de crescimento consistente, o volume anual de cirurgias subiu de 6.208 em 2023 para 6.320 em 2024, culminando no recorde histórico de 6.697 transplantes de rim realizados em 20252.

Apesar da evolução no número de procedimentos, a disparidade entre a oferta de órgãos e a demanda de pacientes elegíveis mantém a fila de espera sob forte pressão. Dados do Sistema Nacional de Transplantes apontam que, em 2025, a fila de pacientes aguardando um órgão ultrapassou a marca de 73 mil pessoas, das quais mais de 38 mil aguardam especificamente por um rim2. Além disso, o acesso ao tratamento expõe fortes desigualdades regionais no país: enquanto a Região Sul lidera os indicadores com uma taxa superior a 45 transplantes renais por milhão de habitantes (pmp), a Região Norte, afetada pela menor concentração de centros especializados e especialistas, registra uma taxa de apenas 8,9 pmp[3].

Desafios da doação começam com o doador

Em observação ao Dia Mundial do Paciente Transplantado, celebrado anualmente em 6 de junho, a Vantive, empresa de soluções e tratamentos para órgãos vitais, traz um dado preocupante: quase 3 em cada 10 brasileiros (28,5%) nunca sequer consideraram a doação de órgãos, enquanto uma parcela significativa (26%) pensou, mas não conversou com a família sobre o assunto.

A principal barreira para a decisão de se tornar um doador, segundo 46% dos entrevistados, é a "falta de informação sobre como funciona a doação". Outros fatores relevantes incluem o medo de que o corpo não seja tratado com respeito (12,1%) e a desconfiança sobre a venda de órgãos (10,6%). Esses dados sublinham como a desinformação e os receios inibem um ato que pode salvar vidas, evidenciando a necessidade de campanhas claras e transparentes.

Como empresa comprometida em prolongar vidas e ampliar as possibilidades para pacientes e equipes de saúde por meio do cuidado renal e da melhoria dos resultados para os pacientes, a Vantive apoia iniciativas que promovem a conscientização, a prevenção e a tomada de decisões informadas. Nesse contexto, a companhia encomendou uma pesquisa nacional, conduzida de forma independente pela Brazil Panels, para melhor compreender as percepções e comportamentos do público em relação à saúde renal e à doação de órgãos. Os resultados revelam importantes lacunas de conhecimento que podem afetar os esforços de prevenção, o diagnóstico precoce e a adesão aos processos de doação de órgãos.

Conhecimento limitado sobre saúde renal

O relatório também mostra um preocupante desconhecimento sobre a saúde dos rins e exames cruciais para a detecção precoce de doenças renais. Embora a maioria da população associe corretamente a filtragem de sangue e a remoção de toxinas como a principal função dos rins (81%), outras funções vitais são amplamente ignoradas, e quase 30% dos entrevistados não sabem identificar nenhum sinal de alerta de problemas renais.

A ligação entre doenças crônicas e a saúde renal é um ponto crítico. Hipertensão (26,5%) e diabetes (15,8%) são condições de saúde frequentemente relatadas pelos brasileiros, sendo fatores de risco diretos para o desenvolvimento de doenças renais. Contudo, apenas 23,3% da população associa a pressão alta a problemas renais.

Além disso, o sedentarismo é um comportamento predominante, com 39,1% dos brasileiros não praticando nenhuma atividade física semanal, contribuindo para o agravamento dessas condições. A pesquisa destaca que problemas renais são duas vezes mais presentes no histórico familiar (15,7%) do que na experiência direta dos entrevistados, reforçando a importância da prevenção.

Um dos achados mais impactantes do levantamento revela que o principal receio dos brasileiros em relação à saúde não é o tratamento em si, mas a possibilidade de descobrir algo grave. Nada menos que 60,6% dos entrevistados expressam o medo de um diagnóstico sério, transformando essa apreensão em um dos maiores obstáculos à busca por cuidados preventivos e exames de rotina.

“Essa barreira emocional é um fator crítico que alimenta a procrastinação em saúde, impedindo que muitos procurem ajuda antes que as condições se agravem. Entender e abordar esse medo é fundamental para incentivar uma cultura de prevenção mais eficaz”, explica Dra. Arcângela Valle, gerente médica sênior da Vantive Latam. “Os resultados da pesquisa são um chamado à ação. Ao apoiar iniciativas que ampliam a conscientização e a compreensão sobre a saúde renal, podemos ajudar as pessoas a tomar decisões informadas mais cedo. O desafio é transformar o medo em ação, a informação em decisão e a prevenção em hábito.”

Sobre a Pesquisa

A pesquisa foi conduzida pela Brazil Panels com apoio da Vantive em março de 2026, com 2.000 entrevistados de todas as regiões do Brasil, distribuídos por diferentes faixas etárias e condições socioeconômicas. O estudo teve como objetivo compreender o nível de conhecimento, percepções, comportamentos e atitudes da população brasileira em relação à saúde renal, prevenção de doenças dos rins e realização de exames preventivos. A pesquisa foi conduzida por empresa de pesquisa independente sob contrato formal, utilizando respostas anonimizadas e processos desenhados para conformidade com as normas de privacidade aplicáveis. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.