O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de uma operação da Polícia Federal realizada na manhã desta terça-feira. A ação investiga aportes feitos pelo estado do Rio de Janeiro, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master.
Os agentes federais saíram para cumprir 10 mandados de busca
e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Castro, são alvo
integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo
ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal
(STF)
A investigação é um desdobramento da Operação Barco de
Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo
Rioprevidência em Letras Financeiras de um banco privado. As operações teriam
movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda
aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de
2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira.
Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3
bilhões.
Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência,
responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil
beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do
estado.
No mês passado, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) entrou
com ação civil pública na Justiça estadual para obrigar dirigentes do
Rioprevidência a cobrirem um rombo de R$ 1 bilhão originado por aportes em
papéis do Banco Master.
Segundo o MP, os dirigentes devem assumir
"responsabilidade pessoal" pelo rombo financeiro, conforme um parecer
do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em maio do ano passado. Os promotores
pediram ainda à Justiça do Rio que rejeite uma alternativa apresentada pelo
governo estadual, de usar valores de empréstimos consignados de servidores
estaduais junto ao Banco Master para compensar o buraco no Rioprevidência.
Em dezembro, a Justiça do Rio havia autorizado o governo
estadual a reter esses pagamentos feitos por servidores ao Banco Master, que se
referiam ao programa de crédito consignado Credcesta. O MP, porém, argumenta
que a própria existência do Credcesta é uma "estrutura contratual
inválida", e propôs uma restituição de valores aos servidores.
Como mostrou O GLOBO, o ex-presidente do Rioprevidência
Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por caciques do União Brasil,
autorizou uma mudança na política de investimentos do órgão estadual que
permitiu, desde 2023, aportes de R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. Ele
foi preso em fevereiro, durante operação da Polícia Federal (PF) que apura
essas transações, por suspeita de ocultação de patrimônio e de tentar obstruir
as investigações. A defesa nega irregularidades e busca convencer o Superior Tribunal
de Justiça (STJ) a soltá-lo.
Alvo de operação da PF que mira em fraudes no setor de combustíveis
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi
alvo de uma operação da Polícia Federal em maio deste ano que apurava suspeitas
de fraude no setor de combustíveis. Agentes cumprem mandados de busca e
apreensão em seu endereço em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste
do Rio.
A ação também mirava o empresário Ricardo Magro, que comanda
o grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos. Segundo a PF, a Operação Sem
Refino apurava a atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis por
suspeita de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao
exterior.
As investigações apuravam possíveis inconsistências
relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. A Justiça determinou o
bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão
das atividades econômicas das empresas investigadas.
Fonte: Jornal O Globo
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