terça-feira, 26 de maio de 2026

Por que Cláudio Castro foi alvo da PF pela segunda vez em 11 dias


O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de buscas da PF (Polícia Federal) pela segunda vez em 11 dias, em investigações diferentes que apuram suspeitas no período de seu mandato.

O que a PF investiga

Operação Compliance Zero apura suspeita de fraude de R$ 3 bilhões no Rioprevidência. A PF investiga aportes do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro em títulos do banco Master durante a gestão Castro.

Investigadores citam um "vínculo estreito" entre Castro e Daniel Vorcaro, que era dono do banco Master. Para a PF, as relações pessoais e políticas entre os dois resultaram em "investimentos bilionários em Letras Financeiras e fundos de investimento criados ou utilizados pelo banco, em desconformidade com a política de investimentos do RPPS [Regime Próprio de Previdência Social] e com as exigências regulatórias". A PF diz ter identificado relação entre aportes e encontros entre os dois.

A atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência. Trecho da decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a busca contra Castro

Mudanças no Rioprevidência entram como indício na investigação. A PF afirma que, na gestão Castro, a diretoria do Rioprevidência foi alterada e que, depois disso, etapas técnicas foram suprimidas antes dos repasses ao Master.

O que motivou a operação Sem Refino, 11 dias antes

Operação Sem Refino apura suspeitas ligadas ao empresário Ricardo Magro e ao grupo Refit. A PF fez buscas contra Castro nessa investigação. O celular e o tablet do ex-governador foram apreendidos. PF atribui a Castro "leniência". A investigação aponta que Castro permitiu "a criação de um ambiente propício" para que Magro cometesse crimes.

Durante a gestão Castro, governo do Rio acionou a Justiça para reabrir a Refit. A refinaria havia sido interditada por suspeita de fraudes. Defesa de Castro disse que os atos foram "técnicos e legais". Em nota, a defesa afirmou que a gestão do então governador foi "a única" a conseguir que o Grupo Refit "pagasse dívidas com o estado".

Outras frentes citadas pela PF que já alcançaram Castro

Um despacho entrou na mira da PF em apuração sobre vínculos do Comando Vermelho no governo. O despacho foi visto como a primeira "digital" de Castro no caso. Um ato assinado por Castro em 3 de setembro foi relacionado à prisão de TH Joias. No mesmo dia, o ex-deputado estadual foi preso pela PF por relações suspeitas com chefes do CV.

Texto exonerou Rafael Picciani da secretaria estadual de Esportes para que ele assumisse a vaga de TH Joias na Alerj. Segundo a investigação, a exoneração ocorreu às pressas para permitir que Picciani (MDB), primeiro suplente do partido, assumisse a cadeira.

A investigação cita que a manobra evitou uma votação sobre a prisão na Alerj. Com isso, TH Joias perdeu os direitos políticos, e a Assembleia não precisou votar manutenção ou relaxamento da prisão, o que poderia expor a Casa.

Castro está inelegível

Em março, o TSE declarou Castro inelegível por oito anos. Ele foi condenado por abuso de poder nas eleições de 2022. Castro disse que vai recorrer da decisão. Aliados afirmam que há margem para tentar uma liminar e concorrer ao Senado em outubro.

PL estuda tirar Castro do palanque de Flávio Bolsonaro no Rio, segundo Letícia Casado. A colunista do UOL apurou que, após as operações da PF, o partido avalia que Castro deve se afastar para evitar danos à campanha.

Em 2024, investigação de suspeita de corrupção foi arquivada

PF indiciou Castro em 30 de julho de 2024 por suspeita de corrupção. Segundo a apuração, os crimes envolveriam desvios de recursos públicos e teriam ocorrido quando ele era vereador e depois vice-governador, entre 2017 e 2020.

Ministro André Mendonça mandou encerrar as investigações no fim de 2024. A PGR recorreu, e a 2ª Turma do STF seguiu por unanimidade o voto de Mendonça ao entender que houve irregularidades na investigação e nos acordos de delação.

O advogado de Castro afirmou que as informações da investigação eram "infundadas". A declaração foi dada pela defesa ao comentar o caso.

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