quarta-feira, 8 de julho de 2026

Há quase duas décadas, projeto transforma vidas por meio do esporte na Boca do Mato, em Cabo Frio

Idealizado para afastar crianças e adolescentes da violência e da vulnerabilidade social, o Águia de Cristo já marcou a trajetória de centenas de jovens e se tornou referência de inclusão e formação cidadã na comunidade.

Em uma quadra simples, onde a bola rola duas vezes por semana, o principal objetivo nunca foi formar atletas. Há 19 anos, o Projeto Águia de Cristo, desenvolvido na comunidade da Boca do Mato, em Cabo Frio, utiliza o esporte como ferramenta de transformação social, oferecendo a crianças e adolescentes um caminho baseado em disciplina, educação, respeito e valores humanos.

À frente dessa iniciativa está o professor Ricardo Henrique, conhecido carinhosamente como Kadinho, que dedica boa parte da própria vida à formação de jovens entre 7 e 17 anos. Mais do que ensinar fundamentos do futebol, ele construiu um legado reconhecido por famílias, ex-alunos e moradores da comunidade.

A história do projeto começou a partir de um antigo programa social idealizado pelo saudoso Ivan Veleiro, ligado à Secretaria Municipal de Educação (Seduc). Convidado para atuar na Boca do Mato, Kadinho aceitou o desafio sem imaginar que aquele trabalho se transformaria em uma missão que atravessaria quase duas décadas.

Desde então, centenas de crianças passaram pelo projeto. Muitas delas encontraram, dentro do esporte, uma oportunidade para mudar o rumo da própria história. “O futebol é apenas a ferramenta”, resume o professor. “Meu objetivo nunca foi formar jogadores. Quero formar homens de caráter.”

Essa filosofia se traduz em uma regra inegociável dentro do Águia de Cristo: para permanecer no projeto, é preciso frequentar a escola. A frase repetida por Kadinho tornou-se um dos pilares da iniciativa: “Tem que ser bom de bola e bom de escola.”

O foco está na prevenção. O projeto busca oferecer alternativas para que crianças e adolescentes não sejam atraídos pela criminalidade, pela violência ou pelas drogas, realidade presente em muitas comunidades brasileiras.

Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, Kadinho mantém as atividades praticamente com recursos próprios. Grande parte das despesas é custeada por ele mesmo, que afirma encontrar na fé a motivação para continuar.

Atualmente, entre 65 e 70 crianças e adolescentes participam regularmente das atividades. No entanto, os números não conseguem traduzir a dimensão do impacto alcançado ao longo desses 19 anos.

Entre os antigos participantes estão jovens que hoje seguem carreiras profissionais, trabalham no serviço público, atuam na iniciativa privada, concluíram o ensino superior e construíram famílias. Outros encontraram na fé um novo propósito de vida.

É o caso de Michael Costa, que superou uma infância marcada pela falta de estrutura familiar e hoje atua como escritor e pregador da Palavra de Deus. Outro exemplo é Juan Souza, também reconhecido pelo trabalho religioso desenvolvido após passar pelo projeto.

O esporte também revelou talentos. Um dos destaques é Lucas Antunes, o Luquinha, que se profissionalizou no futsal e construiu carreira na modalidade, passando por equipes tradicionais do país.

Apesar disso, Kadinho faz questão de afirmar que o sucesso esportivo nunca foi a principal meta. Nos últimos anos, inclusive, o projeto deixou de priorizar competições oficiais, optando por partidas amistosas que valorizam o aprendizado, a convivência e o espírito esportivo, reduzindo rivalidades e fortalecendo o caráter dos participantes.

Mais do que um projeto esportivo, o Águia de Cristo consolidou-se como uma iniciativa de formação humana. Em uma comunidade onde muitos jovens convivem diariamente com situações de vulnerabilidade, o trabalho desenvolvido por Ricardo Henrique demonstra que dedicação, perseverança e compromisso social podem mudar destinos.

Depois de quase duas décadas de atuação ininterrupta, o maior patrimônio do projeto não está nas medalhas ou nos troféus, mas nas histórias de vida reescritas por meio da educação, da disciplina e do esporte.

Atividades

O Projeto Águia de Cristo atende gratuitamente crianças e adolescentes da comunidade e de outras regiões interessadas em participar.

Dias: segundas-feiras e quartas-feiras.

Horários:

·         9h às 11h – para estudantes do turno da tarde;

·         17h às 19h – para estudantes do turno da manhã.

Embora tenha raízes na comunidade da Boca do Mato, o projeto mantém as portas abertas para qualquer criança ou adolescente que deseje integrar as atividades e compartilhar dos valores que, há 19 anos, transformam vidas por meio do esporte. 

Saiba mais sobre o projeto no instagram: https://www.instagram.com/_aguiadecristo9_/




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