Idealizado para afastar crianças e adolescentes da violência e da vulnerabilidade social, o Águia de Cristo já marcou a trajetória de centenas de jovens e se tornou referência de inclusão e formação cidadã na comunidade.
Em uma quadra simples, onde a bola rola
duas vezes por semana, o principal objetivo nunca foi formar atletas. Há 19
anos, o Projeto Águia de Cristo, desenvolvido na comunidade da Boca do Mato, em
Cabo Frio, utiliza o esporte como ferramenta de transformação social,
oferecendo a crianças e adolescentes um caminho baseado em disciplina,
educação, respeito e valores humanos.
À frente dessa iniciativa está o
professor Ricardo Henrique, conhecido carinhosamente como Kadinho,
que dedica boa parte da própria vida à formação de jovens entre 7 e 17 anos.
Mais do que ensinar fundamentos do futebol, ele construiu um legado reconhecido
por famílias, ex-alunos e moradores da comunidade.
A história do projeto começou a partir de
um antigo programa social idealizado pelo saudoso Ivan Veleiro, ligado à
Secretaria Municipal de Educação (Seduc). Convidado para atuar na Boca do Mato,
Kadinho aceitou o desafio sem imaginar que aquele trabalho se transformaria em
uma missão que atravessaria quase duas décadas.
Desde então, centenas de crianças
passaram pelo projeto. Muitas delas encontraram, dentro do esporte, uma
oportunidade para mudar o rumo da própria história. “O futebol é apenas a
ferramenta”, resume o professor. “Meu objetivo nunca foi formar jogadores.
Quero formar homens de caráter.”
Essa filosofia se traduz em uma regra
inegociável dentro do Águia de Cristo: para permanecer no projeto, é preciso
frequentar a escola. A frase repetida por Kadinho tornou-se um dos pilares da
iniciativa: “Tem que ser bom de bola e bom de escola.”
O foco está na prevenção. O projeto busca
oferecer alternativas para que crianças e adolescentes não sejam atraídos pela
criminalidade, pela violência ou pelas drogas, realidade presente em muitas
comunidades brasileiras.
Mesmo enfrentando dificuldades
financeiras, Kadinho mantém as atividades praticamente com recursos próprios.
Grande parte das despesas é custeada por ele mesmo, que afirma encontrar na fé
a motivação para continuar.
Atualmente, entre 65 e 70 crianças e
adolescentes participam regularmente das atividades. No entanto, os números não
conseguem traduzir a dimensão do impacto alcançado ao longo desses 19 anos.
Entre os antigos participantes estão
jovens que hoje seguem carreiras profissionais, trabalham no serviço público,
atuam na iniciativa privada, concluíram o ensino superior e construíram
famílias. Outros encontraram na fé um novo propósito de vida.
É o caso de Michael Costa, que
superou uma infância marcada pela falta de estrutura familiar e hoje atua como
escritor e pregador da Palavra de Deus. Outro exemplo é Juan Souza,
também reconhecido pelo trabalho religioso desenvolvido após passar pelo
projeto.
O esporte também revelou talentos. Um dos
destaques é Lucas Antunes, o Luquinha, que se profissionalizou no futsal
e construiu carreira na modalidade, passando por equipes tradicionais do país.
Apesar disso, Kadinho faz questão de
afirmar que o sucesso esportivo nunca foi a principal meta. Nos últimos anos,
inclusive, o projeto deixou de priorizar competições oficiais, optando por
partidas amistosas que valorizam o aprendizado, a convivência e o espírito
esportivo, reduzindo rivalidades e fortalecendo o caráter dos participantes.
Mais do que um projeto esportivo, o Águia
de Cristo consolidou-se como uma iniciativa de formação humana. Em uma
comunidade onde muitos jovens convivem diariamente com situações de
vulnerabilidade, o trabalho desenvolvido por Ricardo Henrique demonstra que
dedicação, perseverança e compromisso social podem mudar destinos.
Depois de quase duas décadas de atuação
ininterrupta, o maior patrimônio do projeto não está nas medalhas ou nos
troféus, mas nas histórias de vida reescritas por meio da educação, da
disciplina e do esporte.
Atividades
O
Projeto Águia de Cristo atende gratuitamente crianças e adolescentes da
comunidade e de outras regiões interessadas em participar.
Dias: segundas-feiras e quartas-feiras.
Horários:
·
9h às 11h – para estudantes do turno da tarde;
·
17h às 19h – para estudantes do turno da manhã.
Embora tenha raízes na comunidade da Boca do Mato, o projeto mantém as portas abertas para qualquer criança ou adolescente que deseje integrar as atividades e compartilhar dos valores que, há 19 anos, transformam vidas por meio do esporte.
Saiba mais sobre o projeto no instagram:



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