Vídeo gravado em Tamoios expõe abandono de
equipamentos públicos e reacende debate sobre a necessidade de uma política
estadual permanente para o envelhecimento digno
CABO FRIO — O envelhecimento da população
brasileira avança em ritmo acelerado, mas, em Cabo Frio, equipamentos públicos
que durante anos foram referência no atendimento à pessoa idosa vivem uma
realidade marcada pelo fechamento de unidades, redução de serviços e falta de
investimentos.
Essa é a
principal mensagem do novo vídeo divulgado pelo pré-candidato a deputado
estadual Marco Figueiredo, gravado em Tamoios ao lado da gerontóloga Cristiane
Fernandes, responsável pela implantação de diversos programas voltados à
terceira idade no município.
Também
participou da gravação Emanoel Fernandes, que por duas vezes foi
vereador em Cabo Frio e é pioneiro ao criar a lei de implantação da primeira
Secretaria Municipal dedicada ao tema da Melhor Idade no Estado do Rio de Janeiro.
O casal Cris e Emanoel Fernandes também assessoraram Marco Figueiredo na implantação
da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa na ALERJ.
Mais do que
relembrar experiências bem-sucedidas do passado, a gravação apresenta um
diagnóstico sobre o atual cenário das políticas públicas destinadas ao
envelhecimento, apontando o enfraquecimento de uma rede que já foi considerada
referência na Região dos Lagos.
Três equipamentos simbolizam o enfraquecimento da política para a pessoa idosa
Durante a
gravação, Marco e Cristiane utilizam como exemplo a situação de três importantes equipamentos públicos destinados ao atendimento da terceira idade
em Cabo Frio.
O primeiro
deles é o Centro Especializado em Envelhecimento Humano e Longevidade das Palmeiras, que permanece em funcionamento, porém com número
reduzido de profissionais, atividades limitadas e capacidade muito inferior
àquela originalmente planejada.
O segundo é
o Centro Especializado em Envelhecimento Humano e Longevidade de Tamoios,
implantado para atender os moradores do segundo distrito e que hoje permanece
completamente fechado.
Na mesma
situação está a Casa de Acolhimento Temporário de Tamoios, criada para
oferecer proteção e assistência à população idosa mais vulnerável, em momento
de perigo até a solução das demandas. Esse equipamento também deixou de
funcionar.
Para Marco
Figueiredo, os quatro casos revelam um processo de descontinuidade
administrativa que compromete diretamente a qualidade de vida da população
idosa.
Uma estrutura que já foi referência
Em frente
ao antigo Centro Especializado de Tamoios, Cristiane Fernandes relembra o
período em que a unidade funcionava plenamente.
"Quem
conheceu esta casa funcionando sabe a importância que ela teve para milhares de
idosos. Aqui havia atendimento médico, odontológico, assistência social,
psicologia, atividades físicas, oficinas e ações voltadas ao envelhecimento
saudável. Encontrar esse espaço fechado causa uma tristeza enorme."
Segundo
ela, o problema vai muito além da interrupção de um serviço.
"Precisamos
ampliar esse modelo, e não encerrá-lo. Nossa população está envelhecendo e
precisa de cada vez mais políticas públicas permanentes."
Políticas públicas não podem depender do governo da vez
Ao longo do
vídeo, Marco Figueiredo afirma que programas destinados à pessoa idosa precisam
deixar de ser políticas de governo para se transformarem em políticas
permanentes de Estado.
Segundo
ele, quando equipamentos públicos deixam de funcionar ou passam a operar de
forma precária, toda a rede de proteção social perde eficiência.
"O que
vemos hoje é o enfraquecimento de uma estrutura construída ao longo de muitos
anos. Não estamos falando apenas de prédios. Estamos falando de atendimento
médico, acompanhamento psicológico, assistência social, atividades de
convivência e qualidade de vida para milhares de idosos."
Um legado construído na Assembleia Legislativa
Cristiane
Fernandes também relembra que Marco Figueiredo foi o responsável pela criação
da primeira Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da
Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, iniciativa que ajudou a
consolidar o tema do envelhecimento entre as prioridades do Parlamento
fluminense.
Segundo ela, a experiência demonstrou que políticas públicas consistentes produzem resultados quando recebem continuidade administrativa. "Marco sempre foi um defensor da pessoa idosa. O trabalho desenvolvido naquela época mostrou que é possível oferecer dignidade, acolhimento e qualidade de vida quando existe compromisso com essa população."
Um desafio para todo o Estado
Embora o vídeo tenha sido gravado em Cabo Frio, Marco afirma que a situação observada no município representa um desafio presente em diversas regiões do Estado. Para ele, o envelhecimento da população exige planejamento de longo prazo, investimentos contínuos e uma rede permanente de atendimento.
"O Estado do Rio de Janeiro precisa voltar a colocar a pessoa idosa entre suas prioridades. Não podemos aceitar equipamentos fechados, serviços reduzidos e estruturas abandonadas enquanto a população envelhece cada vez mais."

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