terça-feira, 14 de julho de 2026

Valdemar Costa Neto é suspeito de desviar R$ 119 milhões em emendas parlamentares


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. A decisão foi tomada após a Polícia Federal apontar que o dirigente partidário, mesmo sem exercer mandato, teria influenciado a destinação de 21 emendas parlamentares e desviado recursos públicos por meio de um esquema envolvendo servidores da Câmara dos Deputados.

Segundo a decisão, Valdemar teria utilizado sua posição para influenciar diretamente a destinação de emendas que eram formalmente atribuídas a deputados federais. Para Dino, o procedimento buscava conferir aparência de legalidade às indicações.

A investigação, conduzida na Operação Transparência, aponta que planilhas com as indicações eram analisadas por servidores da Câmara antes de serem encaminhadas aos ministérios. De acordo com a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 119 milhões. Os investigadores afirmam que, ao menos R$ 104 milhões já pagos podem ter sido desviados.

Na decisão, Dino classificou como "gravíssimo" o fato de um dirigente partidário sem mandato ter influência sobre a destinação do orçamento público. O ministro também determinou a suspensão imediata da execução das 21 emendas investigadas.

As apurações tiveram como principal alvo Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP). A análise do celular da investigada revelou conversas e planilhas que indicariam um "arranjo" para distribuição de recursos. Também é citada a servidora Nara Benedetti Nicolau Brum, apontada como responsável por operacionalizar tecnicamente as indicações atribuídas a Valdemar.

Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto negou qualquer irregularidade, afirmou que a decisão se baseia em "premissas frágeis" e destacou que a Procuradoria-Geral da República foi contrária ao bloqueio de bens. Os advogados sustentam que a atuação do presidente de partido na articulação de emendas é legítima e que não há provas de participação em crimes.

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Fonte: Jornal Jangadeiro

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