Operação da Senad interceptou aeronave em hangar privado do Aeroporto Silvio Pettirossi; três passageiros americanos foram presos e investigação busca identificar toda a estrutura por trás do carregamento
Uma operação contra o tráfico internacional de drogas transformou um jato executivo vindo dos Estados Unidos em uma das principais apreensões recentes realizadas pelas autoridades paraguaias. Em 30 de maio de 2026, agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) interceptaram, em um hangar privado na área do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, uma aeronave procedente de Miami que transportava 261,6 quilos de maconha classificada pelas autoridades como “premium”.
A informação inicial de que a droga estava simplesmente escondida “debaixo dos assentos” não corresponde exatamente ao que foi relatado pelas autoridades paraguaias. Segundo a investigação, o entorpecente estava acondicionado em malas e bolsas que eram retiradas do avião e transferidas para um veículo terrestre quando a operação foi deflagrada.
| Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial |
Carga milionária
A droga apreendida apresentava elevado teor de THC e, segundo a Senad, possui alto valor no mercado ilícito regional. Estimativas divulgadas pelas autoridades paraguaias apontam que o carregamento poderia representar mais de US$ 3,6 milhões no mercado brasileiro, considerando valores que poderiam chegar a aproximadamente US$ 14 mil por quilo.
A apreensão representa, portanto, não apenas uma grande quantidade de entorpecente retirada de circulação, mas também um golpe financeiro significativo contra a estrutura criminosa responsável pelo transporte.
Rota começou em Miami e passou pelo Panamá
A aeronave utilizada na operação é um Bombardier Challenger, matrícula N116HL, um jato executivo de fabricação americana. Os registros indicam que o avião saiu de Miami, nos Estados Unidos, fez uma escala no Panamá para abastecimento e seguiu posteriormente para o Paraguai.
A aeronave permanece apreendida pelas autoridades paraguaias. Estimativas publicadas durante a investigação apontaram valor de mercado de até US$ 4 milhões, dependendo das condições e do histórico de utilização do equipamento.
Três passageiros foram presos
A operação resultou inicialmente na prisão de três passageiros americanos: Troy Anthony Vásquez, David Thomas Wise e Marisol Rivas. Os três foram posteriormente imputados por suspeita de tráfico internacional de drogas e posse não autorizada de entorpecentes.
A Justiça paraguaia determinou a prisão preventiva dos três investigados, considerando, entre outros fatores, a ausência de vínculos dos estrangeiros com o país.
O caso, entretanto, não se encerrou com as prisões.
Investigação tenta descobrir quem está por trás da operação
As autoridades paraguaias trabalham para identificar todos os envolvidos na logística do carregamento e determinar a origem, o destino final e os responsáveis pela droga.
A investigação envolve a Senad, a Força Aérea Paraguaia, a Direção Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac), a Direção Nacional de Ingressos Tributários (DNIT), a Polícia Nacional e o Ministério Público, dentro das ações do Programa Colibrí, voltado ao combate ao tráfico internacional de drogas.
Em junho, a Justiça autorizou a realização de perícias em oito telefones celulares apreendidos durante a investigação. A análise busca identificar contatos, comunicações e outras informações que possam ajudar a esclarecer a organização responsável pelo transporte da carga.
Posteriormente, também foi realizada uma perícia aeronáutica no jato, com a extração de dados de navegação que passaram a integrar a investigação criminal.
Piloto e copiloto não foram denunciados
Um dos pontos que chamaram atenção no caso é a diferença de tratamento entre os passageiros e a tripulação.
Segundo informações divulgadas posteriormente pela investigação, o piloto Keith Siilats e o copiloto Jabari Stephan Brown não foram incluídos na imputação inicial feita contra os três passageiros. A Fiscalía considerou que o copiloto teria colaborado durante o procedimento, enquanto a situação do piloto continuava sendo analisada.
A definição de eventual responsabilidade criminal da tripulação depende do avanço das investigações e das provas reunidas no processo.
Droga estava preparada para transporte internacional
Segundo os documentos do caso, os 261,6 quilos estavam distribuídos em pacotes embalados a vácuo, uma forma de acondicionamento destinada a dificultar a identificação da substância e reduzir a dispersão do odor.
A característica da carga e a utilização de um jato executivo chamaram atenção das autoridades para a sofisticação logística empregada na operação.
O caso também reforça a importância da cooperação entre órgãos de inteligência, fiscalização aeroportuária e forças de segurança para identificar rotas utilizadas pelo tráfico internacional.
Um alerta sobre novas rotas do narcotráfico
A apreensão do chamado “narcojet” expõe uma modalidade de transporte que combina uma aeronave de alto valor, uma rota internacional e uma carga de elevado valor agregado.
A investigação ainda precisa esclarecer quem financiou o transporte, qual era o destino final da droga, quem receberia a carga e se os passageiros presos atuavam diretamente na organização ou cumpriam funções específicas dentro de uma estrutura maior.
Por enquanto, o que está confirmado é que um jato executivo que partiu de Miami, passou pelo Panamá e chegou ao Paraguai foi interceptado com 261,6 quilos de cannabis processada, em uma operação que provocou a apreensão da aeronave e a prisão preventiva de três passageiros.
E o caso permanece em investigação. A perícia nos celulares, os dados de navegação do avião e as demais provas reunidas pelas autoridades poderão revelar se o voo era apenas uma operação isolada ou parte de uma estrutura internacional de tráfico com conexões em diferentes países.
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