quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Google transforma lavouras de arroz do Rio Grande do Sul em projeto contra o aquecimento global


O Google anunciou nesta quarta-feira (16) seu maior acordo de remoção de carbono. A parceria com a empresa Terradot terá início em lavouras de arroz do Rio Grande do Sul e pretende combinar tecnologia agrícola e rochas vulcânicas para reduzir a presença de gases que intensificam o aquecimento do planeta.

O projeto será desenvolvido em mais de 200 mil hectares de plantações de arroz. A meta é evitar, até 2030, o equivalente a 1 milhão de toneladas de CO₂ em emissões de metano e remover permanentemente mais 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono até 2040.

A iniciativa utiliza duas estratégias diferentes. A primeira é o sistema de irrigação alternada, conhecido como “umedecimento e secagem alternados”. A técnica drena periodicamente os campos de arroz, reduzindo a formação de metano — um gás de efeito estufa de forte impacto no aquecimento global — e também diminuindo o consumo de água.

A segunda frente envolve o chamado intemperismo acelerado de rochas. A Terradot pretende aplicar pó de rocha vulcânica triturada no solo. Com o tempo, o material reage naturalmente e ajuda a retirar dióxido de carbono da atmosfera, mantendo esse carbono armazenado por um período prolongado.

O acordo chama atenção porque reúne efeitos de curto e longo prazo. A redução do metano pode produzir impacto climático mais rápido, enquanto a remoção de CO₂ pela rocha ocorre gradualmente e busca oferecer um resultado permanente.

Além do impacto ambiental, o Google afirma que o modelo pode gerar benefícios para os produtores rurais. A irrigação alternada tende a reduzir o uso de água e alguns custos de produção, enquanto a aplicação de rochas pode melhorar a qualidade do solo.

O valor da negociação não foi divulgado. O Google informou que pretende utilizar o projeto brasileiro como referência para ampliar iniciativas semelhantes em outras regiões produtoras de arroz do mundo.

A decisão ocorre em um momento de forte expansão dos sistemas de inteligência artificial e dos data centers da empresa. Segundo dados divulgados pela companhia, as emissões de gases de efeito estufa do Google cresceram 18% em 2025, chegando a 14,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

A parceria não elimina a necessidade de reduzir o consumo de energia e as emissões das próprias operações da empresa, mas representa uma das maiores iniciativas corporativas já anunciadas para combinar agricultura, tecnologia e recuperação ambiental.

O projeto transforma áreas tradicionalmente associadas à produção de alimentos em uma espécie de laboratório climático a céu aberto. No Rio Grande do Sul, arroz, água, rocha vulcânica e tecnologia passam a fazer parte da mesma estratégia para enfrentar o aquecimento global.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.