segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Comer menos não significa comer melhor — nutricionista lista 5 alertas para quem usa GLP-1


As chamadas canetas emagrecedoras mudaram a conversa sobre perda de peso. Medicamentos que atuam sobre o GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, passaram a fazer parte da rotina de um número crescente de pessoas e também das discussões nas redes sociais. De acordo com a Anvisa somente no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos que poderiam ser utilizados na preparação de aproximadamente 20 milhões de doses de medicamentos injetáveis da classe dos agonistas de GLP-1.

Mas, em meio ao entusiasmo com a possibilidade de perder peso com mais facilidade, existe uma pergunta que merece ganhar espaço: se a pessoa está comendo menos, ela está necessariamente comendo melhor? A resposta é não. É justamente nesse ponto que o acompanhamento nutricional ganha ainda mais relevância. Ao reduzir a fome e aumentar a sensação de saciedade, os medicamentos podem levar a uma diminuição significativa da quantidade de alimentos consumidos. E, quando o volume da alimentação diminui, a qualidade nutricional das escolhas passa a ser ainda mais importante.

Para Vanessa Rocha, nutricionista do Mundo Verde, o momento exige justamente o contrário de uma alimentação cada vez mais restritiva: é preciso olhar para o que está sendo consumido, e não apenas para quanto. “Quando a fome diminui, existe o risco de a pessoa simplesmente reduzir muito a quantidade de comida e acreditar que isso, por si só, é suficiente para emagrecer com saúde. Mas comer menos não significa necessariamente comer melhor. Se o volume alimentar caiu, precisamos garantir que aquilo que permanece na alimentação tenha qualidade e forneça os nutrientes necessários”, explica.


A nutricionista aponta cinco cuidados que merecem atenção durante o tratamento com medicamentos à base de GLP-1:

1. Menos fome, mais atenção ao que vai para o prato- com a redução do apetite, algumas pessoas passam a fazer refeições muito menores, pular refeições ou até perder o interesse por determinados alimentos. Embora a menor ingestão energética possa fazer parte do processo de emagrecimento, a restrição excessiva pode dificultar o consumo adequado de nutrientes. Por isso, o trabalho do nutricionista vai muito além de montar uma dieta. O profissional avalia as necessidades individuais e adapta a alimentação à rotina, aos objetivos, à composição corporal, ao nível de atividade física e à tolerância de cada paciente ao tratamento. “Uma das principais preocupações é garantir que, mesmo comendo menos, a pessoa continue recebendo proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos em quantidade adequada. A estratégia não deve ser simplesmente reduzir o prato, mas tornar as refeições menores mais nutritivas”, afirma Vanessa.

2. Proteínas, fibras, hidratação e densidade nutricional: o quarteto que merece atenção- com a perda de peso, preservar a massa muscular é um dos principais cuidados. A ingestão adequada de proteínas, distribuída ao longo do dia de acordo com as necessidades individuais, pode contribuir para esse objetivo. A alimentação deve ser associada à prática de exercícios, especialmente os resistidos, conforme orientação profissional. As fibras também merecem atenção. Frutas, verduras, legumes, sementes e farelos são importantes fontes do nutriente e podem contribuir para o funcionamento intestinal. Como alterações gastrointestinais podem ocorrer durante o tratamento, a alimentação precisa ser ajustada individualmente, considerando a tolerância de cada pessoa. A hidratação é outro ponto importante. Náuseas, vômitos e diarreia, quando presentes, podem aumentar o risco de desidratação. Mesmo com menor ingestão de alimentos, a atenção ao consumo de líquidos deve permanecer. Já quando o volume das refeições diminui, a densidade nutricional ganha ainda mais importância. Ou seja: cada escolha pesa. Alimentos nutritivos devem ocupar espaço na rotina, enquanto o excesso de produtos ultraprocessados e opções com baixa densidade nutricional pode comprometer a qualidade da alimentação.

3. O perigo de transformar a caneta em uma solução mágica- outro comportamento que merece atenção é a ideia de que o medicamento “faz todo o trabalho”. Embora os análogos de GLP-1 sejam ferramentas importantes no tratamento da obesidade, eles não substituem alimentação equilibrada, atividade física e mudanças de comportamento. “O medicamento pode ajudar no controle da fome, mas não ensina sozinho a pessoa a se alimentar. O acompanhamento nutricional pode aproveitar esse momento de maior controle do apetite para trabalhar escolhas, rotina, qualidade da alimentação e comportamentos que possam ser mantidos no longo prazo”, destaca. Isso também ajuda a entender uma preocupação frequente entre quem emagrece: o chamado efeito sanfona. Mais do que buscar uma dieta extremamente restritiva durante o uso da medicação, é importante desenvolver estratégias alimentares sustentáveis para que os hábitos construídos possam continuar fazendo parte da vida do paciente.

4. O que filtrar em meio ao excesso de informação? se as canetas ganharam espaço nos consultórios, também conquistaram as redes sociais. Vídeos com “dietas para quem usa Ozempic”, listas de alimentos proibidos, estratégias para potencializar o emagrecimento e recomendações de suplementos se multiplicam diariamente. O problema é que uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra e algumas orientações podem até ser inadequadas. “Estamos vivendo uma avalanche de informações sobre emagrecimento. É importante entender que não existe uma alimentação padrão para quem utiliza GLP-1. Cada pessoa tem necessidades, objetivos, rotina, composição corporal e tolerância diferentes. Por isso, a orientação individualizada é tão importante”, ressalta Vanessa.

5. O objetivo vai além da balança- no fim das contas, a discussão sobre as canetas emagrecedoras não deveria se resumir ao número que aparece na balança. A perda de peso pode ser parte do tratamento, mas a qualidade da alimentação, a preservação da massa muscular, a hidratação e a construção de hábitos sustentáveis também fazem parte desse processo. “Emagrecer pode ser o começo de uma mudança, e não o ponto final. O mais importante é que o paciente consiga construir uma forma de se alimentar e cuidar da saúde que faça sentido para a sua vida e que possa ser mantida no futuro. O medicamento é uma das estratégias de tratamento, mas os hábitos construídos ao longo do acompanhamento são fundamentais”, conclui a nutricionista.

Jornada Cultural e Científica de Montanhismo chega à 5ª edição com a primeira Conferência Leave No Trace Brasil


A Jornada Cultural e Científica de Montanhismo, único evento brasileiro que une cultura, ciência, educação e saúde voltados ao universo de montanha, chega à 5ª edição. O evento acontece entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro em Lídice, em Rio Claro (RJ), distrito cercado pela Mata Atlântica que vem se desenvolvendo no turismo de aventura. As inscrições já estão abertas, com limites de vagas para os workshops.

O evento tem o objetivo de conectar praticantes e atletas de atividades ao ar livre, pesquisadores, marcas, educadores e gestores públicos para promover conhecimento, ética e sustentabilidade. Combinando palestras e workshops técnicos, atividades em campo, apresentações científicas, atividades culturais e ações socioambientais, a Jornada reforça sua missão de tornar o montanhismo brasileiro mais seguro, sustentável e inclusivo.

 

Quatro dias de atividades


Os inscritos poderão participar de caminhada ou pedalada na Volta das Águas de Rio Claro, a maior trilha de longo curso do Brasil dentro de um mesmo município, com uma extensão de mais de 310 quilômetros, além de caminhada na Trilha da Pedra Chata, Pedra do Bispo e visitação ao Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.

 

O eixo científico, inédito no Brasil, envolve a submissão, apresentação e publicação de trabalhos acadêmicos sobre temas como geografia, biologia e ecologia de montanha; fisiologia e educação física aplicadas ao montanhismo; impacto ambiental e sustentabilidade; estudos sobre segurança, comportamento humano e turismo de natureza.

 

A Jornada também celebra a cultura de montanha com apresentação de peça de teatro local, sessão de cinema ao ar livre, show com banda musical, oficinas de arte e atividades para crianças.

 

Na grade de palestras, estão temas como biodiversidade da montanha, equipamentos de segurança, trilhas de longo curso, peregrinação, cicloturismo, expedições autossuficientes e alta montanha. Já a grade de workshops será composta por temas como orientação e navegação, práticas para trail run, gerenciamento de risco na escalada, meteorologia, trekking light e cozinha outdoor. Debates sobre diversidade e inclusão acontecerão nas mesas redondas: “Peculiaridades femininas nos esportes ao ar livre” e “A montanha é para todos? Acesso e inclusão na montanha”.

 

Conferência Leave No Trace estreia no Brasil


A principal novidade da 5ª edição da Jornada Cultural e Científica de Montanhismo será a realização da I Conferência Leave No Trace Brasil, nas manhãs dos dias 31 de outubro e 1 de novembro. O evento, promovido pelo Gear Tips, representante no Brasil da Leave No Trace, referência global em mínimo impacto ambiental, será um espaço de articulação entre educação, ciência, gestão pública, mercado outdoor e sociedade civil para o fortalecimento da política de visitação de ambientes naturais no país.

 

Entre as principais frentes estão “Gestão pública, unidades de conservação e políticas institucionais”, que contará com a apresentação de cases consolidados implementados em parceria com organizações como o ICMBio e Fundação Florestal, em unidades de conservação em diversos estados brasileiros.

 

“Mais do que falar sobre os princípios Leave No Trace, queremos discutir como fortalecer uma cultura de visitação responsável e ampliar o diálogo entre instituições, gestores, organizações da sociedade civil, redes colaborativas, empresas, operadoras, guias e condutores envolvidos com atividades em ambientes naturais”, explica Pedro Lacaz Amaral, CEO do Gear Tips.

 

Em 2026, a Jornada também amplia seu escopo com o III Simpósio de Saúde no Montanhismo, liderado por Juliana e Sascha Schlaad, consolidando o eixo dedicado à prevenção, desempenho e bem-estar do corpo e da mente. Neste ano, o simpósio abordará temas como altitude, hipo e hipertermia, cuidados com os pés e prevenção.

 

Sobre a Jornada


Inspirada pelos princípios do Leave No Trace (Mínimo Impacto), a Jornada adota práticas sustentáveis em toda a sua operação, como o incentivo ao uso de garrafas e copos reutilizáveis, gestão de resíduos zero plástico e integração com projetos sociais e ambientais locais. Também haverá a neutralização das emissões de carbono. A JCCM foi idealizada pela montanhista e médica do esporte Fernanda May, que comanda a realização ao lado do Gear Tips, com o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Rio Claro.

 

“A Jornada nasceu do desejo de reunir pessoas que não somente amam as montanhas, mas querem aprofundar o conhecimento e se capacitar para frequentar os ambientes com segurança e de forma sustentável. Desde o início, conectamos essa comunidade, oferecendo conteúdos relevantes e com propósito”, explica Fernanda.

 

O evento conta com o apoio institucional da Prefeitura de Rio Claro, ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura), CEFET/RJ (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca), Associação Caminhos da Mata Atlântica, FEMERJ (Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro), Outward Brasil, Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Instituto Semeia.

Colesterol baixo também pode ser um problema? Entenda quando investigar


Quando o assunto é colesterol, a preocupação costuma estar voltada aos níveis elevados no sangue. No entanto, uma redução importante e não esperada também pode merecer atenção, especialmente quando vem acompanhada de perda de peso involuntária, mudanças no apetite ou outros sintomas.

O colesterol exerce funções essenciais no organismo: faz parte da estrutura das membranas celulares e participa da produção de hormônios esteróides e ácidos biliares, importantes para a digestão das gorduras, além da síntese de vitamina D.

No exame de sangue, são avaliados colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Mais do que um valor isolado, a interpretação deve considerar o histórico do paciente, seus fatores de risco, hábitos de vida, uso de medicamentos e a comparação com exames anteriores.

Pensando nisso, Dra. Paula Matos Lemos, clínica geral do dr.consulta, lista as principais causas do colesterol baixo, além dos possíveis riscos e sinais de alerta. Confira:

Quando o colesterol baixo é esperado?

A redução do LDL e dos triglicérides pode ocorrer após perda de peso planejada, melhora da alimentação, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool. Também é uma consequência esperada de medicamentos prescritos para redução do risco cardiovascular, como estatinas e outras terapias hipolipemiantes.

Nessas situações, quando a redução ocorre após mudanças consistentes no estilo de vida ou durante tratamento indicado para reduzir o risco cardiovascular, o resultado geralmente representa uma evolução favorável. O tratamento não deve ser suspenso ou alterado sem orientação médica.

O objetivo é atingir uma meta de LDL adequada ao risco cardiovascular de cada pessoa. Em pacientes com risco cardiovascular elevado, reduções mais intensas do LDL podem trazer proteção importante para o coração e os vasos.

Quando investigar?

A atenção é maior quando a queda é nova, acentuada e sem explicação evidente. Em geral, considera-se hipolipidemia quando o colesterol total está abaixo de 120 mg/dL ou o LDL abaixo de 50 mg/dL, mas esses valores devem sempre ser interpretados no contexto clínico.

Entre as possíveis causas de colesterol baixo sem uso de medicação estão:

·  dietas muito restritivas, baixa ingestão calórica, desnutrição ou inapetência prolongada;

·  hipertireoidismo;

·  doenças que comprometem a absorção de nutrientes, como doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática crônica e outras síndromes de má absorção;

·  doenças hepáticas crônicas ou avançadas, que podem reduzir a produção de colesterol;

·  infecções crônicas, inflamação sistêmica e algumas neoplasias, sobretudo quando há perda de peso involuntária e sintomas constitucionais;

·  insuficiência renal avançada, estados de desnutrição ou perda de proteínas pelo intestino;

·  insuficiência adrenal;

·  causas genéticas, mais raras, como a hipobetalipoproteinemia familiar.

Na maioria das vezes, o colesterol baixo não causa sintomas específicos. O ponto principal é entender se ele faz parte de uma mudança esperada no estilo de vida ou no tratamento, ou se pode ser um sinal indireto de outra condição de saúde.

Sinais que merecem atenção

É importante buscar avaliação médica quando a redução do colesterol ocorre sem motivo aparente, principalmente se houver:

·  perda de peso não intencional;

·  fadiga importante ou fraqueza persistente;

·  redução do apetite;

·  diarreia crônica, fezes gordurosas ou outros sintomas gastrointestinais;

·  palpitações, tremores, intolerância ao calor, sudorese excessiva ou alteração do hábito intestinal;

·  febre prolongada, sudorese noturna ou outros sinais de doença sistêmica.

A investigação pode incluir a repetição do perfil lipídico e exames direcionados, como avaliação da tireóide, função hepática e renal, hemograma, marcadores inflamatórios e análise nutricional, conforme a história clínica.

O que fazer?

Não é recomendado tentar aumentar o colesterol por conta própria, nem interromper medicamentos prescritos. A conduta depende da causa identificada: em alguns casos, basta acompanhar; em outros, pode ser necessário ajustar a alimentação, revisar tratamentos em uso ou investigar doenças associadas.

Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o tabagismo e realizar exames periódicos são medidas importantes para a saúde cardiovascular. Mais do que buscar um número isolado, o ideal é compreender o perfil lipídico dentro do contexto de cada paciente.

Ideb: Rio de Janeiro inicia análise de resultados nas redes


O Ministério da Educação (MEC) iniciou o Brasil Aprende+, estratégia nacional criada para apoiar os estados, os municípios e o Distrito Federal na transformação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)2025 em ações de melhoria da aprendizagem. A iniciativa orienta as redes a analisarem os dados, identificar desafios, definir prioridades e elaborar planos de ação de acordo com a realidade de cada território.

A mobilização será desenvolvida em oito etapas, que vão da análise dos resultados ao acompanhamento das ações realizadas pelas escolas. O encontro realizado nesta quinta-feira (20) reuniu o MEC, a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro e a presidência estadual da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), além de secretários e representantes técnicos de municípios fluminenses. O objetivo foi apresentar a estratégia nacional e os materiais que serão disponibilizados, bem como aprofundar a discussão sobre os indicadores de aprendizagem, com foco no ensino fundamental.

A estratégia será apresentada em 27 encontros técnicos estaduais, envolvendo os 26 estados e o Distrito Federal. Ao longo do processo, as redes terão acesso a ferramentas, painéis de dados e materiais para apoiar gestores, coordenadores pedagógicos e professores na implementação e no acompanhamento das ações.

Rio de Janeiro – De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental do Rio de Janeiro passou de 5,9 para 6,1 nos anos iniciais e de 4,9 para 5,1 nos anos finais. Já o Ideb do ensino médio passou de 3,7 para 4,2. Na rede pública do estado, o resultado passou de 5,5 para 5,8 nos anos iniciais; de 4,5 para 4,7 nos anos finais; e de 3,3 para 3,7 no ensino médio. Com esses resultados, o Ideb alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.


Os dados serão utilizados como ponto de partida para o trabalho do Brasil Aprende+ no estado. A partir da análise dos resultados, as redes serão apoiadas na identificação dos principais desafios de aprendizagem e na construção ou revisão de seus planos de ação. Os documentos deverão definir prioridades, estratégias e resultados esperados com base nas evidências de cada território.

Para os municípios prioritários, o MEC disponibilizará ainda uma área específica no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), destinada ao detalhamento das ações relacionadas à recomposição das aprendizagens.

Ideb Nacional – Entre 2023 e 2025, o Ideb nacional também avançou nas três etapas avaliadas, considerando as redes públicas e privadas. Em uma escala de 0 a 10, o índice passou de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, de 5,0 para 5,3 nos anos finais e de 4,3 para 4,5 no ensino médio.
Considerando apenas a rede pública, o Ideb passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio. Com esses resultados, o país alcançou, nas três etapas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.

Os resultados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025 foram divulgados em 5 de agosto pelo MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Brasil Aprende+ – Entre os instrumentos previstos pelo Brasil Aprende+ está uma caixa de ferramentas, com painéis interativos, relatórios personalizados por rede de ensino, materiais orientadores, guias e ferramentas para gestores escolares, coordenadores pedagógicos e professores.
Ainda em agosto, o painel de priorização vai disponibilizar dados de todas as escolas do país. A ferramenta permitirá comparar os resultados de 2025 e a trajetória das unidades entre 2023 e 2025, ajudando a identificar escolas com resultados baixos, queda ou estagnação no desempenho.

Na segunda semana de setembro, será realizado o Dia D, mobilização nacional para apropriação dos resultados nas escolas. Cada rede poderá escolher a data, entre 8 e 11 de setembro, para reunir gestores, coordenadores pedagógicos e professores, analisar o desempenho dos estudantes, identificar lacunas de aprendizagem e definir prioridades.

Depois do Dia D, cada escola será estimulada a elaborar seu próprio plano de ação, conectado à realidade da unidade e integrado ao planejamento da rede. O trabalho será acompanhado ao longo do ano, com apoio do MEC na análise das evidências e no direcionamento de formação, apoio técnico e financeiro e outras políticas e programas, conforme os desafios identificados.

O Brasil Aprende+ integra o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, política construída em colaboração com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a Undime para apoiar os entes federativos na recomposição das aprendizagens de estudantes da educação básica. A iniciativa busca contribuir para a redução das desigualdades e o fortalecimento da equidade na educação.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Marco Figueiredo defende fortalecimento da saúde preventiva e campanhas educativas na Região dos Lagos


Diante da sobrecarga nos postos de saúde e hospitais da Região dos Lagos, o candidato a deputado estadual Marco Figueiredo defende a ampliação e modernização das ações de saúde preventiva no estado. A proposta busca combater riscos evitáveis por meio da informação, integrando unidades de saúde, escolas e mídias digitais em uma rede contínua de conscientização pública.

A pauta resgata um legado legislativo de sua autoria: em 2010, Figueiredo aprovou na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) a Lei nº 5.795, que instituiu campanhas educativas sobre riscos de contaminação cruzada em consultórios e clínicas odontológicas. A medida foi pioneira ao estabelecer diretrizes de orientação para profissionais e pacientes sobre protocolos de esterilização e biossegurança.

Do Legado à Urgência Atual

Passados 16 anos, o parlamentar destaca que a lógica da biossegurança e da prevenção precisa ser expandida para além dos consultórios, alcançando o cotidiano das famílias que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) na Baixada Litorânea.

Em municípios como Cabo Frio, Arraial do Cabo, Armação dos Búzios, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Araruama, a falta de acesso a orientações básicas sobre prevenção de infecções, proliferação de vetores e cuidados primários reflete diretamente no aumento da procura por atendimentos de emergência.

"Saúde pública não se faz apenas com medicamentos e leitos de UTI, se faz com prevenção e orientação. Quando aprovamos a Lei 5.795, o objetivo era levar informação clara para proteger a população de riscos invisíveis. Hoje, precisamos resgatar esse espírito e transformar a informação na primeira barreira contra o adoecimento", afirma Marco Figueiredo.

Propostas para a Rede Regional de Prevenção

Para responder aos desafios atuais, Figueiredo propõe que o governo estadual estruture um plano integrado de educação em saúde voltado para a Região dos Lagos, apoiado em três eixos centrais:

  • Conscientização em Biossegurança: Atualização e fiscalização dos protocolos de informação sobre esterilização e higiene em unidades de atendimento público e privado.
  • Educação em Saúde nas Escolas: Parcerias entre a Secretaria de Saúde e a rede pública de ensino para capacitar jovens e crianças sobre prevenção de doenças contagiosas e cuidados comunitários.
  • Comunicação Digital e Acessível: Uso de plataformas digitais, aplicativos e redes sociais para difundir alertas sanitários e campanhas de orientação direta ao cidadão.

Com o histórico de cinco mandatos consecutivos na ALERJ, Marco Figueiredo reafirma seu compromisso em cobrar do Poder Executivo compromissos firmes com a descentralização e o fortalecimento da atenção primária, colocando a Região dos Lagos como polo de referência em saúde preventiva e proteção social.

Eclipse vai escurecer 96% da Lua e poderá ser visto em todo o Brasil; veja quando e como assistir


Fenômeno acontecerá na noite de 27 para 28 de agosto e será tão intenso que poderá parecer um eclipse total. No auge, 96,2% da Lua ficará coberta pela sombra da Terra.

Prepare-se para olhar para o céu.

Um dos fenômenos astronômicos mais impressionantes de 2026 está prestes a acontecer e, desta vez, o Brasil inteiro estará na primeira fila.

Na noite de quinta-feira, 27 de agosto, para sexta-feira, 28, ocorrerá um eclipse lunar parcial extremamente profundo, durante o qual 96,2% da Lua ficará obscurecida pela sombra da Terra.

Apesar de tecnicamente não ser um eclipse total, visualmente faltará muito pouco para isso.

E há uma ótima notícia:

será possível acompanhar o fenômeno de todas as regiões do Brasil.

A informação foi confirmada pelo Observatório Nacional, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

QUE HORAS COMEÇA O ECLIPSE?

Para quem estiver no horário de Brasília, será preciso ficar acordado até a madrugada.

O fenômeno começa discretamente ainda na noite de quinta-feira e vai se intensificando até atingir seu ponto máximo já na sexta-feira.

Segundo o Observatório Nacional:

22h24 — início do eclipse penumbral
23h34 — início do eclipse parcial
1h13 — momento máximo do eclipse
2h52 — fim da fase parcial
4h02 — encerramento do eclipse penumbral

A fase parcial, justamente aquela em que a mudança na Lua ficará mais evidente, terá aproximadamente 3 horas e 18 minutos de duração.

Isso significa que não será necessário correr até a janela para observar um fenômeno que dure apenas alguns segundos.

Haverá bastante tempo para acompanhar a transformação.

POR QUE ESTE ECLIPSE É TÃO ESPECIAL?

Porque será um eclipse parcial por uma diferença muito pequena.

No auge do fenômeno, a sombra da Terra atingirá 96,2% da Lua.

Imagine praticamente todo o disco lunar mergulhado na região mais escura da sombra terrestre e apenas uma pequena faixa permanecendo fora dela.

É exatamente isso que deverá acontecer.

Por essa razão, o próprio Observatório Nacional descreve o fenômeno como “quase total”.

Para quem estiver observando, a Lua deverá parecer profundamente escurecida, com apenas uma pequena parte ainda iluminada diretamente pelo Sol.

O ECLIPSE SERÁ VISÍVEL EM TODO O BRASIL

Aqui está um dos principais motivos para este evento chamar tanta atenção.

O eclipse poderá ser acompanhado em todo o território brasileiro, desde que as condições meteorológicas permitam visualizar a Lua.

Isso ocorre porque eclipses lunares possuem uma área de visibilidade muito maior do que eclipses solares.

Quem estiver no lado noturno da Terra e conseguir enxergar a Lua poderá acompanhar o fenômeno.

NASA também registra o eclipse lunar parcial de 28 de agosto de 2026 como visível nas Américas, além de partes da Europa, África e Pacífico.

DÁ PARA VER A OLHO NU?

Sim.

E esta é uma diferença fundamental em relação a um eclipse solar.

Você pode olhar diretamente para um eclipse lunar sem colocar os olhos em risco.

Não são necessários óculos especiais, filtros, vidro de soldador ou qualquer outro equipamento de proteção.

O Observatório Nacional explica que a observação é completamente segura e que basta olhar para a Lua.

Binóculos e telescópios podem melhorar a experiência, mas também não são necessários.

Ou seja:

se o céu estiver aberto, basta sair de casa e olhar para cima.

POR QUE A LUA ESCURECE?

O fenômeno acontece por causa de um alinhamento entre Sol, Terra e Lua.

Normalmente, a Lua recebe diretamente a luz do Sol.

Durante um eclipse lunar, porém, a Terra passa entre o Sol e a Lua.

A sombra projetada pelo nosso planeta no espaço acaba atingindo a superfície lunar.

Essa sombra possui duas regiões principais:

penumbra, onde parte da luz solar ainda consegue chegar;

e umbra, a região mais escura da sombra.

No eclipse de agosto, a Lua penetrará profundamente na umbra da Terra.

É justamente isso que produzirá a enorme região escurecida que poderá ser observada daqui.

A LUA VAI FICAR VERMELHA?

Parte da Lua poderá apresentar tonalidades mais escuras, acobreadas ou avermelhadas durante o fenômeno.

A intensidade da cor pode variar.

Isso acontece porque parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de alcançar a superfície lunar.

A atmosfera espalha com maior eficiência determinados comprimentos de onda da luz, permitindo que tons mais avermelhados cheguem à região eclipsada.

É um processo semelhante ao responsável pelos tons vermelhos e alaranjados observados em muitos nasceres e pores do Sol.

Mas existe uma diferença importante:

o eclipse de agosto será parcial, e não um eclipse lunar total.

Portanto, não é correto anunciar simplesmente que haverá uma “Lua de Sangue” total.

POR QUE NÃO TEM ECLIPSE TODO MÊS?

Se a Lua gira ao redor da Terra todos os meses, uma pergunta surge naturalmente:

por que não temos um eclipse lunar em toda Lua Cheia?

Porque a órbita da Lua possui uma inclinação de aproximadamente 5 graus em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol.

Na maioria das vezes, portanto, a Lua passa um pouco acima ou abaixo da sombra terrestre.

O eclipse acontece quando os três corpos atingem um alinhamento suficientemente preciso.

BRASIL FICOU DE FORA DO ECLIPSE SOLAR — MAS AGORA A HISTÓRIA MUDA

O fenômeno também chama atenção por acontecer apenas duas semanas depois do eclipse solar total de 12 de agosto de 2026.

Naquela ocasião, brasileiros não puderam observar o eclipse solar diretamente do território nacional.

A faixa de visibilidade passou pelo Hemisfério Norte.

Agora acontece justamente o contrário.

O eclipse da Lua poderá ser observado diretamente pelos brasileiros.

VAI PRECISAR DE TELESCÓPIO?

Não.

Para observar o eclipse, o equipamento mais importante será muito mais simples:

um céu sem muitas nuvens.

Quem estiver em uma área com menor poluição luminosa poderá ter uma experiência ainda melhor, mas moradores de grandes cidades também deverão conseguir visualizar o fenômeno.

Um binóculo pode revelar mais detalhes da superfície lunar.

Um telescópio pode tornar a observação ainda mais impressionante.

Mas nenhum dos dois é obrigatório.

DÁ PARA FOTOGRAFAR COM O CELULAR?

Sim, embora o resultado dependa bastante da câmera do aparelho.

Algumas dicas simples podem ajudar:

apoie o celular em uma superfície firme;

evite utilizar zoom digital exagerado;

toque sobre a Lua na tela para ajustar foco e exposição;

reduza manualmente a exposição caso a Lua apareça como uma enorme bola branca;

e, se disponível, utilize um tripé.

Celulares com câmeras teleobjetivas tendem a conseguir imagens muito melhores.

Durante o auge do eclipse, a grande diferença de luminosidade entre as regiões da Lua poderá produzir fotografias bastante interessantes.

E SE ESTIVER NUBLADO?

Existe uma alternativa.

O Observatório Nacional informou que fará transmissão ao vivo do eclipse, permitindo acompanhar o fenômeno pela internet mesmo para quem estiver em uma região encoberta por nuvens.

Ainda assim, a experiência de observar diretamente o céu é difícil de substituir.

Por isso, vale acompanhar a previsão do tempo na sua cidade conforme a data se aproximar.

O MOMENTO MAIS ESPERADO SERÁ À 1H13

Se você não pretende acompanhar todas as horas do fenômeno, guarde este horário:

1h13 da madrugada de sexta-feira, 28 de agosto.

É quando acontecerá o máximo do eclipse no horário de Brasília.

Nesse momento, praticamente toda a Lua estará mergulhada na sombra terrestre.

Será o melhor instante para observar e fotografar o fenômeno.

QUANDO HAVERÁ OUTRO ECLIPSE ASSIM NO BRASIL?

Existe outro ingrediente capaz de tornar esta noite ainda mais especial.

Segundo o Observatório Nacional, os eclipses lunares de 2027 serão do tipo penumbral, cuja mudança de luminosidade é muito mais discreta.

Em janeiro de 2028 ocorrerá outro eclipse parcial visível em todo o Brasil, mas somente uma pequena parcela da Lua ficará obscurecida.

Um eclipse lunar total, com o disco lunar avermelhado e visível em todo o território brasileiro, deverá voltar a acontecer apenas na noite de 25 para 26 de junho de 2029.

RESUMO: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

Quando será o eclipse?
Na noite de 27 para 28 de agosto de 2026.

Vai dar para ver no Brasil?
Sim. O fenômeno será visível em todo o país.

Quanto da Lua ficará escura?
Cerca de 96,2% no momento máximo.

Qual o melhor horário?
Por volta de 1h13 da madrugada, no horário de Brasília.

Precisa de óculos especiais?
Não.

Pode olhar diretamente?
Sim. Eclipse lunar é seguro para os olhos.

Precisa de telescópio?
Não.

Quanto dura a fase parcial?
Aproximadamente 3 horas e 18 minutos.

Vai ter transmissão pela internet?
Sim. O Observatório Nacional anunciou transmissão ao vivo.

MARQUE A DATA

Na noite de 27 para 28 de agosto, milhões de brasileiros terão a oportunidade de acompanhar simultaneamente um espetáculo que acontece a centenas de milhares de quilômetros de distância.

Pouco depois das 22h, a transformação começará discretamente.

À medida que a madrugada avançar, a sombra terrestre tomará cada vez mais espaço.

Até que, por volta de 1h13, aproximadamente 96% da Lua estará mergulhada na sombra da Terra.

Não será necessário comprar ingresso.

Não será necessário telescópio.

E muito menos equipamentos especiais.

Se as nuvens colaborarem, basta uma coisa:

olhar para o céu.


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Lula e Trump conversam por 1h20: tarifaço, Pix e crime organizado entram no centro da relação Brasil-EUA


Presidente brasileiro contestou as justificativas usadas pelos Estados Unidos para novas tarifas sobre produtos nacionais. Trump sinalizou interesse em retomar as negociações, enquanto divergências sobre Pix e classificação de facções criminosas também entraram na conversa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a conversar diretamente nesta sexta-feira, 21 de agosto, em um telefonema que durou aproximadamente uma hora e vinte minutos e colocou sobre a mesa alguns dos temas mais sensíveis da atual relação entre Brasil e Estados Unidos.

No centro da conversa estavam as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, mas o diálogo foi muito além do comércio.

Pix, etanol, crime organizado, conflitos internacionais e a relação política entre os dois países também fizeram parte da conversa.

Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, o telefonema aconteceu em tom “amistoso e cordial”, apesar das divergências entre Brasília e Washington.

LULA CONTESTA TARIFAS DOS ESTADOS UNIDOS

Um dos principais pontos da conversa foi o chamado tarifaço americano.

Lula afirmou que parte das justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para aumentar as tarifas contra produtos brasileiros é infundada.

Entre os temas levantados pelas autoridades americanas nas recentes disputas comerciais aparecem questões relacionadas ao Pix, etanol, propriedade intelectual, desmatamento, combate à corrupção e importação de produtos relacionados a trabalho forçado.

Na avaliação apresentada pelo presidente brasileiro, o aumento das barreiras comerciais pode prejudicar empresas e consumidores dos dois países.

Lula defendeu, portanto, que Brasil e Estados Unidos permaneçam na mesa de negociação.

A reação de Trump foi um dos pontos mais importantes da conversa.

Segundo o relato divulgado após o telefonema, o presidente americano concordou com a necessidade de preservar relações comerciais fortes e sugeriu que representantes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível.

Isso não significa que as tarifas estejam suspensas ou que já exista um acordo.

Mas representa uma tentativa de reabrir diretamente o canal político entre os dois maiores países das Américas.

E O PIX? POR QUE ELE ENTROU NESSA HISTÓRIA?

Para muitos brasileiros, esse é provavelmente o ponto mais curioso de toda a discussão.

Afinal:

o que o Pix tem a ver com uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos?

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos apareceu entre os assuntos analisados pelas autoridades comerciais americanas dentro de uma discussão mais ampla sobre práticas consideradas por Washington potencialmente prejudiciais a empresas dos Estados Unidos.

O governo brasileiro contesta essa interpretação.

Criado pelo Banco Central, o Pix tornou-se um dos sistemas de pagamento mais utilizados do país e alterou profundamente o mercado brasileiro de transações financeiras.

Por isso, qualquer discussão internacional envolvendo o sistema desperta atenção imediata entre consumidores, bancos, fintechs e empresas de tecnologia.

Até o momento, entretanto, não há qualquer indicação de que o Pix vá deixar de funcionar ou sofrer alterações por causa da disputa com os Estados Unidos.

Esse ponto é importante porque a simples presença do Pix nas discussões internacionais tem provocado interpretações exageradas nas redes sociais.

CRIME ORGANIZADO TAMBÉM VIROU ASSUNTO ENTRE LULA E TRUMP

Outro tema delicado entrou no telefonema: o combate às grandes facções criminosas brasileiras.

Lula afirmou a Trump que o Brasil tem interesse em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.

Mas os dois governos possuem uma divergência importante.

O presidente brasileiro argumentou que organizações criminosas podem espalhar medo e violência entre a população, mas isso não significa necessariamente que devam ser enquadradas juridicamente como organizações terroristas.

O governo dos Estados Unidos adotou uma posição mais dura em relação ao PCC e ao Comando Vermelho, enquanto Brasília defende que o país já possui instrumentos legais específicos para combater essas organizações.

Segundo o governo brasileiro, Lula apresentou a Trump algumas das estratégias utilizadas pelo país para atingir financeiramente organizações criminosas.

Trump, por sua vez, sinalizou disposição para ampliar a cooperação entre os dois países nessa área.

POR QUE ESSA CONVERSA É TÃO IMPORTANTE?

Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação econômica construída ao longo de mais de dois séculos.

Os americanos estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil e qualquer alteração significativa nas tarifas pode afetar diretamente setores exportadores brasileiros.

Produtos vendidos aos Estados Unidos podem se tornar mais caros no mercado americano quando são submetidos a tarifas maiores.

Na prática, isso pode significar perda de competitividade para empresas brasileiras.

Ao mesmo tempo, uma guerra comercial também pode afetar empresas americanas que dependem de produtos, matérias-primas ou fornecedores brasileiros.

É justamente esse argumento que Brasília tenta utilizar para convencer Washington a voltar à mesa de negociação.

TRUMP ABRE ESPAÇO PARA NOVAS NEGOCIAÇÕES

Talvez a informação mais relevante do telefonema não esteja naquilo em que Lula e Trump discordaram.

Está naquilo em que concordaram.

Os dois governos indicaram interesse em manter abertas as negociações.

Trump propôs que as equipes brasileiras e americanas voltem a conversar rapidamente sobre as questões comerciais.

Isso abre uma nova etapa na relação entre Brasília e Washington.

Agora, diplomatas e negociadores comerciais terão de transformar o diálogo político em propostas concretas.

A questão é saber se haverá espaço para reduzir ou retirar as tarifas.

AINDA NÃO EXISTE ACORDO

Apesar do tom positivo da conversa, é importante separar diálogo de acordo.

O telefonema não anunciou o fim das tarifas americanas.

Também não significa que todas as divergências entre Brasil e Estados Unidos tenham sido superadas.

As duas administrações continuam com posições diferentes em diversos assuntos.

Mas o contato direto entre Lula e Trump diminui, pelo menos temporariamente, o risco de que a relação comercial caminhe exclusivamente para uma escalada de retaliações.

O QUE PODE ACONTECER AGORA?

A próxima movimentação deve ocorrer entre representantes comerciais e diplomáticos dos dois países.

A expectativa é de novas reuniões para discutir as medidas tarifárias e buscar possíveis pontos de acordo.

Se as negociações avançarem, alguns produtos brasileiros poderão eventualmente ganhar tratamento diferente.

Caso fracassem, o Brasil ainda possui mecanismos comerciais para responder às medidas americanas.

Por isso, as próximas semanas serão importantes para empresas brasileiras que exportam para o mercado dos Estados Unidos.

UMA LIGAÇÃO QUE FOI MUITO ALÉM DO TARIFAÇO

O telefonema de aproximadamente 80 minutos mostrou que a relação entre Lula e Trump envolve hoje muito mais do que uma disputa sobre impostos de importação.

Tarifas, Pix, crime organizado, segurança internacional e comércio passaram a fazer parte do mesmo tabuleiro diplomático.

A conversa terminou sem um grande acordo, mas com uma sinalização importante: os dois presidentes querem manter o canal aberto.

Em uma relação entre países com economias do tamanho de Brasil e Estados Unidos, isso pode ser decisivo.

A pergunta agora é outra:

a conversa entre Lula e Trump será suficiente para transformar a trégua diplomática em um acordo comercial?

Essa resposta dependerá das próximas negociações.

Fontes: Reuters, Secretaria de Comunicação da Presidência da República e veículos nacionais que acompanharam o comunicado oficial.