Apuração preliminar envolve a Saur Construção e a DM Invest; PGE-RJ informou que não identificou pagamentos do Estado às duas empresas
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu, em junho de 2026, uma investigação preliminar envolvendo duas empresas ligadas ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e candidato do PL ao governo estadual, Douglas Ruas. A apuração busca esclarecer se houve pagamentos ou outras relações financeiras entre o governo fluminense e as empresas Saur Construção, Terraplanagem e Locação e DM Invest.
Em 16 de junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) informações sobre eventuais pagamentos realizados pelo governo às duas empresas. Segundo o Ministério Público, os dados seriam utilizados para instruir um procedimento na Assessoria de Atribuição Originária Criminal (AAOCRIM), setor que atua em investigações relacionadas a autoridades que possuem foro por prerrogativa de função.
Empresas têm participação de Douglas Ruas
A Saur Construção, Terraplanagem e Locação tem Douglas Ruas e seu irmão, o vereador Nelson Ruas Filho, entre os sócios. Registros empresariais consultados apontam que Douglas Ruas integra o quadro societário da companhia desde sua constituição, em 2011.
Já a DM Invest Consultoria e Participações, constituída em outubro de 2024, tem Douglas Ruas como sócio e Letícia Rocha Moura Felício como administradora. Letícia é mulher de Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo.
Apesar da solicitação feita pelo Ministério Público, a resposta da PGE-RJ não apontou pagamentos do governo estadual às duas empresas. De acordo com o órgão, não foram encontrados registros de transações do Estado com a Saur Construção ou a DM Invest no levantamento realizado.
Outro inquérito apura evolução patrimonial
Paralelamente à investigação mais recente, existe um inquérito civil instaurado em maio de 2023 pelo Ministério Público fluminense para apurar possível improbidade administrativa relacionada à evolução patrimonial de Douglas Ruas e Thiago Saraiva.
Documento publicado pelo próprio MPRJ registra como objeto do inquérito a apuração de eventual “evolução patrimonial incompatível” dos servidores Douglas Ruas dos Santos, Thiago Saraiva Felício e Randhal Juliano Barreto Coelho, com referência ao artigo 9º da Lei de Improbidade Administrativa.
A existência do procedimento, contudo, não significa que tenha havido condenação ou que as suspeitas tenham sido comprovadas. Trata-se de uma investigação destinada justamente a reunir elementos para verificar se houve ou não irregularidades.
Auditoria também analisou gestão de Douglas na Secretaria de Cidades
A movimentação do Ministério Público ocorre em um contexto no qual outro procedimento envolvendo a atuação de Douglas Ruas no governo estadual também ganhou atenção.
Segundo informações divulgadas em agosto, uma auditoria realizada pela PGE-RJ e encaminhada ao Ministério Público apontou possíveis irregularidades na Secretaria de Cidades durante o período em que Douglas Ruas comandou a pasta, entre setembro de 2023 e março de 2026. Entre os pontos analisados está um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato relacionado a obras de asfaltamento.
Esse procedimento é distinto da investigação sobre a Saur e a DM Invest e não significa, por si só, que exista ligação entre as empresas e as supostas irregularidades apontadas na auditoria.
Defesa nega contratos com órgãos públicos
Procurada sobre a investigação, a assessoria de Douglas Ruas afirmou que as empresas mencionadas não possuem vínculos ou contratos com órgãos públicos. A informação é compatível com a resposta apresentada pela PGE-RJ ao Ministério Público, segundo a qual não foram identificados pagamentos do governo estadual à Saur Construção e à DM Invest.
O caso permanece em fase de apuração. O Ministério Público ainda deverá analisar as informações obtidas e decidir se existem elementos para aprofundar a investigação ou adotar outras providências.
Até o momento, não há decisão judicial que condene Douglas Ruas pelos fatos investigados.
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