Levantamento da Predictus mostra que o estado responde por 10,88% das ações trabalhistas relacionadas ao esgotamento profissional registradas no Brasil
O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de ações trabalhistas envolvendo burnout. Levantamento inédito da Predictus, maior plataforma de big data de processos judiciais do país, identificou aproximadamente 2.482 processos relacionados à síndrome do esgotamento profissional no estado entre janeiro de 2016 e abril de 2026, o equivalente a 10,88% de todas as 22.815 ações mapeadas nacionalmente.
O Rio aparece atrás apenas de São Paulo (27,67% das ações) e à frente de Minas Gerais (9,39%), demonstrando que o adoecimento mental relacionado ao trabalho tem se consolidado como um dos principais desafios das relações trabalhistas no estado.
Segundo o estudo da Predictus, o avanço da judicialização acompanha um cenário nacional de crescimento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais e da consolidação do burnout como fenômeno ocupacional reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A pesquisa analisou mais de 22 mil processos e quase R$ 10 bilhões em valores discutidos na Justiça do Trabalho em todo o Brasil.
Entre os segmentos econômicos que mais concentram ações por burnout estão o setor financeiro, hospitais, call centers, administração pública, supermercados e planos de saúde — atividades caracterizadas por elevada pressão, metas intensas e contato permanente com o público. Além disso, a entrada em vigor das novas exigências da NR-1, que tornaram obrigatória a gestão dos riscos psicossociais nas empresas, tende a ampliar a atenção das organizações para programas de prevenção e saúde mental no ambiente corporativo.
Para Hendrik Eichler, especialista em dados jurídicos e CEO da Predictus, o aumento das ações demonstra que a saúde mental deixou de ser apenas uma questão de bem-estar e passou a representar também um importante fator de risco jurídico para as empresas. “Os dados mostram que determinados setores concentram uma incidência muito maior de processos, o que reforça a necessidade de políticas efetivas de prevenção e gestão dos riscos psicossociais", afirma Hendrik.
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