Tido como peça-chave na reviravolta da comunicação digital da campanha do segundo turno da eleição presidencial, o canal “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp, levou a esquerda a, pela primeira vez, superar a direita na mobilização nas redes sociais e pode ter sido fundamental para atrair votos de eleitores que estavam indecisos.
O cofundador da consultoria Palver Luis Fakhouri avalia que
uma das decisões mais importantes do “general” da guerrilha digital foi
investir em conteúdos para cada um dos “soldados” distribuir para seus próprios
contatos no WhatsApp, com mensagens apelando para que essas pessoas, por sua
vez, fizessem o mesmo, criando ondas de massificação que conseguiram furar a
bolha da esquerda.
Quando a estratégia de Janones e as “missões” dadas aos
militantes estavam mais dedicadas ao Instagram, a tendência era que o alcance
ficasse limitado. “Mudando essa estratégia para o WhatsApp, você tem uma
capacidade de atingir mais pessoas, principalmente as pessoas que estavam
indecisas, que não estavam se informando tanto sobre política. Então, pode ter
sido uma estratégia fundamental”, afirma Fakhouri.
Um dos principais exemplos observados pelo executivo da
Palver na campanha do segundo turno foi a resposta de Lula no debate da Globo
depois de Flávio Bolsonaro se referir a ele pejorativamente como “nove dedos”.
O petista disse que seu adversário havia falado “uma grande asneira”, centrando
o revide na defesa de trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas pelos
patrões e na história de seu próprio acidente, que provocou a amputação do dedo
mínimo de sua mão esquerda.
A cena pegou especialmente mal para o senador do PL, que
ainda foi acusado de etarismo em outros momentos por caçoar da voz de seu
adversário. Lula disputou a eleição aos 80 anos e completou 81 na última
terça-feira, 27.
“Isso mexe com muitas pessoas que têm alguma deficiência ou
que têm um parente com deficiência. Acaba provocando um sentimento de compaixão
com a pessoa que está numa posição de maior fragilidade — no caso, o Lula,
porque quem estava atacando era o Flávio. A depender do conteúdo que foi
disseminado, você aumenta a capacidade de esse conteúdo inspirar as pessoas,
emocionar as pessoas e, de fato, produzir uma mudança no voto delas. Ou, às
vezes, a pessoa não iria votar e passa a ir votar exatamente porque acredita
que o outro candidato, autor do ataque, não seria adequado”, afirma Fakhouri.
Fonte: Revista Veja

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.