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sábado, 29 de agosto de 2026

Golpe proibido em campeonato de jiu-jítsu deixa atleta com grave lesão cervical e caso vira investigação criminal


Willian “Kabuto” Masuda sofreu fratura-luxação nas vértebras C5 e C6 durante luta em Londrina, passou por cirurgia de quase dez horas e segue internado. Ministério Público pediu inquérito para apurar possível responsabilidade criminal

O atleta de jiu-jítsu Willian “Kabuto” Masuda sofreu uma grave lesão na coluna cervical durante uma competição realizada em Londrina, no Paraná, após ser atingido por um movimento apontado como proibido pelas regras da modalidade. O caso deixou o ambiente esportivo e passou a ser investigado pela Polícia Civil a pedido do Ministério Público.

Kabuto teve uma fratura-luxação entre as vértebras C5 e C6, passou por uma cirurgia de quase dez horas e permanece internado. Segundo as informações médicas divulgadas até agora, o atleta apresentou evolução nos movimentos dos membros superiores, mas ainda não recuperou os movimentos das pernas. A equipe responsável pelo tratamento considera prematuro definir se haverá sequelas permanentes.

A lesão ocorreu durante uma luta sem quimono contra o também faixa-preta Juliano Di Pelli Machado, no Super Pro Jiu-Jitsu 2026, realizado no Ginásio Moringão. Durante uma sequência do combate, Kabuto foi projetado contra o solo em uma posição que concentrou o impacto sobre a região cervical.

O movimento passou a ser identificado por especialistas e integrantes da modalidade como um “bate-estaca”, técnica proibida em competições por representar risco elevado de trauma na cabeça, no pescoço e na coluna.

O árbitro interrompeu a luta e desclassificou o adversário. Kabuto recebeu atendimento ainda no ginásio, foi imobilizado e encaminhado ao hospital.

Ministério Público pediu investigação

A gravidade da lesão levou o Ministério Público do Paraná a encaminhar notícia-crime à Polícia Civil para apurar as circunstâncias do golpe e eventual responsabilidade penal.

O promotor responsável pelo pedido defendeu que o caso seja analisado sob a hipótese de lesão corporal gravíssima com dolo eventual. Nesse enquadramento, a investigação precisa verificar se o atleta que executou o movimento tinha consciência do risco de produzir uma lesão grave e, ainda assim, assumiu esse risco.

A abertura do inquérito não significa que Juliano Di Pelli tenha sido considerado culpado. A Polícia Civil deverá analisar as imagens completas da luta, o regulamento do campeonato, os laudos médicos, o comportamento dos atletas e os depoimentos das pessoas envolvidas antes de definir se houve crime.

A defesa de Di Pelli afirma que ele está abalado com o quadro de saúde de Kabuto e que colaborará com a investigação. Os advogados também pediram a preservação das imagens integrais do combate para evitar que a análise seja feita apenas a partir do trecho que circulou nas redes sociais.

Lesão é considerada grave

Kabuto precisou passar por uma cirurgia de emergência para reposicionar e estabilizar as vértebras lesionadas. O procedimento envolveu a reconstrução da região cervical e foi realizado poucas horas depois do trauma.

A equipe médica informou que o atleta está clinicamente estável e respira sem auxílio de aparelhos. Apesar da melhora nos membros superiores, o quadro neurológico ainda inspira cuidados e a recuperação deverá exigir longo período de reabilitação.

A família criou uma campanha para ajudar nos custos de tratamento, fisioterapia, equipamentos e adaptações que poderão ser necessárias durante a recuperação.

O caso também provocou forte reação dentro do próprio jiu-jítsu. Técnicas classificadas como perigosas são proibidas justamente porque podem transformar uma disputa esportiva em uma situação de risco extremo. Quando uma infração desse tipo provoca uma lesão grave, a discussão deixa de ser apenas disciplinar e pode chegar à Justiça.

Esse é o ponto central da investigação em Londrina: determinar se o que aconteceu foi um acidente esportivo decorrente de uma infração de regra ou uma conduta que ultrapassou os limites do esporte e deve gerar responsabilidade criminal.

Enquanto a apuração avança, Kabuto segue internado e concentrado na recuperação.