Apuração do Ministério Público e da Polícia Civil também investiga possíveis conexões com agentes públicos, licitações e financiamento de campanhas eleitorais
Uma investigação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ter alcançado, direta ou indiretamente, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista.
A informação consta na apuração relacionada à Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico de influência, fraudes em licitações e infiltração do crime organizado no setor de transporte público.
Segundo os investigadores, o controle das empresas teria sido realizado por meio de representantes, empresas de fachada ou pessoas que atuariam como possíveis “laranjas”. A investigação também procura esclarecer se recursos ligados ao grupo criminoso teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais.
O caso ganhou dimensão política após a prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele se entregou às autoridades, mas nega envolvimento com o PCC e afirma não ter cometido qualquer crime.
A apuração não se limita à capital. Segundo o Ministério Público, as suspeitas alcançam contratos de transporte, empresas e articulações políticas em diferentes municípios do estado de São Paulo.
As investigações começaram há mais de duas décadas, inicialmente a partir da atuação do crime organizado no transporte alternativo. Com o avanço da análise de celulares, conversas e movimentações financeiras, os investigadores passaram a apurar uma possível expansão para empresas que operam o transporte coletivo regular.
O ponto mais sensível do caso é a possível conexão entre o controle econômico do sistema de ônibus e a influência sobre decisões do poder público. Se confirmadas, as suspeitas podem indicar uma estrutura capaz de interferir em contratos, licitações, nomeações e políticas de mobilidade urbana.
A investigação também menciona possíveis articulações para financiar candidaturas e obter vantagens futuras dentro da administração pública. Esse tipo de relação, caso comprovado, pode envolver crimes eleitorais, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026 e reacende o debate sobre a presença do crime organizado em setores estratégicos da economia e da política.
É importante destacar que as informações fazem parte de uma investigação em andamento. A suspeita de controle das empresas e o eventual envolvimento de políticos ainda precisam ser comprovados pela Justiça. Investigados também têm direito à defesa e à presunção de inocência.
O caso agora deve avançar com a análise de documentos, celulares, contratos, movimentações financeiras e possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e integrantes da facção.


