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sábado, 19 de setembro de 2026

PCC no coração de São Paulo? Investigação aponta infiltração em 12 das 22 empresas de ônibus


Apuração do Ministério Público e da Polícia Civil também investiga possíveis conexões com agentes públicos, licitações e financiamento de campanhas eleitorais

Uma investigação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ter alcançado, direta ou indiretamente, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista.

A informação consta na apuração relacionada à Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico de influência, fraudes em licitações e infiltração do crime organizado no setor de transporte público.

Segundo os investigadores, o controle das empresas teria sido realizado por meio de representantes, empresas de fachada ou pessoas que atuariam como possíveis “laranjas”. A investigação também procura esclarecer se recursos ligados ao grupo criminoso teriam sido utilizados para financiar campanhas eleitorais.

O caso ganhou dimensão política após a prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele se entregou às autoridades, mas nega envolvimento com o PCC e afirma não ter cometido qualquer crime.

A apuração não se limita à capital. Segundo o Ministério Público, as suspeitas alcançam contratos de transporte, empresas e articulações políticas em diferentes municípios do estado de São Paulo.

As investigações começaram há mais de duas décadas, inicialmente a partir da atuação do crime organizado no transporte alternativo. Com o avanço da análise de celulares, conversas e movimentações financeiras, os investigadores passaram a apurar uma possível expansão para empresas que operam o transporte coletivo regular.

O ponto mais sensível do caso é a possível conexão entre o controle econômico do sistema de ônibus e a influência sobre decisões do poder público. Se confirmadas, as suspeitas podem indicar uma estrutura capaz de interferir em contratos, licitações, nomeações e políticas de mobilidade urbana.

A investigação também menciona possíveis articulações para financiar candidaturas e obter vantagens futuras dentro da administração pública. Esse tipo de relação, caso comprovado, pode envolver crimes eleitorais, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026 e reacende o debate sobre a presença do crime organizado em setores estratégicos da economia e da política.

É importante destacar que as informações fazem parte de uma investigação em andamento. A suspeita de controle das empresas e o eventual envolvimento de políticos ainda precisam ser comprovados pela Justiça. Investigados também têm direito à defesa e à presunção de inocência.

O caso agora deve avançar com a análise de documentos, celulares, contratos, movimentações financeiras e possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e integrantes da facção.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

PCC nas eleições? Operação investiga controle de empresas de ônibus e financiamento de campanhas em São Paulo


Operação Vectura Corrupta cumpre mandados contra suspeitos de ligação com a facção, empresas de transporte e articulações políticas

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público, estruturas políticas e campanhas eleitorais.

As informações iniciais apontam para o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diferentes cidades paulistas. A investigação também apura a possível utilização de empresas de ônibus para lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento ilegal de campanhas.

Segundo os investigadores, 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista estariam sob influência direta ou indireta da organização criminosa, por meio de laranjas e intermediários. A apuração envolve suspeitas relacionadas às eleições municipais de 2024 e ao atual ciclo eleitoral.

Um dos principais alvos da operação é Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. A polícia não o encontrou no endereço informado e ele foi considerado foragido pelos investigadores.

Em manifestação divulgada à imprensa, Milton Leite negou qualquer ligação com o PCC, afirmou que estava viajando e disse que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. O ex-vereador também rejeita a acusação de ser proprietário da empresa Transwolff, apontada na investigação como parte da estrutura supostamente utilizada para movimentar recursos ilícitos.

Entre os alvos também está Levi de Oliveira, ex-presidente da SPTrans. A investigação busca esclarecer como interesses privados teriam alcançado estruturas responsáveis pela gestão do transporte público da maior cidade do país.

A suspeita central é que o setor de transporte tenha sido utilizado para formar uma rede de influência econômica e política. Além da movimentação financeira, os investigadores apuram possíveis relações com agentes públicos, empresas, operadores financeiros e campanhas eleitorais.

O caso pode ampliar o debate sobre a infiltração do crime organizado em serviços públicos essenciais e sobre a origem dos recursos utilizados em disputas eleitorais.

As acusações ainda estão sob investigação. Os alvos poderão apresentar suas defesas, e a existência de mandados ou citações em inquéritos não representa condenação.

sábado, 29 de agosto de 2026

Golpe proibido em campeonato de jiu-jítsu deixa atleta com grave lesão cervical e caso vira investigação criminal


Willian “Kabuto” Masuda sofreu fratura-luxação nas vértebras C5 e C6 durante luta em Londrina, passou por cirurgia de quase dez horas e segue internado. Ministério Público pediu inquérito para apurar possível responsabilidade criminal

O atleta de jiu-jítsu Willian “Kabuto” Masuda sofreu uma grave lesão na coluna cervical durante uma competição realizada em Londrina, no Paraná, após ser atingido por um movimento apontado como proibido pelas regras da modalidade. O caso deixou o ambiente esportivo e passou a ser investigado pela Polícia Civil a pedido do Ministério Público.

Kabuto teve uma fratura-luxação entre as vértebras C5 e C6, passou por uma cirurgia de quase dez horas e permanece internado. Segundo as informações médicas divulgadas até agora, o atleta apresentou evolução nos movimentos dos membros superiores, mas ainda não recuperou os movimentos das pernas. A equipe responsável pelo tratamento considera prematuro definir se haverá sequelas permanentes.

A lesão ocorreu durante uma luta sem quimono contra o também faixa-preta Juliano Di Pelli Machado, no Super Pro Jiu-Jitsu 2026, realizado no Ginásio Moringão. Durante uma sequência do combate, Kabuto foi projetado contra o solo em uma posição que concentrou o impacto sobre a região cervical.

O movimento passou a ser identificado por especialistas e integrantes da modalidade como um “bate-estaca”, técnica proibida em competições por representar risco elevado de trauma na cabeça, no pescoço e na coluna.

O árbitro interrompeu a luta e desclassificou o adversário. Kabuto recebeu atendimento ainda no ginásio, foi imobilizado e encaminhado ao hospital.

Ministério Público pediu investigação

A gravidade da lesão levou o Ministério Público do Paraná a encaminhar notícia-crime à Polícia Civil para apurar as circunstâncias do golpe e eventual responsabilidade penal.

O promotor responsável pelo pedido defendeu que o caso seja analisado sob a hipótese de lesão corporal gravíssima com dolo eventual. Nesse enquadramento, a investigação precisa verificar se o atleta que executou o movimento tinha consciência do risco de produzir uma lesão grave e, ainda assim, assumiu esse risco.

A abertura do inquérito não significa que Juliano Di Pelli tenha sido considerado culpado. A Polícia Civil deverá analisar as imagens completas da luta, o regulamento do campeonato, os laudos médicos, o comportamento dos atletas e os depoimentos das pessoas envolvidas antes de definir se houve crime.

A defesa de Di Pelli afirma que ele está abalado com o quadro de saúde de Kabuto e que colaborará com a investigação. Os advogados também pediram a preservação das imagens integrais do combate para evitar que a análise seja feita apenas a partir do trecho que circulou nas redes sociais.

Lesão é considerada grave

Kabuto precisou passar por uma cirurgia de emergência para reposicionar e estabilizar as vértebras lesionadas. O procedimento envolveu a reconstrução da região cervical e foi realizado poucas horas depois do trauma.

A equipe médica informou que o atleta está clinicamente estável e respira sem auxílio de aparelhos. Apesar da melhora nos membros superiores, o quadro neurológico ainda inspira cuidados e a recuperação deverá exigir longo período de reabilitação.

A família criou uma campanha para ajudar nos custos de tratamento, fisioterapia, equipamentos e adaptações que poderão ser necessárias durante a recuperação.

O caso também provocou forte reação dentro do próprio jiu-jítsu. Técnicas classificadas como perigosas são proibidas justamente porque podem transformar uma disputa esportiva em uma situação de risco extremo. Quando uma infração desse tipo provoca uma lesão grave, a discussão deixa de ser apenas disciplinar e pode chegar à Justiça.

Esse é o ponto central da investigação em Londrina: determinar se o que aconteceu foi um acidente esportivo decorrente de uma infração de regra ou uma conduta que ultrapassou os limites do esporte e deve gerar responsabilidade criminal.

Enquanto a apuração avança, Kabuto segue internado e concentrado na recuperação.