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domingo, 4 de outubro de 2026

Ferreirinha é eleito deputado federal com 93.504 votos e conquista mandato próprio em Brasília


Ex-secretário de Educação do Rio mais que dobra a votação obtida em 2022 e transforma uma trajetória marcada pela gestão pública e pela defesa da educação em vitória nas urnas

Renan Ferreirinha foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições realizadas neste domingo, 4 de outubro. Candidato pelo PSD com o número 5521, ele recebeu 93.504 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos, e garantiu uma das 46 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.

O resultado representa um avanço expressivo em sua trajetória eleitoral. Em 2022, Ferreirinha havia recebido 40.540 votos e terminado a disputa como segundo suplente. Quatro anos depois, conquistou 52.964 votos a mais, crescimento superior a 130%, e alcançou um mandato próprio na Câmara.

Ferreirinha chegou a exercer brevemente o mandato federal como suplente durante a atual legislatura. A vitória de 2026, porém, muda sua posição política: a partir de 2027, ele chegará a Brasília respaldado diretamente pelas urnas para cumprir um mandato completo.

Uma vitória construída pela educação

A campanha de Ferreirinha apresentou como principal credencial o trabalho desenvolvido à frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

Durante o período, ele comandou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. A gestão ficou marcada pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação da educação em tempo integral, pela criação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos e pelo combate ao abandono escolar.

O Rio chegou à marca de 300 GETs, modelo que combina jornada ampliada, cultura maker, programação, ciências, audiovisual e novas tecnologias. A rede também registrou avanço no Ideb dos anos iniciais, que passou de 5,4 para 6,2 no ciclo associado à sua gestão.

Outro ponto de grande repercussão foi a restrição ao uso de celulares durante todo o horário escolar. A experiência implementada no Rio ganhou dimensão nacional quando Ferreirinha, já na Câmara como suplente, relatou o projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida às escolas públicas e privadas do país.

Das políticas locais para uma agenda nacional

A vitória abre caminho para que Ferreirinha transforme experiências testadas em uma grande rede municipal em propostas de alcance nacional.

Entre os temas associados à sua atuação estão a ampliação da educação integral, o fortalecimento do Fundeb, a primeira infância, a valorização dos profissionais da educação, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o enfrentamento à publicidade das apostas.

Ferreirinha também apresentou propostas relacionadas à idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas e à proteção de professores e demais trabalhadores da educação. Parte dessas matérias ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso.

Com o mandato conquistado nas urnas, ele passa a ter condições políticas mais sólidas para participar das comissões permanentes, apresentar projetos, propor emendas ao orçamento, fiscalizar programas federais e articular políticas entre União, estados e municípios.

Mais que o dobro dos votos

O salto de 40.540 votos, em 2022, para 93.504, em 2026, mostra que Ferreirinha ampliou significativamente sua base eleitoral.

A votação também sinaliza o reconhecimento de uma candidatura construída em torno de resultados administrativos mensuráveis. Em vez de apresentar apenas promessas, a campanha buscou mostrar políticas já implementadas, indicadores educacionais e experiências que podem ser avaliadas pela sociedade.

Esse crescimento não elimina os desafios. A atuação de Ferreirinha será acompanhada pela capacidade de transformar o capital político conquistado nas urnas em entregas concretas, formação de alianças e recursos para o Rio de Janeiro.

Um novo capítulo em Brasília

A eleição coloca Ferreirinha entre os representantes fluminenses que assumirão a nova legislatura da Câmara dos Deputados em 2027.

O resultado encerra uma etapa marcada pela condição de suplente e inicia outra, com responsabilidade direta sobre um mandato conferido por 93.504 eleitores.

Para quem acompanhou sua trajetória desde a mobilização social pela educação, passando pela Assembleia Legislativa e pela gestão da maior rede municipal de ensino do país, a vitória representa a chegada a um novo patamar político.

Agora, o desafio será fazer com que a experiência construída no Rio se converta em políticas capazes de alcançar estudantes, professores e famílias de todo o Brasil.

Ferreirinha venceu nas urnas com uma mensagem centrada na educação. A partir de 2027, terá a oportunidade — e a responsabilidade — de transformar essa confiança em trabalho no Congresso Nacional.

Fontes

sábado, 3 de outubro de 2026

Quando o aluno pede ajuda em silêncio: lei de Ferreirinha antecipou uma urgência que chegou às escolas


Coautor do Selo Escola Amiga da Saúde Mental, candidato a deputado federal reúne experiência legislativa e de gestão; desafio nacional é transformar reconhecimento institucional em prevenção, formação de profissionais e acesso efetivo ao cuidado

Nem todo pedido de ajuda é feito em voz alta. Dentro das escolas, mudanças de comportamento, isolamento, queda repentina no rendimento, crises de ansiedade, automutilação e faltas frequentes podem revelar sofrimentos que ultrapassam os limites da sala de aula.

O tema ganhou urgência diante dos números mais recentes. Segundo levantamento divulgado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com dados da Secretaria de Estado de Saúde, as 27 UPAs estaduais realizaram 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental entre 2023 e 2025. O total anual passou de 50.624 para 64.400 no período, crescimento aproximado de 27%.

No cenário nacional, o Atlas da Violência 2026 apontou que a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre pessoas de 10 a 19 anos aumentou 73% em uma década, passando de 3,7 para 6,4 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024.

É nesse contexto que uma parte menos conhecida da trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, volta a ganhar relevância. Antes de comandar a Secretaria Municipal de Educação do Rio, Ferreirinha participou da criação de leis estaduais voltadas à inclusão e à promoção da saúde mental em escolas e ambientes de trabalho.

Uma lei para reconhecer escolas comprometidas com a inclusão

Em 2019, quando exercia mandato na Assembleia Legislativa, Ferreirinha apresentou com a deputada Lucinha o projeto que deu origem à Lei Estadual 9.250/2021, responsável pela criação do Selo Escola Amiga da Saúde Mental.

A legislação prevê o reconhecimento de instituições de ensino que comprovem ações de inclusão social de pessoas com transtornos mentais e com Transtorno do Espectro Autista. Entre seus objetivos estão a conscientização das famílias e da sociedade, a humanização das relações, a prevenção ao suicídio e a promoção da saúde mental.

O selo tem validade de dois anos e pode ser renovado após nova avaliação. A fiscalização dos critérios cabe à Secretaria de Estado de Educação, que também pode cancelar a autorização quando a escola deixa de cumprir as exigências.

O ponto central da lei é colocar a saúde mental dentro da responsabilidade institucional da escola. A proposta rompe com a ideia de que o sofrimento emocional deve ser enfrentado exclusivamente pelo estudante e por sua família.

Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer os limites do instrumento: um selo não substitui atendimento psicológico, rede pública de saúde, profissionais capacitados ou protocolos de acolhimento. Seu valor depende da regulamentação, da fiscalização e da existência de práticas verificáveis dentro das instituições reconhecidas.

A preocupação também chegou ao ambiente de trabalho

Ferreirinha e Lucinha também são autores da Lei Estadual 8.613/2019, que criou o Selo Empresa Amiga da Saúde Mental no Rio de Janeiro.

Nesse caso, a certificação é direcionada a empresas que contribuam para a inclusão de pessoas com deficiências mentais em seus quadros ou entre os trabalhadores terceirizados. A lei exige ações de valorização, aperfeiçoamento e humanização das relações de trabalho.

As duas legislações revelam uma linha de atuação que atravessa diferentes etapas da vida: a inclusão dentro da escola e a construção de oportunidades no mercado de trabalho.

Não se trata de afirmar que essas leis, isoladamente, resolveram o problema. A ausência de informações públicas consolidadas sobre o número de instituições certificadas e os efeitos produzidos dificulta uma avaliação completa da implementação. Esse é justamente um dos desafios das políticas baseadas em selos: sem metas, indicadores e transparência, o reconhecimento pode perder força e se tornar apenas simbólico.

A escola não é consultório, mas não pode ignorar os sinais

Professores e gestores não devem substituir psicólogos, psiquiatras ou equipes do Sistema Único de Saúde. A escola, entretanto, ocupa uma posição estratégica para perceber alterações de comportamento, acolher o estudante e encaminhá-lo à rede de proteção.

Essa compreensão ganhou novo peso em 2026. A Lei Federal 15.413 incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente o direito de crianças e adolescentes a programas de saúde mental promovidos pelo SUS. A norma determina atendimento psicossocial básico e especializado, assistência de urgência e formação permanente dos profissionais responsáveis pela identificação de sinais de risco.

O avanço legal cria uma obrigação nacional, mas sua efetividade dependerá da articulação entre escolas, unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial, assistência social, conselhos tutelares e famílias.

Na prática, o desafio é impedir que o estudante seja simplesmente encaminhado de um serviço para outro sem receber atendimento. Uma política eficiente precisa definir fluxos, responsáveis, prazos e formas de acompanhamento.

Experiência de gestão amplia a responsabilidade

Entre 2021 e 2026, Ferreirinha comandou uma das maiores redes municipais de ensino do país. A experiência administrativa acrescentou uma dimensão prática à atuação legislativa: gerir uma rede com centenas de milhares de alunos significa lidar diariamente com situações de vulnerabilidade, conflitos familiares, violência, inclusão e dificuldades de aprendizagem.

Essa trajetória não autoriza atribuir a uma única pessoa todo o trabalho realizado pela rede. Resultados educacionais dependem de professores, gestores escolares, equipes técnicas, profissionais de apoio e das demais áreas do poder público.

Mas a combinação entre mandato parlamentar e gestão executiva oferece a Ferreirinha uma visão relevante sobre a distância existente entre aprovar uma lei e fazer a política funcionar na rotina de uma escola.

O que essa experiência pode representar em Brasília

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode transformar esse histórico em uma agenda nacional de saúde mental ligada à educação. Isso não significa que todas as medidas abaixo já sejam projetos formalmente apresentados por ele. Trata-se das frentes em que um parlamentar federal pode atuar a partir da experiência acumulada:

  • ampliar recursos para a Rede de Atenção Psicossocial e para programas voltados a crianças e adolescentes;
  • apoiar a formação de professores e gestores para identificar sinais de risco sem transformar educadores em profissionais clínicos;
  • criar parâmetros nacionais para protocolos de acolhimento e encaminhamento;
  • fiscalizar a implementação do direito ao atendimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente;
  • fortalecer a integração entre educação, saúde e assistência social;
  • exigir indicadores públicos que permitam avaliar se certificações e programas produzem resultados concretos.

O Congresso também pode aperfeiçoar propostas que discutem a criação de um Selo Escola Amiga da Saúde Mental em âmbito nacional. A experiência fluminense ajuda a mostrar tanto o potencial quanto os limites desse modelo.

Saúde mental não pode aparecer somente na emergência

A maior dificuldade das políticas de saúde mental é vencer a lógica da reação tardia. Muitas vezes, a rede pública só é acionada quando o sofrimento já se transformou em crise.

Prevenção exige ambientes escolares seguros, combate ao bullying, formação permanente, escuta qualificada, diálogo com as famílias e acesso rápido ao atendimento especializado. Também exige cuidado com professores e demais profissionais da educação, que convivem com sobrecarga, violência e pressão por resultados.

Ao colocar o tema em leis voltadas às escolas e às empresas, Ferreirinha ajudou a abrir uma discussão necessária sobre inclusão e responsabilidade institucional. O próximo passo é mais exigente: transformar reconhecimento em política monitorada, com orçamento, profissionais e atendimento real.

Na véspera de uma eleição em que Ferreirinha disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados, esse aspecto de sua trajetória revela uma pauta que vai além dos indicadores tradicionais da educação.

Uma escola preparada para ensinar também precisa estar preparada para acolher. E uma política pública só cumpre sua função quando o pedido de ajuda encontra uma porta aberta — antes que se transforme em emergência.

Fontes consultadas

sábado, 26 de setembro de 2026

O CEP NÃO PODE DECIDIR O FUTURO: Ferreirinha coloca formação e oportunidades para jovens das periferias no centro da disputa federal


Da expansão dos Ginásios Educacionais Tecnológicos à Olimpíada Carioca de Matemática, trajetória do candidato a deputado federal reúne políticas que aproximaram ensino integral, ciência e tecnologia de territórios historicamente deixados para trás

O talento de uma criança não muda conforme o bairro onde ela nasceu. As oportunidades, porém, ainda mudam — e muito.

Para milhares de jovens das periferias, a distância entre o potencial e o futuro começa na falta de acesso a uma escola em tempo integral, laboratórios, tecnologia, formação científica e experiências capazes de ampliar horizontes.

É sobre essa desigualdade que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, procura construir uma das principais marcas de sua atuação pública.

Nascido e criado em São Gonçalo e formado em Economia e Ciências Políticas em Harvard, Ferreirinha iniciou sua trajetória em movimentos ligados à educação e ao protagonismo jovem antes de assumir funções no Legislativo e na gestão de uma das maiores redes municipais de ensino do país.

O ponto central de sua agenda não é apenas colocar o jovem dentro da escola. É fazer com que a escola pública ofereça estrutura, repertório e caminhos para que o endereço de origem não funcione como uma sentença sobre o destino.

Da Maré para o mundo

Um dos retratos mais recentes dessa visão veio do Complexo da Maré.

Em agosto de 2026, o GET IV Centenário conquistou, em Pequim, o Practice Innovation Prize, uma das categorias do Global Smart Education Innovation Prize.

O reconhecimento foi concedido ao projeto “Fábrica de Sonhos”, que combina aprendizagem por projetos, tecnologia, ações socioemocionais e participação das famílias.

Localizada na comunidade do Timbau, a unidade também esteve entre as dez finalistas do World’s Best School Prizes de 2026 na categoria Superação de Adversidades.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a escola alcançou 97% de alfabetização e não registrou evasão. Os resultados são fruto do trabalho coletivo de professores, gestores, estudantes, famílias e equipes da rede.

Ao mesmo tempo, o reconhecimento internacional ajuda a dimensionar uma política iniciada e ampliada durante a gestão de Ferreirinha na Educação do Rio: os Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs.

Lançado em 2022, o modelo chegou a 316 unidades em 2026. Nos GETs, o ensino integral é combinado com ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

Os estudantes desenvolvem projetos interdisciplinares e utilizam recursos como robótica, inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser e óculos de realidade virtual.

O diferencial não está apenas nos equipamentos. A proposta integra tecnologia ao currículo, incentiva a criatividade, fortalece o protagonismo dos alunos e aproxima a escola dos desafios de cada território.

Quando a rede inaugurou a unidade de número 300, em março de 2026, a Prefeitura informou que o modelo já atendia aproximadamente 125 mil estudantes.

Para jovens das periferias, isso significa acesso, dentro da escola pública, a ferramentas que durante muito tempo ficaram restritas a ambientes privados ou a famílias com maior renda.

Reconhecer talentos e abrir portas

Outra iniciativa associada à gestão de Ferreirinha foi a Olimpíada Carioca de Matemática, criada em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o Impa.

Em cinco edições, a competição acumulou mais de 1,6 milhão de inscrições e premiou 264 estudantes com viagens educacionais.

Em janeiro de 2026, 44 alunos embarcaram para conhecer a Disney e a Nasa, nos Estados Unidos. Entre eles estavam estudantes de territórios como Ponto Chic, em Padre Miguel, e Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho.

As histórias mostram o alcance simbólico da iniciativa: a medalha deixa de representar somente um prêmio escolar e passa a funcionar como porta de entrada para novas referências, possibilidades profissionais e projetos de vida.

Ao comentar a premiação, Ferreirinha afirmou que “nossos jovens têm um potencial único” e que a olimpíada “abre portas para o futuro”. A declaração dialoga com sua própria trajetória, marcada pela participação em competições de matemática na juventude.

É importante observar que o número divulgado corresponde às inscrições acumuladas nas cinco edições, e não necessariamente a 1,6 milhão de estudantes diferentes. Ainda assim, a escala mostra como uma política de reconhecimento pode mobilizar a rede e identificar talentos que poderiam permanecer invisíveis.

Oportunidade também começa com permanência

Nenhum programa de formação ou tecnologia alcança seu objetivo se o estudante deixa de frequentar a escola.

Por isso, o combate à evasão também integra esse conjunto de políticas. O Bora Pra Escola combinou registro diário de frequência, telefonemas, mensagens, busca ativa e articulação com conselhos escolares e associações de moradores.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, aproximadamente 24 mil estudantes foram localizados e levados de volta às salas de aula desde 2023.

A busca ativa tem impacto especial nos territórios mais vulneráveis, onde a ausência escolar pode estar relacionada a problemas de renda, insegurança alimentar, violência, trabalho precoce ou dificuldades familiares.

Trazer o aluno de volta não é apenas uma medida administrativa. É reconstruir o vínculo com um direito básico e impedir que uma interrupção temporária se transforme em exclusão permanente.

Da experiência local para uma política nacional

A candidatura de Ferreirinha a deputado federal coloca uma questão objetiva: quais partes dessa experiência podem ser transformadas em políticas para outros municípios e estados?

Na Câmara, um parlamentar não administra diretamente escolas nem implanta sozinho uma rede de GETs. Seu papel é criar leis, disputar prioridades no Orçamento, fiscalizar políticas públicas e construir condições para que estados e municípios possam ampliar programas de educação integral e inovação.

Ferreirinha já apresentou o Projeto de Lei 2.752/2023, que aumenta para 1,50 a ponderação do Fundeb destinada às matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca elevar o valor considerado no financiamento por aluno e dar maior capacidade financeira às redes que ampliarem a jornada escolar.

O projeto, contudo, ainda não é lei. A proposta aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara e dependerá de negociação política, análise das comissões e aprovação do Congresso.

Se eleito, Ferreirinha poderá retomar essa agenda em Brasília e defender recursos federais para laboratórios, conectividade, formação de professores, educação integral e projetos de ciência e tecnologia.

O desafio será transformar uma experiência municipal em política escalável, respeitando as diferenças entre as redes e garantindo financiamento permanente.

Tecnologia sozinha não resolve

Os resultados apresentados pelos GETs apontam um caminho, mas também exigem cautela.

Equipamentos modernos, por si só, não garantem aprendizagem. Uma política consistente depende de professores valorizados e preparados, manutenção, internet de qualidade, alimentação, segurança, acompanhamento pedagógico e continuidade entre o ensino fundamental, o ensino médio e a formação profissional.

Também é necessário avaliar os resultados, comparar escolas e impedir que a inovação fique concentrada em poucas unidades. Expandir o modelo significa preservar sua qualidade — não apenas multiplicar uma marca.

É nesse ponto que a experiência de gestão se encontra com a missão parlamentar. Levar oportunidades para jovens das periferias exige mais do que anunciar projetos: exige orçamento, metas, transparência e capacidade de execução.

Ferreirinha chega à disputa federal apresentando como credencial políticas que saíram do papel e alcançaram estudantes reais. O prêmio internacional conquistado por uma escola pública da Maré torna essa mensagem ainda mais concreta.

O futuro de um jovem não deveria ser definido pelo CEP. Para mudar essa realidade em escala nacional, será preciso fazer com que qualidade, tecnologia e oportunidades deixem de ser exceção e passem a fazer parte do cotidiano da escola pública brasileira.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GETS PARA TODO O ESTADO: proposta de Paes coloca experiência liderada por Ferreirinha no centro do futuro da educação fluminense


Candidato ao Governo do Rio promete levar gradualmente o modelo tecnológico à rede estadual; candidato a deputado federal, Ferreirinha comandou a expansão na capital e é autor de projeto que amplia recursos do Fundeb para o ensino integral

O modelo de escola que transformou parte da rede municipal do Rio pode começar a ganhar escala estadual. O candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes anunciou que pretende levar o conceito dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs, para escolas de todas as regiões fluminenses.

A proposta foi apresentada durante uma visita ao GET Luiz Paulo Horta, na Rocinha. Paes afirmou que a implantação seria gradual e teria como eixos ciência, tecnologia e Matemática.

Ao lado dessa discussão aparece Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD e gestor que comandou a Secretaria Municipal de Educação durante o período de criação e forte expansão do programa na capital.

A combinação das duas candidaturas desenha uma divisão objetiva de responsabilidades. Ao Governo do Estado caberia planejar, financiar e executar a transformação das unidades estaduais. Em Brasília, Ferreirinha poderia atuar na legislação, no orçamento e na articulação de recursos federais para ampliar o ensino em tempo integral.

Não se trata, portanto, de anunciar que os GETs já serão implantados em todo o estado. A medida é uma proposta eleitoral de Paes e dependerá do resultado das urnas, de planejamento, orçamento, formação de profissionais e adaptação do modelo à realidade da rede estadual.

Paes assume compromisso de expansão estadual

Durante a visita realizada em setembro, Eduardo Paes declarou que pretende levar o conceito dos GETs para as escolas do Estado do Rio de Janeiro.

“A ideia é levar esse conceito dos GETs, com muita ciência, tecnologia e matemática, para todas as escolas do Rio de Janeiro”, afirmou Paes.

Segundo o candidato, a transformação deverá ser feita aos poucos, aproveitando a experiência acumulada na capital.

Na cidade do Rio, o programa começou em março de 2022. Em setembro de 2026, a rede carioca chegou a 317 escolas transformadas em GETs. A meta municipal anunciada é alcançar 500 unidades até o fim de 2028.

O número representa escolas implantadas ou convertidas para o modelo pedagógico, e não a construção de 317 novos prédios. Em maio, quando a rede possuía 308 unidades, a Prefeitura informava atendimento superior a 125 mil alunos.

A expansão estadual permitiria que a experiência alcançasse não apenas a capital, mas também a Baixada Fluminense, o Leste Metropolitano, a Região dos Lagos, o Norte e o Noroeste, a Região Serrana, o Médio Paraíba, o Centro-Sul e a Costa Verde.

Para isso, o programa precisará ser adaptado às características de cada território. Uma escola localizada em uma região ligada à indústria, por exemplo, pode desenvolver projetos diferentes de uma unidade inserida em cidades com vocação turística, agrícola, energética ou audiovisual.

O que diferencia um GET

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos funcionam em tempo integral e utilizam metodologias ativas, nas quais os estudantes participam da construção de projetos, da investigação e da solução de problemas.

O modelo adota a abordagem STEAM, sigla em inglês que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A proposta é integrar essas áreas em atividades práticas, evitando que a tecnologia seja tratada como um conteúdo isolado do restante do currículo.

Uma das principais estruturas é o colaboratório, espaço de aprendizagem “mão na massa”. Dependendo da unidade, os estudantes utilizam inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser, computadores, óculos de realidade virtual, kits de robótica e até máquinas de costura para desenvolver projetos interdisciplinares.

O objetivo não é simplesmente colocar equipamentos dentro das escolas. A transformação exige currículo, jornada ampliada, formação de professores e integração entre tecnologia e aprendizagem. Sem esses elementos, laboratórios sofisticados correm o risco de se tornar espaços subutilizados.

O Ministério da Educação selecionou o modelo entre as experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos em ensino integral. A experiência foi contemplada em iniciativas de intercâmbio, documentação e exposição de práticas educacionais.

Ferreirinha costuma definir os GETs como os “CIEPs do século XXI”. A comparação recupera a ideia histórica da escola pública de tempo integral, mas acrescenta cultura digital, pensamento computacional, experimentação e projetos ligados aos desafios contemporâneos.

Ferreirinha comandou a expansão na capital

Como secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha esteve à frente da implantação do programa durante a gestão de Eduardo Paes. O modelo saiu das primeiras unidades experimentais, em 2022, para alcançar centenas de escolas distribuídas pela cidade.

Ao apresentar a proposta, Ferreirinha afirmou que os GETs preparam os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, estimulam diferentes áreas do conhecimento e ampliam as perspectivas de futuro.

“São os CIEPs do século XXI, com o modelo de escola mais inovador do país”, declarou Ferreirinha ao tratar da expansão do programa na capital.

Sua participação em uma eventual expansão estadual, porém, não seria a de gestor direto da Secretaria de Educação. Como candidato a deputado federal, sua atribuição estaria em outra frente: criar condições nacionais de financiamento e apoio para que estados e municípios consigam manter escolas de jornada ampliada.

Projeto de Ferreirinha aumenta recursos para o ensino integral

Nesse ponto, existe uma iniciativa concreta. Ferreirinha é autor do Projeto de Lei 2.752/2023, apresentado na Câmara dos Deputados, que propõe elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por aluno do Fundeb nas matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca aumentar o peso dessas matrículas no cálculo da distribuição de recursos, reconhecendo que uma escola funcionando durante mais horas precisa de alimentação, profissionais, materiais, manutenção e estrutura compatíveis com a jornada ampliada.

O projeto ainda não foi aprovado. De acordo com a Câmara, aguarda parecer na Comissão de Educação e depois deverá passar por outras etapas de tramitação. Portanto, não pode ser apresentado como uma lei em vigor.

Mesmo assim, o texto mostra uma conexão objetiva entre a experiência administrativa de Ferreirinha e sua atuação parlamentar: ampliar a educação integral exige não apenas defender o modelo, mas discutir de onde virá o dinheiro para sustentá-lo.

Um modelo estadual não pode ser simples cópia

Levar os GETs para todas as regiões do Rio exigirá mais do que reproduzir laboratórios e trocar placas de escolas. A rede estadual possui características diferentes da rede municipal da capital e concentra grande parte de sua atuação nos anos finais e, principalmente, no ensino médio.

Uma política estadual precisará definir quais unidades serão priorizadas, como ocorrerá a formação dos professores, quais escolas possuem estrutura para o turno integral e de que maneira o modelo será associado à educação profissional.

Também será necessário garantir alimentação, transporte escolar e condições de permanência. Em áreas rurais ou municípios nos quais os estudantes percorrem longas distâncias, ampliar o horário sem reorganizar o transporte pode criar novos problemas.

A implantação gradual anunciada por Paes pode permitir projetos-piloto em diferentes regiões, avaliação dos resultados e correção de falhas antes da ampliação. Escolas instaladas em antigos CIEPs podem ter vantagens estruturais, mas cada prédio precisará passar por avaliação técnica.

Outro cuidado será evitar que a tecnologia seja confundida com solução automática. Impressoras 3D, robótica e inteligência artificial podem ampliar as possibilidades pedagógicas, mas não substituem professores valorizados, planejamento, conectividade, currículo e acompanhamento da aprendizagem.

Da capital para o interior

A proposta de levar os GETs a todo o estado estabelece uma ponte política clara entre Eduardo Paes e Renan Ferreirinha. Paes apresenta o compromisso de expandir o modelo pela rede estadual; Ferreirinha carrega a experiência da implantação municipal e uma proposta legislativa voltada ao financiamento da educação integral.

Para municípios do interior, a articulação federal também pode abrir caminhos para cooperação técnica, programas nacionais, formação de professores e investimentos que não dependam exclusivamente dos cofres locais.

O potencial da proposta está justamente em combinar escala estadual, experiência de gestão e apoio federal. Seu sucesso, entretanto, dependerá de metas públicas, orçamento, profissionais qualificados e avaliação transparente dos resultados.

Os GETs demonstraram que escolas públicas podem incorporar tecnologia, criatividade e aprendizagem prática sem abandonar os conteúdos fundamentais. O próximo desafio será provar que o modelo consegue ser adaptado às diferentes realidades do Rio de Janeiro e alcançar estudantes da capital, da Região Metropolitana e do interior com a mesma qualidade.

Se essa expansão sair do compromisso eleitoral e chegar efetivamente às salas de aula, a experiência construída por Paes e Ferreirinha na capital poderá se transformar em uma das principais políticas educacionais do próximo ciclo estadual.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Plano não pode ficar no papel: Ferreirinha defende cobrança e execução das metas da educação até 2036


Novo Plano Nacional de Educação estabelece 73 metas para a próxima década; candidato a deputado federal sustenta que o país precisa transformar objetivos legais em orçamento, acompanhamento e resultados dentro das escolas

O Brasil já tem um novo Plano Nacional de Educação. A pergunta que passa a definir os próximos dez anos é outra: as metas sairão do papel e chegarão às salas de aula?

Sancionada em abril, a Lei 15.388/2026 instituiu o PNE 2026–2036 com 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. O texto estabelece compromissos para creches, alfabetização, aprendizagem, educação integral, conectividade, formação dos professores, infraestrutura e financiamento.

Na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, coloca a implementação do plano entre os eixos de sua agenda educacional.

O ponto central de sua defesa é que uma lei extensa não transforma a escola sozinha: é preciso definir prioridades, garantir recursos, acompanhar indicadores e cobrar responsabilidades de União, estados e municípios.

O tema está ligado à atuação recente de Ferreirinha. Ele coordena o Fórum de Educação e Políticas Públicas da FGV Conhecimento, que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os desafios do PNE.

No encontro, Ferreirinha destacou a inclusão da equidade como princípio estruturante, o fortalecimento da colaboração entre os entes federativos e a necessidade de planejamento e investimentos de longo prazo.

Metas ambiciosas e um desafio ainda maior

Entre os compromissos do PNE está a ampliação da educação em tempo integral para 65% das escolas públicas, alcançando 50% dos estudantes da educação básica.

O plano também pretende atender toda a demanda manifesta por creches e alcançar, nacionalmente, pelo menos 60% das crianças de até 3 anos.

Na alfabetização, a meta é garantir que as crianças estejam alfabetizadas e apresentem aprendizagem adequada em Matemática até o fim do 2º ano do ensino fundamental.

O texto prevê ainda conectividade, educação digital, formação, valorização, carreira e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação.

O tamanho do plano mostra por que sua execução exigirá mais do que discursos. Cada meta precisa ser transformada em programas, cronogramas, indicadores e decisões orçamentárias.

É nesse espaço que o mandato de um deputado federal pode produzir efeitos concretos: votar o orçamento, fiscalizar programas, cobrar o cumprimento das metas, propor aperfeiçoamentos legais e atuar para que o financiamento acompanhe as responsabilidades atribuídas às redes públicas.

A experiência do Rio como argumento

Ferreirinha usa os resultados de sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação do Rio, entre 2021 e 2026, como base para defender uma participação mais direta na implementação nacional do PNE.

Durante sua gestão, a rede inaugurou o 300º Ginásio Educacional Tecnológico. Os GETs combinam ensino em tempo integral, tecnologia, cultura maker, ciências e metodologias práticas. O modelo ultrapassou 125 mil estudantes e continuou sendo ampliado depois de sua saída da secretaria.

O Rio também chegou à marca de 50% dos alunos atendidos em tempo integral, segundo balanço da Secretaria. O dado aproxima a experiência municipal de uma das principais metas nacionais para 2036.

Isso não significa, entretanto, que um modelo possa ser simplesmente copiado para todo o país. Municípios possuem estruturas, orçamentos e desafios diferentes, e a expansão dependerá de financiamento e adaptação local.

Na aprendizagem, o Ideb dos anos iniciais da rede carioca passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025, o melhor resultado histórico do município nessa etapa. O avanço foi de 14,8% no período.

Nos anos finais, porém, a evolução foi menor, reforçando que o país precisa de estratégias específicas para cada fase da educação básica.

Esses números dão consistência à candidatura, mas não eliminam os pontos de tensão. A valorização dos profissionais, prevista no PNE, exige diálogo permanente sobre carreira, remuneração, formação e condições de trabalho.

A gestão de Ferreirinha enfrentou conflitos com parte dos educadores, especialmente em torno das mudanças na jornada docente. Esse histórico torna ainda mais necessária a construção de compromissos transparentes com a categoria.

Da meta nacional à escola de cada bairro

O principal risco de um plano decenal é produzir uma grande lista de boas intenções sem alterar a realidade das redes. A diferença será determinada pela capacidade de monitorar resultados e corrigir políticas ao longo do caminho.

Ferreirinha defende que a experiência de administrar uma rede com mais de 1.500 escolas lhe deu conhecimento sobre a distância existente entre anunciar um programa e fazê-lo funcionar em unidades com realidades diferentes.

Também será necessário evitar que tecnologia seja confundida com a simples compra de equipamentos.

O debate coordenado por Ferreirinha na FGV apontou que recursos digitais e inteligência artificial devem ser incorporados com finalidade pedagógica, formação docente e acompanhamento da aprendizagem — e não apenas como elementos de propaganda.

O novo PNE oferece ao Brasil uma direção para a próxima década. O teste começa agora, quando a lei precisa disputar espaço no orçamento e se converter em políticas dentro das escolas.

Na reta final da eleição, Ferreirinha procura se apresentar como uma ponte entre a experiência municipal e esse desafio nacional. Sua missão, se eleito, será ajudar a impedir que 73 metas e 372 estratégias se transformem em mais um documento ambicioso esquecido em Brasília.

O país não precisa apenas de um plano para a educação. Precisa de responsáveis por fazê-lo acontecer, indicadores para medir seus resultados e fiscalização para corrigir o caminho quando as promessas não chegarem aos estudantes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ancelotti inicia reconstrução da Seleção Brasileira sem Neymar, Casemiro e Danilo


Carlo Ancelotti iniciou uma nova etapa no comando da Seleção Brasileira com uma convocação que simboliza o fim de um ciclo e o começo de outro. Após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o treinador italiano decidiu apostar na renovação do elenco e deixou de fora nomes consagrados como Neymar, Casemiro e Danilo.

A primeira lista de Ancelotti após o Mundial reúne 26 jogadores e conta com oito estreantes na equipe principal. A convocação também inclui dez atletas que atuam no futebol brasileiro, em uma tentativa de aproximar a comissão técnica de novos talentos que podem formar a base da Seleção até a Copa do Mundo de 2030.

Entre os jogadores chamados estão nomes jovens como Rayan, Breno Bidon, Gabriel Bontempo e Jair, além de atletas que já vinham ganhando espaço no cenário internacional. A proposta é observar alternativas, ampliar a concorrência por posição e construir um grupo menos dependente dos antigos protagonistas.

Primeiro desafio será contra a Austrália

O novo ciclo começa com dois amistosos contra a Austrália. O primeiro será disputado no dia 25 de setembro, em Townsville, e o segundo está marcado para o dia 29, em Brisbane.

Na sequência, o Brasil enfrentará a Índia em 3 de outubro, em Calcutá. Os jogos fazem parte da chamada Super Data Fifa, que reúne compromissos internacionais em um período mais longo do calendário.

A preparação, no entanto, começou cercada por dificuldades logísticas. Alguns jogadores enfrentaram viagens de até 40 horas para chegar à Austrália, e o treinador terá pouco tempo para trabalhar com o grupo completo antes da primeira partida.

Lesões já interferem nos planos

Ancelotti também precisou fazer alterações na lista original por causa de problemas físicos. O atacante João Pedro, do Chelsea, foi cortado, e o meio-campista Martinelli, do Fluminense, recebeu a primeira convocação para a Seleção principal.

Outros desfalques também exigiram ajustes na equipe, repetindo um problema que marcou o ciclo anterior: a dificuldade de manter os principais jogadores disponíveis durante os grandes torneios.

Uma Seleção em busca de identidade

A missão de Ancelotti é maior do que simplesmente escolher novos nomes. O treinador precisa recuperar a confiança da torcida, definir uma identidade de jogo e preparar uma equipe competitiva para os próximos ciclos.

A Seleção chega a essa reconstrução depois de uma campanha marcada por instabilidade, troca de treinadores e desempenho abaixo das expectativas. A ausência de Neymar, Casemiro e Danilo representa uma mudança geracional, mas também abre espaço para que novos líderes assumam responsabilidades.

Os primeiros amistosos não devem ser tratados como uma solução definitiva. Eles servirão para testar jogadores, observar combinações e iniciar um processo que terá como principais objetivos a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030.

O desafio de Ancelotti será encontrar o equilíbrio entre a experiência de jogadores como Marquinhos, Bruno Guimarães, Raphinha e Vinícius Júnior e a energia de uma geração que ainda busca espaço.

Mais do que vencer amistosos, o Brasil precisa reconstruir uma Seleção capaz de voltar a convencer dentro de campo.

Estudos alertam: pessoas podem estar entregando o próprio raciocínio à inteligência artificial


A inteligência artificial promete economizar tempo, organizar informações e ajudar na tomada de decisões. Mas uma série de estudos recentes levanta uma preocupação: ao delegar tarefas mentais às máquinas com frequência, parte dos usuários pode estar deixando de exercitar o próprio raciocínio.

O fenômeno é chamado de “terceirização cognitiva” ou “dependência cognitiva”. Ele ocorre quando uma pessoa deixa de analisar, comparar e questionar uma informação porque espera que a inteligência artificial faça esse trabalho por ela.

IA melhora o resultado imediato, mas pode enfraquecer a autonomia

Um estudo conduzido pelo MIT Media Lab acompanhou 67 pessoas durante quatro semanas em tarefas de identificação de notícias falsas.

Durante as atividades com auxílio de um chatbot, os participantes foram 21% mais precisos na identificação de desinformação. O problema apareceu quando a ferramenta foi retirada.

Ao final do período, o desempenho sem a IA caiu 15 pontos percentuais em relação ao início do experimento. Cerca de um quinto dos participantes também passou a apresentar um comportamento descrito pelos pesquisadores como aceitação mais passiva das respostas do sistema.

Em outras palavras, a IA ajudava a resolver o problema naquele momento, mas nem sempre contribuía para que a pessoa aprendesse a resolvê-lo sozinha.

O estudo teve limitações importantes, como o número reduzido de participantes, o período curto de acompanhamento e a concentração da amostra nos Estados Unidos e no Reino Unido. Os resultados, portanto, não significam que toda utilização de inteligência artificial provoque perda de capacidade crítica.

Confiança excessiva reduz o esforço de verificação

Outra pesquisa, publicada na conferência CHI 2025 por pesquisadores da Microsoft Research e da Carnegie Mellon University, analisou 319 profissionais e 936 exemplos reais de uso de inteligência artificial no trabalho.

O levantamento identificou uma relação entre a confiança depositada na IA e a quantidade de pensamento crítico empregado na tarefa. Quanto maior a confiança no sistema, menor tendia a ser o esforço de análise relatado pelos participantes.

A pesquisa também mostrou que o pensamento crítico não desaparece necessariamente. Ele pode mudar de função: em vez de elaborar a resposta desde o início, o usuário passa a verificar o conteúdo, integrar a resposta ao trabalho e supervisionar o resultado.

O risco surge quando essa supervisão também é abandonada.

O problema não é usar IA. É parar de pensar

Estudos sobre ferramentas digitais mostram que o chamado “descarregamento cognitivo” não é automaticamente negativo. Em determinadas situações, deixar uma tarefa mecânica para a tecnologia pode liberar tempo e energia para atividades mais complexas.

Uma pesquisa publicada em 2026 na Frontiers in Psychology encontrou resultados mais equilibrados: o uso de ferramentas digitais esteve associado a autoconfiança cognitiva, persistência e aprendizagem mais profunda quando os usuários continuavam envolvidos no processo.

A diferença está na forma de uso.

A IA pode funcionar como uma tutora, ajudando a apresentar argumentos, apontar contradições e fazer perguntas. Mas também pode se transformar em uma muleta, entregando respostas prontas que o usuário aceita sem conferir.

Como usar inteligência artificial sem terceirizar o raciocínio

Especialistas recomendam algumas práticas simples:

  • Tente formular uma hipótese antes de pedir a resposta à IA;

  • Solicite argumentos contrários e possíveis erros;

  • Confira informações importantes em fontes independentes;

  • Não trate uma resposta bem escrita como prova de que ela está correta;

  • Reescreva o resultado com suas próprias palavras;

  • Em temas sensíveis, consulte documentos oficiais e profissionais qualificados.

A discussão não é sobre abandonar a inteligência artificial. É sobre impedir que a conveniência substitua capacidades que continuam essenciais: interpretar, duvidar, comparar evidências e tomar decisões.

A pergunta mais importante talvez não seja se a IA consegue pensar.

É se, ao usá-la todos os dias, ainda estamos pensando por conta própria.

Usuários relatam aumento no limite do SParcelado e comparam crédito da Shopee ao Nubank


Usuários brasileiros da Shopee começaram a relatar, em setembro, aumentos nos limites disponíveis no SParcelado, serviço de crédito digital da plataforma.

As mudanças chamaram atenção nas redes sociais porque alguns clientes afirmam ter recebido reajustes considerados expressivos. Parte das publicações também compara a experiência com o Nubank e outros bancos digitais, destacando a rapidez com que o limite teria sido atualizado.

Até o momento, porém, não há confirmação de que a Shopee tenha promovido um aumento geral para todos os usuários.

Segundo a Central de Ajuda da empresa, o limite do SParcelado é definido a partir da análise do perfil do cliente, do histórico de uso e de consultas a bureaus de crédito. A plataforma também informa que realiza revisões periódicas e automáticas.

Pagamentos em dia e uso recorrente podem aumentar as chances de revisão positiva. Em alguns casos, o usuário também pode receber ofertas temporárias de crédito, com prazo específico para aceitação.

A própria Shopee alerta, entretanto, que o limite pode ser reduzido ou congelado após novas análises. Reclamações registradas por consumidores mostram que a experiência não é igual para todos: há relatos de aumento, mas também de cortes, bloqueios e ausência de reajuste mesmo após pagamentos em dia.

Aumento de limite não significa crédito mais barato

O SParcelado funciona como uma linha de crédito dentro do aplicativo. O cliente pode comprar sem utilizar um cartão convencional, mas a operação pode incluir juros, que variam conforme o perfil, a categoria do produto e as condições apresentadas no momento da contratação.

Antes de concluir a compra, o usuário deve conferir o valor total do parcelamento e consultar a Cédula de Crédito Bancário, documento que reúne as informações da operação. Em caso de atraso, podem ser aplicados juros diários, multas e bloqueio do serviço.

As comparações com o Nubank representam percepções individuais e não permitem afirmar, por si só, que o crédito da Shopee seja mais vantajoso. Os produtos têm regras, taxas e critérios diferentes.

O que os relatos revelam é o avanço do crédito integrado às plataformas de comércio eletrônico. Ao oferecer limite diretamente no aplicativo de compras, a Shopee amplia o acesso ao parcelamento, mas também exige que o consumidor avalie com cuidado o custo final de cada operação.

Um limite maior pode facilitar uma compra. Mas também pode aumentar o risco de endividamento quando o consumidor assume parcelas acima da própria capacidade de pagamento.

Cientistas recriam vídeos vistos por camundongos a partir da atividade cerebral


Pesquisadores da University College London conseguiram reconstruir vídeos observados por camundongos usando apenas registros da atividade cerebral dos animais.

O estudo, publicado na revista científica eLife, utilizou imagens do córtex visual — região do cérebro responsável pelo processamento das informações captadas pelos olhos. A equipe acompanhou a atividade de milhares de neurônios enquanto os camundongos assistiam a vídeos de aproximadamente 10 segundos.

Com esses dados, os cientistas desenvolveram um modelo computacional capaz de estimar quais imagens poderiam ter provocado determinada reação neural. O sistema então reconstruiu versões das cenas exibidas aos animais.

Os resultados conseguiram reproduzir movimentos, formas e mudanças visuais presentes nos vídeos originais. A semelhança média entre as imagens reais e as reconstruídas atingiu uma correlação de aproximadamente 0,57 em nível de pixels.

Apesar do avanço, o experimento não significa que os pesquisadores tenham “lido os pensamentos” dos camundongos. O sistema não recuperou um vídeo armazenado na mente dos animais. Ele fez uma reconstrução computacional baseada nos sinais registrados em uma área específica do cérebro.

A técnica também possui limitações. Os pesquisadores analisaram apenas uma parte do córtex visual, com campo de observação restrito. Detalhes muito pequenos e movimentos rápidos foram mais difíceis de reproduzir.

Mesmo assim, o trabalho pode ajudar a entender como o cérebro transforma estímulos visuais em percepção. A pesquisa também reforça que a atividade neural carrega informações suficientes para permitir que algoritmos façam estimativas sobre aquilo que um animal está observando.

Por enquanto, não existe uma aplicação imediata para “reconstruir pensamentos” em seres humanos. O resultado representa, principalmente, uma ferramenta para estudar o funcionamento do cérebro e a forma como a visão é processada.

domingo, 20 de setembro de 2026

Canetas emagrecedoras no SUS podem gerar impacto de quase R$ 7 bilhões


Promessa de oferta gratuita ainda depende de análise da Conitec, definição do público e previsão orçamentária

A possível incorporação de canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde pode gerar um impacto financeiro estimado em até R$ 6,8 bilhões ao longo de cinco anos, segundo avaliações técnicas relacionadas ao uso da semaglutida no tratamento da obesidade.

O tema ganhou força após o anúncio de que o governo pretende disponibilizar os medicamentos gratuitamente pelo SUS. Apesar da promessa, a oferta ainda não tem data definida e depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec.

A avaliação considera o uso da semaglutida para pacientes com obesidade grave, especialmente pessoas com obesidade graus II e III, sem diabetes, com idade a partir de 45 anos e histórico de doença cardiovascular.

Isso significa que uma eventual incorporação não representaria a distribuição ampla do medicamento para qualquer pessoa interessada em emagrecer. O tratamento deverá seguir critérios médicos e protocolos específicos.

O Ministério da Saúde também acompanha um estudo realizado com 250 pacientes do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A pesquisa avalia se o uso da medicação pode ajudar pacientes com obesidade grave e indicação para cirurgia bariátrica.

Além da possibilidade de reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos, o governo avalia os efeitos clínicos, a segurança e o custo de uma eventual oferta nacional.

O preço é um dos principais obstáculos. A estimativa apresentada em avaliações anteriores apontava custo de aproximadamente R$ 12,6 mil por paciente no primeiro ano de tratamento. Com a entrada de novas versões e a queda da patente da semaglutida, os valores podem cair, mas ainda será necessário definir preços, contratos e critérios de distribuição.

A própria Conitec já havia demonstrado preocupação com o impacto financeiro e com a duração do tratamento. Como muitos pacientes podem precisar utilizar a medicação por períodos prolongados, o custo não se limita à primeira aplicação ou ao primeiro ano.

Atualmente, as canetas da classe dos agonistas de GLP-1 ainda não são oferecidas regularmente pelo SUS para tratamento da obesidade. A Anvisa autorizou novos medicamentos e apresentações, mas o registro sanitário não significa distribuição automática pela rede pública.

Para que um medicamento seja incorporado ao SUS, é necessário avaliar evidências científicas, segurança, eficácia, custo-efetividade, impacto orçamentário e capacidade de organização da rede de saúde.

A discussão também envolve o risco de transformar um tratamento médico em produto de consumo estético. Especialistas defendem que a indicação seja feita exclusivamente para pacientes que realmente atendam aos critérios clínicos.

A decisão final deverá estabelecer quem poderá receber o medicamento, quais exames serão exigidos, por quanto tempo o tratamento será mantido e como será feito o acompanhamento dos pacientes.

Por enquanto, a promessa representa uma possibilidade em análise, e não uma liberação imediata para todos os usuários do SUS.

O debate coloca frente a frente dois desafios: ampliar o acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade e garantir que a medida seja financeiramente sustentável para o sistema público de saúde.

Concursos públicos oferecem mais de 26 mil vagas e salários de até R$ 37,7 mil

Oportunidades estão espalhadas por diversas regiões do país e contemplam cargos de níveis fundamental, médio, técnico e superior

Um levantamento atualizado neste domingo (20) reúne 26.517 vagas em concursos públicos e processos seletivos em diversas regiões do Brasil. Os salários chegam a R$ 37.765,55, mas o valor máximo é destinado a um cargo específico da magistratura.

As oportunidades estão distribuídas entre áreas como saúde, segurança pública, educação, Justiça, administração e fiscalização.

Entre os principais concursos está o da Secretaria da Saúde do Amapá, que oferece 4.210 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior. Os salários variam de R$ 3.363,43 a R$ 11.116,42, e as inscrições podem ser feitas até 13 de outubro.

O maior salário aparece no concurso do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que oferece 11 vagas para juiz. A remuneração chega a R$ 37.765,55, e o prazo de inscrição termina em 28 de setembro.

Também há oportunidades na área de saúde do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar da Bahia, com salários de R$ 9.973,34. Os dois processos oferecem vagas para profissionais de nível superior e recebem inscrições até 21 de setembro.

O Detran de São Paulo abriu concurso com 145 vagas para cargos de nível superior, com salário inicial de R$ 5.702,18. O prazo termina em 7 de outubro.

No Rio de Janeiro, a Prefeitura de Engenheiro Paulo de Frontin oferece 252 vagas para diferentes níveis de escolaridade, com salários de até R$ 4.563,91. As inscrições vão até 15 de outubro.

A lista inclui ainda oportunidades em órgãos como Cremerj, Celesc, Creci-SP, AgSUS, prefeituras, câmaras municipais, secretarias estaduais e tribunais.

Os prazos variam de acordo com cada edital. Por isso, os candidatos devem verificar os requisitos, o conteúdo das provas, as taxas de inscrição, a documentação exigida e as datas diretamente nos sites oficiais das instituições responsáveis.

Outro cuidado importante é não confundir o maior salário divulgado com a remuneração geral dos concursos. O valor de R$ 37,7 mil corresponde ao cargo de juiz do TRF5. Cada seleção possui salários, exigências e etapas diferentes.

A quantidade de vagas e a variedade de cargos tornam o período uma oportunidade para quem busca estabilidade, melhores salários e ingresso no serviço público.

Antes de efetuar a inscrição, o candidato deve ler o edital completo e confirmar se atende às exigências do cargo escolhido.

sábado, 19 de setembro de 2026

Faltam 15 dias: Ferreirinha transforma resultados na educação em agenda para Brasília


Candidato a deputado federal pelo PSD chega à reta final defendendo educação integral, proteção digital, primeira infância e valorização dos profissionais da educação

Faltam 15 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro no calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Na reta final da campanha, Renan Ferreirinha busca transformar a experiência acumulada na gestão de uma das maiores redes públicas de ensino do país em uma agenda nacional para a educação.

Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha chega à disputa com uma trajetória que reúne mobilização social, atuação parlamentar e gestão executiva. Foi deputado estadual, exerceu mandato como suplente na Câmara dos Deputados e comandou a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

O principal argumento de sua candidatura está justamente nessa combinação: levar ao Congresso propostas construídas a partir de políticas já colocadas em prática, sem ignorar os desafios que ainda permanecem na educação pública.

Da gestão de uma grande rede ao Congresso

À frente da Educação do Rio, Ferreirinha administrou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. O período foi marcado pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação do ensino em tempo integral e pela incorporação de tecnologia ao cotidiano pedagógico.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb da rede municipal passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025 — o melhor resultado já alcançado pelo município nessa etapa. Nos anos finais, o indicador avançou de 5,0 para 5,2, mas permaneceu estável entre 2023 e 2025, mostrando que a recuperação não ocorreu com a mesma intensidade em toda a rede.

Uma das principais marcas da gestão foi a implantação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo chegou a 300 unidades e passou a atender cerca de 125 mil estudantes, combinando jornada ampliada, cultura maker, ciências, programação, audiovisual e novas metodologias de ensino.

A rede também ampliou a educação em tempo integral, fortaleceu programas de alfabetização e recuperação da aprendizagem e adotou uma estratégia de busca ativa para enfrentar a evasão. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o programa Bora Pra Escola ajudou a localizar e reintegrar mais de 24 mil alunos.

Dos celulares nas escolas à proteção digital

Outra medida que ganhou projeção nacional foi a restrição do uso de celulares durante todo o horário escolar na rede municipal do Rio. Implantada em 2024, a regra preservou exceções para atividades pedagógicas, acessibilidade, questões de saúde e situações de emergência.

Quando retornou à Câmara, Ferreirinha foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que deu origem à Lei Federal 15.100/2025, responsável por estabelecer limites ao uso de aparelhos eletrônicos nas escolas públicas e privadas do país.

Ele não foi o autor original da proposta, mas participou de uma etapa decisiva de sua tramitação.

Agora, sua agenda avança para a proteção de crianças e adolescentes fora do ambiente escolar. O PL 330/2026 propõe 16 anos como idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas. O texto ainda está em tramitação, mas coloca Ferreirinha no centro do debate sobre verificação de idade, controle parental e responsabilidade das plataformas.

Projetos para uma agenda nacional

Entre suas propostas no Congresso está o PL 2.752/2023, que busca aumentar a ponderação do Fundeb para matrículas em tempo integral. A medida pretende ampliar a capacidade de estados e municípios financiarem jornadas escolares mais longas e modelos inspirados na experiência dos GETs.

Outra frente é a proteção dos profissionais da educação. O PL 5.974/2025 propõe agravar as penas para crimes cometidos contra professores e demais trabalhadores do setor em razão do exercício de suas funções.

Na primeira infância, o PLP 17/2026 cria uma categoria de certificação beneficente voltada às creches privadas que cumpram contrapartidas sociais, padrões de qualidade e requisitos de transparência. Todas essas proposições ainda dependem da análise do Congresso.

Legado, desafios e futuro

A candidatura se apoia em resultados mensuráveis, mas também carrega os desafios enfrentados durante a gestão. Além da evolução mais lenta do Ideb nos anos finais, a rede continuou convivendo com dificuldades na contratação permanente de profissionais. No fim de 2024, uma greve de 11 dias expôs o conflito entre a Prefeitura e parte dos educadores em torno de mudanças nas regras funcionais da categoria.

Registrar esses limites é essencial para avaliar o legado com equilíbrio. A experiência de Ferreirinha combina políticas de grande escala, avanços em indicadores e reconhecimento nacional, mas também decisões contestadas e problemas que ainda exigem respostas.

A 15 dias das urnas, a escolha apresentada aos eleitores é se essa experiência deve ganhar uma nova dimensão em Brasília.

Ferreirinha tenta se afirmar não apenas como um candidato que fala sobre educação, mas como um gestor que já precisou executar políticas, administrar recursos e responder por resultados.

Sua proposta para o futuro é levar ao plano federal uma agenda baseada em educação integral, primeira infância, proteção digital e segurança para os profissionais da educação. A reta final será decisiva para saber se esse legado construído no Rio encontrará espaço para se transformar em política nacional.

Trump anuncia acordo de segurança na Groenlândia e reacende tensão com a Dinamarca


Pacto prevê ampliação da presença militar dos Estados Unidos no Ártico, mas governo dinamarquês afirma que a soberania da ilha será preservada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo de segurança com a Dinamarca e a Groenlândia que poderá ampliar a presença militar americana na ilha estratégica do Ártico.

Segundo Trump, o pacto garantiria aos Estados Unidos capacidade permanente para atuar na defesa da Groenlândia e impediria que países adversários, como China e Rússia, instalassem bases militares ou realizassem investimentos considerados sensíveis na região.

A declaração reacendeu a tensão diplomática envolvendo Washington e Copenhague. Trump já havia afirmado anteriormente que os Estados Unidos deveriam comprar ou assumir o controle da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, apresentou uma interpretação diferente. Segundo ela, o acordo fortalece a segurança no Ártico e no Atlântico Norte, mas reconhece a integridade territorial da Dinamarca e o direito de autodeterminação do povo groenlandês.

Na prática, a Groenlândia continuaria sob soberania dinamarquesa. O que está em negociação é a ampliação do papel militar e estratégico dos Estados Unidos, incluindo o acesso a instalações, operações de defesa e controle sobre possíveis investimentos estrangeiros na ilha.

O acordo ainda não entrou oficialmente em vigor. A previsão é que ele seja formalizado durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, e depois submetido aos procedimentos parlamentares necessários na Dinamarca e na Groenlândia.

A importância da ilha vai muito além de sua posição geográfica. A Groenlândia está localizada entre a América do Norte, a Europa e o Ártico, em uma área considerada fundamental para o monitoramento de mísseis e rotas militares.

O território também possui reservas de minerais estratégicos, terras raras e outros recursos naturais que ganharam importância com a disputa tecnológica e econômica entre Estados Unidos, China e Rússia.

A base americana de Pituffik, instalada no norte da Groenlândia, já é utilizada para atividades de vigilância e defesa. A ampliação da presença dos Estados Unidos reforçaria o controle sobre uma das regiões mais estratégicas do planeta.

O anúncio representa uma mudança importante na forma como Trump tenta avançar sobre a Groenlândia. Em vez de insistir imediatamente na compra ou anexação do território, o presidente americano pode obter influência militar e econômica por meio de um acordo de segurança.

Apesar disso, ainda existem dúvidas sobre os detalhes do pacto, os limites da atuação americana e a forma como a população groenlandesa será consultada.

O caso mostra como o Ártico se transformou em uma das principais áreas de disputa geopolítica do século XXI. O derretimento do gelo, a abertura de novas rotas marítimas e a descoberta de recursos naturais aumentaram o interesse das grandes potências.

Por enquanto, a Groenlândia não foi transferida aos Estados Unidos. Mas o anúncio de Trump pode marcar o início de uma nova fase de pressão americana sobre a ilha e sobre a própria relação entre Washington, Copenhague e os países do Ártico.

Clubes ameaçam perder bilhões se governo restringir apostas esportivas


Times da Série A tentam negociar com o governo enquanto discutem o futuro dos patrocínios de casas de apostas no futebol brasileiro

Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tentam abrir uma negociação com o governo federal diante da possibilidade de novas restrições às apostas esportivas e aos cassinos online.

Em manifesto, dirigentes afirmaram que uma eventual proibição ou limitação do setor pode comprometer a sustentabilidade financeira do futebol brasileiro. Segundo os clubes, as casas de apostas movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios, publicidade, naming rights e outros contratos comerciais.

A preocupação é que a medida atinja não apenas os cassinos virtuais, mas também empresas que atuam simultaneamente com apostas esportivas. O texto final da proposta ainda não foi divulgado, e o governo não confirmou quais atividades serão efetivamente alcançadas.

O receio dos clubes ocorre em um momento de forte dependência financeira do futebol em relação às bets. Entre 2025 e 2026, o número de equipes da Série A com casas de apostas como patrocinadoras principais caiu de 18 para 13. Alguns contratos foram encerrados, reduzidos ou afetados por problemas de pagamento.

Na avaliação dos dirigentes, uma restrição ampla poderia provocar perdas de bilhões de reais ao longo dos próximos anos, principalmente para clubes que utilizam os contratos de patrocínio para equilibrar seus orçamentos e manter investimentos em atletas, categorias de base e estrutura.

Apesar da pressão, entidades que defendem a restrição das apostas contestam o argumento dos clubes. A coalizão Brasil Contra Bets afirma que o futebol não pode depender de um setor associado ao endividamento das famílias, ao vício e a problemas de saúde mental.

O governo também sustenta que precisa avaliar os efeitos sociais das apostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende acabar com as bets, mas ainda discute o formato e o alcance de uma eventual medida.

O debate, portanto, envolve duas questões centrais: de um lado, a necessidade de proteger consumidores contra o endividamento e a dependência; de outro, o impacto financeiro que uma restrição poderá provocar em clubes, campeonatos e empresas que já possuem contratos autorizados.

Até o momento, não existe uma estimativa oficial consolidada sobre o total que o futebol perderia. O valor de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano é uma projeção apresentada pelos clubes e representantes do setor.

A discussão deverá avançar nas próximas semanas e pode alterar a relação entre futebol, publicidade e apostas esportivas no Brasil.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Fim do Tigrinho? Debate sobre cassinos online impulsiona luta de Ferreirinha contra propaganda das bets


Candidato a deputado federal pelo PSD defende ampliar a retirada de anúncios de apostas dos espaços públicos e levar a discussão para Brasília

A possibilidade de o Brasil proibir cassinos virtuais abriu uma nova frente no debate sobre os impactos das apostas online. Uma medida nacional em estudo atingiria jogos como roletas, caça-níqueis digitais, “Aviator”, “Tigrinho” e produtos semelhantes oferecidos pelas plataformas autorizadas.

A proposta ainda não foi publicada e nenhuma proibição entrou em vigor. Na configuração discutida até agora, as apostas esportivas continuariam permitidas, assim como os patrocínios de clubes e campeonatos. O alvo principal seriam os jogos de cassino disponíveis dentro dos aplicativos e sites das próprias bets. Entenda o que está sendo discutido.

A discussão nacional reforça uma bandeira que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, pretende levar a Brasília: restringir a publicidade das casas de apostas, retirar essas marcas dos espaços públicos e impedir que crianças e adolescentes cresçam cercados por anúncios que apresentam o jogo como diversão, investimento ou caminho para ganhar dinheiro.

Cassinos virtuais concentram grande parte do mercado

Os cassinos online representam uma parcela expressiva das receitas das plataformas. Embora sejam oferecidos nos mesmos aplicativos das apostas esportivas, funcionam de maneira diferente: os resultados não dependem de partidas reais, mas de sistemas digitais que reproduzem caça-níqueis, roletas e outros jogos de azar.

Informações divulgadas durante as discussões apontam que esses produtos podem responder por mais da metade do faturamento de determinadas empresas. Por isso, uma eventual proibição poderia afetar o modelo de negócio das operadoras e, indiretamente, os recursos aplicados em publicidade e patrocínios.

Também existe uma diferença entre empresas, marcas e endereços eletrônicos. A página oficial de transparência registra 85 processos de agentes operadores autorizados, enquanto números próximos de 188 divulgados no noticiário consideram as diferentes marcas e plataformas mantidas por essas empresas. Consulte a relação oficial do mercado autorizado.

O impacto econômico ajuda a explicar a resistência do setor, mas não elimina a discussão social. A expansão das apostas levou seus anúncios para transmissões esportivas, redes sociais, ônibus, eventos, estádios, influenciadores e diferentes áreas de circulação pública. O resultado é uma exposição permanente, inclusive de pessoas que nunca procuraram uma plataforma de apostas.

Ferreirinha apoia retirada das bets dos espaços públicos

Em julho, Ferreirinha apoiou publicamente a decisão da Prefeitura do Rio de proibir anúncios de bets em espaços públicos municipais. A restrição alcança bens, equipamentos e eventos vinculados ao poder público, impedindo que estruturas mantidas pela população sejam usadas para promover plataformas de apostas.

Na ocasião, Ferreirinha resumiu sua posição com a mensagem “Rio contra as bets”. Veja a manifestação publicada por Ferreirinha.

A medida adotada na capital não proíbe que adultos façam apostas nem impede completamente a atuação das empresas. Ela estabelece outro princípio: o poder público não deve oferecer seus espaços, contratos, equipamentos e eventos como vitrine para uma atividade associada ao risco de dependência e endividamento.

Ferreirinha defende que esse modelo seja ampliado para todo o Estado do Rio, alcançando espaços públicos, meios de transporte, eventos financiados com recursos públicos e locais frequentados por crianças e adolescentes.

Como candidato a deputado federal, ele pretende levar a discussão para Brasília e transformar a restrição da publicidade das bets em uma política de alcance nacional.

Até o momento, essa posição deve ser apresentada como uma bandeira política e programática, e não como uma lei federal de sua autoria já aprovada. O desafio de um eventual mandato será converter a defesa pública em proposta legislativa, articulação no Congresso e fiscalização das empresas.

A publicidade normaliza o risco

A discussão sobre anúncios é diferente do debate sobre proibir totalmente as apostas.

Mesmo quando uma atividade permanece legal para adultos, o Estado pode limitar sua publicidade para reduzir a exposição de públicos vulneráveis. Foi o que ocorreu, em diferentes proporções, com produtos como cigarros e bebidas alcoólicas.

As regras nacionais para as bets já ficaram mais rígidas. Desde julho, os anúncios precisam exibir advertências como “Apostar pode causar dependência”, ocupar espaço mínimo nas peças publicitárias e evitar mensagens que apresentem o jogo como investimento.

Também é considerada abusiva a publicidade direcionada a menores de 18 anos. As normas proíbem elementos de apelo infantojuvenil e anúncios em ambientes predominantemente frequentados por crianças, como escolas e locais de atendimento infantil. Confira as exigências nacionais para a publicidade de apostas.

Essas restrições, porém, ainda não significam uma retirada geral das bets dos espaços públicos brasileiros. É justamente nesse ponto que a proposta defendida por Ferreirinha pretende avançar.

Para ele, não basta inserir uma advertência pequena ao lado de uma campanha milionária. É necessário reduzir a presença das marcas em ambientes nos quais crianças, adolescentes e famílias ficam expostos à propaganda de maneira involuntária.

Proteção digital e educação fazem parte da mesma agenda

A posição de Ferreirinha sobre as bets se conecta a outras iniciativas de sua trajetória.

Quando comandava a Secretaria Municipal de Educação, ele participou da implantação da restrição dos celulares durante todo o horário escolar na rede do Rio. Posteriormente, quando exerceu mandato como suplente na Câmara, foi relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que deu origem à lei nacional sobre celulares nas escolas.

Ferreirinha também apresentou o PL 330/2026, que propõe idade mínima de 16 anos para contas individuais em redes sociais abertas.

As pautas tratam de problemas diferentes, mas seguem uma mesma lógica: crianças e adolescentes não podem enfrentar sozinhos plataformas digitais, algoritmos e empresas com enorme capacidade financeira para disputar sua atenção.

No caso das bets, essa preocupação é ainda maior porque a publicidade associa entretenimento, futebol, influenciadores e promessas de ganho a uma atividade que pode causar dependência e perdas financeiras.

Para Ferreirinha, a proteção não pode ser responsabilidade exclusiva das famílias. Empresas e poder público também precisam responder pelos ambientes e pelas mensagens oferecidas ao público.

De uma experiência municipal para uma política nacional

A possível proibição dos cassinos virtuais mostra que o país entrou em uma nova etapa do debate. A questão já não se limita a regulamentar empresas ou cobrar impostos. Ela envolve saúde mental, endividamento, publicidade, proteção de menores e responsabilidade pública.

A agenda defendida por Ferreirinha busca atuar antes que o problema aconteça: reduzir a exposição, retirar anúncios dos espaços mantidos pelo Estado e impedir que o jogo seja tratado como parte natural do cotidiano de crianças e adolescentes.

Em Brasília, essa atuação poderá alcançar projetos para restringir publicidade em bens públicos federais, concessões, transportes, eventos financiados com dinheiro público e ambientes frequentados por menores, além da fiscalização das plataformas e dos influenciadores envolvidos na divulgação.

A eventual retirada do “Tigrinho” e de outros cassinos virtuais dependerá de uma decisão que ainda não foi tomada. Mas o debate já produz uma conclusão importante: não é aceitável que o poder público permaneça passivo enquanto a publicidade das apostas ocupa ruas, eventos, telas e espaços frequentados por famílias.

Para Ferreirinha, levar essa pauta ao Congresso significa transformar uma iniciativa iniciada no Rio em uma política de proteção para todo o Brasil.