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sábado, 19 de setembro de 2026

Abin alerta governo e TSE sobre nível “crítico” de pressão dos EUA nas eleições brasileiras


Relatório confidencial aponta risco de interferência externa no processo eleitoral de 2026 e foi encaminhado à Presidência, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o governo federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o que classificou como um nível “crítico” de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil durante o processo eleitoral de 2026.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um relatório confidencial foi encaminhado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça. O documento aponta risco de interferência externa nas eleições e menciona uma mudança na forma de atuação do governo norte-americano em relação ao Brasil.

A avaliação da Abin ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno e coloca a soberania do processo eleitoral no centro do debate. O relatório cita medidas políticas, econômicas e diplomáticas adotadas pelos Estados Unidos, além de possíveis tentativas de influenciar o debate público brasileiro.

Entre os episódios analisados estão sanções econômicas, pressões relacionadas à política externa, medidas contra organizações criminosas brasileiras e discussões envolvendo o acesso a recursos minerais estratégicos do país.

O documento também menciona a atuação de integrantes do governo norte-americano na tentativa de aproximar o Brasil de posições políticas defendidas pelos Estados Unidos e de reduzir a influência de países como a China na América Latina.

A divulgação do alerta acontece em um ambiente de forte tensão entre Brasília e Washington, marcado por disputas comerciais, declarações políticas e divergências sobre o sistema eleitoral brasileiro.

O relatório, no entanto, não representa uma confirmação de que tenha ocorrido interferência estrangeira nas eleições. Trata-se de uma avaliação de risco produzida pela inteligência brasileira, que deverá ser acompanhada pelas instituições responsáveis pela segurança e pela integridade do processo eleitoral.

O alerta reforça a preocupação com a circulação de informações manipuladas, campanhas coordenadas nas redes sociais e possíveis ações externas capazes de influenciar a percepção dos eleitores.

Em uma eleição marcada pela polarização e pelo uso crescente de inteligência artificial, a disputa pelo controle da informação pode ser tão importante quanto a campanha realizada nas ruas.

Mulheres são maioria entre os eleitores indecisos para a eleição de 2026


Levantamento mostra que 26% das eleitoras ainda não definiram o voto; temas como segurança, educação, creches e representatividade aparecem entre as principais preocupações

As mulheres podem ocupar um papel decisivo na eleição presidencial de 2026. Segundo dados do Datafolha, elas representam 53% do eleitorado brasileiro e são maioria entre os eleitores que ainda não escolheram um candidato.

O levantamento aponta que 26% das mulheres continuam indecisas neste momento da disputa. O número transforma o eleitorado feminino em um dos principais focos das campanhas, especialmente na reta final antes do primeiro turno.

As preocupações, no entanto, não são uniformes. Entre os temas citados pelas eleitoras estão segurança, educação, acesso a creches, igualdade de oportunidades, inclusão e políticas públicas voltadas às famílias.

Também aparecem diferenças no comportamento político. Parte das eleitoras procura candidatos com propostas concretas para mulheres trabalhadoras. Outras priorizam educação, segurança, representatividade ou demonstram rejeição à polarização entre os grupos políticos.

A baixa presença feminina entre os principais candidatos à Presidência também chama atenção. Embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres representam apenas 17,8% da Câmara dos Deputados, segundo os dados apresentados na reportagem.

A pesquisa não significa que todas as eleitoras indecisas votarão da mesma maneira. O dado mostra, porém, que milhões de votos ainda estão em aberto e podem ser influenciados pela capacidade dos candidatos de apresentar propostas claras para problemas concretos.

Na prática, as campanhas que conseguirem dialogar com esse público sem reduzir suas demandas a slogans eleitorais poderão conquistar uma parcela importante do eleitorado brasileiro.

Fonte: Datafolha, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

El Niño pode persistir além do verão de 2026/2027 e acende alerta para cheias, seca e calor no Brasil


ANA lançou plano de preparação após estimar probabilidade superior a 80% de permanência do fenômeno até o trimestre março–abril–maio de 2027

O El Niño pode continuar influenciando o clima brasileiro mesmo depois do verão de 2026/2027. Uma atualização publicada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) nesta segunda-feira (14) aponta probabilidade superior a 80% de o fenômeno persistir até o trimestre março–abril–maio de 2027. A agência também estima mais de 90% de chance de o episódio atingir intensidade “muito forte” ainda no segundo semestre de 2026. Confira a atualização oficial da ANA.

De acordo com os dados do Climate Prediction Center, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de persistência entre setembro e novembro de 2026 chega a 100%. A projeção superior a 80% até março–maio de 2027 amplia o horizonte de atenção para além dos meses tradicionalmente associados ao verão brasileiro.

Diante desse cenário, a ANA lançou o Plano de Preparação para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño 2026/2027 sobre os Recursos Hídricos do Brasil. O documento reúne medidas de monitoramento, articulação institucional e possíveis respostas regulatórias para reduzir os riscos sobre abastecimento, reservatórios, navegação, geração de energia e segurança de barragens.

A região Sul concentra, neste momento, a situação mais sensível. A ANA informou que mantém uma Sala de Crise ativa para acompanhar cheias, inundações graduais, enxurradas e possíveis problemas relacionados à segurança de barragens em razão da previsão de aumento das chuvas e das vazões.

No Norte e no Nordeste, o cenário previsto é diferente, com possibilidade de redução das chuvas e elevação das temperaturas. No Semiárido, a agência monitora o risco de menor recarga dos açudes, com possíveis reflexos sobre a irrigação e o abastecimento público. Na Amazônia, a redução dos níveis dos rios pode afetar a navegação, o abastecimento e a geração de energia.

A ANA também chama atenção para o risco de ondas de calor no Sudeste e no Centro-Oeste. No Pantanal, o aumento das temperaturas e a redução da umidade do ar podem elevar a preocupação com incêndios, disponibilidade hídrica, navegação, pesca e turismo.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia informado, em 3 de setembro, que o El Niño poderia persistir com probabilidade próxima de 100% até fevereiro de 2027 e se intensificar para uma condição muito forte, com efeitos sobre os padrões de chuva e temperatura ao longo do próximo ano. Leia a atualização da OMM.

Apesar do cenário de atenção, as previsões não significam que cheias, secas, incêndios ou ondas de calor ocorrerão automaticamente em todas as regiões. A intensidade do El Niño é apenas um dos fatores envolvidos, e os impactos dependem da combinação com outros sistemas meteorológicos e das condições locais.

A orientação é que órgãos públicos, empresas e população acompanhem os boletins oficiais e os alertas das autoridades de meteorologia e defesa civil. O plano da ANA poderá ser revisado conforme novas informações sobre a evolução do fenômeno sejam divulgadas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Pico do El Niño se aproxima "em nível jamais visto" e pode superar todos os eventos dos últimos 170 anos


Modelos climáticos projetam anomalia próxima de 4°C no Pacífico e acendem alerta para chuvas, calor e eventos extremos no Brasil

O El Niño previsto para os próximos meses pode se transformar em um dos eventos climáticos mais intensos já registrados. Atualizações recentes dos modelos meteorológicos projetam que o fenômeno alcance seu pico entre novembro e dezembro de 2026, com uma anomalia de temperatura próxima de 4°C na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial.

Caso a projeção se confirme, o evento poderá superar, por ampla margem, os principais episódios registrados ao longo do século 20 e entrar em um patamar considerado excepcional nos últimos 170 anos de observações. A análise foi divulgada pela MetSul Meteorologia.

É importante destacar que se trata de uma projeção, e não de um recorde já confirmado. Os modelos climáticos indicam uma tendência para os próximos meses, que ainda poderá sofrer alterações conforme a evolução das temperaturas do oceano e da atmosfera.

Pacífico já registra aquecimento muito forte

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam significativamente mais quentes do que a média, acompanhadas pelo enfraquecimento dos ventos de leste.

De acordo com os dados mais recentes mencionados na análise, a região Niño 3.4 já apresentava uma anomalia de aproximadamente 2,7°C. Esse valor corresponde a um El Niño muito forte e está acima do patamar de 2°C utilizado informalmente para classificar um Super El Niño.

A previsão atual aponta que o aquecimento poderá continuar avançando até o fim do ano, alcançando níveis próximos ou superiores a 4°C. Os episódios históricos de 1997-1998 e 2015-2016 estão entre os mais intensos já observados, mas o evento projetado para 2026 poderá alcançar uma magnitude ainda maior.

Quais podem ser os efeitos no Brasil?

Os impactos do El Niño variam de acordo com cada região e dependem da interação entre o oceano, a atmosfera e outros sistemas meteorológicos. Mesmo assim, os padrões históricos permitem antecipar alguns riscos.

No Sul do Brasil, o fenômeno costuma aumentar a frequência e a intensidade das chuvas, elevando a possibilidade de temporais, cheias de rios, enchentes e episódios de instabilidade severa. Também pode haver maior risco de ciclones e tempestades durante determinados períodos.

No Norte e no Nordeste, o El Niño geralmente está associado à redução das chuvas e ao aumento do calor. Esse cenário pode favorecer períodos de seca, prejudicar o abastecimento de água, afetar a agricultura e aumentar o risco de queimadas.

Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência costuma ser de temperaturas acima da média e maior ocorrência de ondas de calor. A distribuição das chuvas, no entanto, pode variar bastante entre os estados e não permite afirmar antecipadamente que todas as cidades terão o mesmo comportamento.

Alerta não significa previsão de desastre

A possibilidade de um El Niño excepcional não significa que todos os impactos já estejam definidos ou que uma determinada cidade necessariamente enfrentará enchentes, seca ou calor extremo.

O fenômeno altera os padrões climáticos em escala global, mas seus efeitos dependem de diversos fatores. Por isso, as previsões precisam ser atualizadas continuamente por órgãos meteorológicos e centros de monitoramento.

O principal alerta está na intensidade projetada. Um aquecimento tão elevado no Pacífico pode aumentar a frequência de extremos climáticos, pressionar sistemas de abastecimento, afetar a produção agrícola e exigir maior preparação das cidades para chuvas fortes, calor intenso e períodos de estiagem.

Nas próximas semanas, novos dados deverão indicar se o fenômeno continuará seguindo a trajetória apontada pelos modelos. Se a previsão se confirmar, o El Niño de 2026 poderá entrar para a história como um dos episódios climáticos mais intensos da era moderna.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Brasil resgata 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão; 13 eram crianças e adolescentes


Operação realizada em agosto percorreu todas as regiões do país, identificou vítimas no campo, na construção civil e dentro de residências e elevou para mais de 70 mil o número de resgatados desde 1995

Uma operação nacional de combate ao trabalho escravo contemporâneo resgatou 479 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante o mês de agosto. Entre as vítimas estavam 13 crianças e adolescentes, além de migrantes de países como Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Senegal e Guiné-Bissau.

A Operação Resgate 6 realizou 231 ações fiscais em todas as regiões do Brasil. A força-tarefa reuniu auditores do Ministério do Trabalho e Emprego, integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e Polícia Federal.

Os empregadores identificados durante as fiscalizações deverão pagar cerca de R$ 3,49 milhões em verbas rescisórias às vítimas. Também foram emitidos 1.836 autos de infração por irregularidades relacionadas a trabalho infantil, falta de registro, ausência de equipamentos de proteção e descumprimento de normas de saúde e segurança.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 9 de setembro, pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.

Maioria dos casos ocorreu no meio rural

As fiscalizações no meio rural representaram 57,5% das ações e resultaram no resgate de 292 trabalhadores. Foram identificadas irregularidades em plantações de café, cebola e batata, principalmente em Minas Gerais.

O estado concentrou 208 vítimas, muitas delas migrantes que trabalhavam em lavouras sem carteira assinada, sem água potável, sem instalações sanitárias e sem equipamentos de proteção.

Em algumas propriedades, os trabalhadores dormiam em cozinhas ou em alojamentos improvisados, conviviam com instalações elétricas precárias e não tinham locais adequados para fazer refeições ou descansar.

Também houve registros de exposição a poeira, sujeira, agrotóxicos e jornadas extensas em atividades agrícolas. Em determinados casos, os trabalhadores eram recrutados em outros estados e ficavam submetidos a uma situação de dependência que dificultava a saída do local.

Construção civil e carvoarias também aparecem

No meio urbano, a construção civil foi o setor com maior número de vítimas, com 85 trabalhadores resgatados.

As equipes encontraram problemas relacionados à falta de registro, alojamentos inadequados, ausência de equipamentos de segurança e condições precárias de higiene. Parte dos trabalhadores vivia no próprio local onde prestava serviço, sem estrutura mínima de moradia.

Em Roraima, cinco trabalhadores venezuelanos foram encontrados em uma carvoaria instalada em condições improvisadas. Segundo os relatos da fiscalização, eles estavam expostos a poeira, calor, sujeira e instalações sem segurança adequada.

Em outro caso, um trabalhador permaneceu por aproximadamente um ano e meio sem registro e sem receber salário enquanto atuava na construção de cercas e na criação de animais.

Trabalhadora doméstica ficou décadas sem salário

Um dos casos mais delicados foi registrado em São Paulo, onde uma mulher de 51 anos foi resgatada após passar cerca de 40 anos trabalhando para a mesma família sem registro formal e sem receber salário de maneira regular.

As investigações mostraram que ela realizava atividades domésticas, mas não possuía os mesmos direitos, oportunidades ou autonomia dos demais integrantes da residência.

O caso se soma a outros resgates recentes de trabalhadoras domésticas idosas em Belo Horizonte. Duas mulheres, de 65 e 90 anos, foram retiradas de uma situação de exploração após permanecerem por décadas vinculadas à mesma família.

A mais velha teria passado 75 anos na residência, desde a adolescência. A outra permaneceu no local por aproximadamente 58 anos. As duas realizavam tarefas como limpeza, compras e preparo de refeições, sem salário regular, carteira assinada ou descanso adequado.

Os empregadores alegaram que as mulheres eram tratadas como integrantes da família. A fiscalização, porém, identificou que elas não tinham acesso aos mesmos direitos, oportunidades de educação, autonomia financeira e convivência social dos demais moradores.

Após o resgate, as duas foram encaminhadas para a rede de proteção e passaram a receber acompanhamento de órgãos de assistência social e saúde.

Brasil ultrapassa 70 mil resgatados

Com os resultados da Operação Resgate 6, o Brasil ultrapassou a marca de 70 mil trabalhadores retirados de condições análogas à escravidão desde 1995.

De acordo com o levantamento divulgado pelo UOL, o número chegou a pelo menos 70.271 pessoas resgatadas em ações realizadas desde a criação do sistema nacional de fiscalização.

As vítimas são encontradas em atividades como pecuária, agricultura, construção civil, produção de carvão, oficinas de costura, serviços domésticos e extração de recursos naturais.

A legislação brasileira considera trabalho análogo à escravidão situações que envolvem trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes ou jornada exaustiva. Não é necessário que a vítima esteja presa fisicamente para que o crime seja caracterizado.

A falta de liberdade pode ocorrer por ameaças, retenção de documentos, dívidas fraudulentas, isolamento geográfico, dependência econômica ou pela ausência de condições para que o trabalhador deixe o local com segurança.

Fiscalização ainda depende de denúncias

A Operação Resgate é realizada anualmente, mas as fiscalizações ocorrem durante todo o ano a partir de denúncias e informações encaminhadas aos órgãos competentes.

Além do pagamento de salários e verbas rescisórias, as vítimas podem ter direito a indenizações, seguro-desemprego especial e inclusão em programas de assistência social.

Durante a operação de agosto, mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias já havia sido pago aos trabalhadores resgatados. Também foram firmados termos de ajuste de conduta e ajuizadas ações civis públicas para responsabilizar empregadores.

Os resultados mostram que o trabalho escravo contemporâneo continua presente em áreas rurais e urbanas, em empresas, fazendas, carvoarias, obras e residências particulares.

A escravidão formal foi abolida no Brasil em 1888, mas a exploração extrema de trabalhadores permanece como um problema atual. O resgate de 479 pessoas em apenas um mês revela a dimensão de uma realidade que muitas vezes permanece escondida atrás de contratos informais, falsas relações familiares e promessas de emprego.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pela Plataforma Ipê ou pelo Disque 100.

Petróleo passa de US$ 100: escalada da guerra acende alerta para gasolina, diesel e inflação no Brasil


Brent ultrapassou a marca nesta quarta-feira, enquanto ataques envolvendo Estados Unidos, Irã e forças houthis aumentam o temor de interrupções no abastecimento mundial

O preço do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira, 9 de setembro, em um movimento provocado pelo agravamento dos confrontos no Oriente Médio e pelo temor de que a violência atinja as principais rotas de transporte e estruturas de produção da região.

O Brent, referência internacional para o mercado de petróleo, chegou a ser negociado acima de US$ 100, ampliando a pressão sobre os mercados globais. A cotação alcançou patamar superior ao registrado nos últimos meses, em meio à sequência de ataques envolvendo Estados Unidos, Irã, embarcações comerciais e forças houthis.

A Associated Press informou que o Brent avançou para US$ 100,72, enquanto o petróleo norte-americano também registrou forte alta. Já a Folha de S.Paulo apontou que o Brent chegou a superar US$ 101 durante as negociações.

Ataques elevam risco de interrupção no abastecimento

A nova alta ocorre após uma série de ataques contra navios, instalações de energia e estruturas militares. Os Estados Unidos atingiram petroleiros iranianos depois de ataques contra embarcações e forças norte-americanas. O Irã respondeu com ofensivas contra navios e uma base dos Estados Unidos, enquanto forças houthis, aliadas de Teerã, intensificaram ataques contra alvos na Arábia Saudita.

O mercado também passou a monitorar com maior preocupação a segurança das rotas próximas ao Estreito de Ormuz e ao Mar Vermelho. Essas áreas são fundamentais para o transporte internacional de petróleo e derivados. Qualquer bloqueio prolongado, redução no tráfego de navios ou aumento do custo de seguro pode restringir a oferta e elevar ainda mais os preços.

O problema não está apenas na quantidade de petróleo efetivamente retirada do mercado. Em momentos de tensão, empresas e transportadoras também podem suspender viagens, mudar rotas ou reduzir operações por causa dos riscos militares. O resultado é um mercado mais caro e instável, mesmo antes de uma interrupção completa do fornecimento.

O que isso pode significar para a gasolina e o diesel

A alta do petróleo não chega automaticamente às bombas no mesmo dia. O preço final dos combustíveis no Brasil depende de vários fatores, entre eles a cotação internacional, o dólar, os custos de transporte, as margens de refino e distribuição, os tributos e as decisões comerciais das empresas.

Por isso, o rompimento dos US$ 100 não significa que a gasolina e o diesel subirão imediatamente em todos os postos do país. O risco aparece caso o petróleo permaneça em patamar elevado por vários dias ou semanas e o aumento seja acompanhado por valorização do dólar e encarecimento dos derivados.

Na primeira semana de setembro, a gasolina ainda registrou preço médio de R$ 6,53 por litro no Brasil, enquanto o diesel S-10 ficou em R$ 6,88. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a gasolina teve leve queda e o diesel permaneceu estável no período, mesmo com a valorização do petróleo no exterior. Os dados foram divulgados pelo UOL com base no levantamento da ANP.

Esses números mostram que ainda não é possível afirmar que o movimento desta quarta-feira já tenha provocado uma alta nos preços brasileiros. A pressão, neste momento, está principalmente no risco de repasses futuros.

Diesel pode ampliar impacto sobre fretes e alimentos

O diesel é especialmente importante para a economia porque abastece grande parte da frota de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e veículos utilizados em atividades industriais.

Se o combustível subir de forma persistente, transportadoras podem ter aumento de custos operacionais. Esse encarecimento tende a ser incorporado aos fretes e pode chegar a diferentes setores da economia, afetando o transporte de alimentos, materiais de construção, produtos industrializados e mercadorias vendidas no comércio.

A gasolina também pode pressionar o orçamento das famílias, principalmente em períodos de alta prolongada. Além do impacto direto para quem utiliza o carro diariamente, aumentos nos combustíveis podem influenciar serviços de transporte, entregas e deslocamentos urbanos.

O efeito sobre a inflação, porém, dependerá da duração e da intensidade da alta. Uma oscilação pontual pode ser absorvida pelas empresas ou compensada por fatores internos. Já uma disparada prolongada tende a se espalhar com maior força pela cadeia de produção e distribuição.

Brasil ainda não sente repasse imediato

O cenário brasileiro possui mecanismos que podem retardar ou reduzir o repasse da alta internacional para o consumidor. A Petrobras não altera os preços necessariamente a cada oscilação diária do petróleo, e o mercado nacional também conta com produção interna, estoques, importações e diferentes condições regionais.

Além disso, os preços variam bastante entre estados e municípios. A média nacional não representa o valor cobrado em todos os postos, e fatores como distância dos centros de distribuição, concorrência local, carga tributária e disponibilidade do produto influenciam o preço final.

Por essa razão, a cotação do Brent deve ser acompanhada junto com o dólar, os preços internacionais dos derivados e as decisões das distribuidoras e refinarias. A simples passagem do barril para acima de US$ 100 é um sinal de alerta, mas não permite calcular, sozinha, quanto o consumidor pagará na próxima semana.

Mercado teme uma escalada ainda maior

A preocupação dos investidores é que os ataques continuem e atinjam diretamente instalações de produção, terminais de exportação ou rotas marítimas essenciais. Nesse cenário, o petróleo poderia permanecer acima de US$ 100 e avançar ainda mais, aumentando os custos de energia em vários países.

A instabilidade também pode afetar bolsas, moedas, seguros marítimos e empresas dependentes de transporte. Países importadores de petróleo tendem a ser mais vulneráveis, pois precisam pagar mais caro para garantir o abastecimento.

No Brasil, a combinação entre petróleo elevado, dólar pressionado e diesel mais caro seria particularmente sensível para os setores de transporte, agricultura, indústria e comércio. O impacto não seria necessariamente imediato, mas poderia aparecer gradualmente nos fretes, nos alimentos e em outros produtos essenciais.

O alerta desta quarta-feira, portanto, não é de que a gasolina já tenha subido por causa da guerra. O fato concreto é que o petróleo rompeu novamente os US$ 100 e que o mercado passou a precificar um risco maior de interrupção no abastecimento mundial.

Se a escalada militar for contida, as cotações poderão recuar. Caso os ataques se ampliem ou prejudiquem o tráfego de navios no Oriente Médio, a pressão sobre os combustíveis e a inflação poderá chegar com mais força ao bolso dos brasileiros.


terça-feira, 8 de setembro de 2026

AVENIDA BRASIL 2 É OFICIAL: Globo confirma continuação para 2027 e anúncio divide a internet


Novela que transformou Carminha, Nina e o Divino em fenômenos nacionais voltará ao horário das nove em janeiro; confirmação reacende nostalgia, expectativa pelo elenco original e críticas à onda de continuações na televisão

É oficial: “Avenida Brasil” vai ganhar uma continuação.

A TV Globo confirmou nesta terça-feira, 8 de setembro, que “Avenida Brasil 2” será sua próxima novela das nove e estreia em janeiro de 2027, substituindo Quem Ama Cuida. O anúncio encerra meses de especulações sobre o retorno de uma das produções mais populares da história recente da emissora.

A confirmação rapidamente ganhou as redes sociais porque não se trata de uma novela qualquer.

Exibida originalmente em 2012, Avenida Brasil transformou personagens como Carminha, Nina, Tufão, Jorginho e Leleco em referências da cultura popular, levou expressões e cenas para a internet e tornou o fictício bairro do Divino um dos cenários mais reconhecidos da dramaturgia brasileira.

A produção também alcançou enorme repercussão fora do país. Segundo o Gshow, a novela foi comercializada para mais de 150 países e chegou a ser indicada ao Emmy Internacional de Melhor Novela.

Agora, 15 anos depois da história original, a Globo tenta repetir um fenômeno que dificilmente pode ser fabricado.

Carminha deve voltar ao centro da história

Embora o anúncio oficial desta terça-feira tenha se concentrado principalmente no título e na data de estreia, reportagens sobre a produção apontam o retorno de nomes centrais da primeira novela.

Entre os atores citados estão Adriana Esteves, Murilo Benício, Débora Falabella, Cauã Reymond, Marcos Caruso, Eliane Giardini, Letícia Isnard e Juliano Cazarré. Também aparecem nomes como Mel Maia e Thalita Carauta na nova produção.

Adriana Esteves, responsável por uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira, deverá novamente ocupar posição central como Carminha.

A personagem terminou a novela original depois de uma longa trajetória marcada por golpes, vingança, conflitos familiares e pela histórica disputa com Nina, vivida por Débora Falabella.

O desafio agora será construir uma nova história que justifique o retorno desses personagens sem simplesmente reproduzir o que funcionou em 2012.

João Emanuel Carneiro retorna ao universo que criou

A continuação volta às mãos de João Emanuel Carneiro, autor da história original.

Nos bastidores, o projeto já vinha sendo desenvolvido há meses. O autor montou uma equipe de colaboradores e a novela entrou em fase de preparação antes mesmo do anúncio oficial da Globo.

Esse detalhe aumenta a expectativa porque Avenida Brasil é frequentemente considerada o maior sucesso da carreira do autor.

A primeira versão combinava vingança, melodrama, humor, futebol, ascensão social e personagens populares, com uma narrativa extremamente rápida para os padrões das novelas da época.

Foi também uma produção que entendeu cedo a força da conversa digital.

Em 2012, quando o uso das redes sociais ainda estava muito distante do volume atual, capítulos da novela já dominavam comentários e hashtags diariamente.

O famoso “Oi Oi Oi” da abertura virou praticamente um aviso nacional de que começava mais um capítulo.

Internet reage entre comemoração e medo de estragarem o original

A confirmação produziu exatamente o tipo de reação que seria esperado de uma continuação de uma obra tão popular.

Parte dos espectadores comemorou a possibilidade de reencontrar Carminha, Nina e outros personagens.

Outra parcela reagiu com desconfiança e criticou o que considera excesso de remakes, continuações e reaproveitamento de histórias antigas pela televisão.

Comentários publicados após o anúncio questionaram se seria realmente necessário mexer em uma novela cujo encerramento é lembrado até hoje e demonstraram preocupação de que uma continuação possa prejudicar a memória do original.

Essa divisão talvez seja justamente o maior combustível de audiência da nova produção.

Quem gostou quer assistir.

Quem acha uma péssima ideia provavelmente também vai querer descobrir se estava certo.

Globo aposta pesado na nostalgia

A escolha também revela uma estratégia cada vez mais evidente na indústria audiovisual.

Cinema, streaming e televisão descobriram que títulos conhecidos oferecem uma vantagem enorme: o público já sabe do que se trata antes mesmo da estreia.

Em vez de apresentar um universo completamente novo, Avenida Brasil 2 chega carregando uma base de fãs construída há mais de uma década.

A própria novela original voltou recentemente ao Vale a Pena Ver de Novo, permitindo que uma nova geração conheça a história ao mesmo tempo em que prepara o público mais antigo para a sequência.

A estratégia cria uma ponte quase perfeita entre nostalgia e lançamento.

Quem assistiu em 2012 revive a história.

Quem não assistiu pode conhecê-la agora.

E todos chegam a janeiro de 2027 sabendo quem são Carminha e Nina.

O tamanho do fenômeno original aumenta o risco

O problema para a Globo é que o sucesso da primeira novela estabelece uma comparação quase impossível.

Avenida Brasil não foi apenas uma produção de boa audiência.

Foi um fenômeno cultural.

O último capítulo mobilizou o país, os personagens dominaram conversas nas redes sociais e a trama conseguiu repercussão internacional incomum para uma novela brasileira.

Quanto maior a lembrança afetiva, maior também a possibilidade de rejeição caso a continuação não corresponda às expectativas.

O público não vai comparar Avenida Brasil 2 com qualquer novela atual.

Vai comparar com Avenida Brasil de 2012.

E essa talvez seja a tarefa mais difícil de todas.

Janeiro de 2027 já começa com uma das maiores apostas da televisão

Ainda faltam meses para a estreia, e muitos detalhes da trama continuam sob sigilo.

Mas a Globo conseguiu nesta terça-feira algo essencial para qualquer grande lançamento: fazer uma novela que ainda nem começou a ser exibida tornar-se imediatamente assunto nacional.

A partir de agora, cada informação sobre elenco, personagens, gravações e história deverá gerar nova rodada de repercussão.

Carminha vai continuar sendo vilã?

Nina e Jorginho permanecem juntos?

O Divino ainda será o mesmo?

Tufão terá novamente papel central?

E, principalmente: é possível repetir o fenômeno de Avenida Brasil sem tentar copiar Avenida Brasil?

A resposta começa a chegar em janeiro.

Até lá, uma coisa já está garantida: o “Oi Oi Oi” está oficialmente de volta ao horário nobre.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Jogo de Sombras: operação mira grupo da Betnacional, bloqueia R$ 191 milhões e investiga movimentação superior a R$ 5 bilhões


Receita Federal e Ministério Público Federal apuram suspeitas de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro em estrutura ligada a uma das maiores marcas de apostas do país; investigadores analisam operações em Curaçao, transferências internacionais e contas em fintechs, enquanto empresa afirma que colaborará com as autoridades

Uma das marcas mais conhecidas do mercado brasileiro de apostas esportivas entrou nesta sexta-feira, 28 de agosto, no centro de uma investigação que procura reconstruir o caminho de bilhões de reais movimentados entre o Brasil e o exterior.

A Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Jogo de Sombras, que investiga um grupo empresarial ligado à NSX Brasil, responsável pela Betnacional, por suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que a estrutura empresarial examinada teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Recife, João Pessoa e São Paulo. Segundo informações atribuídas pelo Ministério Público à operação, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 191 milhões em bens e valores. Paralelamente, a Receita abriu 11 procedimentos fiscais e estima que a apuração possa resultar na recuperação de cerca de R$ 300 milhões para os cofres públicos.

Não houve mandados de prisão nesta etapa.

A investigação ainda está em curso, e as suspeitas apresentadas pelos órgãos públicos não equivalem a condenação. A NSX Brasil afirmou que recebeu a diligência em seu escritório no Recife, disse que seus advogados ainda não haviam tido acesso integral aos autos e informou que colaborará com as autoridades, fornecendo os documentos e esclarecimentos solicitados.

O peso da operação, porém, vai muito além de uma discussão tributária envolvendo uma empresa.

O caso atinge um setor que, em poucos anos, passou a movimentar bilhões de reais, ocupar espaços nobres da publicidade brasileira, patrocinar clubes de futebol e transformar as apostas pelo celular em parte da rotina de milhões de pessoas. E coloca uma pergunta inevitável sobre o mercado que o governo decidiu regular: a legalização foi suficiente para tornar transparentes estruturas financeiras construídas quando as bets ainda operavam em uma zona regulatória muito diferente?

A empresa em Curaçao que chamou a atenção dos investigadores

Segundo a Receita Federal, um dos pontos centrais da investigação está na utilização de uma empresa constituída em Curaçao, território caribenho que durante anos serviu de sede para diversas plataformas de apostas que ofereciam seus serviços ao público brasileiro.

A suspeita é de que essa estrutura tenha sido utilizada para apresentar a operação como estrangeira em um período anterior à regulamentação efetiva das apostas de quota fixa no Brasil, embora empresas brasileiras ligadas ao grupo fossem, segundo os investigadores, responsáveis por atividades essenciais realizadas dentro do país.

Essa distinção é fundamental porque determina onde a receita era efetivamente gerada, onde deveria ser declarada e quais tributos poderiam incidir sobre as operações.

A Receita também identificou indícios de movimentações financeiras entre Brasil e exterior realizadas por meio de instituições de pagamento. Parte dos recursos enviados para fora teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por suposta prestação de serviços. Os investigadores procuram saber se esse mecanismo teria sido empregado para dar justificativa formal à entrada de valores anteriormente remetidos ao exterior.

Outra frente envolve as chamadas contas-bolsão em fintechs.

Nesse tipo de estrutura, recursos pertencentes a diferentes clientes ou beneficiários podem ficar concentrados em uma conta, dificultando a identificação imediata de quem é o verdadeiro proprietário de cada parcela do dinheiro. Para os investigadores, a utilização dessas contas pode ter tornado mais complexo o rastreamento dos valores e a identificação dos beneficiários finais das operações.

O trabalho agora deverá aprofundar justamente essa reconstrução: de onde saiu o dinheiro, por quais empresas passou, quem recebeu, quais serviços efetivamente existiram e quem se beneficiou economicamente das transações.

A Receita afirma ainda que há indícios de que a exploração de apostas no Brasil tenha ocorrido antes da obtenção da autorização formal necessária e sem o recolhimento de todos os tributos que seriam devidos. Os investigadores também querem identificar a origem dos recursos utilizados posteriormente para o pagamento da outorga que permitiu ao grupo entrar no mercado regulamentado.

A questão é particularmente sensível porque, se confirmada a hipótese investigativa, parte do dinheiro produzido durante uma fase anterior poderia ter contribuído para financiar a entrada da empresa no próprio mercado regularizado.

A regulamentação não encerrou as suspeitas

O aspecto mais delicado da Operação Jogo de Sombras talvez esteja no período posterior à regulamentação.

A investigação não se limita à época em que as plataformas de apostas operavam a partir de licenças estrangeiras e ofereciam serviços a brasileiros sem uma autorização nacional equivalente àquela exigida atualmente.

Segundo a Receita, existem indícios de que algumas estruturas utilizadas anteriormente teriam sido adaptadas e mantidas mesmo depois da entrada no mercado regulado, permitindo, em tese, a continuidade de mecanismos capazes de reduzir artificialmente o volume de tributos pagos.

Entre os pontos examinados estão despesas declaradas ao Fisco que podem não corresponder a serviços efetivamente prestados. Se essa suspeita for comprovada, despesas fictícias poderiam ter sido usadas para reduzir a base sobre a qual os impostos seriam calculados.

É justamente por isso que a Receita instaurou 11 procedimentos fiscais paralelos à investigação criminal.

O órgão estima potencial de recuperação tributária próximo de R$ 300 milhões, embora o montante definitivo só possa ser estabelecido depois da análise completa dos documentos, movimentações e declarações fiscais.

A diferença entre os valores ajuda a dimensionar o caso. Uma empresa pode movimentar bilhões sem necessariamente ter bilhões de lucro, e o montante movimentado não pode ser confundido automaticamente com dinheiro irregular. O trabalho dos investigadores consiste justamente em separar receitas legítimas, despesas comprovadas, tributos eventualmente devidos e operações que possam caracterizar ilícitos.

Essa distinção é essencial para evitar uma conclusão precipitada: os mais de R$ 5 bilhões citados pelas autoridades representam a movimentação analisada, e não um valor que já tenha sido declarado criminoso pela Justiça.

Betnacional tornou-se uma das marcas mais visíveis do país

A repercussão tende a ser muito maior porque a investigação alcança uma empresa com enorme exposição pública.

A Betnacional cresceu rapidamente no mercado brasileiro e passou a aparecer em campanhas publicitárias, transmissões esportivas e patrocínios. O grupo NSX foi incorporado ao universo da Flutter Entertainment, multinacional do setor de apostas com ações negociadas em Nova York e presença em diversos mercados internacionais. Reportagens sobre a operação apontam que a Flutter adquiriu participação majoritária no negócio brasileiro em uma transação bilionária.

A marca também construiu sua presença utilizando personalidades de enorme reconhecimento no esporte e na televisão e por meio de relações comerciais com clubes brasileiros. Isso não vincula artistas, atletas ou equipes patrocinadas às suspeitas investigadas. Contratos publicitários e patrocínios são relações comerciais e não significam participação em eventuais irregularidades financeiras da empresa contratante.

O alcance da marca, entretanto, explica por que a operação possui potencial para repercutir muito além das páginas econômicas.

Para o consumidor que abre um aplicativo, deposita dinheiro e faz uma aposta em segundos, toda a infraestrutura que existe atrás daquela tela tende a ser invisível.

Há sistemas de pagamento, empresas de tecnologia, operadores, bancos, fintechs, remessas internacionais, contratos de publicidade, fornecedores e estruturas societárias que podem envolver diferentes jurisdições.

Quando uma investigação entra nesse circuito, aquilo que parecia uma simples aposta de R$ 10 passa a fazer parte de uma discussão sobre bilhões de reais em fluxos financeiros.

Betnacional continua funcionando

Apesar da operação, a Betnacional não foi retirada do mercado nesta sexta-feira.

Segundo informações divulgadas após a ação, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informou que a plataforma permanece autorizada a funcionar enquanto os procedimentos administrativos e judiciais avançam. O governo aguarda o compartilhamento de provas produzidas na investigação para avaliar eventuais consequências regulatórias.

Existem ainda processos sancionadores que podem produzir medidas administrativas, mas nenhum deles equivale, neste momento, a uma decisão definitiva de proibição.

Essa distinção é particularmente importante para apostadores que mantêm contas ou valores na plataforma.

A deflagração de uma operação de busca não significa encerramento automático da empresa, bloqueio geral das contas dos usuários ou perda dos saldos mantidos pelos clientes.

Também não houve anúncio das autoridades indicando que apostadores comuns estejam sendo investigados simplesmente por utilizar a plataforma.

O foco está na estrutura empresarial, nas operações tributárias e financeiras e nos beneficiários das movimentações sob análise.

O setor de bets entra numa nova fase de fiscalização

A Jogo de Sombras não é um episódio isolado.

A Receita Federal e outros órgãos vêm ampliando as operações sobre o mercado de apostas justamente depois da entrada em vigor do modelo regulamentado. Em 13 de agosto, a Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e obteve autorização judicial para apreender bens e valores de até R$ 1 bilhão em outra investigação sobre suspeitas de sonegação, evasão e lavagem.

A sequência revela uma mudança de etapa.

Durante os primeiros anos da explosão das bets no Brasil, o principal debate era se o setor seria autorizado, proibido ou regulamentado.

Depois veio a discussão sobre publicidade, proteção de menores, vício em apostas, tributação e integridade esportiva.

Agora surge uma terceira dimensão: seguir o dinheiro.

A existência de autorização para funcionar significa que uma empresa cumpriu requisitos regulatórios para entrar no mercado, mas não cria imunidade a fiscalizações tributárias, financeiras ou criminais posteriores.

É exatamente esse ponto que as operações recentes começam a testar.

O governo conseguiu trazer uma parcela relevante do setor para dentro de um sistema formal. A questão passa a ser saber se os instrumentos de controle conseguem acompanhar estruturas empresariais que movimentam bilhões de reais em segundos e que nasceram, em muitos casos, quando o mercado brasileiro ainda não possuía o atual modelo de fiscalização.

O nome “Jogo de Sombras” traduz o centro da investigação

O nome escolhido para a operação é especialmente sugestivo.

A investigação não procura determinar se uma aposta esportiva foi paga corretamente ou se determinado jogador venceu ou perdeu dinheiro.

Ela busca identificar aquilo que pode ter permanecido atrás da operação visível: empresas estrangeiras, contas financeiras, beneficiários finais, despesas declaradas, transferências internacionais e estruturas societárias.

É uma apuração sobre o dinheiro que circula depois que o apostador aperta o botão.

Esse tipo de investigação costuma ser demorado porque o desafio não está apenas em descobrir que uma transferência aconteceu, mas em compreender sua finalidade econômica.

Uma empresa pode legalmente contratar serviços no exterior.

Pode legalmente realizar remessas internacionais.

Pode utilizar instituições de pagamento.

Pode ter acionistas estrangeiros.

Pode pagar fornecedores fora do Brasil.

Nenhuma dessas práticas constitui crime por si só.

A irregularidade surge quando estruturas legítimas são eventualmente utilizadas para ocultar receitas, reduzir tributos indevidamente, disfarçar beneficiários ou dar aparência legal a recursos de origem ilícita.

É isso que terá de ser provado ou descartado.

R$ 5 bilhões, R$ 191 milhões e uma pergunta sobre o mercado brasileiro

A força dos números pode facilmente produzir conclusões antecipadas.

Por isso, vale separar cada um deles.

Os R$ 5 bilhões representam a movimentação atribuída pelas autoridades ao grupo no período analisado em 2025.

Os R$ 191 milhões correspondem ao bloqueio de bens e valores determinado no contexto da operação, segundo informações divulgadas sobre a investigação.

Os cerca de R$ 300 milhões representam o potencial de recuperação tributária estimado pela Receita após a abertura de 11 procedimentos fiscais.

Nenhum desses valores significa, sozinho, condenação criminal.

Mas, considerados em conjunto, mostram a dimensão financeira da investigação e explicam por que a operação ganhou prioridade entre Ministério Público e Receita Federal.

O Brasil criou um dos maiores mercados de apostas online do mundo em poucos anos.

As marcas chegaram às camisas dos clubes, aos intervalos dos jogos, às redes sociais e aos celulares de milhões de pessoas antes que grande parte da sociedade compreendesse completamente a estrutura econômica construída por trás delas.

A regulamentação tentou estabelecer regras para esse novo mercado.

A Operação Jogo de Sombras mostra que regulamentar foi apenas o começo.

Agora o Estado precisa descobrir se consegue enxergar com a mesma velocidade com que o dinheiro se movimenta.

A NSX terá oportunidade de apresentar sua defesa, contestar as suspeitas e demonstrar a regularidade de suas operações. A investigação precisará provar cada uma das hipóteses levantadas antes que qualquer responsabilidade possa ser atribuída definitivamente.

Até lá, o caso permanece exatamente onde deveria permanecer: no terreno da apuração.

Mas uma conclusão já pode ser feita sem antecipar julgamento.

O mercado brasileiro de bets entrou definitivamente na era em que não basta ter autorização para aparecer na tela.

Será preciso explicar também o que acontece com os bilhões que circulam por trás dela.

TikTok limita a 12 horas acesso sem cadastro no Brasil após pressão da ANPD por proteção de menores


Mudança restringe o uso do feed por dispositivo, elimina publicidade e interações sociais nessa modalidade e integra um amplo plano de adequação imposto após investigação sobre o tratamento de dados de crianças e adolescentes

O TikTok passou a restringir no Brasil o acesso ao seu feed por usuários que utilizam a plataforma sem criar uma conta. A chamada “experiência sem cadastro”, que durante anos permitiu navegar por vídeos sem identificação formal na rede social, passa a ter um limite de 12 horas cumulativas por dispositivo, além de uma série de restrições de funcionalidades e de coleta de dados.

A mudança faz parte do plano de conformidade negociado entre a ByteDance, controladora do TikTok, e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), depois de uma investigação que identificou irregularidades no tratamento de informações de crianças e adolescentes no país. A própria agência informou que a limitação não corresponde a 12 horas diárias: o período é acumulado no aparelho utilizado para acessar o serviço.

Com a nova configuração, quem entrar no TikTok sem possuir conta continuará podendo assistir a vídeos, mas encontrará uma versão significativamente mais restrita da plataforma. Não será possível comentar, publicar conteúdo, enviar mensagens diretas, seguir outros perfis ou acompanhar transmissões ao vivo. A publicidade também ficará suspensa nessa modalidade, enquanto o sistema de recomendação deverá operar com grau muito menor de personalização. O conteúdo exibido deverá ainda ser adequado para todas as idades.

As alterações estão diretamente relacionadas à preocupação das autoridades brasileiras com o acesso de menores às redes sociais sem mecanismos suficientes de identificação de idade ou supervisão dos responsáveis. Segundo a ANPD, o modelo anteriormente utilizado permitia que crianças e adolescentes consumissem conteúdo e gerassem dados comportamentais mesmo sem possuir uma conta registrada, situação considerada especialmente sensível à luz da Lei Geral de Proteção de Dados.

Investigação levou a multa de R$ 153,7 milhões

O novo desenho do serviço foi divulgado poucos dias depois de a ANPD aplicar à ByteDance uma multa de R$ 153,7 milhões por cinco violações à LGPD relacionadas ao tratamento de dados de crianças e adolescentes. A sanção, anunciada em 25 de agosto, foi acompanhada da determinação de eliminação de informações coletadas de maneira irregular e da obrigação de cumprir um plano mais amplo de proteção de menores.

A investigação analisou tanto o acesso feito por usuários cadastrados quanto o feed disponível para quem não possuía conta. No segundo caso, os técnicos concluíram que dados pessoais de crianças e adolescentes eram tratados sem uma base legal considerada válida e que as medidas adotadas pela plataforma não impediam de forma suficiente que menores utilizassem o serviço.

No acesso com cadastro, a ANPD também apontou falhas nos mecanismos destinados a evitar registros de usuários abaixo da idade permitida e na demonstração da efetividade das medidas de proteção adotadas pela empresa.

Um dos números levados em consideração durante o processo revela a dimensão do problema. A fiscalização registrou informações segundo as quais milhões de contas pertencentes a menores de 13 anos haviam sido removidas pela própria plataforma em períodos anteriores, evidenciando a dificuldade de impedir que crianças ingressassem no serviço declarando uma idade diferente da real.

A ANPD também observou que o feed sem cadastro oferecido no Brasil não funcionava da mesma forma em mercados como Estados Unidos e União Europeia. Na avaliação da fiscalização, essa diferença demonstrava que a manutenção desse modelo no país não decorria necessariamente de uma limitação técnica da empresa, mas de uma decisão relacionada ao desenho do produto.

A ByteDance afirma que vem dialogando com a autoridade brasileira há anos e sustenta que parte das condutas analisadas corresponde a práticas anteriores às mudanças implementadas mais recentemente. A empresa pode recorrer da sanção administrativa.

Limitação atinge o coração do modelo do TikTok

A alteração tem relevância maior do que aparenta porque afeta uma das principais características que tornaram o TikTok uma das plataformas digitais mais utilizadas do mundo: a capacidade de personalizar rapidamente aquilo que cada usuário vê.

O funcionamento do feed depende da análise de uma série de sinais produzidos durante a navegação. O tempo gasto assistindo a um vídeo, a decisão de repeti-lo ou abandoná-lo rapidamente, as buscas feitas dentro do aplicativo e diferentes formas de interação ajudam o sistema a compreender preferências e selecionar novos conteúdos.

Mesmo quando uma pessoa não possuía uma conta registrada, parte dessas informações podia ser utilizada para adequar a experiência de navegação. Foi justamente esse tipo de tratamento comportamental que chamou a atenção da fiscalização quando aplicado a crianças e adolescentes.

A restrição imposta à experiência sem cadastro tenta reduzir essa capacidade de rastreamento. Segundo o plano divulgado pela ANPD, nessa modalidade a coleta deverá ficar limitada a informações consideradas básicas para o funcionamento do serviço, como idioma, região, dados essenciais do aparelho, proteção contra fraudes e informações necessárias para melhorar o desempenho técnico da plataforma.

Na prática, isso significa que o usuário sem conta deverá encontrar um feed menos individualizado e, portanto, menos moldado continuamente aos seus hábitos de consumo.

Essa mudança interfere diretamente na lógica que ajudou o TikTok a se tornar extremamente eficiente em manter pessoas conectadas por longos períodos. Quanto maior a quantidade de informações disponíveis sobre um usuário, maior tende a ser a capacidade do algoritmo de prever quais vídeos poderão mantê-lo assistindo.

Quando esse usuário é uma criança, no entanto, a questão deixa de ser apenas comercial ou tecnológica e entra no campo da proteção de direitos.

Contas de menores também terão regras mais rígidas

O plano de adequação não se limita a pessoas que utilizam a plataforma sem cadastro. O TikTok também deverá reforçar as configurações destinadas aos usuários menores de idade que possuem conta.

Para perfis de pessoas com menos de 16 anos, as opções de privacidade mais restritivas deverão ser aplicadas automaticamente. Alterações nessas configurações dependerão de autorização dos responsáveis, e os mecanismos de supervisão parental deverão ser reforçados. A plataforma também assumiu o compromisso de ampliar filtros destinados a impedir que conteúdos inadequados cheguem ao público infantil e adolescente.

O movimento ocorre em um momento de endurecimento da regulamentação digital brasileira em relação aos menores. O chamado ECA Digital ampliou as obrigações de plataformas de grande alcance e colocou temas como verificação de idade, supervisão parental, publicidade e transparência entre as prioridades dos órgãos de fiscalização.

A própria ANPD informou neste mês que plataformas acessadas por crianças e adolescentes deverão publicar relatórios periódicos de transparência sobre as medidas adotadas para cumprir essas exigências.

O TikTok tornou-se, portanto, um dos primeiros grandes casos em que essa preocupação regulatória passa a produzir uma mudança facilmente perceptível pelo próprio usuário.

O que muda para quem já possui conta

Para os adultos que já utilizam normalmente uma conta registrada no TikTok, a limitação de 12 horas não se aplica. A restrição está relacionada especificamente à modalidade de acesso sem cadastro.

O impacto mais direto será sentido por quem costumava abrir o aplicativo ou acessar conteúdos sem fornecer dados para a criação de um perfil. Essa possibilidade continuará existindo, mas com prazo limitado e sem os elementos que caracterizam plenamente a experiência social da plataforma.

A ausência de publicidade também produz uma mudança relevante. A ANPD identificou preocupação específica com a utilização de informações de menores para direcionamento comercial e com o eventual compartilhamento desses dados em processos relacionados à publicidade personalizada.

Ao retirar anúncios completamente do feed sem cadastro, a plataforma reduz um dos principais incentivos econômicos associados ao acompanhamento detalhado do comportamento desses usuários.

Isso não significa que o TikTok deixará de coletar qualquer informação nessa modalidade, mas a quantidade e a finalidade dos dados deverão ser significativamente menores.

Caso pode antecipar uma mudança maior nas redes sociais

A limitação do TikTok ocorre em meio a uma discussão global sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de menores.

Governos e autoridades reguladoras vêm questionando há anos se simplesmente exigir que uma criança informe sua data de nascimento é suficiente para controlar o acesso a serviços desenhados para maximizar permanência, interação e consumo de conteúdo.

O problema ficou ainda mais complexo com a expansão de sistemas de recomendação capazes de analisar continuamente o comportamento de cada usuário.

No modelo tradicional das redes sociais, a responsabilidade costumava surgir depois que um menor já estava dentro da plataforma: quais conteúdos poderia assistir, com quem poderia conversar e qual publicidade poderia receber. A nova tendência regulatória desloca parte dessa preocupação para uma etapa anterior, exigindo que as empresas expliquem como identificam a idade de seus usuários e quais dados podem ser tratados antes mesmo de haver uma conta formal.

É nesse contexto que o limite de 12 horas assume uma dimensão que ultrapassa a simples mudança de funcionamento de um aplicativo.

Para milhões de brasileiros, a consequência será concreta: abrir o TikTok sem cadastro deixará de significar acesso praticamente ilimitado a um feed progressivamente personalizado.

Para a empresa, a mudança representa a necessidade de operar no Brasil sob um modelo mais restritivo quando não consegue determinar com segurança quem está do outro lado da tela.

E, para o mercado de tecnologia, o caso envia um recado ainda mais amplo: a coleta de dados de crianças e adolescentes passou definitivamente a ocupar o centro da fiscalização brasileira.

A multa de R$ 153,7 milhões atraiu as manchetes. A transformação mais importante, porém, talvez esteja naquilo que ocorrerá depois dela. Ao impor limites ao próprio funcionamento do feed, a decisão da ANPD mostra que a discussão sobre proteção infantil na internet já não está restrita a termos de uso, políticas de privacidade ou avisos escondidos em telas de cadastro.

Ela começou a alterar o produto.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Miss Brasil perde título após gravidez e caso reacende debate sobre uma regra que o Congresso já tenta derrubar


Lara Marina deixou de ser Miss Brasil Supranational 2026 depois que sua gestação veio a público; organização fala em descumprimento contratual sem revelar qual cláusula foi violada. Caso ocorre justamente no ano em que uma comissão da Câmara aprovou projeto para impedir restrições a gestantes e mães em concursos de beleza

Uma coroa, uma gravidez e uma pergunta que os concursos de beleza brasileiros talvez já não consigam evitar:

em 2026, ser gestante ainda pode ser considerado incompatível com o título de Miss Brasil?

A modelo capixaba Lara Marina Soares Tosta, representante brasileira que terminou em terceiro lugar no Miss Supranational 2026, na Polônia, foi destituída do título nacional depois que sua gravidez se tornou conhecida.

O Concurso Nacional de Beleza (CNB), responsável pela franquia brasileira do Miss Supranational, informou que houve “descumprimento de obrigações contratuais incompatíveis com a manutenção do título”.

Mas existe um elemento decisivo nessa história: a organização não tornou pública a cláusula contratual específica que teria sido descumprida.

Foi a própria Lara quem posteriormente revelou que estava grávida.

A consequência foi imediata: ela perdeu a faixa e a coroa nacionais, que passarão para Camilly Ceccon, vice-campeã da competição brasileira.

A colocação conquistada por Lara no concurso mundial, porém, permanece.

A organização internacional do Miss Supranational decidiu manter o terceiro lugar obtido pela brasileira na Polônia, ou seja, sua performance internacional não foi anulada.

É exatamente essa combinação de fatos que transforma o caso em algo muito maior do que uma troca de coroa.

Lara foi considerada apta a representar o Brasil, competiu entre mulheres de vários países, terminou entre as três melhores do mundo — e depois perdeu o título brasileiro em meio à descoberta de uma gravidez.

A discussão deixou rapidamente o universo dos concursos de beleza e entrou em um terreno muito mais sensível: maternidade, autonomia feminina, contratos privados e discriminação.

O contrato existe. A cláusula que derrubou a Miss continua desconhecida

O comunicado do CNB é juridicamente cuidadoso.

A organização não afirmou publicamente, de maneira detalhada, que “gravidez é proibida” nem apresentou até agora a cláusula que fundamentaria a destituição.

Limitou-se a informar que houve descumprimento de obrigações contratuais incompatíveis com a permanência no posto.

Essa ausência de transparência é relevante.

Porque sem acesso ao contrato completo não é possível afirmar juridicamente se Lara perdeu o título formalmente por estar grávida, se existia alguma obrigação relacionada às condições de elegibilidade ou representação, ou se a organização sustenta outra interpretação contratual.

Ao mesmo tempo, a sequência temporal é incontornável.

A perda do título ocorreu no contexto da descoberta da gestação, e a própria modelo apresentou a gravidez como elemento central da mudança ocorrida em sua trajetória.

Lara contou ainda que não sabia estar grávida durante o concurso mundial. Segundo seu relato, alterações que hoje podem ser associadas à gestação foram interpretadas naquele momento como consequências da ansiedade e da intensa rotina da competição.

Ou seja: não se trata, segundo a versão apresentada por ela, de uma candidata que conscientemente escondeu uma gravidez para disputar uma competição sabendo que descumpria uma regra.

Ela afirma que sequer conhecia sua condição.

Isso torna a decisão ainda mais delicada.

O concurso mudou suas regras justamente em 2026

Existe outra circunstância que torna o episódio especialmente simbólico.

O próprio Miss Supranational anunciou mudanças importantes em seus critérios internacionais de elegibilidade a partir da edição de 2026.

Até recentemente, as regras eram significativamente mais restritivas.

Nas exigências divulgadas para 2025, candidatas deveriam estar solteiras e não poderiam ter filhos.

Para 2026, a organização internacional alterou a política.

Passou a permitir a participação de mulheres divorciadas e mães, mantendo idade entre 18 e 32 anos e a exigência de que a candidata não esteja casada.

É uma transformação importante.

Uma mulher que já teve um filho pode competir.

Uma mulher divorciada pode competir.

O regulamento público divulgado pela organização para 2026, porém, não esclarece expressamente a situação de uma candidata que esteja grávida durante o período do concurso ou enquanto mantém o título.

E é exatamente nessa zona cinzenta que o caso de Lara se instalou.

A organização avançou na aceitação da maternidade, mas agora enfrenta uma pergunta inevitável:

se uma mãe pode ser Miss, por que uma futura mãe não poderia continuar sendo?

Pode haver justificativas contratuais, físicas, logísticas ou comerciais que a organização considere relevantes.

Mas, enquanto elas não forem apresentadas de forma transparente, a decisão ficará inevitavelmente associada à gravidez.

E isso muda completamente a repercussão pública.

O Congresso brasileiro já discute exatamente esse problema

O caso de Lara não surgiu em um vazio legislativo.

Em abril deste ano, meses antes da controvérsia, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta destinada especificamente a impedir discriminação contra mães, gestantes e mulheres casadas em concursos de beleza no Brasil.

O texto é resultado da análise do Projeto de Lei 77/2025 e estabelece que mulheres não poderiam ser impedidas de participar ou de receber títulos por causa de gravidez, maternidade ou estado civil.

A versão aprovada pela comissão vai ainda mais longe.

Prevê que cláusulas que restrinjam a participação de mulheres devido à gravidez ou ao estado civil sejam consideradas nulas, dentro das condições estabelecidas pela proposta.

O projeto também relaciona o cumprimento dessas regras ao acesso a determinados incentivos públicos.

Mas há uma precisão fundamental:

a proposta ainda não é lei.

O texto precisa continuar sua tramitação na Câmara, passar por outras comissões e pelo restante do processo legislativo antes de eventualmente entrar em vigor.

Portanto, não é correto afirmar, apenas com base nesse projeto, que a organização do concurso necessariamente infringiu uma lei ao retirar o título de Lara.

O que pode ser afirmado é politicamente muito significativo:

o Congresso brasileiro já discute exatamente se uma situação como essa deveria continuar sendo permitida.

Outro caso de Miss que perdeu o título por ser mãe ajudou a provocar o projeto

A proposta não nasceu por acaso.

Segundo a Câmara dos Deputados, a discussão legislativa foi impulsionada pelo caso de Carla Cristina, que perdeu o título de Miss Acre Mundo 2023 após a organização descobrir que ela era mãe.

Na justificativa apresentada durante a tramitação, parlamentares argumentaram que regras que penalizem mulheres pela maternidade podem reproduzir desigualdades incompatíveis com princípios de igualdade e dignidade.

Três anos depois, uma nova controvérsia surge.

Desta vez, não se trata de uma mulher impedida porque já possui um filho.

Trata-se de uma Miss destituída no contexto de uma gravidez.

O debate que antes parecia abstrato ganhou um rosto, uma faixa e repercussão nacional.

Discriminação por gravidez já é fortemente combatida na legislação trabalhista

No mercado de trabalho, a proteção brasileira é muito mais clara.

A legislação proíbe diversas práticas discriminatórias relacionadas à gravidez.

A Lei nº 9.029/1995 combate práticas discriminatórias no acesso e na manutenção de relações de trabalho, enquanto a CLT possui dispositivos que proíbem, em diferentes circunstâncias, demissão ou restrições profissionais motivadas pelo estado gestacional.

Mas é necessário evitar uma conclusão apressada.

Um concurso de beleza e a manutenção de um título não são automaticamente equivalentes a uma relação tradicional de emprego.

A natureza jurídica do vínculo entre uma Miss e a organização depende do contrato e das características concretas da relação estabelecida.

Por isso, aplicar diretamente normas trabalhistas ao episódio sem conhecer todos os documentos seria precipitado.

O caso, contudo, mostra algo interessante.

A sociedade brasileira já consolidou a ideia de que uma mulher não deve perder oportunidades profissionais simplesmente porque engravidou.

Agora, os concursos de beleza começam a ser pressionados a responder se o mesmo princípio deve valer dentro de seus próprios regulamentos.

Uma pergunta incômoda: o corpo da Miss pertence a quem?

Durante décadas, concursos internacionais estabeleceram regras rígidas sobre a vida pessoal das candidatas.

Idade.

Estado civil.

Filhos.

Peso.

Medidas corporais.

Relacionamentos.

Comportamento.

Agenda.

Exclusividade.

A justificativa sempre esteve ligada à disponibilidade da vencedora para cumprir compromissos durante o reinado e representar comercialmente determinada organização.

Mas essas exigências vêm sendo desmontadas aos poucos.

Concursos que antes proibiam mães passaram a aceitá-las.

Mulheres divorciadas começaram a ser admitidas.

Limites de idade foram ampliados ou eliminados em diferentes competições.

O próprio Miss Supranational apresentou suas mudanças de 2026 como parte de um compromisso com inclusão, progresso e diversidade.

A gravidez coloca essa modernização à prova.

Porque ela força uma pergunta básica:

uma candidata deixa de possuir beleza, capacidade de comunicação, inteligência, presença de palco ou representatividade porque está esperando um filho?

Se a resposta é não, então qualquer impedimento precisa ser explicado por critérios concretos.

Se a justificativa é que uma gravidez pode impedir viagens ou determinadas atividades, isso também precisa ser analisado individualmente — porque gestações são diferentes e recomendações médicas também.

Se existe uma regra contratual objetiva, ela precisa ser conhecida.

O que se torna cada vez mais difícil de sustentar socialmente é simplesmente a ideia de que uma barriga de grávida seja incompatível com uma coroa.

A contradição fica ainda maior porque Lara foi a terceira melhor do mundo

Existe um detalhe impossível de ignorar.

Lara não perdeu o título porque fracassou como Miss.

Muito pelo contrário.

Ela representou o Brasil no Miss Supranational mundial e terminou em terceiro lugar, um dos melhores resultados brasileiros na história recente do concurso.

Sua classificação internacional permanece válida.

Isso cria uma situação quase paradoxal.

A mulher considerada suficientemente preparada para ser a terceira colocada de uma competição internacional deixa de poder ostentar o título nacional que a levou até lá.

Nada do que ela realizou no palco mudou.

Nenhuma nota foi retirada.

Nenhum resultado internacional foi cancelado.

O que mudou foi sua condição pessoal.

Ela descobriu que será mãe.

Lara: “isso não cancela minha história”

A reação da modelo evitou confronto direto.

Ao falar publicamente sobre o caso, Lara afirmou que a maternidade representa um novo caminho e que a mudança não apaga aquilo que construiu.

Em sua manifestação, disse que a nova fase não cancela sua história nem aquilo que representou durante o período como Miss.

A declaração é particularmente poderosa porque desloca a discussão.

A questão deixa de ser apenas se uma organização possui direito contratual de trocar sua representante.

Passa a ser também sobre aquilo que a sociedade espera de uma mulher quando ela engravida.

Durante décadas, a maternidade significou para muitas mulheres interrupção automática de carreiras, projetos e oportunidades.

No mundo corporativo, essa lógica passou a ser combatida por leis.

No esporte, atletas têm reivindicado políticas específicas para maternidade.

Na moda e no entretenimento, gestantes ocupam espaços que anteriormente lhes eram praticamente fechados.

Os concursos de beleza agora enfrentam a mesma transformação.

Camilly Ceccon assumirá a coroa

Com a destituição, Camilly Ceccon, representante de Santa Catarina e vice-campeã nacional, passará a ocupar oficialmente o posto de Miss Brasil Supranational 2026.

A sucessão faz parte das regras tradicionais dos concursos: quando uma vencedora deixa ou perde o título, a candidata seguinte na classificação assume a função.

Camilly não possui responsabilidade pela controvérsia e recebe legitimamente a posição determinada pela organização.

A discussão, portanto, não deve ser transformada em confronto entre as duas mulheres.

A questão está nas regras.

Uma coroa perdida que pode mudar regras futuras

Talvez o aspecto mais relevante dessa história ainda esteja por acontecer.

O caso de Lara Marina surge exatamente quando os concursos internacionais tentam modernizar suas exigências e quando o Congresso brasileiro discute uma legislação específica para impedir que maternidade e gravidez sejam utilizadas como barreiras em competições de beleza.

Isso significa que sua destituição pode ultrapassar o universo das celebridades.

Pode se tornar argumento político.

Pode aparecer em audiências legislativas.

Pode pressionar organizadores a publicar contratos mais transparentes.

Pode levar concursos a rever cláusulas antigas.

E pode acelerar uma pergunta que inevitavelmente chegaria:

qual é o limite do poder de uma organização sobre a vida pessoal de uma mulher que recebe uma coroa?

Contratos precisam ser respeitados.

Concursos privados possuem regras.

Vencedoras assumem compromissos quando recebem títulos.

Nada disso está em discussão.

O que está em discussão é se determinadas regras continuam socialmente aceitáveis — e, eventualmente, se continuarão juridicamente permitidas.

Enquanto o CNB não detalhar publicamente qual obrigação contratual levou à destituição, é prudente não afirmar que houve ilegalidade ou discriminação jurídica comprovada.

Mas também é impossível ignorar o contexto.

Lara Marina conquistou o Brasil.

Representou o país.

Chegou ao terceiro lugar no mundo.

Descobriu que estava grávida.

E perdeu a coroa nacional.

Talvez o debate provocado pela história seja maior do que qualquer faixa.

Porque daqui a alguns anos poderemos olhar para 2026 e descobrir que a pergunta não era se uma gestante poderia continuar sendo Miss.

Era por que alguém ainda precisava fazer essa pergunta.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Governo fecha o cerco contra as bets: milhões de brasileiros já estão impedidos de apostar


Sistema federal cruza CPFs e bloqueia beneficiários de programas sociais, pessoas com dívidas renegociadas e usuários que optaram pela autoexclusão. Medida amplia o debate sobre os impactos das apostas online no Brasil.

O cerco às plataformas de apostas esportivas no Brasil ganhou uma nova dimensão. O governo federal passou a utilizar um sistema capaz de cruzar automaticamente o CPF dos usuários com diferentes bases de dados públicas para impedir que determinados grupos abram ou mantenham contas em casas de apostas autorizadas no país.

A medida ganhou força após o Ministério da Fazenda informar que beneficiários do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada (BPC), do Fies e de programas de renegociação de dívidas não podem mais utilizar as plataformas regulamentadas de apostas.

O mecanismo utilizado para realizar os bloqueios está integrado ao Módulo de Impedidos do Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), desenvolvido pelo Serpro em parceria com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

MAIS DE 3 MILHÕES DE BENEFICIÁRIOS JÁ FORAM BLOQUEADOS

O tamanho da operação chama atenção.

Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC tiveram o acesso às plataformas de apostas bloqueado em cumprimento a uma determinação do Supremo Tribunal Federal.

O sistema também alcança pessoas que renegociaram dívidas. Em agosto, o governo informou que aproximadamente 800 mil pessoas nessa situação estavam impedidas de apostar. O grupo inclui cidadãos vinculados a programas de renegociação de dívidas e estudantes beneficiários do Fies.

Somados aos usuários que solicitaram voluntariamente a autoexclusão, os grupos impedidos representam uma parcela significativa das pessoas cadastradas no sistema oficial de apostas.

COMO FUNCIONA O BLOQUEIO

O sistema utiliza o CPF para verificar se o cidadão está incluído em alguma das bases de impedimento.

As casas de apostas precisam consultar o sistema em diferentes momentos, como na abertura de uma nova conta, no primeiro acesso do usuário a cada dia e periodicamente para toda a base de clientes.

Quando o CPF é identificado como impedido, a plataforma precisa interromper a possibilidade de realizar novas apostas e depósitos.

No caso dos beneficiários de programas sociais, existe ainda uma regra específica para o encerramento das contas. O período destinado ao saque de eventual saldo existente não permite que o usuário continue realizando apostas.

POR QUE O GOVERNO DECIDIU BLOQUEAR ESSAS PESSOAS?

A política está relacionada às decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e às recomendações do Tribunal de Contas da União.

A preocupação central é evitar que recursos destinados à proteção social sejam utilizados em apostas e, ao mesmo tempo, reduzir riscos relacionados ao endividamento e ao chamado jogo problemático.

A legislação brasileira que regulamenta as apostas de quota fixa também estabelece categorias de pessoas impedidas de realizar apostas.

O FENÔMENO DAS BETS GANHA UMA NOVA DIMENSÃO

O avanço dos bloqueios revela uma mudança importante na relação do Estado brasileiro com o mercado de apostas.

Depois de anos de crescimento acelerado das plataformas digitais, o debate deixou de envolver apenas a legalização e a tributação das empresas. Agora, entram no centro da discussão questões como saúde pública, endividamento, proteção de famílias vulneráveis, publicidade e responsabilidade das plataformas.

Outro dado chama atenção.

A plataforma federal de autoexclusão já recebeu mais de 1,2 milhão de pedidos de bloqueio voluntário. Segundo o Ministério da Fazenda, uma das principais justificativas apresentadas pelos usuários está relacionada à perda de controle sobre o jogo e a problemas associados à saúde mental.

O dado mostra que, além dos cidadãos impedidos por determinação legal, mais de um milhão de brasileiros procuraram espontaneamente uma ferramenta para se afastar das apostas.

A PRÓXIMA BATALHA: A PUBLICIDADE

Com o bloqueio das contas, surge uma questão que promete ganhar ainda mais espaço no debate público: se o Estado reconhece que determinados grupos precisam ser protegidos dos efeitos das apostas, até que ponto é aceitável manter uma publicidade agressiva das bets em espaços públicos?

O tema envolve especialmente anúncios em mobiliário urbano, eventos, transporte, estádios e outros locais de grande circulação.

A discussão tende a se intensificar porque a publicidade exerce papel fundamental na popularização das plataformas, enquanto o poder público amplia mecanismos de proteção contra seus possíveis efeitos sociais.

O Brasil vive, portanto, uma situação que alimenta um debate cada vez mais intenso: ao mesmo tempo em que regulamenta e arrecada com o mercado de apostas, o Estado amplia mecanismos para impedir que milhões de brasileiros tenham acesso a ele.

E essa pode ser a próxima grande discussão nacional sobre as bets: não apenas quem pode apostar, mas até onde a sociedade permitirá que esse mercado ocupe o espaço público e faça parte da vida cotidiana dos brasileiros.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Acabou a festa dos elétricos?


A partir de agora, o imposto sobre carros elétricos e híbridos que chegam ao Brasil já montados vai subir de 25% para 35%. Enquanto isso, peças para montagem de carros elétricos por aqui continuam totalmente isentas. 
O movimento é mais um passo do governo para estimular a indústria nacional de automóveis eletrificados — com o objetivo de gerar empregos e girar a economia local.

A relevância: Hoje, 20% dos carros zero-km vendidos por aqui são chineses, uma alta significativa frente aos 3% em 2023. Entre os 50 mais vendidos no varejo neste ano, 15 são elétricos ou híbridos, sendo 12 deles chineses, com a liderança da BYD.

Vai ter efeito no preço final?

Em 2023, o Dolphin de entrada, da BYD, custava R$ 150 mil quando chegou ao Brasil, ainda quando a alíquota para carros elétricos importados estava zerada.

Hoje, com a taxa em 25%, o modelo de entrada custa os mesmos R$ 150 mil. Na prática, ele ficou mais barato, já que a inflação no período foi de 14%.

As montadoras aceitaram ficar “no prejuízo” nesse período para que o preço final não chegasse no consumidor e ele voltasse a comprar as marcas já consolidadas por aqui, como Ford, VW, Chevrolet e outras.

Mais do que isso, esse efeito no preço pode diminuir, uma vez que as chineses estão construindo fábricas por aqui. A BYD na Bahia e a GWM no interior de São Paulo confirmam o movimento da indústria, trocando o navio cargueiro por apenas peças importadas.

 Outro lado: Entidades como a Anfavea e a Fiesp acusam o governo de traição. O argumento é que o Planalto liberou a alíquota zero para as marcas chinesas, enquanto as montadoras tradicionais investiram bilhões em fábricas completas no Brasil.