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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Quase 3 milhões de eleitores não votaram no Rio: abstenção teria força equivalente a 18 cadeiras na Alerj e cerca de 12 na Câmara


Ausentes representaram 23,33% do eleitorado fluminense; se formassem um único bloco eleitoral, seriam capazes de construir a segunda maior bancada estadual e federal do Rio de Janeiro

As eleições de 2026 deixaram um número que vai muito além da disputa entre candidatos e partidos: 2.996.650 eleitores do Estado do Rio de Janeiro não compareceram às urnas no primeiro turno.

O Rio possuía 12.842.517 eleitores aptos. Desse total, 9.845.867 compareceram, o equivalente a 76,67% do eleitorado. A abstenção chegou a 23,33%, superando a média nacional de pouco mais de 21%.

Em termos absolutos, quase três milhões de fluminenses deixaram de participar da escolha do governador, dos senadores e dos representantes do estado na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Mas qual seria o peso desse contingente na eleição proporcional? Quantos deputados poderiam ser eleitos se os ausentes comparecessem e votassem de maneira concentrada?

A resposta exige mais do que simplesmente comparar a abstenção com a votação individual dos candidatos.

Os números da abstenção no Rio

O resultado oficial apresenta o seguinte quadro:

  • Eleitorado apto: 12.842.517;

  • Comparecimento: 9.845.867 eleitores;

  • Percentual de comparecimento: 76,67%;

  • Abstenção: 2.996.650 eleitores;

  • Percentual de abstenção: 23,33%.

Isso significa que praticamente um em cada quatro eleitores do Rio de Janeiro não participou da votação.

O número de ausentes foi superior à população inteira de vários estados brasileiros e representou um contingente capaz de alterar profundamente a composição das bancadas estaduais e federais.

Comparação com o quociente eleitoral da Alerj

Na eleição para deputado estadual, foram contabilizados aproximadamente 8.479.505 votos válidos para a distribuição das 70 cadeiras da Assembleia Legislativa.

O quociente eleitoral oficial ficou em 121.136 votos por cadeira.

Em uma comparação direta com esse quociente:

2.996.650 ÷ 121.136 = 24,74

Portanto, usando apenas o quociente registrado na eleição, o número de ausentes corresponde a quase 25 quocientes eleitorais estaduais, ou a 24 quocientes completos.

Essa comparação, entretanto, é apenas ilustrativa. Caso os três milhões de ausentes realmente comparecessem e transformassem seus votos em votos válidos, o total de votos da eleição aumentaria. Consequentemente, o próprio quociente eleitoral também subiria.

Cenário corrigido: aproximadamente 18 cadeiras estaduais

Para construir uma projeção tecnicamente mais adequada, é necessário adicionar os votos dos ausentes ao total de votos válidos.

O cálculo ficaria assim:

  • Votos válidos apurados: 8.479.505;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.476.155;

  • Número de cadeiras da Alerj: 70;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 163.945 votos.

Dividindo os votos potenciais dos ausentes pelo novo quociente:

2.996.650 ÷ 163.945 = 18,28

Assim, se todos os eleitores ausentes comparecessem e votassem em uma única legenda ou federação, esse bloco teria força matemática equivalente a aproximadamente 18 deputados estaduais.

Dependendo da distribuição das sobras e das médias partidárias, o resultado poderia sofrer pequena variação. Mas a dimensão política é clara: os ausentes poderiam formar a segunda maior bancada da Alerj, atrás apenas do PL, que elegeu 21 parlamentares.

A bancada hipotética dos eleitores ausentes seria duas vezes maior que as bancadas do PT e do PSD, que elegeram nove deputados estaduais cada.

Efeito da abstenção na eleição para deputado federal

Na disputa pela Câmara dos Deputados, o Rio de Janeiro registrou aproximadamente 8.743.753 votos válidos para a distribuição de 46 cadeiras.

O quociente eleitoral federal ficou em 190.082 votos.

Utilizando apenas o quociente oficial registrado nas urnas:

2.996.650 ÷ 190.082 = 15,76

Nessa comparação simplificada, a abstenção corresponde a quase 16 quocientes eleitorais federais, sendo suficiente para completar 15 quocientes inteiros.

Novamente, esse cálculo não considera que a entrada de quase três milhões de votos aumentaria o total de votos válidos e, consequentemente, elevaria o próprio quociente.

Cenário corrigido: força equivalente a cerca de 12 deputados federais

Com a inclusão hipotética dos votos dos ausentes, o cálculo seria:

  • Votos válidos apurados: 8.743.753;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.740.403;

  • Número de cadeiras federais do Rio: 46;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 255.226 votos.

Aplicando o novo quociente:

2.996.650 ÷ 255.226 = 11,74

O contingente de ausentes teria, portanto, força proporcional equivalente a aproximadamente 12 deputados federais, sendo 11 quocientes completos e uma fração relevante para a disputa das vagas distribuídas pelas médias.

Uma bancada com cerca de 12 parlamentares seria a segunda maior representação federal do Rio de Janeiro, ficando atrás somente do PL, que elegeu 15 deputados.

O grupo hipotético dos ausentes teria o dobro da bancada do PT, que conquistou seis cadeiras, e seria maior que as bancadas do PP, PSOL, PSDB e PSD.

Resumo do impacto potencial

CargoQuociente oficialEquivalência usando o quociente já apuradoCenário corrigido com aumento dos votos válidos
Deputado estadual121.136 votos24,74 cadeiras18,28 cadeiras
Deputado federal190.082 votos15,76 cadeiras11,74 cadeiras

A primeira comparação mostra quantos quocientes atuais cabem dentro do total de abstenções. A segunda é mais adequada para uma simulação eleitoral, pois recalcula o quociente depois da entrada dos novos votos.

Por isso, a conclusão tecnicamente mais equilibrada é que os eleitores ausentes teriam força proporcional para eleger aproximadamente 18 deputados estaduais e 12 deputados federais, caso votassem de forma concentrada em um mesmo partido ou federação.

Ausentes não formam um grupo político homogêneo

É importante destacar que a abstenção não pode ser tratada como se fosse um partido político. Os quase três milhões de eleitores ausentes possuem opiniões, condições sociais, preferências ideológicas e motivações diferentes.

Entre as razões para o não comparecimento estão dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, mudança de domicílio, desatualização cadastral, desinteresse político, ausência do município e decisão deliberada de não votar.

Não existe qualquer garantia de que esses votos seriam direcionados para os mesmos candidatos ou partidos.

O cálculo apresentado nesta reportagem é uma equivalência matemática destinada a demonstrar o tamanho eleitoral da abstenção — e não uma previsão de como os ausentes efetivamente votariam.

Abstenção tem peso maior que a maioria dos partidos

Mesmo com essa ressalva, o diagnóstico revela uma dimensão política impressionante. Nenhum partido, com exceção do PL, conquistou nas urnas uma força parlamentar comparável àquela representada pelo conjunto dos eleitores que não votaram.

Na Alerj, os ausentes representariam aproximadamente 26,11% dos votos válidos em um cenário de comparecimento integral. Na eleição federal, representariam cerca de 25,52%.

Em outras palavras, o grupo dos que não compareceram às urnas seria responsável por aproximadamente um quarto da força eleitoral efetiva do estado.

A abstenção não aparece nas cadeiras do Legislativo, não apresenta projetos, não fiscaliza o governo e não participa das votações parlamentares. Mas seu tamanho demonstra que uma parcela decisiva da sociedade fluminense permaneceu fora da escolha de quem ocupará o poder pelos próximos quatro anos.

Participação poderia alterar completamente o resultado

Em uma eleição proporcional, pequenas variações na votação das legendas podem mudar a distribuição das últimas cadeiras. A entrada de quase três milhões de votos teria potencial para alterar quocientes, médias, bancadas partidárias, suplências e a própria relação dos candidatos eleitos.

Não seria apenas uma questão de adicionar novos parlamentares. Como o número total de cadeiras permanece fixo — 70 na Alerj e 46 na Câmara — o crescimento de um bloco necessariamente reduziria o espaço ocupado pelos demais partidos.

Por isso, a abstenção deve ser compreendida não somente como um dado estatístico, mas como uma ausência com efeitos concretos sobre a representação política.

Os 2.996.650 eleitores que não compareceram tinham, juntos, peso suficiente para construir uma das maiores forças parlamentares do Rio de Janeiro.

A eleição terminou, os mandatos foram distribuídos e os vencedores estão definidos. Mas o tamanho da abstenção deixa uma pergunta para os próximos pleitos: como seria a representação política do estado se todos os eleitores transformassem sua insatisfação, esperança ou cobrança em voto?

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — totalização das Eleições 2026 no Estado do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro elege 70 deputados estaduais e 46 federais; confira a lista completa


PL conquista as maiores bancadas do estado na Alerj e na Câmara dos Deputados; Índia Armelau e Dr. Luizinho lideram as votações proporcionais no Rio

Os eleitores do Rio de Janeiro definiram, neste domingo, 4 de outubro, os novos representantes do estado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados. Com 100% das urnas totalizadas, foram eleitos 70 deputados estaduais e 46 deputados federais para mandatos que começarão em 2027.

Na disputa pela Alerj, a maior votação foi alcançada por Índia Armelau, do PL, que recebeu 248.504 votos. Para a Câmara dos Deputados, Dr. Luizinho, do PP, liderou o resultado, com 213.904 votos.

O Partido Liberal confirmou o melhor desempenho nas duas eleições proporcionais. A legenda conquistou 21 cadeiras na Alerj e 15 das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara.

PL terá a maior bancada da Alerj

A composição partidária da próxima legislatura da Assembleia Legislativa ficou distribuída da seguinte maneira:

  • PL: 21 deputados;

  • PT: 9;

  • PSD: 9;

  • PSOL: 5;

  • PP: 5;

  • União Brasil: 4;

  • Republicanos: 3;

  • MDB: 2;

  • PDT: 2;

  • Solidariedade: 2;

  • PSB: 2;

  • PCdoB: 1;

  • Novo: 1;

  • PSDB: 1;

  • Agir: 1;

  • PRD: 1;

  • DC: 1.

Além da liderança do PL, o resultado mostra o crescimento conjunto de PT e PSD, que elegeram nove representantes cada. PSOL e PP aparecem em seguida, com cinco cadeiras para cada legenda.

Os 70 deputados estaduais eleitos no Rio de Janeiro

Confira a relação completa em ordem decrescente de votação:

  1. Índia Armelau (PL) — 248.504 votos

  2. Márcio Canella (União Brasil) — 197.178 votos

  3. Renata Souza (PSOL) — 176.871 votos

  4. Dani Balbi (PCdoB) — 169.474 votos

  5. Guilherme Delaroli (PL) — 166.374 votos

  6. Rosenverg Reis (MDB) — 139.866 votos

  7. Elika Takimoto (PT) — 135.271 votos

  8. Anderson Moraes (PL) — 129.325 votos

  9. Costenaro (Novo) — 121.780 votos

  10. Dra. Gabriela (PL) — 96.267 votos

  11. Flavio Serafini (PSOL) — 95.666 votos

  12. Felipinho Ravis (PP) — 93.606 votos

  13. Alan Lopes (PL) — 93.396 votos

  14. João Pires (PSD) — 90.195 votos

  15. Verônica Lima (PT) — 85.421 votos

  16. Alexandre Isquierdo Malafaia (PL) — 83.461 votos

  17. Fernanda Neves (PDT) — 83.326 votos

  18. Rafael Nobre (União Brasil) — 76.706 votos

  19. Jair Bittencourt (PL) — 73.722 votos

  20. Léo Vieira Filho (PSDB) — 72.939 votos

  21. André Ceciliano (PT) — 70.628 votos

  22. Nelsinho Ruas (PL) — 70.552 votos

  23. Bruno Dauaire (União Brasil) — 69.119 votos

  24. Marina do MST (PT) — 66.167 votos

  25. Rodrigo Medeiros (PL) — 65.530 votos

  26. André Correa (PSD) — 65.188 votos

  27. Carlinhos BNH (PP) — 61.724 votos

  28. Felipe Pampolha (PP) — 61.589 votos

  29. Jorge Felippe Neto (PL) — 58.508 votos

  30. Delegado Carlos Augusto (PL) — 58.142 votos

  31. Marcelo Dino (PL) — 57.982 votos

  32. Librelon (Republicanos) — 57.409 votos

  33. Dr. Pedro Ricardo (PL) — 57.354 votos

  34. Delegado Bernardo Leal (PP) — 57.254 votos

  35. Claudio Caiado (PSD) — 56.936 votos

  36. Gustavo Tutuca (PP) — 56.334 votos

  37. Renato Miranda (PL) — 56.329 votos

  38. Dani Monteiro (PSOL) — 55.227 votos

  39. Guilherme Schleder (PSD) — 54.760 votos

  40. Munir Neto (Solidariedade) — 52.808 votos

  41. Julio Rocha (Agir) — 51.609 votos

  42. Allyson Elias (PT) — 51.145 votos

  43. Márcio Gualberto (PL) — 50.804 votos

  44. Chico Machado (PL) — 50.664 votos

  45. Vinícius Cozzolino (PSD) — 49.353 votos

  46. Leandro (Republicanos) — 49.013 votos

  47. Tia Ju (Republicanos) — 47.302 votos

  48. Coronel Menezes (PL) — 46.700 votos

  49. Rafael Picciani (União Brasil) — 46.686 votos

  50. Giovani Ratinho (MDB) — 46.380 votos

  51. Luciana Boiteux (PSOL) — 44.928 votos

  52. Leonel de Esquerda (PT) — 44.597 votos

  53. Giselle Monteiro (PL) — 44.532 votos

  54. Luiz Paulo (PSD) — 43.720 votos

  55. Serginho (PDT) — 43.664 votos

  56. Ana Paula Mendes (PSD) — 43.356 votos

  57. Yuri Moura (PSOL) — 43.336 votos

  58. Zeidan (PT) — 43.115 votos

  59. Poubel Filho (PL) — 42.871 votos

  60. Daniel Marques (PL) — 42.768 votos

  61. Adilson Pires (PT) — 42.467 votos

  62. Felipe Tropa (PL) — 41.293 votos

  63. Carla Machado (PSD) — 39.208 votos

  64. Vantoil Martins (PSB) — 39.179 votos

  65. Soldado Tobias (PRD) — 37.969 votos

  66. Joyce Trindade (PSD) — 37.088 votos

  67. Arthur Monteiro (Solidariedade) — 35.844 votos

  68. Jari (PSB) — 34.199 votos

  69. Raone Ferreira (PT) — 28.377 votos

  70. Carlos Russo (DC) — 27.447 votos

L também lidera bancada federal do Rio

Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 15 das 46 vagas do estado. O PT elegeu seis deputados e o PP ficou com cinco. PSOL, PSDB e PSD conquistaram quatro cadeiras cada.

A composição partidária da bancada federal do Rio ficou assim:

  • PL: 15 deputados;

  • PT: 6;

  • PP: 5;

  • PSOL: 4;

  • PSDB: 4;

  • PSD: 4;

  • PCdoB: 2;

  • União Brasil: 1;

  • MDB: 1;

  • Solidariedade: 1;

  • Novo: 1;

  • Republicanos: 1;

  • PDT: 1.

Os 46 deputados federais eleitos pelo Rio de Janeiro

Confira a lista completa em ordem de votação:

  1. Dr. Luizinho (PP) — 213.904 votos

  2. Rick Azevedo (PSOL) — 191.371 votos

  3. Lindbergh (PT) — 181.768 votos

  4. Luciano Vieira (PSDB) — 177.887 votos

  5. Altineu Cortes (PL) — 175.161 votos

  6. Freixo (PT) — 172.969 votos

  7. Sóstenes Cavalcante (PL) — 170.290 votos

  8. Rueda (União Brasil) — 155.836 votos

  9. Anielle Franco (PT) — 149.726 votos

  10. General Pazuello (PL) — 146.148 votos

  11. Gutemberg Reis (MDB) — 145.876 votos

  12. Soraya Santos (PL) — 141.443 votos

  13. Aureo Ribeiro (Solidariedade) — 134.557 votos

  14. Delegado Felipe Curi (PP) — 133.626 votos

  15. Talíria Petrone (PSOL) — 122.500 votos

  16. Manoela Peres (PL) — 117.648 votos

  17. Dani Cunha (PL) — 116.984 votos

  18. Daniel Soranz (PSD) — 107.849 votos

  19. Julia de Castro (PL) — 103.880 votos

  20. Elias Jabbour (PCdoB) — 103.219 votos

  21. Diogo Balieiro Diniz (PL) — 102.026 votos

  22. Renan Ferreirinha (PSD) — 93.504 votos

  23. Rafael Satiê (PL) — 91.074 votos

  24. Glauber Braga (PSOL) — 86.314 votos

  25. Renato Cozzolino (PP) — 84.516 votos

  26. Fabiano Horta (PT) — 82.902 votos

  27. Chris Tonietto (PL) — 81.966 votos

  28. Poubel (PL) — 81.960 votos

  29. Wladimir Garotinho (PL) — 81.797 votos

  30. Douglas Gomes (PL) — 80.310 votos

  31. Luiz Lima (Novo) — 79.249 votos

  32. Pastor Henrique Vieira (PSOL) — 77.584 votos

  33. Márcio Rezende (PSD) — 75.148 votos

  34. Jandira Feghali (PCdoB) — 74.409 votos

  35. Leniel Borel (PP) — 72.658 votos

  36. Luis Carlos Gomes (Republicanos) — 70.331 votos

  37. Marcos Tavares (PDT) — 69.438 votos

  38. Diego Quaqua (PT) — 68.798 votos

  39. Marcio Ribeiro (PSD) — 67.989 votos

  40. Thiago Gagliasso (PL) — 67.700 votos

  41. Nísia Trindade (PT) — 67.350 votos

  42. Jorge Miranda (PL) — 67.298 votos

  43. Juninho do Pneu (PSDB) — 64.440 votos

  44. Marcelo Queiroz (PSDB) — 58.739 votos

  45. Bebeto (PP) — 52.761 votos

  46. Talita Galhardo (PSDB) — 46.780 votos

Renan Ferreirinha é eleito com mais de 93 mil votos

Entre os destaques da nova bancada federal está Renan Ferreirinha, do PSD. Ex-secretário municipal de Educação do Rio, ele recebeu 93.504 votos e terminou na 22ª posição geral.

A eleição de Ferreirinha consolida uma candidatura que apresentou a educação pública, a ampliação do ensino em tempo integral, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o combate aos impactos das apostas eletrônicas como algumas de suas principais bandeiras.

Votação individual não é o único critério

Nas eleições proporcionais, a definição dos eleitos não depende exclusivamente da votação individual. O cálculo considera os votos conquistados pelos candidatos, os votos dados às legendas, o desempenho total dos partidos e federações, o quociente eleitoral e a distribuição das vagas pelas médias.

Por esse motivo, candidatos com votações superiores às de alguns eleitos podem terminar como suplentes ou não conquistar mandato. O desempenho da legenda ou federação é decisivo para transformar votos individuais em cadeiras.

A relação apresentada nesta reportagem corresponde à totalização divulgada após a conclusão da apuração. Alterações posteriores ainda podem ocorrer em razão de decisões da Justiça Eleitoral envolvendo registros, recursos ou validade de votos.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — resultados totalizados em 4 de outubro de 2026.

domingo, 4 de outubro de 2026

Ferreirinha é eleito deputado federal com 93.504 votos e conquista mandato próprio em Brasília


Ex-secretário de Educação do Rio mais que dobra a votação obtida em 2022 e transforma uma trajetória marcada pela gestão pública e pela defesa da educação em vitória nas urnas

Renan Ferreirinha foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições realizadas neste domingo, 4 de outubro. Candidato pelo PSD com o número 5521, ele recebeu 93.504 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos, e garantiu uma das 46 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.

O resultado representa um avanço expressivo em sua trajetória eleitoral. Em 2022, Ferreirinha havia recebido 40.540 votos e terminado a disputa como segundo suplente. Quatro anos depois, conquistou 52.964 votos a mais, crescimento superior a 130%, e alcançou um mandato próprio na Câmara.

Ferreirinha chegou a exercer brevemente o mandato federal como suplente durante a atual legislatura. A vitória de 2026, porém, muda sua posição política: a partir de 2027, ele chegará a Brasília respaldado diretamente pelas urnas para cumprir um mandato completo.

Uma vitória construída pela educação

A campanha de Ferreirinha apresentou como principal credencial o trabalho desenvolvido à frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

Durante o período, ele comandou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. A gestão ficou marcada pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação da educação em tempo integral, pela criação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos e pelo combate ao abandono escolar.

O Rio chegou à marca de 300 GETs, modelo que combina jornada ampliada, cultura maker, programação, ciências, audiovisual e novas tecnologias. A rede também registrou avanço no Ideb dos anos iniciais, que passou de 5,4 para 6,2 no ciclo associado à sua gestão.

Outro ponto de grande repercussão foi a restrição ao uso de celulares durante todo o horário escolar. A experiência implementada no Rio ganhou dimensão nacional quando Ferreirinha, já na Câmara como suplente, relatou o projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida às escolas públicas e privadas do país.

Das políticas locais para uma agenda nacional

A vitória abre caminho para que Ferreirinha transforme experiências testadas em uma grande rede municipal em propostas de alcance nacional.

Entre os temas associados à sua atuação estão a ampliação da educação integral, o fortalecimento do Fundeb, a primeira infância, a valorização dos profissionais da educação, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o enfrentamento à publicidade das apostas.

Ferreirinha também apresentou propostas relacionadas à idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas e à proteção de professores e demais trabalhadores da educação. Parte dessas matérias ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso.

Com o mandato conquistado nas urnas, ele passa a ter condições políticas mais sólidas para participar das comissões permanentes, apresentar projetos, propor emendas ao orçamento, fiscalizar programas federais e articular políticas entre União, estados e municípios.

Mais que o dobro dos votos

O salto de 40.540 votos, em 2022, para 93.504, em 2026, mostra que Ferreirinha ampliou significativamente sua base eleitoral.

A votação também sinaliza o reconhecimento de uma candidatura construída em torno de resultados administrativos mensuráveis. Em vez de apresentar apenas promessas, a campanha buscou mostrar políticas já implementadas, indicadores educacionais e experiências que podem ser avaliadas pela sociedade.

Esse crescimento não elimina os desafios. A atuação de Ferreirinha será acompanhada pela capacidade de transformar o capital político conquistado nas urnas em entregas concretas, formação de alianças e recursos para o Rio de Janeiro.

Um novo capítulo em Brasília

A eleição coloca Ferreirinha entre os representantes fluminenses que assumirão a nova legislatura da Câmara dos Deputados em 2027.

O resultado encerra uma etapa marcada pela condição de suplente e inicia outra, com responsabilidade direta sobre um mandato conferido por 93.504 eleitores.

Para quem acompanhou sua trajetória desde a mobilização social pela educação, passando pela Assembleia Legislativa e pela gestão da maior rede municipal de ensino do país, a vitória representa a chegada a um novo patamar político.

Agora, o desafio será fazer com que a experiência construída no Rio se converta em políticas capazes de alcançar estudantes, professores e famílias de todo o Brasil.

Ferreirinha venceu nas urnas com uma mensagem centrada na educação. A partir de 2027, terá a oportunidade — e a responsabilidade — de transformar essa confiança em trabalho no Congresso Nacional.

Fontes

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CRECHE MUDA DUAS VIDAS: Ferreirinha coloca primeira infância e autonomia das famílias no centro da agenda federal


Gestão da Educação do Rio ampliou em mais de 26 mil as vagas em creches desde 2021; agora, candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha defende um novo modelo para ampliar o atendimento com qualidade, contrapartida social e transparência

Uma vaga em creche não muda apenas a rotina de uma criança. Ela pode transformar a vida de uma família inteira.

Para os pequenos, significa acesso desde cedo a cuidado, alimentação, convivência, estímulos e educação. Para pais e responsáveis — especialmente para milhares de mães que ainda concentram a maior parte do trabalho de cuidado — representa a possibilidade de procurar emprego, permanecer no mercado de trabalho, estudar e reconstruir a própria autonomia.

É por isso que a primeira infância ocupa um espaço estratégico na trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, número 5521. À frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, ele comandou uma política de expansão do atendimento em creches. Em Brasília, apresentou uma proposta para fortalecer instituições privadas de educação infantil que cumpram exigências de qualidade, ofereçam contrapartidas sociais e prestem contas do uso dos recursos.

O ponto central dessa agenda é simples e de enorme impacto social: creche não é favor, depósito de criança ou serviço secundário. É educação, proteção e infraestrutura para que as famílias possam avançar.

Mais de 26 mil novas vagas desde 2021

O Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação registra que o Rio ampliou em mais de 26 mil o número de vagas em creches entre 2021 e 2025. O resultado foi alcançado durante o ciclo em que Ferreirinha comandou a pasta, em uma rede que reúne unidades próprias e instituições parceiras.

A distinção é importante: o número representa novas vagas oferecidas, e não 26 mil creches construídas. Parte da expansão ocorreu por meio de chamamentos públicos para entidades comunitárias, confessionais e sem fins lucrativos já autorizadas pelo sistema municipal de ensino. Essas instituições precisavam cumprir requisitos de atendimento educacional, alimentação, segurança e adequação dos espaços.

Em 2021, quando o primeiro grande chamamento foi lançado, Ferreirinha estabeleceu como meta criar 22 mil vagas em três anos. O balanço oficial de 2025 informa que a expansão superou aquele objetivo.

O resultado deve ser atribuído à política da Prefeitura, às equipes técnicas, aos profissionais das creches e às instituições envolvidas. Mas também ajuda a revelar uma característica do trabalho de Ferreirinha: a busca de mecanismos para ampliar a oferta utilizando capacidade pública e parcerias submetidas a regras.

O impacto vai muito além do portão da creche

O Brasil ainda está distante de universalizar o acesso. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 39,8% das crianças de zero a três anos frequentavam creche ou escola. O percentual cresceu, mas permanece abaixo da meta de 50% que havia sido fixada no Plano Nacional de Educação.

A falta de vaga não produz apenas uma perda educacional. Ela também agrava desigualdades econômicas e de gênero.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base em dados da Pnad, encontrou uma relação positiva e significativa entre acesso à creche e participação das mães no mercado de trabalho. O próprio IBGE já mostrou que mulheres com filhos pequenos enfrentam níveis menores de ocupação, sobretudo entre as pretas e pardas.

Isso ajuda a explicar por que a frase “creche muda duas vidas” tem tanta força. Quando a criança encontra um espaço seguro e adequado, a família também recupera tempo, renda e possibilidades.

De uma experiência municipal para uma proposta nacional

Em fevereiro de 2026, Ferreirinha apresentou na Câmara o Projeto de Lei Complementar 17/2026. A proposta cria uma categoria específica de certificação beneficente para creches privadas, o chamado CEBAS–Educação Infantil – Creches Privadas.

Na prática, o texto procura permitir que instituições de educação infantil tenham acesso a benefícios vinculados à certificação, mas condiciona essa possibilidade ao cumprimento de requisitos. Entre eles estão padrões de qualidade, contrapartidas sociais, transparência, fiscalização de gastos, contabilidade separada e divulgação de informações.

A proposta tenta enfrentar um problema concreto: muitos municípios não conseguem expandir a rede própria na velocidade exigida pela demanda, enquanto creches comunitárias e instituições sem fins lucrativos já atuam nos territórios. A ideia é fortalecer essa capacidade sem abrir mão do controle público.

O projeto, porém, ainda não é lei. Na Câmara, aguarda parecer do relator na Comissão de Educação. Se avançar, ainda deverá passar pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania, além do Plenário.

Essa precisão é essencial. Ferreirinha pode apresentar a proposta como parte de sua agenda para a primeira infância, mas não como política nacional já implantada.

Ampliar vagas exige cobrar qualidade

Quantidade, sozinha, não resolve o desafio.

Uma política responsável de expansão precisa garantir profissionais preparados, instalações seguras, alimentação adequada, projeto pedagógico, fiscalização contínua e transparência nos repasses. Também deve assegurar que as vagas cheguem primeiro às famílias com maior vulnerabilidade e aos territórios onde a fila é mais longa.

Parcerias podem acelerar o atendimento, mas precisam ser acompanhadas de metas verificáveis e prestação de contas. É justamente nesse ponto que o projeto de Ferreirinha tenta construir salvaguardas: os benefícios só seriam concedidos mediante contrapartidas e mecanismos de controle.

O debate, portanto, não deve ser reduzido a uma escolha entre creche pública e creche parceira. A questão decisiva é saber se cada criança receberá educação e cuidado de qualidade — e se o poder público terá capacidade de fiscalizar cada vaga financiada ou incentivada.

O que um deputado federal pode fazer pela primeira infância

Deputados federais não administram diretamente as creches municipais. Essa responsabilidade está nas redes locais. O Congresso, entretanto, pode mudar as condições que determinam quantas vagas os municípios conseguem oferecer e com qual qualidade.

Um parlamentar pode atuar na legislação, no Orçamento da União, nas regras de financiamento da educação infantil, na fiscalização dos programas federais e na construção de incentivos para ampliar a oferta. Também pode cobrar metas nacionais, transparência e apoio técnico aos municípios.

É nesse campo que Ferreirinha apresenta sua experiência como gestor. Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, ele busca transformar uma política aplicada na capital em uma agenda nacional de expansão da primeira infância.

O desafio será demonstrar que o modelo pode crescer sem perder qualidade, que as parcerias serão fiscalizadas e que os recursos chegarão a quem mais precisa.

Uma pauta que começa na criança e alcança o futuro do país

Debates eleitorais costumam destacar grandes obras, segurança, economia e disputas ideológicas. A creche raramente recebe a mesma atenção, embora esteja no centro de todos esses temas.

Ela protege a infância, prepara o caminho da aprendizagem, ajuda as famílias a trabalhar, reduz desigualdades e movimenta a economia. Quando falta uma vaga, a consequência aparece dentro de casa. Quando ela existe e funciona bem, o efeito se espalha por toda a comunidade.

Ao colocar a primeira infância entre suas prioridades, Ferreirinha apresenta uma pauta que combina experiência de gestão e proposta legislativa. O resultado obtido no Rio é um ponto de partida; o PLP 17/2026 é uma tentativa de levar a discussão para o plano federal.

No fim, a pergunta é maior do que o número de vagas abertas: que país queremos construir quando o cuidado e a educação começam nos primeiros anos de vida?

Para Ferreirinha, a resposta passa por tratar a creche como direito da criança, apoio concreto às famílias e investimento no futuro do Brasil.


Fontes consultadas

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GETS PARA TODO O ESTADO: proposta de Paes coloca experiência liderada por Ferreirinha no centro do futuro da educação fluminense


Candidato ao Governo do Rio promete levar gradualmente o modelo tecnológico à rede estadual; candidato a deputado federal, Ferreirinha comandou a expansão na capital e é autor de projeto que amplia recursos do Fundeb para o ensino integral

O modelo de escola que transformou parte da rede municipal do Rio pode começar a ganhar escala estadual. O candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes anunciou que pretende levar o conceito dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs, para escolas de todas as regiões fluminenses.

A proposta foi apresentada durante uma visita ao GET Luiz Paulo Horta, na Rocinha. Paes afirmou que a implantação seria gradual e teria como eixos ciência, tecnologia e Matemática.

Ao lado dessa discussão aparece Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD e gestor que comandou a Secretaria Municipal de Educação durante o período de criação e forte expansão do programa na capital.

A combinação das duas candidaturas desenha uma divisão objetiva de responsabilidades. Ao Governo do Estado caberia planejar, financiar e executar a transformação das unidades estaduais. Em Brasília, Ferreirinha poderia atuar na legislação, no orçamento e na articulação de recursos federais para ampliar o ensino em tempo integral.

Não se trata, portanto, de anunciar que os GETs já serão implantados em todo o estado. A medida é uma proposta eleitoral de Paes e dependerá do resultado das urnas, de planejamento, orçamento, formação de profissionais e adaptação do modelo à realidade da rede estadual.

Paes assume compromisso de expansão estadual

Durante a visita realizada em setembro, Eduardo Paes declarou que pretende levar o conceito dos GETs para as escolas do Estado do Rio de Janeiro.

“A ideia é levar esse conceito dos GETs, com muita ciência, tecnologia e matemática, para todas as escolas do Rio de Janeiro”, afirmou Paes.

Segundo o candidato, a transformação deverá ser feita aos poucos, aproveitando a experiência acumulada na capital.

Na cidade do Rio, o programa começou em março de 2022. Em setembro de 2026, a rede carioca chegou a 317 escolas transformadas em GETs. A meta municipal anunciada é alcançar 500 unidades até o fim de 2028.

O número representa escolas implantadas ou convertidas para o modelo pedagógico, e não a construção de 317 novos prédios. Em maio, quando a rede possuía 308 unidades, a Prefeitura informava atendimento superior a 125 mil alunos.

A expansão estadual permitiria que a experiência alcançasse não apenas a capital, mas também a Baixada Fluminense, o Leste Metropolitano, a Região dos Lagos, o Norte e o Noroeste, a Região Serrana, o Médio Paraíba, o Centro-Sul e a Costa Verde.

Para isso, o programa precisará ser adaptado às características de cada território. Uma escola localizada em uma região ligada à indústria, por exemplo, pode desenvolver projetos diferentes de uma unidade inserida em cidades com vocação turística, agrícola, energética ou audiovisual.

O que diferencia um GET

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos funcionam em tempo integral e utilizam metodologias ativas, nas quais os estudantes participam da construção de projetos, da investigação e da solução de problemas.

O modelo adota a abordagem STEAM, sigla em inglês que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A proposta é integrar essas áreas em atividades práticas, evitando que a tecnologia seja tratada como um conteúdo isolado do restante do currículo.

Uma das principais estruturas é o colaboratório, espaço de aprendizagem “mão na massa”. Dependendo da unidade, os estudantes utilizam inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser, computadores, óculos de realidade virtual, kits de robótica e até máquinas de costura para desenvolver projetos interdisciplinares.

O objetivo não é simplesmente colocar equipamentos dentro das escolas. A transformação exige currículo, jornada ampliada, formação de professores e integração entre tecnologia e aprendizagem. Sem esses elementos, laboratórios sofisticados correm o risco de se tornar espaços subutilizados.

O Ministério da Educação selecionou o modelo entre as experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos em ensino integral. A experiência foi contemplada em iniciativas de intercâmbio, documentação e exposição de práticas educacionais.

Ferreirinha costuma definir os GETs como os “CIEPs do século XXI”. A comparação recupera a ideia histórica da escola pública de tempo integral, mas acrescenta cultura digital, pensamento computacional, experimentação e projetos ligados aos desafios contemporâneos.

Ferreirinha comandou a expansão na capital

Como secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha esteve à frente da implantação do programa durante a gestão de Eduardo Paes. O modelo saiu das primeiras unidades experimentais, em 2022, para alcançar centenas de escolas distribuídas pela cidade.

Ao apresentar a proposta, Ferreirinha afirmou que os GETs preparam os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, estimulam diferentes áreas do conhecimento e ampliam as perspectivas de futuro.

“São os CIEPs do século XXI, com o modelo de escola mais inovador do país”, declarou Ferreirinha ao tratar da expansão do programa na capital.

Sua participação em uma eventual expansão estadual, porém, não seria a de gestor direto da Secretaria de Educação. Como candidato a deputado federal, sua atribuição estaria em outra frente: criar condições nacionais de financiamento e apoio para que estados e municípios consigam manter escolas de jornada ampliada.

Projeto de Ferreirinha aumenta recursos para o ensino integral

Nesse ponto, existe uma iniciativa concreta. Ferreirinha é autor do Projeto de Lei 2.752/2023, apresentado na Câmara dos Deputados, que propõe elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por aluno do Fundeb nas matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca aumentar o peso dessas matrículas no cálculo da distribuição de recursos, reconhecendo que uma escola funcionando durante mais horas precisa de alimentação, profissionais, materiais, manutenção e estrutura compatíveis com a jornada ampliada.

O projeto ainda não foi aprovado. De acordo com a Câmara, aguarda parecer na Comissão de Educação e depois deverá passar por outras etapas de tramitação. Portanto, não pode ser apresentado como uma lei em vigor.

Mesmo assim, o texto mostra uma conexão objetiva entre a experiência administrativa de Ferreirinha e sua atuação parlamentar: ampliar a educação integral exige não apenas defender o modelo, mas discutir de onde virá o dinheiro para sustentá-lo.

Um modelo estadual não pode ser simples cópia

Levar os GETs para todas as regiões do Rio exigirá mais do que reproduzir laboratórios e trocar placas de escolas. A rede estadual possui características diferentes da rede municipal da capital e concentra grande parte de sua atuação nos anos finais e, principalmente, no ensino médio.

Uma política estadual precisará definir quais unidades serão priorizadas, como ocorrerá a formação dos professores, quais escolas possuem estrutura para o turno integral e de que maneira o modelo será associado à educação profissional.

Também será necessário garantir alimentação, transporte escolar e condições de permanência. Em áreas rurais ou municípios nos quais os estudantes percorrem longas distâncias, ampliar o horário sem reorganizar o transporte pode criar novos problemas.

A implantação gradual anunciada por Paes pode permitir projetos-piloto em diferentes regiões, avaliação dos resultados e correção de falhas antes da ampliação. Escolas instaladas em antigos CIEPs podem ter vantagens estruturais, mas cada prédio precisará passar por avaliação técnica.

Outro cuidado será evitar que a tecnologia seja confundida com solução automática. Impressoras 3D, robótica e inteligência artificial podem ampliar as possibilidades pedagógicas, mas não substituem professores valorizados, planejamento, conectividade, currículo e acompanhamento da aprendizagem.

Da capital para o interior

A proposta de levar os GETs a todo o estado estabelece uma ponte política clara entre Eduardo Paes e Renan Ferreirinha. Paes apresenta o compromisso de expandir o modelo pela rede estadual; Ferreirinha carrega a experiência da implantação municipal e uma proposta legislativa voltada ao financiamento da educação integral.

Para municípios do interior, a articulação federal também pode abrir caminhos para cooperação técnica, programas nacionais, formação de professores e investimentos que não dependam exclusivamente dos cofres locais.

O potencial da proposta está justamente em combinar escala estadual, experiência de gestão e apoio federal. Seu sucesso, entretanto, dependerá de metas públicas, orçamento, profissionais qualificados e avaliação transparente dos resultados.

Os GETs demonstraram que escolas públicas podem incorporar tecnologia, criatividade e aprendizagem prática sem abandonar os conteúdos fundamentais. O próximo desafio será provar que o modelo consegue ser adaptado às diferentes realidades do Rio de Janeiro e alcançar estudantes da capital, da Região Metropolitana e do interior com a mesma qualidade.

Se essa expansão sair do compromisso eleitoral e chegar efetivamente às salas de aula, a experiência construída por Paes e Ferreirinha na capital poderá se transformar em uma das principais políticas educacionais do próximo ciclo estadual.

sábado, 19 de setembro de 2026

Faltam 15 dias: Ferreirinha transforma resultados na educação em agenda para Brasília


Candidato a deputado federal pelo PSD chega à reta final defendendo educação integral, proteção digital, primeira infância e valorização dos profissionais da educação

Faltam 15 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro no calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Na reta final da campanha, Renan Ferreirinha busca transformar a experiência acumulada na gestão de uma das maiores redes públicas de ensino do país em uma agenda nacional para a educação.

Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha chega à disputa com uma trajetória que reúne mobilização social, atuação parlamentar e gestão executiva. Foi deputado estadual, exerceu mandato como suplente na Câmara dos Deputados e comandou a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

O principal argumento de sua candidatura está justamente nessa combinação: levar ao Congresso propostas construídas a partir de políticas já colocadas em prática, sem ignorar os desafios que ainda permanecem na educação pública.

Da gestão de uma grande rede ao Congresso

À frente da Educação do Rio, Ferreirinha administrou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. O período foi marcado pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação do ensino em tempo integral e pela incorporação de tecnologia ao cotidiano pedagógico.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb da rede municipal passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025 — o melhor resultado já alcançado pelo município nessa etapa. Nos anos finais, o indicador avançou de 5,0 para 5,2, mas permaneceu estável entre 2023 e 2025, mostrando que a recuperação não ocorreu com a mesma intensidade em toda a rede.

Uma das principais marcas da gestão foi a implantação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo chegou a 300 unidades e passou a atender cerca de 125 mil estudantes, combinando jornada ampliada, cultura maker, ciências, programação, audiovisual e novas metodologias de ensino.

A rede também ampliou a educação em tempo integral, fortaleceu programas de alfabetização e recuperação da aprendizagem e adotou uma estratégia de busca ativa para enfrentar a evasão. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o programa Bora Pra Escola ajudou a localizar e reintegrar mais de 24 mil alunos.

Dos celulares nas escolas à proteção digital

Outra medida que ganhou projeção nacional foi a restrição do uso de celulares durante todo o horário escolar na rede municipal do Rio. Implantada em 2024, a regra preservou exceções para atividades pedagógicas, acessibilidade, questões de saúde e situações de emergência.

Quando retornou à Câmara, Ferreirinha foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que deu origem à Lei Federal 15.100/2025, responsável por estabelecer limites ao uso de aparelhos eletrônicos nas escolas públicas e privadas do país.

Ele não foi o autor original da proposta, mas participou de uma etapa decisiva de sua tramitação.

Agora, sua agenda avança para a proteção de crianças e adolescentes fora do ambiente escolar. O PL 330/2026 propõe 16 anos como idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas. O texto ainda está em tramitação, mas coloca Ferreirinha no centro do debate sobre verificação de idade, controle parental e responsabilidade das plataformas.

Projetos para uma agenda nacional

Entre suas propostas no Congresso está o PL 2.752/2023, que busca aumentar a ponderação do Fundeb para matrículas em tempo integral. A medida pretende ampliar a capacidade de estados e municípios financiarem jornadas escolares mais longas e modelos inspirados na experiência dos GETs.

Outra frente é a proteção dos profissionais da educação. O PL 5.974/2025 propõe agravar as penas para crimes cometidos contra professores e demais trabalhadores do setor em razão do exercício de suas funções.

Na primeira infância, o PLP 17/2026 cria uma categoria de certificação beneficente voltada às creches privadas que cumpram contrapartidas sociais, padrões de qualidade e requisitos de transparência. Todas essas proposições ainda dependem da análise do Congresso.

Legado, desafios e futuro

A candidatura se apoia em resultados mensuráveis, mas também carrega os desafios enfrentados durante a gestão. Além da evolução mais lenta do Ideb nos anos finais, a rede continuou convivendo com dificuldades na contratação permanente de profissionais. No fim de 2024, uma greve de 11 dias expôs o conflito entre a Prefeitura e parte dos educadores em torno de mudanças nas regras funcionais da categoria.

Registrar esses limites é essencial para avaliar o legado com equilíbrio. A experiência de Ferreirinha combina políticas de grande escala, avanços em indicadores e reconhecimento nacional, mas também decisões contestadas e problemas que ainda exigem respostas.

A 15 dias das urnas, a escolha apresentada aos eleitores é se essa experiência deve ganhar uma nova dimensão em Brasília.

Ferreirinha tenta se afirmar não apenas como um candidato que fala sobre educação, mas como um gestor que já precisou executar políticas, administrar recursos e responder por resultados.

Sua proposta para o futuro é levar ao plano federal uma agenda baseada em educação integral, primeira infância, proteção digital e segurança para os profissionais da educação. A reta final será decisiva para saber se esse legado construído no Rio encontrará espaço para se transformar em política nacional.

Abin alerta governo e TSE sobre nível “crítico” de pressão dos EUA nas eleições brasileiras


Relatório confidencial aponta risco de interferência externa no processo eleitoral de 2026 e foi encaminhado à Presidência, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o governo federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o que classificou como um nível “crítico” de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil durante o processo eleitoral de 2026.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um relatório confidencial foi encaminhado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça. O documento aponta risco de interferência externa nas eleições e menciona uma mudança na forma de atuação do governo norte-americano em relação ao Brasil.

A avaliação da Abin ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno e coloca a soberania do processo eleitoral no centro do debate. O relatório cita medidas políticas, econômicas e diplomáticas adotadas pelos Estados Unidos, além de possíveis tentativas de influenciar o debate público brasileiro.

Entre os episódios analisados estão sanções econômicas, pressões relacionadas à política externa, medidas contra organizações criminosas brasileiras e discussões envolvendo o acesso a recursos minerais estratégicos do país.

O documento também menciona a atuação de integrantes do governo norte-americano na tentativa de aproximar o Brasil de posições políticas defendidas pelos Estados Unidos e de reduzir a influência de países como a China na América Latina.

A divulgação do alerta acontece em um ambiente de forte tensão entre Brasília e Washington, marcado por disputas comerciais, declarações políticas e divergências sobre o sistema eleitoral brasileiro.

O relatório, no entanto, não representa uma confirmação de que tenha ocorrido interferência estrangeira nas eleições. Trata-se de uma avaliação de risco produzida pela inteligência brasileira, que deverá ser acompanhada pelas instituições responsáveis pela segurança e pela integridade do processo eleitoral.

O alerta reforça a preocupação com a circulação de informações manipuladas, campanhas coordenadas nas redes sociais e possíveis ações externas capazes de influenciar a percepção dos eleitores.

Em uma eleição marcada pela polarização e pelo uso crescente de inteligência artificial, a disputa pelo controle da informação pode ser tão importante quanto a campanha realizada nas ruas.

Mulheres são maioria entre os eleitores indecisos para a eleição de 2026


Levantamento mostra que 26% das eleitoras ainda não definiram o voto; temas como segurança, educação, creches e representatividade aparecem entre as principais preocupações

As mulheres podem ocupar um papel decisivo na eleição presidencial de 2026. Segundo dados do Datafolha, elas representam 53% do eleitorado brasileiro e são maioria entre os eleitores que ainda não escolheram um candidato.

O levantamento aponta que 26% das mulheres continuam indecisas neste momento da disputa. O número transforma o eleitorado feminino em um dos principais focos das campanhas, especialmente na reta final antes do primeiro turno.

As preocupações, no entanto, não são uniformes. Entre os temas citados pelas eleitoras estão segurança, educação, acesso a creches, igualdade de oportunidades, inclusão e políticas públicas voltadas às famílias.

Também aparecem diferenças no comportamento político. Parte das eleitoras procura candidatos com propostas concretas para mulheres trabalhadoras. Outras priorizam educação, segurança, representatividade ou demonstram rejeição à polarização entre os grupos políticos.

A baixa presença feminina entre os principais candidatos à Presidência também chama atenção. Embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres representam apenas 17,8% da Câmara dos Deputados, segundo os dados apresentados na reportagem.

A pesquisa não significa que todas as eleitoras indecisas votarão da mesma maneira. O dado mostra, porém, que milhões de votos ainda estão em aberto e podem ser influenciados pela capacidade dos candidatos de apresentar propostas claras para problemas concretos.

Na prática, as campanhas que conseguirem dialogar com esse público sem reduzir suas demandas a slogans eleitorais poderão conquistar uma parcela importante do eleitorado brasileiro.

Fonte: Datafolha, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Justiça Eleitoral alerta servidores: campanha deve ficar fora do horário de expediente


Juiz de Barra do Garças destacou que manifestações políticas durante o trabalho podem caracterizar uso indevido do tempo de serviço público

O juiz Michell Lotfi Rocha da Silva, da Justiça Eleitoral de Barra do Garças, no Mato Grosso, fez um alerta aos servidores públicos sobre a participação em campanhas eleitorais durante o horário de expediente.

Segundo o magistrado, servidores que ocupam cargos ou funções públicas devem cumprir normalmente sua jornada de trabalho e permanecer dedicados às atividades profissionais. Durante esse período, não devem fazer propaganda eleitoral, participar de atos de campanha ou atuar em favor de candidatos.

A orientação também se aplica às redes sociais. O uso do celular pessoal não autoriza o servidor a publicar conteúdos de campanha, compartilhar propaganda ou promover candidatos enquanto deveria estar exercendo suas funções.

De acordo com o alerta, a participação em atividades políticas pode ocorrer fora do horário de trabalho, desde que sejam respeitadas as regras eleitorais e não sejam utilizados bens, serviços, estruturas ou recursos públicos em benefício de candidaturas.

Na prática, o servidor deve separar a atividade profissional da manifestação político-eleitoral. O encerramento da jornada, geralmente por volta das 17 horas, marca o momento a partir do qual a participação em atividades de campanha pode ocorrer, respeitadas as demais restrições legais.

A Lei das Eleições proíbe a cessão de servidores públicos ou o uso de seus serviços em comitês de campanha durante o horário normal de expediente. A Justiça Eleitoral também reúne entendimentos sobre condutas vedadas a agentes públicos durante o período eleitoral.

O alerta não impede que servidores tenham preferência política ou participem de campanhas. A recomendação é para que essa manifestação ocorra fora do expediente e sem o uso da estrutura pública.

A orientação foi divulgada durante informações sobre os preparativos da Justiça Eleitoral para as eleições em Barra do Garças e em municípios do Vale do Araguaia.

Referência legal: Lei nº 9.504/1997, art. 73, III.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm

https://temasselecionados.tse.jus.br/

PCC nas eleições? Operação investiga controle de empresas de ônibus e financiamento de campanhas em São Paulo


Operação Vectura Corrupta cumpre mandados contra suspeitos de ligação com a facção, empresas de transporte e articulações políticas

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público, estruturas políticas e campanhas eleitorais.

As informações iniciais apontam para o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diferentes cidades paulistas. A investigação também apura a possível utilização de empresas de ônibus para lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento ilegal de campanhas.

Segundo os investigadores, 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista estariam sob influência direta ou indireta da organização criminosa, por meio de laranjas e intermediários. A apuração envolve suspeitas relacionadas às eleições municipais de 2024 e ao atual ciclo eleitoral.

Um dos principais alvos da operação é Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. A polícia não o encontrou no endereço informado e ele foi considerado foragido pelos investigadores.

Em manifestação divulgada à imprensa, Milton Leite negou qualquer ligação com o PCC, afirmou que estava viajando e disse que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. O ex-vereador também rejeita a acusação de ser proprietário da empresa Transwolff, apontada na investigação como parte da estrutura supostamente utilizada para movimentar recursos ilícitos.

Entre os alvos também está Levi de Oliveira, ex-presidente da SPTrans. A investigação busca esclarecer como interesses privados teriam alcançado estruturas responsáveis pela gestão do transporte público da maior cidade do país.

A suspeita central é que o setor de transporte tenha sido utilizado para formar uma rede de influência econômica e política. Além da movimentação financeira, os investigadores apuram possíveis relações com agentes públicos, empresas, operadores financeiros e campanhas eleitorais.

O caso pode ampliar o debate sobre a infiltração do crime organizado em serviços públicos essenciais e sobre a origem dos recursos utilizados em disputas eleitorais.

As acusações ainda estão sob investigação. Os alvos poderão apresentar suas defesas, e a existência de mandados ou citações em inquéritos não representa condenação.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Europa avança contra redes para crianças e reforça proposta de Ferreirinha no Brasil


União Europeia anuncia restrições para menores de 13 anos enquanto Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, defende idade mínima de 16 anos para contas individuais em redes sociais abertas

A proposta de restringir o acesso de crianças às redes sociais ganhou uma nova dimensão internacional. Nesta quarta-feira, 16 de setembro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou as bases do chamado EU Kids Act, projeto que pretende estabelecer regras comuns de proteção digital nos 27 países da União Europeia.

Pelo modelo apresentado, crianças com menos de 13 anos não poderiam utilizar redes sociais. Entre 13 e 14 anos, o acesso ocorreria somente por meio de contas supervisionadas pelos responsáveis, com recursos reduzidos e limites de tempo. Para adolescentes de 15 a 17 anos, as plataformas teriam de oferecer ambientes desenvolvidos especificamente para aumentar a segurança.

O anúncio europeu fortalece uma discussão que já chegou ao Congresso brasileiro por iniciativa de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD no Rio de Janeiro. Autor do PL 330/2026, Ferreirinha propõe que somente maiores de 16 anos possam manter contas individuais em redes sociais abertas — uma espécie de “maturidade digital”.

A proposta brasileira e o projeto europeu não são idênticos, mas partem de uma preocupação comum: crianças não podem continuar expostas, sem proteção suficiente, a plataformas desenvolvidas para capturar sua atenção e estimular o uso contínuo.

O que a União Europeia pretende mudar

Além das restrições por idade, o EU Kids Act deve enfrentar recursos considerados especialmente prejudiciais ao público infantojuvenil.

Entre as medidas anunciadas estão a verificação efetiva da idade dos usuários, contas privadas por padrão, restrições ao contato de desconhecidos e limites para mecanismos de engajamento, como a rolagem infinita, as notificações constantes e a recomendação automatizada de conteúdos.

A proposta também amplia a responsabilidade das empresas. TikTok, Instagram, Facebook, YouTube e outras plataformas poderão ser obrigadas a demonstrar que seus produtos são seguros para crianças e adolescentes, em vez de transferir todo o dever de proteção para as famílias.

A Comissão Europeia ainda deverá apresentar os detalhes legislativos. Depois disso, o texto terá de ser discutido pelos países integrantes da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. Portanto, a restrição ainda não está em vigor em todo o continente e poderá sofrer alterações durante a tramitação. Veja o anúncio repercutido pela Associated Press.

Ferreirinha quer estabelecer idade mínima de 16 anos no Brasil

No Brasil, Ferreirinha apresentou, em fevereiro de 2026, o Projeto de Lei 330/2026, que altera o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para estabelecer 16 anos como idade mínima para o acesso individual a redes sociais abertas.

Na prática, o texto busca impedir que menores de 16 anos mantenham contas próprias em plataformas abertas, nas quais ficam expostos a desconhecidos, publicidade, sistemas de recomendação e conteúdos selecionados por algoritmos.

O projeto não propõe retirar crianças da internet, proibir ferramentas educacionais ou impedir formas de acesso supervisionado. O foco está nas contas individuais em ambientes públicos construídos para interação constante, exposição e coleta de dados.

A proposta ainda não foi aprovada. Atualmente, ela tramita apensada ao PL 309/2026 e dependerá da análise das comissões e do Congresso Nacional. Acompanhe a tramitação do PL 330/2026 na Câmara.

Para Ferreirinha, a discussão precisa considerar a desigualdade existente entre as famílias e as grandes empresas de tecnologia. De um lado estão pais tentando controlar o acesso dos filhos; do outro, plataformas bilionárias, algoritmos sofisticados e recursos desenvolvidos para ampliar o tempo de permanência dos usuários.

O candidato a deputado federal argumenta que o problema não pode ser tratado apenas como falha de disciplina dentro de casa. Na avaliação dele, empresas e poder público também precisam assumir responsabilidades pela proteção da infância.

Uma luta que começou dentro das escolas

A atuação de Ferreirinha na área de proteção digital ganhou projeção quando ele comandava a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 2024, a rede municipal restringiu o uso de celulares durante todo o horário escolar, incluindo aulas, intervalos e recreios. Permaneceram autorizadas as utilizações pedagógicas, os recursos de acessibilidade, as necessidades de saúde e as situações de emergência.

A experiência do Rio ajudou a levar o assunto para o debate nacional. Quando exerceu mandato como suplente na Câmara, Ferreirinha foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que posteriormente deu origem à Lei Federal 15.100/2025.

A legislação restringiu o uso de celulares por estudantes durante aulas, recreios e intervalos nas escolas públicas e privadas brasileiras. Ferreirinha não foi o autor original da proposta, mas participou de sua etapa decisiva como relator na Câmara. Consulte a Lei 15.100/2025.

Agora, sua agenda avança para além do ambiente escolar. Se a primeira medida buscou proteger o tempo de aprendizagem, a convivência e a concentração dos estudantes, o PL 330/2026 pretende enfrentar a exposição permanente às redes sociais também fora da escola.

ECA Digital avançou, mas não fixou idade mínima de 16 anos

O Brasil já possui uma legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, estabeleceu obrigações para plataformas, incluindo mecanismos de supervisão parental, prevenção de riscos, proteção de dados e verificação de idade. As regras entraram em vigor em março de 2026, sob fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

A legislação, entretanto, não estabeleceu uma proibição geral de contas individuais em redes abertas para menores de 16 anos. É justamente essa lacuna que o projeto de Ferreirinha pretende preencher. Conheça as regras do ECA Digital.

Um movimento que ultrapassa fronteiras

A União Europeia não está sozinha nessa discussão. A Austrália colocou em vigor, em dezembro de 2025, uma restrição nacional para menores de 16 anos em determinadas redes sociais. A responsabilidade pelo cumprimento das regras recai principalmente sobre as plataformas, que devem adotar medidas razoáveis de verificação e bloqueio. Veja as orientações do governo australiano.

Outros países discutem diferentes modelos de controle de idade, supervisão parental e responsabilização das empresas. O desafio comum é criar sistemas capazes de verificar a idade sem ampliar indevidamente a coleta de dados pessoais.

Também existe o risco de crianças e adolescentes tentarem contornar os bloqueios. Especialistas alertam ainda que a definição de uma idade mínima, isoladamente, não resolve problemas como publicidade direcionada, recomendações perigosas e mecanismos desenvolvidos para estimular o uso compulsivo.

Essas dificuldades não anulam a necessidade de regras, mas mostram que a proteção digital exige fiscalização, tecnologia, educação para o uso responsável e compromisso permanente das plataformas.

Uma bandeira para o próximo mandato

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha coloca a proteção da infância digital entre as prioridades de sua agenda nacional.

Sua proposta conecta três etapas de uma mesma trajetória: a restrição dos celulares nas escolas do Rio, a participação na aprovação da lei nacional sobre aparelhos no ambiente escolar e, agora, a tentativa de estabelecer uma idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas.

O anúncio da União Europeia não significa que o projeto brasileiro esteja automaticamente correto ou que será aprovado sem mudanças. Mas demonstra que a preocupação levantada por Ferreirinha deixou de ser uma discussão isolada e passou a fazer parte de um movimento internacional.

A questão central já não é apenas quanto tempo uma criança permanece diante da tela. O debate envolve quem desenvolve as plataformas, quem lucra com a atenção dos usuários mais jovens e quem deve responder quando o ambiente digital oferece riscos à infância.

Com Europa e Austrália avançando na criação de limites, o Brasil também precisará decidir até que idade crianças devem permanecer fora das redes abertas — e qual responsabilidade será exigida das maiores empresas de tecnologia do mundo