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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rússia coloca operações da Nestlé e da Auchan sob administração temporária


O governo da Rússia colocou as operações locais da Nestlé e da rede francesa Auchan sob administração temporária, em mais um movimento de pressão contra empresas ocidentais que continuam atuando no país após o início da guerra na Ucrânia.

A medida foi determinada por decreto do presidente Vladimir Putin e transferiu o controle das operações para a empresa russa L.E.V. Management. Também foram incluídos ativos ligados à antiga Leroy Merlin, atualmente rebatizada de Lemana Pro, e à empresa de logística FM Logistic.

A administração temporária não significa, neste momento, que todos os ativos tenham sido definitivamente confiscados. Na prática, porém, a medida pode abrir caminho para uma venda forçada ou para a transferência permanente das empresas a grupos russos. Associated Press

A Nestlé mantém seis fábricas na Rússia e emprega milhares de pessoas. Após a invasão da Ucrânia, a companhia reduziu suas atividades e limitou a operação à produção de itens considerados essenciais.

A Auchan também manteve uma forte presença no mercado russo, mesmo depois que diversas marcas ocidentais deixaram o país.

O Kremlin justificou a intervenção com base nas tensões políticas entre a Rússia e os países classificados pelo governo como “hostis”. Moscou criou, em 2023, um mecanismo de administração temporária para assumir o controle de empresas estrangeiras.

Após o anúncio, as ações da Nestlé caíram na Bolsa suíça. A empresa informou que avalia medidas legais para proteger seus ativos, seus funcionários e seus direitos de propriedade. UOL Economia

O episódio mostra como a guerra ultrapassou o campo militar e passou a atingir diretamente investimentos, marcas, cadeias de abastecimento e direitos de propriedade.

Para os consumidores russos, a tendência é de continuidade das operações sob controle local. Para as empresas envolvidas, permanece a dúvida sobre quem terá o controle definitivo dos ativos e se haverá possibilidade real de recuperar os investimentos feitos no país.