Mostrando postagens com marcador comércio de Vassouras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comércio de Vassouras. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Comércio de Vassouras/RJ pede respostas: entre a propaganda do turismo e a realidade das portas fechadas


Consulta pública coloca em debate o custo da água, a iluminação, a falta de movimento no centro e os resultados da política de turismo da Prefeitura

Uma consulta lançada aos comerciantes de Vassouras colocou uma pergunta incômoda sobre a mesa: quais são, hoje, os principais obstáculos para manter um negócio funcionando na cidade?

Entre os pontos levantados estão o peso da conta de água, o valor da contribuição de iluminação pública, a redução do movimento no centro, a queda nas vendas e a dúvida sobre o impacto real do turismo na economia local.

A consulta ainda não representa uma pesquisa estatística nem permite afirmar que todos os comerciantes enfrentam os mesmos problemas. Mas ela expõe uma discussão que a administração municipal não deveria ignorar: o comércio está recebendo os benefícios anunciados nas campanhas de turismo, eventos e empreendedorismo?

Vassouras é administrada pela prefeita Rosi Silva, eleita em 2024. Desde o início do mandato, a Prefeitura tem divulgado ações voltadas ao empreendedorismo, ao marketing digital, à Sala do Empreendedor e ao fortalecimento do turismo.

O município também anunciou o recebimento de reconhecimento do Sebrae e promoveu iniciativas como o CarnaVass, a Conferência Municipal de Turismo e eventos ligados ao patrimônio histórico e cultural.

O problema é que divulgação institucional não é suficiente para medir o desempenho da economia local. O comerciante precisa saber se houve aumento efetivo no fluxo de consumidores, crescimento das vendas, abertura de novos negócios, redução do número de estabelecimentos fechados e melhora na arrecadação do comércio.

Turismo sem consumo local

Vassouras pode receber visitantes, eventos e investimentos culturais sem que o dinheiro necessariamente chegue ao pequeno comércio.

A presença de turistas não garante, por si só, que restaurantes, lojas, hotéis, salões, prestadores de serviços e ambulantes tenham aumento de faturamento. Para isso, é necessário planejamento, calendário previsível, divulgação integrada e medidas que estimulem o visitante a permanecer e consumir na cidade.

Um episódio que precisa ser esclarecido pela Prefeitura é a dispensa de um evento com expectativa de atrair aproximadamente 6 mil turistas, fato noticiado pelo Jornal do Brasil em 2025.

A administração municipal precisa explicar quais foram os motivos da decisão, qual seria o impacto econômico previsto, se houve avaliação dos comerciantes e quais alternativas foram apresentadas para compensar a possível perda de movimento.

Se a escolha foi técnica e necessária, os dados devem ser apresentados. Se houve falha de planejamento, a população também tem o direito de saber.

Água e iluminação também entram na conta

A conta de água é outro ponto sensível. A Prefeitura pode não ser a responsável direta pela definição da tarifa, dependendo do prestador e do órgão regulador, mas tem o dever de intermediar demandas, fiscalizar a qualidade do serviço e cobrar soluções quando o custo ou o abastecimento comprometem a atividade econômica.

O mesmo vale para a contribuição de iluminação pública. O município precisa informar quanto arrecada, quanto gasta na manutenção do sistema, quantos pontos estão apagados e qual é o prazo médio para atendimento das reclamações.

Não basta cobrar a contribuição. É preciso demonstrar que o recurso retorna em iluminação adequada, segurança e melhores condições para circulação de moradores e consumidores.

A cobrança que fica para a gestão

A atual administração precisa apresentar números, não apenas slogans.

Quantos comércios abriram e fecharam desde 2025? O movimento no centro aumentou ou diminuiu? Quanto o município investiu em turismo? Qual foi o retorno econômico dos eventos? Existem incentivos para comerciantes? Há um plano específico para revitalizar o centro histórico?

Essas perguntas não representam oposição política. São questões básicas de gestão pública. Uma prefeitura que anuncia turismo, empreendedorismo e eventos precisa medir os resultados dessas políticas e mostrar quem está sendo beneficiado.

O comércio de Vassouras não pode ser lembrado apenas durante festividades ou campanhas de divulgação. Os empresários precisam de iluminação, segurança, mobilidade, limpeza, previsibilidade, redução da burocracia e ações permanentes para atrair consumidores.

O espaço permanece aberto para que a Prefeitura de Vassouras apresente dados, esclareça as medidas adotadas e responda às reclamações dos comerciantes.

Enquanto isso, a população pode participar do debate e relatar, com responsabilidade, quais dificuldades enfrenta para comprar, vender e manter as portas abertas na cidade.