sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Reajustar Bolsa Família é ilegal, diz Flávio; Bolsonaro deu aumento em 2022


O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) classificou como "ilegal" o reajuste de 15% no Bolsa Família — anunciado pelo presidente Lula (PT) hoje, a 17 dias da eleição. Próximo ao pleito de 2022, seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aumentou o benefício em 50%.

"Não caia na falsa promessa da picanha, porque Lula está em desespero", afirmou Flávio. "Lula acabou de fazer um decreto, mesmo sabendo que é ilegal e proibido durante as eleições. Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo. Faltando 17 dias para a eleição, ele acha que vai enganar alguém dando reajuste no Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode, mas é o desespero de quem sabe que já perdeu", falou o candidato durante ato de campanha em Vitória da Conquista (BA) hoje.

Senador disse que os R$ 600 pagos desde o governo Bolsonaro "não compram mais o que compravam", em referência à inflação. Seu pai reajustou o valor do benefício em agosto de 2022 em 50%, de R$ 400 para R$ 600, e mudou o nome do programa social para Auxílio Brasil, numa tentativa de desvinculá-lo de Lula.

Mais cedo, Lula anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, o primeiro feito pelo atual governo. O piso do programa passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. Segundo o ministério do Planejamento, o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777. O reajuste acompanha a correção pela inflação desde junho de 2023, segundo o governo.

Medida ocorre no momento em que a candidatura de Lula à reeleição está ameaçada. Flávio Bolsonaro, que é seu principal adversário na disputa, cresceu nas pesquisas mais recentes. Ambos aparecem empatados tecnicamente na simulação de segundo turno do Datafolha, da Quaest e da Atlas/Bloomberg.

De acordo com Felipe Salto, ex-secretário de Fazenda e Planejamento de SP e colunista do UOL, o reajuste no Bolsa Família concedido por Lula não é ilegal. "Reajuste de 15,04% no Bolsa Família recompõe a inflação de março de 2023 a agosto de 2026. Respeita-se a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e a Lei Eleitoral, vale dizer. Não se trata de conceder benefício novo, mas de neutralizar a perda nominal. O resto é fantasia ou desconhecimento", afirmou em post no X

Depois de chamar de "ilegal" o reajuste, Flávio disse em live realizada no YouTube que vai manter o aumento anunciado por Lula caso seja eleito. "Está achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 por mês? Além de manter esse reajuste, vou fazer muito mais", disse.

Flávio elogiou o aumento dado pelo pai, sem dizer que a medida também foi tomada por Jair Bolsonaro em período eleitoral. Ele também criticou o aliado, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que entrou com uma ação no TSE para suspender o reajuste. O pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça. "Não pedi isso. Sou contra", disse.

STF considerou aumento de 2022 inconstitucional

Em ano eleitoral, o então presidente Jair Bolsonaro aprovou uma emenda à Constituição que reconhecia estado de emergência. A medida permitiu despesas extraordinárias de cerca de R$ 41 bilhões naquele ano. O candidato à reeleição usou a verba para reajustar o Auxílio Brasil e ampliar o Auxílio Gás, entre outras medidas.

O Supremo Tribunal Federal declarou parte da emenda inconstitucional. Segundo o colegiado, ampliar benefícios às vésperas da eleição viola a igualdade de oportunidades entre os candidatos.

Fonte: Revista Veja

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