sexta-feira, 18 de setembro de 2026

IA já ajuda a criar sua própria sucessora — e isso acende novo alerta entre pesquisadores


A inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de responder perguntas, escrever códigos e analisar informações, já começa a participar do desenvolvimento de versões mais avançadas de si mesma.

A Anthropic informou que seu modelo Claude já responde por mais de 25% do trabalho de pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas da empresa. O chatbot também participa de cerca de 90% das tarefas realizadas pelas equipes de desenvolvimento, sempre com supervisão humana.

A informação foi divulgada em meio ao debate sobre o chamado “autoaperfeiçoamento recursivo”. O conceito descreve o momento em que uma inteligência artificial passa a ajudar a construir uma versão mais poderosa de si própria, criando um ciclo de evolução cada vez mais rápido.

A Anthropic ressalta que o Claude ainda não trabalha de maneira totalmente autônoma. O sistema não decide sozinho quais modelos serão lançados, não controla integralmente os experimentos e continua dependendo de pesquisadores humanos para definir objetivos, avaliar resultados e autorizar mudanças.

Mesmo assim, o avanço representa uma mudança importante na corrida tecnológica. Até pouco tempo, os seres humanos eram responsáveis por praticamente todas as etapas de criação dos modelos. Agora, as próprias ferramentas de IA começam a auxiliar na elaboração de códigos, na realização de testes, na análise de falhas e na busca por melhorias de desempenho.

Segundo a empresa, o Claude já participa de tarefas complexas relacionadas à pesquisa, mas os resultados ainda precisam ser revisados por especialistas. A Anthropic afirma que mantém mecanismos de monitoramento e defende maior transparência entre os laboratórios que desenvolvem modelos avançados.

O receio dos pesquisadores é que a velocidade de evolução ultrapasse a capacidade de fiscalização. Quanto mais a IA participa da criação de sistemas novos, maior se torna a necessidade de verificar se os objetivos continuam sob controle humano e se as ferramentas não desenvolvem comportamentos inesperados.

O avanço também amplia discussões sobre empregos, consumo de energia, segurança digital e concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia. Uma IA capaz de ajudar a desenvolver sua sucessora pode acelerar descobertas e reduzir custos, mas também pode tornar mais difícil compreender completamente como os sistemas chegaram a determinadas decisões.

A notícia, portanto, não significa que uma máquina tenha criado sozinha uma nova inteligência artificial ou tomado o controle de um laboratório. O que existe hoje é uma participação crescente da IA no próprio processo de desenvolvimento tecnológico.

A pergunta que começa a ganhar força é outra: até onde os seres humanos continuarão sendo os principais criadores — e quando passarão a atuar apenas como supervisores de sistemas que ajudam a construir as próximas gerações de inteligência artificial?

Fonte: Folha de S.Paulo e Associated Press.

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