sexta-feira, 18 de setembro de 2026

TRE-RJ barra candidatura do Pastor Everaldo a suplente do Senado e cita tese de “milícia de gravata”


Registro foi indeferido em meio a uma sequência de decisões eleitorais envolvendo suspeitas de infiltração de organizações criminosas na política fluminense

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro indeferiu o registro de candidatura de Everaldo Dias Pereira, conhecido como Pastor Everaldo, do Podemos, que concorria ao cargo de suplente ao Senado Federal nas eleições de 2026.

A decisão integra uma sequência de julgamentos em que o TRE-RJ barrou candidaturas por suspeitas de vínculos com estruturas criminosas. Segundo levantamento publicado pela imprensa, o número chegou a 15 registros indeferidos. As decisões ainda podem ser contestadas pelas defesas nas instâncias superiores. A Tribuna RJ

O que significa “milícia de gravata”

Nos julgamentos recentes, a Justiça Eleitoral passou a utilizar a expressão “milícia de gravata” para descrever, segundo a tese apresentada nos processos, organizações criminosas que atuariam dentro de estruturas políticas e administrativas do Estado.

A expressão não se refere necessariamente à milícia tradicional armada. O conceito está relacionado a grupos suspeitos de utilizar cargos públicos, relações políticas e influência institucional para favorecer interesses privados, fraudar licitações ou desviar recursos públicos.

No caso de Pastor Everaldo, o indeferimento do registro não representa uma condenação criminal. Trata-se de uma decisão eleitoral que impede, neste momento, a validade de sua candidatura, com possibilidade de recurso.

Relação com a crise da Saúde no governo Witzel

O nome de Pastor Everaldo já havia aparecido em investigações relacionadas ao governo Wilson Witzel. Em 2020, ele foi preso no âmbito da Operação Tris in Idem, desdobramento da Operação Placebo, que investigava suspeitas de corrupção e irregularidades na área da Saúde do Estado do Rio de Janeiro durante a pandemia.

As apurações mencionavam possíveis desvios de recursos públicos destinados ao enfrentamento da Covid-19 e supostas relações entre integrantes do governo, empresários e operadores políticos.

Esse histórico passou a ser considerado no contexto das discussões eleitorais sobre a presença de grupos organizados dentro da administração pública. No entanto, investigação, prisão ou indeferimento de candidatura não equivalem automaticamente a condenação definitiva.

Decisão ainda pode ser levada ao TSE

A decisão do TRE-RJ interrompe, por enquanto, a candidatura de Pastor Everaldo à suplência do Senado. A defesa poderá apresentar recurso ao Tribunal Superior Eleitoral e tentar reverter o entendimento adotado pela Corte fluminense.

O caso acompanha uma mudança de postura da Justiça Eleitoral do Rio, que passou a analisar não apenas a documentação formal dos candidatos, mas também elementos relacionados à possível utilização de estruturas criminosas para influenciar o poder público.

O julgamento reforça que a disputa eleitoral de 2026 será marcada por um controle mais rigoroso sobre os vínculos políticos, financeiros e administrativos dos candidatos. A palavra final sobre a situação de Pastor Everaldo, porém, ainda dependerá do andamento dos recursos.

Fonte institucional: Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro

Palavras-chave: Pastor Everaldo, TRE-RJ, eleições 2026, suplente ao Senado, milícia de gravata, Podemos, Justiça Eleitoral, crime organizado

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