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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Cientistas testam lentes para uma futura cirurgia de catarata em Marte


Projeto enviou 135 lentes intraoculares para fora da Estação Espacial Internacional e analisou os efeitos da radiação e do oxigênio atômico

Antes que uma cirurgia de catarata possa ser realizada em Marte, será necessário descobrir se os materiais médicos conseguem sobreviver a uma viagem espacial de longa duração.

Foi com esse objetivo que pesquisadores dos Estados Unidos enviaram 135 lentes intraoculares artificiais para o lado externo da Estação Espacial Internacional. As lentes permaneceram aproximadamente seis meses expostas ao ambiente espacial antes de retornar à Terra para análise. Euronews

O que foi testado

As lentes foram colocadas em diferentes pontos da estação, onde ficaram sujeitas a condições como radiação ultravioleta, variações extremas de temperatura e exposição ao oxigênio atômico.

O projeto, chamado JAMES, também manteve 45 lentes semelhantes na Terra para comparação. Na primeira análise, os pesquisadores examinaram 61 lentes que estiveram no espaço e 20 que permaneceram no planeta.

A maioria das lentes expostas — 42 de 61 — não apresentou alterações relevantes. No entanto, algumas unidades desenvolveram fissuras, rugosidade na superfície, manchas amareladas ou mudanças ainda não explicadas na aparência.

Os resultados ajudam os cientistas a identificar quais materiais podem exigir mais proteção durante o transporte para futuras missões espaciais. European Society of Cataract and Refractive Surgeons

Cirurgia em Marte ainda está distante

A pesquisa não realizou cirurgia no espaço e tampouco testou o funcionamento de uma lente dentro do olho de um astronauta. O objetivo foi analisar como os implantes se comportam quando ficam diretamente expostos a condições severas.

Em uma missão para Marte, os materiais seriam transportados dentro de uma nave, protegidos por embalagens e sistemas de armazenamento. Por isso, o próximo desafio será definir qual nível de proteção será necessário sem aumentar excessivamente o peso e o volume da carga.

Os pesquisadores também planejam testar os equipamentos usados em cirurgias de catarata durante períodos de microgravidade em voos parabólicos. A ideia é avançar gradualmente: primeiro os materiais, depois os equipamentos, os procedimentos e, somente no futuro, uma eventual cirurgia em órbita.

Por que a catarata preocupa missões longas

A catarata ocorre quando o cristalino natural do olho fica opaco. Durante a cirurgia, esse tecido é removido e substituído por uma lente intraocular transparente.

Em viagens espaciais que podem durar meses ou até quase um ano, um problema ocular grave poderia exigir atendimento longe da Terra. O retorno imediato não seria simples, especialmente em uma missão para Marte.

Ainda assim, os próprios pesquisadores tratam a possibilidade de cirurgia fora da Terra como um cenário futuro. O estudo é uma etapa inicial para entender como os materiais médicos podem ser transportados e armazenados em missões de longa duração.

Por enquanto, a descoberta não significa que uma cirurgia de catarata esteja prestes a acontecer em Marte. Significa que a medicina espacial já começou a testar os materiais necessários para que esse procedimento seja possível algum dia.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Asteroide 2026QD é identificado como objeto próximo da Terra e entra no radar dos astrônomos


Objeto foi registrado em agosto de 2026 e passou a ser acompanhado por sistemas internacionais de monitoramento. Dados disponíveis indicam uma aproximação de cerca de 2,7 milhões de quilômetros da Terra, sem confirmação de risco de impacto.

Um novo asteroide identificado nas últimas semanas entrou no radar dos sistemas internacionais de acompanhamento de objetos próximos da Terra. Batizado de 2026 QD, o corpo celeste foi registrado em agosto de 2026 e passou a integrar as bases utilizadas por observatórios e instituições especializadas no monitoramento de asteroides.

Apesar da repercussão nas redes sociais e de publicações que associam o objeto a um possível impacto futuro, os dados disponíveis não confirmam que o 2026 QD esteja em rota de colisão com a Terra.

De acordo com dados orbitais disponíveis, o objeto teve uma aproximação estimada em aproximadamente 2,68 milhões de quilômetros da Terra. A estimativa corresponde a quase sete vezes a distância média entre a Terra e a Lua. 

O QUE É O 2026 QD?

O 2026 QD recebeu essa designação por ter sido identificado em 2026. Registros do Minor Planet Center mostram o objeto classificado como NEO, sigla em inglês para Near-Earth Object, ou Objeto Próximo da Terra.

Ser classificado como NEO, entretanto, não significa que um asteroide esteja prestes a atingir o planeta.

A classificação é utilizada para objetos cuja órbita os leva a uma região relativamente próxima da órbita terrestre e que, por isso, merecem acompanhamento astronômico.

O tamanho estimado do 2026 QD também ainda apresenta margem de incerteza. Dados disponíveis apontam para um diâmetro aproximado entre 11 e 24 metros. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

POR QUE ESSES ASTEROIDES SÃO MONITORADOS?

A identificação e o acompanhamento desses objetos fazem parte de uma estratégia internacional de defesa planetária.

A NASA mantém o Center for Near-Earth Object Studies, conhecido como CNEOS, responsável por calcular órbitas e avaliar possíveis aproximações de objetos que passam pela vizinhança da Terra.

A agência também mantém sistemas destinados a identificar possíveis ameaças futuras e aperfeiçoar continuamente os cálculos de trajetória.

A importância desse monitoramento ficou evidente nos últimos anos com o desenvolvimento de tecnologias capazes de alterar a trajetória de asteroides.

Em 2022, a missão DART, da NASA, conseguiu alterar a órbita do asteroide Dimorphos em um experimento destinado justamente a testar uma técnica de defesa planetária.

NÃO HÁ MOTIVO PARA PÂNICO

A simples aproximação de um asteroide não representa, por si só, uma ameaça à população.

As trajetórias dos objetos são calculadas a partir de observações realizadas por diferentes telescópios. À medida que novas observações são incorporadas, os pesquisadores conseguem reduzir as incertezas sobre a órbita e determinar com maior precisão onde o objeto estará no futuro.

É justamente por isso que os sistemas de monitoramento são atualizados constantemente.

Um exemplo recente foi o asteroide 2024 YR4. Em determinado momento, cálculos indicaram uma pequena possibilidade de impacto com a Terra em 2032. Com novas observações, porém, a possibilidade foi posteriormente descartada. A própria NASA utiliza o episódio para demonstrar como o acompanhamento contínuo pode modificar significativamente as estimativas de risco. 

O QUE ACONTECE AGORA?

O 2026 QD continuará sendo acompanhado por observatórios e sistemas de rastreamento.

Novas observações permitem aperfeiçoar os elementos orbitais do objeto e determinar com maior precisão suas futuras aproximações da Terra.

Para os especialistas, o mais importante é justamente manter o monitoramento permanente de objetos próximos ao planeta, permitindo que eventuais ameaças reais sejam identificadas com antecedência suficiente para que medidas de defesa possam ser estudadas.

Por enquanto, portanto, o 2026 QD representa principalmente mais um exemplo da importância da vigilância espacial.

O asteroide chamou atenção por estar relativamente próximo da Terra em termos astronômicos, mas os dados disponíveis não sustentam a afirmação de que exista atualmente uma ameaça confirmada de impacto em 2032.

A recomendação para o público é acompanhar informações divulgadas por instituições científicas e evitar compartilhar números ou previsões de impacto que não tenham sido confirmados por sistemas oficiais de monitoramento.