Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Califórnia decodifica sinais cerebrais associados à fala e aos movimentos
Uma nova interface cérebro-computador permitiu que pessoas com paralisia se comunicassem por meio de um avatar digital capaz de reproduzir fala e gestos em tempo real.
O sistema utiliza um único implante colocado na área do cérebro relacionada aos movimentos. Sensores captam sinais neurais associados à tentativa de falar, movimentar o rosto e realizar gestos com os braços. Um modelo de aprendizado de máquina transforma essas informações em comandos para um avatar personalizado. NIH
Fala e linguagem corporal ao mesmo tempo
Até agora, pesquisas desse tipo geralmente se concentravam em uma função por vez: transformar sinais cerebrais em fala ou controlar movimentos específicos.
O novo estudo avançou ao combinar as duas formas de comunicação. Durante os testes, os participantes puderam utilizar um vocabulário limitado de frases e gestos, incluindo movimentos como acenar e fazer sinal de positivo.
A proposta é aproximar a comunicação digital da experiência natural de uma conversa, que envolve não apenas palavras, mas também expressões faciais, movimentos das mãos e linguagem corporal.
A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Neuroscience. Os resultados indicam que um único implante cortical pode decodificar sinais associados à fala e aos gestos simultaneamente. Nature Neuroscience
Tecnologia ainda está em fase experimental
Apesar do avanço, o sistema ainda não representa uma solução disponível para pacientes em geral. Os testes envolveram um número reduzido de participantes e utilizaram um vocabulário restrito, com equipamentos conectados a sistemas externos.
Os pesquisadores ainda precisam ampliar a quantidade de palavras e movimentos reconhecidos, reduzir o tempo de resposta e avaliar o funcionamento da tecnologia em grupos maiores.
Também será necessário desenvolver versões mais práticas e seguras para uso prolongado. A equipe planeja testar uma versão totalmente implantável e sem fios.
A tecnologia pode beneficiar pessoas que perderam a capacidade de falar ou se movimentar em decorrência de acidentes vasculares cerebrais, esclerose lateral amiotrófica e outras doenças neurológicas. No entanto, os resultados atuais devem ser compreendidos como uma prova de conceito, e não como um tratamento já disponível.
Mais do que “ler pensamentos”, o dispositivo interpreta sinais cerebrais relacionados a movimentos que os participantes tentam realizar. O objetivo é devolver formas mais rápidas, expressivas e naturais de comunicação a pessoas com paralisia grave.
