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sábado, 19 de setembro de 2026

Novo exame de sangue identifica 86,8% dos casos iniciais de câncer de pâncreas


Teste experimental combina marcadores moleculares e pode ajudar a indicar quais pacientes precisam de exames complementares

Pesquisadores desenvolveram um novo exame de sangue capaz de identificar 86,8% dos casos iniciais de adenocarcinoma pancreático, o tipo mais comum de câncer de pâncreas.

Chamado de Panxeon, o teste foi avaliado em um estudo internacional com 1.785 participantes de quatro países. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine.

A tecnologia combina dez microRNAs, pequenas moléculas presentes no sangue, com o marcador tumoral CA 19-9. A partir desses dados, o exame calcula um índice de risco que pode ajudar a indicar a necessidade de investigações médicas mais detalhadas.

Nos testes, o Panxeon apresentou sensibilidade de 86,8% para casos identificados nos estágios 1 e 2 da doença. Quando foram utilizados apenas os microRNAs, sem a combinação com o CA 19-9, a sensibilidade ficou em 83,8%.

O exame também identificou 64,3% dos casos de displasia de alto grau em pacientes que tinham cistos pancreáticos considerados de maior risco.

A possibilidade de detectar o câncer em fases mais precoces é considerada relevante porque a doença costuma apresentar sintomas discretos e, em muitos casos, é descoberta quando já está avançada.

Apesar dos resultados promissores, o Panxeon ainda é uma tecnologia experimental. O estudo registrou falsos positivos, especialmente entre pessoas com maior risco, e são necessárias novas pesquisas para confirmar o desempenho do teste em diferentes populações.

Isso significa que o exame ainda não substitui consultas, avaliação médica, exames de imagem ou procedimentos utilizados atualmente para investigar o câncer de pâncreas.

A expectativa é que ferramentas desse tipo possam, no futuro, ajudar médicos a identificar pacientes que precisam de acompanhamento mais próximo e acelerar a confirmação diagnóstica.

Por enquanto, o resultado representa um avanço de pesquisa, mas não significa que o teste já esteja disponível para uso amplo ou que possa ser realizado como exame de rotina.

Pessoas com vida cultural ativa podem envelhecer mais lentamente, aponta estudo


Pesquisa realizada com 1.899 adultos na Inglaterra encontrou associação entre participação em atividades culturais e uma idade fisiológica menor

Frequentar cinemas, museus, teatros, galerias e concertos pode estar relacionado a um envelhecimento fisiológico mais lento. É o que aponta um estudo realizado com 1.899 adultos na Inglaterra e publicado no Journal of Epidemiology and Community Health.

A pesquisa analisou a participação dos voluntários em diferentes atividades culturais e comparou os resultados com indicadores de idade fisiológica, como pressão arterial, capacidade pulmonar e índice de massa corporal.

A idade fisiológica não é necessariamente igual à idade cronológica. Enquanto a idade cronológica corresponde ao tempo vivido, a idade fisiológica busca estimar como o organismo está envelhecendo.

Entre os participantes com menor e maior nível de envolvimento cultural, os pesquisadores identificaram uma diferença estimada de aproximadamente 1,2 ano na idade fisiológica.

Os resultados também indicaram que, a cada ponto adicional em uma escala de participação cultural, havia uma redução média estimada de 0,085 ano na idade fisiológica.

Segundo os pesquisadores, atividades culturais podem estimular funções cognitivas, reduzir o estresse e fortalecer a interação social. Esses fatores estão associados a um envelhecimento mais saudável e a uma melhor qualidade de vida

O estudo, no entanto, é observacional. Isso significa que ele identificou uma associação, mas não prova que frequentar atividades culturais seja, sozinho, o responsável por retardar o envelhecimento.

Além de museus, teatros e concertos, práticas mais acessíveis, como ler, ouvir música, dançar ou participar de atividades comunitárias, também podem contribuir para o bem-estar emocional, mental e social.

A conclusão reforça que envelhecer com saúde não depende apenas de alimentação e atividade física. Manter vínculos, estimular a mente e continuar envolvido com experiências culturais também pode fazer parte de uma rotina mais ativa e equilibrada.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Implante cerebral experimental permite que pessoas paralisadas falem e façam gestos por avatar digital


Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Califórnia decodifica sinais cerebrais associados à fala e aos movimentos

Uma nova interface cérebro-computador permitiu que pessoas com paralisia se comunicassem por meio de um avatar digital capaz de reproduzir fala e gestos em tempo real.

O sistema utiliza um único implante colocado na área do cérebro relacionada aos movimentos. Sensores captam sinais neurais associados à tentativa de falar, movimentar o rosto e realizar gestos com os braços. Um modelo de aprendizado de máquina transforma essas informações em comandos para um avatar personalizado. NIH

Fala e linguagem corporal ao mesmo tempo

Até agora, pesquisas desse tipo geralmente se concentravam em uma função por vez: transformar sinais cerebrais em fala ou controlar movimentos específicos.

O novo estudo avançou ao combinar as duas formas de comunicação. Durante os testes, os participantes puderam utilizar um vocabulário limitado de frases e gestos, incluindo movimentos como acenar e fazer sinal de positivo.

A proposta é aproximar a comunicação digital da experiência natural de uma conversa, que envolve não apenas palavras, mas também expressões faciais, movimentos das mãos e linguagem corporal.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Neuroscience. Os resultados indicam que um único implante cortical pode decodificar sinais associados à fala e aos gestos simultaneamente. Nature Neuroscience

Tecnologia ainda está em fase experimental

Apesar do avanço, o sistema ainda não representa uma solução disponível para pacientes em geral. Os testes envolveram um número reduzido de participantes e utilizaram um vocabulário restrito, com equipamentos conectados a sistemas externos.

Os pesquisadores ainda precisam ampliar a quantidade de palavras e movimentos reconhecidos, reduzir o tempo de resposta e avaliar o funcionamento da tecnologia em grupos maiores.

Também será necessário desenvolver versões mais práticas e seguras para uso prolongado. A equipe planeja testar uma versão totalmente implantável e sem fios.

A tecnologia pode beneficiar pessoas que perderam a capacidade de falar ou se movimentar em decorrência de acidentes vasculares cerebrais, esclerose lateral amiotrófica e outras doenças neurológicas. No entanto, os resultados atuais devem ser compreendidos como uma prova de conceito, e não como um tratamento já disponível.

Mais do que “ler pensamentos”, o dispositivo interpreta sinais cerebrais relacionados a movimentos que os participantes tentam realizar. O objetivo é devolver formas mais rápidas, expressivas e naturais de comunicação a pessoas com paralisia grave.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade; preços podem cair


Mercado ganhou opções de semaglutida e liraglutida após o fim da patente do Ozempic, mas especialistas alertam que os medicamentos não são intercambiáveis

O mercado brasileiro de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade passou por uma forte expansão em 2026. Ao longo do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas canetas, ampliando a concorrência e abrindo espaço para preços mais baixos.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, foram registrados dez medicamentos à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, que utiliza tirzepatida.

A mudança foi impulsionada pelo fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. Com isso, outras empresas passaram a solicitar registros de medicamentos semelhantes e genéricos, aumentando a oferta de produtos que ficaram conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.

Preços podem ficar mais acessíveis

O Ozempic, uma das marcas mais conhecidas do segmento, custa entre R$ 975 e R$ 999, dependendo da apresentação. Já o Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida sintética aprovado após a queda da patente, chegou ao mercado com preços entre R$ 452 e R$ 498.

A estimativa é que os genéricos de semaglutida sejam comercializados entre R$ 293 e R$ 323, respeitando a regra que determina uma redução mínima de 35% em relação ao medicamento de referência.

As opções à base de liraglutida podem ser encontradas a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias. No entanto, o preço não é o único fator que deve ser considerado pelo paciente.

A frequência de aplicação, a indicação aprovada, as condições de saúde e a possibilidade de manter o tratamento por meses ou anos também influenciam na escolha.

Nem toda caneta serve para emagrecer

Apesar de serem frequentemente chamadas de “canetas emagrecedoras”, nem todos os produtos aprovados têm indicação para tratamento da obesidade.

Entre as novas versões de semaglutida, várias foram autorizadas pela Anvisa exclusivamente para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. O fato de um medicamento ter princípio ativo semelhante ao Ozempic não significa que ele possa ser usado para qualquer finalidade.

A própria Anvisa explica que o Ozivy é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, como complemento à dieta e à prática de exercícios. O produto exige prescrição médica e possui regras específicas de armazenamento.

Também não é possível trocar automaticamente uma marca por outra. Medicamentos com semaglutida, liraglutida e tirzepatida possuem diferenças de dose, frequência de aplicação, indicações e efeitos colaterais.

Registro não significa disponibilidade imediata

Outro ponto importante é que a aprovação da Anvisa não significa que todas as canetas já estejam disponíveis nas farmácias.

Após o registro sanitário, alguns produtos ainda precisam passar pela definição de preço máximo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A empresa responsável também decide quando iniciará a comercialização.

Para que um medicamento seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde, ainda é necessário passar por avaliação da Conitec e aprovação do Ministério da Saúde.

Os especialistas alertam que os tratamentos podem provocar efeitos como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e alterações no funcionamento do intestino. Por isso, a escolha deve ser feita com acompanhamento médico e levando em conta o quadro clínico de cada paciente.

Anvisa reforça combate a produtos irregulares

Com a popularização das canetas, a Anvisa também intensificou a fiscalização contra produtos importados, manipulados ou vendidos sem registro.

A agência já anunciou medidas para combater a comercialização de medicamentos irregulares e alertou para riscos relacionados à falta de controle de qualidade, esterilização inadequada e origem desconhecida dos insumos. Veja as medidas anunciadas pela Anvisa.

A chegada de novas opções pode aumentar a concorrência e reduzir os preços, mas não elimina a necessidade de receita, avaliação profissional e acompanhamento durante o tratamento.

José Sarney é internado com pneumonia em São Luís; estado de saúde é estável


Ex-presidente, de 96 anos, está no UDI Hospital e recebe tratamento intravenoso; ainda não há previsão de alta

O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, foi internado na tarde deste domingo (13) no UDI Hospital, em São Luís, no Maranhão, após ser diagnosticado com pneumonia.

Segundo boletim médico divulgado pela unidade, o estado de saúde do ex-presidente é estável. Sarney está com a pressão arterial controlada, respira em ar ambiente e recebe antimicrobianos por via intravenosa. Até o momento, não há previsão de alta hospitalar. Leia os detalhes divulgados pelo hospital.

Em uma publicação nas redes sociais, Sarney confirmou a internação e agradeceu as mensagens de apoio recebidas. O ex-presidente afirmou que está realizando exames e seguindo o tratamento sob acompanhamento médico.

A internação ocorre meses depois de Sarney completar 96 anos. Pela idade e pelo diagnóstico de pneumonia, a equipe médica mantém o político sob observação, mas o boletim divulgado até agora não indica agravamento do quadro.

Trajetória na política brasileira

José Sarney presidiu o Brasil entre 1985 e 1990. Ele assumiu o cargo após a morte de Tancredo Neves, presidente eleito que não chegou a tomar posse, e comandou o país durante o período de redemocratização.

Seu governo foi marcado por tentativas de conter a hiperinflação e pela promulgação da Constituição Federal de 1988. Depois da Presidência, Sarney foi eleito senador pelo Amapá em três ocasiões e presidiu o Senado Federal também por três vezes.

A evolução do quadro de saúde do ex-presidente deverá ser acompanhada por novos boletins médicos. Até o momento, a orientação divulgada é de tratamento hospitalar e monitoramento contínuo, sem data definida para a alta.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Bocejo termina no hospital: adolescente desloca mandíbula e vídeo ultrapassa 8 milhões de visualizações


Caso ocorrido em Brasília viralizou nesta quinta-feira (3) e chamou atenção para uma emergência pouco conhecida: abrir excessivamente a boca pode provocar luxação da mandíbula

Um movimento absolutamente comum transformou a rotina de uma família de Brasília em uma corrida para o hospital. Felipe Firmino, de 14 anos, deslocou a mandíbula simplesmente ao bocejar, ficou impossibilitado de fechar a boca e precisou ser transferido para uma unidade especializada para que a articulação fosse recolocada no lugar.

O episódio ocorreu no dia 28 de agosto, mas explodiu nas redes sociais nesta semana. Nesta quinta-feira (3), o vídeo publicado pela família já havia superado 8,4 milhões de visualizações, tornando o caso um dos assuntos de saúde de maior repercussão do dia.

Segundo os relatos divulgados pela família, Felipe estava em casa quando bocejou, ouviu um estalo e percebeu que não conseguia mais fechar a boca. Ele foi levado inicialmente ao Hospital da Região Leste, no Paranoá, onde recebeu medicação e passou por exames de imagem. Como a unidade não dispunha do especialista necessário, foi transferido de ambulância para o Hospital de Base do Distrito Federal.

No Hospital de Base, um especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial realizou a manobra para reposicionar a mandíbula. Não houve necessidade de cirurgia e, depois do procedimento, o adolescente recebeu alta. Ele passa bem e iniciou acompanhamento para a articulação temporomandibular, a conhecida ATM.

Mas é realmente possível deslocar a mandíbula apenas bocejando?

Apesar de parecer improvável, a resposta é sim.

A mandíbula se conecta ao crânio por meio da articulação temporomandibular. Quando a boca é aberta excessivamente, a cabeça da mandíbula pode ultrapassar seu limite normal de movimento e ficar presa fora da posição correta.

Um bocejo muito amplo está entre as situações capazes de desencadear a luxação. O problema também pode ocorrer ao morder alimentos muito grandes, durante alguns procedimentos odontológicos ou em decorrência de traumas. Pessoas com maior frouxidão dos ligamentos, hipermobilidade da ATM ou histórico de luxações apresentam risco aumentado.

Isso não significa que bocejar normalmente seja perigoso. A luxação mandibular provocada dessa forma não é uma ocorrência frequente, mas o caso de Brasília chamou tanta atenção justamente porque surgiu durante uma ação realizada diariamente por praticamente todas as pessoas.

Boca fica aberta e pessoa não consegue fechá-la

Um dos sinais mais característicos da luxação é a incapacidade de fechar a boca.

Também podem aparecer dor intensa na região da mandíbula, dificuldade para falar ou engolir, salivação excessiva e espasmos musculares. Quanto mais tempo a articulação permanece deslocada, maior pode ser a contração dos músculos e mais difícil pode se tornar o reposicionamento.

Por isso, trata-se de uma situação que exige avaliação médica ou odontológica rápida.

E há um alerta especialmente importante diante de vídeos e tutoriais disponíveis na internet: não se deve tentar colocar a mandíbula no lugar por conta própria.

O reposicionamento é uma manobra realizada por profissionais e uma tentativa inadequada pode provocar lesões adicionais. O MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, recomenda procurar atendimento rapidamente e não tentar corrigir a posição da mandíbula sozinho.

Como diminuir o risco durante um bocejo

Para quem possui histórico de luxação ou problemas na ATM, especialistas recomendam evitar abertura excessiva da boca. Uma orientação simples é apoiar levemente a mandíbula com a mão ao perceber que vai bocejar, limitando a amplitude do movimento.

O mesmo cuidado pode ser útil ao consumir alimentos muito grandes ou em outras situações que exijam abertura prolongada da boca.

Depois de uma luxação, o paciente também pode receber orientação para evitar grandes aberturas durante o período de recuperação, utilizar alimentação mais macia temporariamente e realizar acompanhamento especializado, dependendo do caso.

O susto vivido por Felipe terminou bem, mas a combinação de uma situação cotidiana, imagens impressionantes e uma condição médica pouco conhecida transformou o caso em fenômeno nas redes sociais.

O adolescente apenas bocejou.

Segundos depois, estava com a boca travada e começava uma peregrinação até encontrar o especialista capaz de resolver o problema.

É justamente essa improbabilidade que ajudou o vídeo a ultrapassar milhões de visualizações — e deixou um alerta simples: se a mandíbula deslocar e a boca não fechar, não tente resolver em casa. Procure atendimento médico.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

AVC E INFARTO: nova medida amplia medicamento que pode salvar vidas nas UPAs e no Samu pelo SUS


Lei sancionada nesta quarta-feira (2) reforça a oferta de trombolíticos na rede pública de urgência e emergência; tratamento pode dissolver coágulos e reduzir mortes e sequelas quando utilizado no tempo adequado

Uma mudança na legislação brasileira pode encurtar um dos intervalos mais decisivos da medicina de emergência: o tempo entre os primeiros sintomas de um infarto ou AVC isquêmico e o início do tratamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira, 2 de setembro, o texto originado do Projeto de Lei 5.972/2023, que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A estratégia também alcança o Samu 192, onde o medicamento já pode ser administrado em unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas.

Os trombolíticos são medicamentos capazes de dissolver coágulos que bloqueiam a circulação sanguínea. No infarto agudo do miocárdio, a obstrução compromete o fluxo de sangue para o coração. No AVC isquêmico, um coágulo interrompe a circulação em uma região do cérebro.

Nos dois casos, tempo é determinante. Quanto mais rapidamente o paciente é diagnosticado e recebe o tratamento adequado, maiores podem ser as chances de sobrevivência e menores os riscos de sequelas permanentes.

O que muda na prática

A principal novidade não significa que todas as UPAs e ambulâncias do Samu passarão imediatamente a manter e aplicar trombolíticos.

Os protocolos do SUS já preveem o uso desses medicamentos em determinados serviços de urgência e emergência, inclusive nas UPAs. Até agora, porém, a aquisição dos remédios depende dos gestores locais. A nova legislação pretende fortalecer essa estrutura e ampliar a disponibilidade do tratamento em todo o país.

O Ministério da Saúde também criou um comitê para acompanhar a implementação das linhas de cuidado de AVC e infarto. O grupo deverá propor diretrizes para ampliar o acesso aos medicamentos, organizar os fluxos entre unidades de saúde e qualificar o atendimento.

A mudança pode ser particularmente importante em cidades afastadas de hospitais com estrutura para procedimentos de alta complexidade.

No caso de determinados tipos de infarto, por exemplo, o trombolítico pode ser indicado quando uma angioplastia não estiver disponível dentro do período recomendado. O medicamento pode então ser administrado enquanto é organizada a transferência do paciente para uma unidade de referência.

No AVC, entretanto, há uma diferença fundamental: o trombolítico é destinado a situações específicas de AVC isquêmico e somente pode ser aplicado depois da avaliação médica e da exclusão de contraindicações. O AVC também pode ser hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso, condição que exige outra abordagem terapêutica.

Brasil registra centenas de milhares de casos

A dimensão do problema ajuda a explicar a relevância da medida.

O Ministério da Saúde estima que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano no Brasil. Somente em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos relacionados a AVC, sendo aproximadamente 218 mil referentes a AVC isquêmico.

O uso de trombolíticos pelo Samu ainda está concentrado em parte do território nacional. Atualmente, 102 unidades de Suporte Avançado de Vida do Samu 192, distribuídas por sete estados, estão habilitadas para receber recursos destinados a esse tipo de assistência.

Em 2025, foram registradas 861 aplicações de tenecteplase pelo Samu 192 em todo o país. A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar a quantidade de unidades preparadas para iniciar o tratamento quando houver indicação clínica.

Reconhecer rapidamente os sintomas pode salvar uma vida

A ampliação do tratamento não elimina um dos maiores obstáculos no enfrentamento ao AVC e ao infarto: a demora para buscar atendimento.

No caso do AVC, sinais como fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, alteração repentina da fala, dificuldade de compreensão, perda de equilíbrio, alterações na visão e dor de cabeça súbita e intensa exigem atendimento imediato.

No infarto, os sinais mais conhecidos incluem dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braços, costas ou rosto, além de falta de ar, suor frio, palidez e sensação de desmaio. Idosos e pessoas com diabetes podem apresentar sintomas menos típicos.

Diante de sintomas compatíveis com essas emergências, a orientação é acionar o Samu pelo telefone 192 ou procurar imediatamente um serviço de urgência.

Não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente.

Impacto também interessa diretamente à Região dos Lagos

Para municípios da Região dos Lagos, onde o deslocamento entre uma unidade inicial de atendimento e hospitais de maior complexidade pode consumir um período decisivo, a ampliação efetiva dos protocolos merece acompanhamento.

A lei cria a possibilidade de aproximar uma terapia tempo-dependente do local onde muitos pacientes chegam primeiro: a UPA ou o próprio atendimento móvel de urgência.

O impacto real, entretanto, dependerá da regulamentação, da disponibilidade dos medicamentos, da capacitação das equipes e da estrutura diagnóstica oferecida por estados e municípios.

Por isso, o próximo ponto a ser observado será como a nova política chegará às UPAs e às bases do Samu da Região dos Lagos e quais unidades estarão preparadas para utilizar os trombolíticos dentro dos protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A mudança representa um avanço potencialmente importante, mas sua eficácia será medida longe de Brasília: no momento em que uma pessoa com AVC ou infarto chegar a uma unidade de emergência e encontrar diagnóstico, equipe, medicamento e estrutura disponíveis antes que o tempo se transforme em sequelas irreversíveis ou morte.