Microplásticos encontrados em animais da Bacia de Santos mostram que a poluição alcança ambientes profundos do oceano
Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Ipen identificaram microplásticos em invertebrados coletados entre 400 e 1.500 metros de profundidade na Bacia de Santos, a cerca de 140 quilômetros da costa.
Os resultados foram divulgados pela Agência FAPESP em 20 de maio de 2026. As amostras vieram de expedições realizadas em 2019, e o estudo foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin. O levantamento também analisou poluentes químicos persistentes em peixes e sedimentos.
Microplásticos são partículas de plástico menores que 5 milímetros. O estudo evidencia o alcance da poluição, mas seus resultados se referem à Bacia de Santos e não constituem um diagnóstico das praias da Região dos Lagos.
O problema também começa em terra
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mais de 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos mares a cada ano. A organização destaca que água e resíduos circulam entre ambientes terrestres, rios, lagos e oceanos, transportando poluentes.
Essa conexão ajuda a entender por que cuidar do mar exige olhar também para o descarte nas cidades. A resposta precisa envolver os caminhos percorridos pelos resíduos, desde sua origem até os ambientes costeiros.
Para a Região dos Lagos, esse debate tem relevância especial: praias, lagoas, pesca e turismo fazem parte da vida cotidiana. A reflexão é sobre prevenção e cuidado com esse patrimônio.
Uma responsabilidade compartilhada
O Brasil conta com a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, instituída em outubro de 2025, com ações previstas até 2030. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ela reúne prevenção, educação ambiental, monitoramento, economia circular e participação de diferentes setores.
A estratégia também reconhece o papel dos catadores de materiais recicláveis, das comunidades costeiras e dos pescadores artesanais. A proteção do oceano depende de políticas públicas, empresas e sociedade.
O que fazer no dia a dia
• Evitar descartáveis desnecessários e priorizar itens reutilizáveis.
• Levar os próprios resíduos ao sair da praia.
• Separar recicláveis conforme a coleta disponível no município.
• Participar de ações organizadas de limpeza e educação ambiental.
• Cobrar coleta regular, destinação adequada e prevenção do descarte irregular.
A beleza do mar merece mais do que admiração: merece cuidado antes que o lixo chegue à água
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