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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O plástico já chegou ao fundo do mar: estudo brasileiro acende alerta


Microplásticos encontrados em animais da Bacia de Santos mostram que a poluição alcança ambientes profundos do oceano

Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Ipen identificaram microplásticos em invertebrados coletados entre 400 e 1.500 metros de profundidade na Bacia de Santos, a cerca de 140 quilômetros da costa.

Os resultados foram divulgados pela Agência FAPESP em 20 de maio de 2026. As amostras vieram de expedições realizadas em 2019, e o estudo foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin. O levantamento também analisou poluentes químicos persistentes em peixes e sedimentos.

Microplásticos são partículas de plástico menores que 5 milímetros. O estudo evidencia o alcance da poluição, mas seus resultados se referem à Bacia de Santos e não constituem um diagnóstico das praias da Região dos Lagos.

O problema também começa em terra

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mais de 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos mares a cada ano. A organização destaca que água e resíduos circulam entre ambientes terrestres, rios, lagos e oceanos, transportando poluentes.

Essa conexão ajuda a entender por que cuidar do mar exige olhar também para o descarte nas cidades. A resposta precisa envolver os caminhos percorridos pelos resíduos, desde sua origem até os ambientes costeiros.

Para a Região dos Lagos, esse debate tem relevância especial: praias, lagoas, pesca e turismo fazem parte da vida cotidiana. A reflexão é sobre prevenção e cuidado com esse patrimônio.

Uma responsabilidade compartilhada

O Brasil conta com a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, instituída em outubro de 2025, com ações previstas até 2030. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ela reúne prevenção, educação ambiental, monitoramento, economia circular e participação de diferentes setores.

A estratégia também reconhece o papel dos catadores de materiais recicláveis, das comunidades costeiras e dos pescadores artesanais. A proteção do oceano depende de políticas públicas, empresas e sociedade.

O que fazer no dia a dia

• Evitar descartáveis desnecessários e priorizar itens reutilizáveis.
• Levar os próprios resíduos ao sair da praia.
• Separar recicláveis conforme a coleta disponível no município.
• Participar de ações organizadas de limpeza e educação ambiental.
• Cobrar coleta regular, destinação adequada e prevenção do descarte irregular.

A beleza do mar merece mais do que admiração: merece cuidado antes que o lixo chegue à água

domingo, 4 de outubro de 2026

IA chega aos pequenos negócios: Sebrae cria assistente para orientar marketing e vendas


Ferramenta utiliza informações da empresa para oferecer recomendações. Empreendedores também podem acessar capacitação gratuita em inteligência artificial.

O Sebrae criou a MIA — Marketing Intelligence Assistant, uma assistente de inteligência artificial voltada aos pequenos negócios. A proposta é transformar dados da empresa em recomendações de marketing, vendas e sustentabilidade, considerando a realidade de cada empreendimento.

Detalhada pela Agência Sebrae de Notícias em 1º de outubro, a ferramenta parte de um diagnóstico com quatro grupos de informações: segmento e tipo de operação, faturamento dos últimos 12 meses, canais digitais utilizados e investimento em anúncios. A partir desse contexto, oferece orientações para apoiar as decisões do empreendedor.

Para quem administra uma loja, um restaurante ou uma empresa de serviços, a novidade traz uma discussão prática: como incorporar a tecnologia à rotina sem perder o controle sobre o negócio?

Da divulgação à organização das tarefas

Em aplicações gerais de inteligência artificial, há possibilidades que podem ser testadas em atividades cotidianas:

  • Elaborar versões de textos para divulgar produtos e serviços.

  • Organizar um calendário de publicações nas redes sociais.

  • Preparar respostas para dúvidas frequentes dos clientes.

  • Apoiar a organização de despesas e a análise de vendas.

Esses temas fazem parte do conteúdo do Negócio em dIA, movimento de capacitação que reúne trilhas de marketing, gestão e finanças.

Um restaurante da Região dos Lagos, por exemplo, pode experimentar a criação de diferentes chamadas para divulgar seu happy hour. Uma loja pode preparar descrições de produtos e ajustar a linguagem para públicos diferentes. São exemplos possíveis de aplicação, que precisam ser adaptados à realidade de cada empresa.

A revisão continua sendo uma tarefa do empreendedor. Preços, horários, condições comerciais e cálculos devem ser conferidos antes de uma publicação ou decisão.

Onde aprender gratuitamente

Em uma iniciativa distinta da MIA, o programa Negócio em dIA oferece formação gratuita em português para micro e pequenos empreendedores. O movimento reúne Sebrae, Google, Itaú Unibanco, Tera e Blip.

Segundo o site do programa, as aulas têm entre cinco e dez minutos, podem ser acompanhadas pelo celular ou computador e abordam aplicações em gestão, marketing e finanças. As trilhas são independentes, permitindo começar pelo assunto mais útil para o momento da empresa.

Para começar, escolha uma tarefa concreta, teste a ferramenta e compare o resultado com seu processo habitual. Uma descrição de produto, um calendário de divulgação ou a organização de despesas podem servir como primeiro exercício.

Serviço: conheça a formação e faça o cadastro em onegocioemdia.com.br.

Brasil chega a 1 milhão de carros elétricos e híbridos: vale trocar o seu?


Avanço da frota e expansão dos carregadores colocam a eletrificação no centro da decisão de compra. Preço, infraestrutura e rotina precisam entrar na comparação.

O Brasil alcançou a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Anunciado em 24 de setembro, o resultado considera os emplacamentos acumulados desde janeiro de 2012. O levantamento reúne carros totalmente elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais com tração elétrica. Os micro-híbridos ficam fora dessa contagem.

Para quem pretende trocar de carro, o marco traz uma pergunta prática: qual dessas tecnologias combina com o orçamento e com os trajetos do dia a dia?

Entender o tipo de carro ajuda a escolher

Apesar de integrarem o mercado de eletrificados, os modelos funcionam de maneiras diferentes:

  • Elétrico: utiliza energia armazenada na bateria e depende de recarga externa.

  • Híbrido plug-in: combina motor elétrico e motor a combustão, com bateria que pode ser recarregada externamente.

  • Híbrido convencional: combina as duas motorizações, mas sua bateria é carregada pelo próprio funcionamento do veículo, sem conexão a um carregador externo.

Essa diferença interfere no planejamento de uso. Ter acesso frequente à recarga é uma questão central para quem avalia um elétrico ou um híbrido plug-in.

A rede de recarga também está crescendo

Segundo levantamento da ABVE em parceria com a Tupi, o Brasil tinha 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em agosto de 2026, crescimento de 76,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Os pontos de recarga rápida chegaram a 11.397, alta de 195,6% em 12 meses — praticamente o triplo. A expansão amplia as possibilidades de deslocamento, embora a disponibilidade precise ser verificada em cada percurso.

A conta precisa incluir mais do que o abastecimento

Para avaliar a troca, uma comparação útil reúne preço de compra, financiamento, seguro, manutenção, instalação de carregador quando necessária e condições de garantia da bateria. A estrutura de assistência e a disponibilidade de peças também merecem atenção.

Na avaliação desta reportagem, o crescimento da frota reforça a importância de comparar essas alternativas. A vantagem para cada motorista, porém, depende de sua rotina e dos custos dos modelos considerados.

Quem mora na Região dos Lagos e costuma viajar ao Rio, por exemplo, deve consultar a infraestrutura dos trajetos habituais. Vale verificar compatibilidade dos carregadores, horários de funcionamento, preços e alternativas para uma parada.

Antes de fechar negócio, peça cotações e monte uma comparação com sua quilometragem real. O carro que parece mais econômico na publicidade precisa fazer sentido também na sua garagem.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Marco Figueiredo apresenta quatro propostas para enfrentar problemas históricos da Região dos Lagos


Candidato a deputado estadual defende investigação sobre Enel e Prolagos, criação do Hospital Regional do Idoso em Tamoios e medidas relacionadas ao pedágio e aos radares da ViaLagos

Energia elétrica, saneamento, saúde e mobilidade estão entre os principais desafios enfrentados pelos moradores da Região dos Lagos. Problemas nesses quatro setores afetam diretamente a qualidade de vida da população, o funcionamento do comércio, a atividade turística e o desenvolvimento econômico dos municípios.

Diante desse cenário, o candidato a deputado estadual Marco Figueiredo reuniu quatro propostas que pretende defender na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: a criação de uma CPI para investigar a Enel, uma nova CPI da Prolagos, a implantação do Hospital Regional do Idoso em Tamoios e medidas voltadas à isenção do pedágio e à revisão dos radares da ViaLagos.

As propostas dependem de diferentes procedimentos. A abertura das CPIs exige apoio parlamentar e aprovação na Alerj. O hospital necessita de projeto técnico, orçamento e articulação entre Estado e municípios. Já as mudanças relacionadas à ViaLagos dependem de análises jurídicas, regulatórias e de segurança viária.

CPI da Enel para investigar apagões e prejuízos

Os problemas no fornecimento de energia elétrica estão entre as reclamações recorrentes de moradores e comerciantes da Região dos Lagos. Em Tamoios, segundo distrito de Cabo Frio, interrupções e oscilações no serviço são apontadas como responsáveis por prejuízos em residências, estabelecimentos comerciais e atividades ligadas ao turismo.

A proposta de Marco Figueiredo é instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a qualidade do serviço prestado pela Enel, os investimentos realizados na rede elétrica e os planos de manutenção e contingência apresentados pela concessionária.

A CPI também poderia solicitar informações sobre duração e frequência das interrupções, ouvir representantes da empresa, órgãos reguladores, municípios e consumidores, além de apurar o atendimento oferecido às pessoas que tiveram alimentos, equipamentos, medicamentos ou atividades econômicas prejudicados.

A distribuição de energia é regulada nacionalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica. No Estado do Rio, a Agenersa mantém cooperação com a Aneel para atividades complementares de fiscalização, conforme informa a página de serviços regulados da agência estadual.

A comissão não teria poder para resolver isoladamente todos os problemas, mas poderia reunir documentos, identificar responsabilidades e encaminhar recomendações aos órgãos competentes.

CPI da Prolagos e proteção da Laguna de Araruama

O segundo eixo apresentado por Marco Figueiredo é a criação de uma nova CPI para investigar a atuação da Prolagos e o cumprimento das obrigações relacionadas à coleta e ao tratamento de esgoto.

A campanha cita denúncias e reclamações sobre lançamentos de esgoto sem tratamento em diferentes pontos da Laguna de Araruama. Um episódio foi registrado oficialmente em 2025 durante fiscalização da Agenersa na Estação Elevatória de Esgoto São João II, em São Pedro da Aldeia.

O relatório técnico RF-045/2025 da Agenersa apontou insuficiência no bombeamento durante a inspeção, transbordamento de efluentes e lançamento na Laguna de Araruama. O documento também recomendou melhoria dos protocolos para períodos de chuva e manutenção dos equipamentos.

A CPI proposta por Marco teria como objetivos verificar as metas previstas no contrato de concessão, os investimentos executados, o funcionamento das estações elevatórias, a existência de sistemas emergenciais de energia e as medidas adotadas para impedir novos extravasamentos.

Também poderiam ser analisadas reclamações sobre cobrança em áreas que ainda não contam com atendimento adequado, o cronograma das obras de saneamento e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

A intenção, segundo Marco, é identificar falhas, estabelecer responsabilidades e acelerar soluções que protejam a Laguna de Araruama, patrimônio ambiental e econômico de toda a região.

Hospital Regional do Idoso em Tamoios

A terceira proposta é a implantação de um Hospital Regional do Idoso em Tamoios, estruturado para atender moradores de todas as cidades da Região dos Lagos.

Marco defende que a unidade ofereça atendimento especializado, exames, internação, reabilitação e acompanhamento de doenças crônicas, reunindo profissionais e especialidades voltados às necessidades da população idosa.

O crescimento do número de idosos amplia a procura por cardiologia, geriatria, neurologia, ortopedia, fisioterapia, diagnóstico por imagem, saúde mental e acompanhamento multidisciplinar. Atualmente, muitas famílias precisam percorrer longas distâncias para conseguir atendimento especializado.

A escolha de Tamoios é apresentada como uma forma de descentralizar os investimentos estaduais e ampliar a estrutura de saúde no segundo distrito de Cabo Frio, permitindo que a unidade também receba pacientes encaminhados por outros municípios.

Para sair do papel, o hospital dependeria de estudos sobre demanda regional, definição da área, projeto executivo, financiamento e pactuação com as redes municipais de saúde.

Isenção do pedágio e revisão dos radares da ViaLagos

O quarto eixo trata da mobilidade regional. Marco Figueiredo defende uma ação para buscar a isenção do pedágio da ViaLagos para moradores de seis municípios que comprovem residência e a necessidade de utilizar frequentemente a rodovia para trabalhar no Rio de Janeiro.

Segundo o candidato, o pagamento diário representa um custo elevado para famílias que dependem da RJ-124 em seus deslocamentos profissionais. A proposta prevê a discussão de critérios de cadastro, comprovação de residência e frequência de passagem.

A ViaLagos é uma concessão estadual fiscalizada pela Agetransp. Por isso, uma eventual isenção exige estudo do contrato, estimativa do impacto financeiro e negociação com o Governo do Estado, a agência reguladora e a concessionária. Informações sobre a rodovia e sua fiscalização estão disponíveis na página oficial da Agetransp.

Marco também defende a retirada dos radares instalados na ViaLagos. A medida, entretanto, precisaria ser submetida a auditoria técnica e à decisão dos órgãos competentes, considerando a legalidade dos equipamentos, os estudos de velocidade, os índices de acidentes e a segurança dos usuários.

A discussão poderia envolver a divulgação dos critérios utilizados para definir os pontos de fiscalização, os dados de acidentes em cada trecho e a verificação da sinalização instalada antes dos equipamentos.

Uma agenda regional baseada em fiscalização e serviços públicos

As quatro propostas apresentadas por Marco Figueiredo reúnem medidas de fiscalização parlamentar e projetos que exigem investimentos e articulação institucional.

As CPIs da Enel e da Prolagos teriam como foco investigar contratos, investimentos, falhas e responsabilidades. O Hospital Regional do Idoso busca ampliar o atendimento especializado em saúde, enquanto as propostas para a ViaLagos pretendem enfrentar o custo dos deslocamentos e aumentar a transparência sobre a fiscalização da rodovia.

O avanço de cada iniciativa dependerá dos instrumentos legais disponíveis, da participação dos órgãos responsáveis e da capacidade de transformar as propostas em projetos tecnicamente viáveis para a Região dos Lagos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

TRE-RJ indefere candidatura de Paulo Melo e impõe novo obstáculo ao retorno à Alerj


Decisão foi tomada por maioria nesta segunda-feira (14); defesa ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por maioria, o registro de candidatura de Paulo Melo (União Brasil) ao cargo de deputado estadual. O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio tentava retornar ao Parlamento após oito anos afastado das disputas eleitorais.

O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (14). O relator do processo, desembargador Paulo Cesar Salomão, votou contra o registro e citou, entre os elementos analisados, uma investigação relacionada a um suposto esquema de exploração de máquinas caça-níqueis na Região dos Lagos.

O desembargador Bruno Bodart apresentou voto divergente e defendeu a liberação da candidatura. O entendimento acompanhava a manifestação anterior do Ministério Público Eleitoral, que havia considerado preenchidos os requisitos necessários para o registro.

A Corte também determinou o envio de informações ao Ministério Público Eleitoral para análise da atuação do União Brasil na concessão da vaga destinada a Paulo Melo.

Investigação foi citada durante o julgamento

Uma das apurações mencionadas no processo está relacionada à Operação Sete da Sorte, deflagrada em julho de 2025. A investigação envolve suspeitas de exploração de máquinas caça-níqueis, lavagem de dinheiro e participação de agentes públicos em municípios da Região dos Lagos.

Paulo Melo foi alvo de buscas durante a operação e, na ocasião, negou envolvimento em irregularidades. A existência de uma investigação ou de uma acusação não equivale, por si só, a uma condenação criminal definitiva.

O ex-deputado exerceu sete mandatos consecutivos na Alerj e presidiu a Casa em dois períodos. Em 2017, foi preso durante a Operação Cadeia Velha e posteriormente condenado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A condenação acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal por questões processuais.

Decisão ainda pode ser contestada

O indeferimento decidido pelo TRE-RJ não encerra necessariamente a discussão sobre a candidatura. Paulo Melo ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá a palavra final sobre a validade do registro.

Até uma eventual decisão definitiva, o caso seguirá sendo analisado dentro da Justiça Eleitoral. A defesa deverá avaliar os fundamentos apresentados pelo tribunal regional e definir os próximos passos do processo.

A decisão representa um revés na tentativa de retorno de Paulo Melo à Alerj e coloca novamente no centro do debate eleitoral as regras para registro de candidaturas, o papel dos partidos e a análise de elementos relacionados a investigações em curso.

Leia a cobertura da decisão na A Tribuna e no Agenda do Poder.

domingo, 6 de setembro de 2026

PF aponta pedido de Dr. Serginho para conter fiscalização ambiental; sequência de controvérsias amplia questionamentos sobre sua atuação política


Relatório da Operação Sem Refino 2 afirma que o atual prefeito de Cabo Frio teria pedido a suspensão de operações do Inea em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia até as eleições de 2024; episódio se soma a outras investigações e controvérsias envolvendo estruturas públicas e o entorno político do prefeito

Uma revelação da Polícia Federal coloca novamente Dr. Serginho (PL), prefeito de Cabo Frio, diante de um questionamento que ultrapassa uma disputa partidária: até que ponto interesses eleitorais podem interferir no funcionamento normal de órgãos públicos?

Segundo trecho da representação da PF reproduzido na decisão da Operação Sem Refino 2, Dr. Serginho, quando ainda disputava a Prefeitura de Cabo Frio em 2024, teria solicitado ao então secretário estadual do Ambiente, Bernardo Rossi, que não fossem realizadas operações de fiscalização ambiental em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia até a eleição municipal.

A informação não representa uma condenação do prefeito, tampouco demonstra isoladamente a prática de crime. Mas, se confirmada, revela um comportamento institucionalmente grave: a tentativa de condicionar o calendário de fiscalização ambiental ao calendário eleitoral.

De acordo com a PF, Bernardo Rossi teria repassado a solicitação ao então presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Renato Jordão Bussiere. Bussiere respondeu que uma equipe já havia fiscalizado São Pedro da Aldeia naquela semana, mas indicou que aquilo não voltaria a ocorrer no período mencionado. Os investigadores afirmaram que, naquele contexto, as “costuras políticas se sobressaíam” à proteção ambiental.

Esse é o ponto mais grave do episódio.

Não se discute aqui uma declaração infeliz, uma briga partidária ou uma interpretação sobre determinada política pública. O que aparece num relatório policial é a hipótese de que a atuação de um órgão de Estado teria sido ajustada para não criar dificuldades políticas a um candidato durante uma eleição.

Região ambientalmente sensível torna episódio ainda mais sério

Cabo Frio e São Pedro da Aldeia não são municípios onde a fiscalização ambiental pode ser tratada como atividade secundária.

Os dois fazem parte do Parque Estadual da Costa do Sol, unidade de conservação administrada pelo Inea que protege quase 10 mil hectares de ecossistemas da Região dos Lagos. Cabo Frio também integra a Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil, enquanto São Pedro da Aldeia possui áreas da APA da Serra de Sapiatiba, que protege remanescentes florestais e parte da Lagoa de Araruama.

O próprio histórico de atuação do Inea na região envolve combate a desmatamento, loteamentos clandestinos, ocupações de áreas protegidas e outras infrações ambientais. Em operações anteriores, o instituto chegou a desmontar invasões e construções irregulares dentro de unidades de conservação da Costa do Sol.

Por isso, a hipótese de suspender operações durante semanas por conveniência eleitoral não pode ser reduzida a uma questão burocrática.

Fiscalização ambiental existe justamente para ocorrer quando a irregularidade é identificada — não quando o calendário político considera conveniente.

Não é a primeira vez que o nome de Serginho aparece em controvérsias envolvendo estruturas públicas

O novo episódio chama atenção também porque não surge isoladamente na trajetória política de Dr. Serginho.

Em abril de 2025, a residência do prefeito foi alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Teatro Invisível 2, da Polícia Federal. A investigação apurava uma rede que teria utilizado atores para encenar conversas falsas em locais públicos com o objetivo de influenciar eleitores, além de suspeitas envolvendo contratos públicos. Dr. Serginho foi alvo da busca, mas isso não equivale a culpa ou condenação.

Na ocasião, o prefeito negou qualquer participação no esquema. Disse que não conhecia as pessoas investigadas, afirmou não possuir relação com as empresas envolvidas e declarou ser vítima de um equívoco da investigação.

Esse contraditório é fundamental: ser alvo de busca não significa ser culpado.

Mas também é legítimo observar que, para um agente político, a repetição de episódios envolvendo Polícia Federal, estruturas governamentais e campanhas eleitorais produz um desgaste que não pode ser eliminado simplesmente pela ausência, até aqui, de condenação definitiva.

Uerj e Faetec também já colocaram entorno político sob suspeita

Outro episódio ocorreu durante a eleição de 2022.

Uma investigação jornalística do UOL identificou pessoas ligadas às campanhas de Dr. Serginho e de outros parlamentares entre contratados remunerados com recursos de projetos da Uerj financiados pela Faetec. Parte dos entrevistados afirmou não ter realizado os serviços universitários pelos quais aparecia recebendo, embora tivesse participado de atividades eleitorais.

Dr. Serginho negou influência política sobre as contratações.

O caso provocou apurações no Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público do Rio e Procuradoria Regional Eleitoral, e a própria Uerj anunciou revisão de projetos e afirmou que eventual seleção por critérios políticos ou pagamento sem prestação de serviço seria ilegal e deveria ser punido.

Novamente, isso não autoriza afirmar que Dr. Serginho tenha sido responsável por desvio de recursos ou contratação de funcionários fantasmas.

Autoriza, contudo, registrar que pessoas politicamente relacionadas a sua campanha apareceram numa estrutura pública posteriormente submetida a investigações.

Antes disso, um assessor foi exonerado após áudio sobre vagas no Hospital Unilagos

Em 2021, quando Serginho comandava a Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, outro episódio causou repercussão em Cabo Frio.

Áudios atribuídos a um assessor da pasta, Leonardo da Costa Fonseca, indicavam que candidatos aprovados num processo seletivo para o Hospital Unilagos seriam posteriormente eliminados até que as vagas chegassem a pessoas ligadas ao grupo político. Após a divulgação, a secretaria anunciou a exoneração do assessor.

A própria secretaria contestou a interpretação dos áudios, afirmou que o processo seletivo era conduzido autonomamente pela Uerj e declarou que nenhum servidor da pasta tinha acesso à seleção. Também anunciou apuração interna.

Mais uma vez, não há base para atribuir a Dr. Serginho a autoria daquele diálogo.

Mas, quando episódios diferentes ao longo dos anos colocam repetidamente seu entorno político próximo de discussões sobre nomeações, contratos, campanhas, fiscalização e funcionamento de órgãos públicos, o debate deixa de ser apenas sobre cada caso isoladamente.

Passa a ser também sobre método político.

Uma vitória eleitoral expressiva não elimina a obrigação de prestar contas

Dr. Serginho não chegou à Prefeitura de Cabo Frio por acaso.

Em 2024, conquistou 84.317 votos, equivalentes a 69,19% dos votos válidos, derrotando com ampla vantagem a então prefeita Magdala Furtado. É um mandato eleitoral expressivo e precisa ser reconhecido como tal.

Mas força eleitoral e fiscalização pública são coisas diferentes.

Uma vitória nas urnas não concede imunidade política, administrativa ou jornalística. Ao contrário: quanto maior o poder concedido a uma autoridade, maior deve ser o escrutínio sobre a forma como esse poder é exercido.

É nesse contexto que a nova revelação da Polícia Federal merece atenção.

Serginho não é acusado, nesse trecho, de ter cometido pessoalmente um crime ambiental. O que a PF registra é outra coisa: ele teria buscado influência política para impedir que o órgão responsável justamente por fiscalizar possíveis infrações ambientais atuasse em dois municípios até o fim da eleição da qual participava.

Se essa versão estiver correta, a gravidade não depende da existência de uma multa, uma obra irregular específica ou um beneficiário identificado.

O problema está na própria lógica da solicitação.

Órgãos públicos não podem funcionar quando favorecem o calendário eleitoral de determinada liderança e parar quando sua atuação passa a representar inconveniência política.

O padrão que precisa ser explicado

É importante evitar duas simplificações.

A primeira seria declarar Dr. Serginho culpado por fatos que ainda estão sob investigação ou que não produziram condenação.

A segunda seria considerar cada episódio irrelevante simplesmente porque não existe sentença definitiva contra ele.

Jornalismo sério trabalha exatamente entre esses dois extremos.

Há um prefeito eleito democraticamente e com forte apoio popular. Há também uma trajetória cercada por episódios concretos que envolveram processos seletivos públicos, funcionários ligados a campanhas, operação da Polícia Federal e, agora, uma alegada tentativa de interferência em fiscalização ambiental durante período eleitoral.

Nenhum desses fatos, isoladamente ou em conjunto, permite ao jornal decretar culpa criminal.

Mas permitem perguntar se existe uma forma de exercício do poder em que relações políticas parecem se aproximar excessivamente do funcionamento de estruturas que deveriam obedecer exclusivamente ao interesse público.

Essa é a dimensão potencialmente nociva do episódio: não uma sentença sobre a pessoa de Dr. Serginho, mas o risco institucional de que influência política, interesse eleitoral e funcionamento da máquina pública se confundam.

A pergunta que o prefeito precisa responder

Até a publicação desta reportagem, não localizamos manifestação pública específica de Dr. Serginho respondendo ao trecho da Operação Sem Refino 2 que menciona o pedido para interromper fiscalizações ambientais. O espaço permanece aberto para sua manifestação.

A explicação é necessária.

Se não houve pedido para suspender operações, o prefeito precisa contestar objetivamente o conteúdo atribuído a ele.

Se houve uma conversa, mas com contexto diferente daquele interpretado pela Polícia Federal, esse contexto precisa ser apresentado.

E, caso tenha efetivamente solicitado que o Inea deixasse de fiscalizar Cabo Frio e São Pedro da Aldeia até as eleições, cabe explicar por que um candidato a prefeito considerava legítimo interferir no calendário de atuação de um órgão ambiental estadual.

Não se trata de oposição ou situação.

Não se trata de ser contra ou a favor de Dr. Serginho.

Trata-se de uma regra elementar da administração pública: a fiscalização deve servir à lei e à sociedade, nunca à conveniência eleitoral de quem exerce ou pretende exercer o poder.

E é precisamente porque Dr. Serginho se tornou uma das figuras politicamente mais poderosas da Região dos Lagos que essas perguntas precisam ser feitas com ainda mais rigor.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

AVC E INFARTO: nova medida amplia medicamento que pode salvar vidas nas UPAs e no Samu pelo SUS


Lei sancionada nesta quarta-feira (2) reforça a oferta de trombolíticos na rede pública de urgência e emergência; tratamento pode dissolver coágulos e reduzir mortes e sequelas quando utilizado no tempo adequado

Uma mudança na legislação brasileira pode encurtar um dos intervalos mais decisivos da medicina de emergência: o tempo entre os primeiros sintomas de um infarto ou AVC isquêmico e o início do tratamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira, 2 de setembro, o texto originado do Projeto de Lei 5.972/2023, que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A estratégia também alcança o Samu 192, onde o medicamento já pode ser administrado em unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas.

Os trombolíticos são medicamentos capazes de dissolver coágulos que bloqueiam a circulação sanguínea. No infarto agudo do miocárdio, a obstrução compromete o fluxo de sangue para o coração. No AVC isquêmico, um coágulo interrompe a circulação em uma região do cérebro.

Nos dois casos, tempo é determinante. Quanto mais rapidamente o paciente é diagnosticado e recebe o tratamento adequado, maiores podem ser as chances de sobrevivência e menores os riscos de sequelas permanentes.

O que muda na prática

A principal novidade não significa que todas as UPAs e ambulâncias do Samu passarão imediatamente a manter e aplicar trombolíticos.

Os protocolos do SUS já preveem o uso desses medicamentos em determinados serviços de urgência e emergência, inclusive nas UPAs. Até agora, porém, a aquisição dos remédios depende dos gestores locais. A nova legislação pretende fortalecer essa estrutura e ampliar a disponibilidade do tratamento em todo o país.

O Ministério da Saúde também criou um comitê para acompanhar a implementação das linhas de cuidado de AVC e infarto. O grupo deverá propor diretrizes para ampliar o acesso aos medicamentos, organizar os fluxos entre unidades de saúde e qualificar o atendimento.

A mudança pode ser particularmente importante em cidades afastadas de hospitais com estrutura para procedimentos de alta complexidade.

No caso de determinados tipos de infarto, por exemplo, o trombolítico pode ser indicado quando uma angioplastia não estiver disponível dentro do período recomendado. O medicamento pode então ser administrado enquanto é organizada a transferência do paciente para uma unidade de referência.

No AVC, entretanto, há uma diferença fundamental: o trombolítico é destinado a situações específicas de AVC isquêmico e somente pode ser aplicado depois da avaliação médica e da exclusão de contraindicações. O AVC também pode ser hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso, condição que exige outra abordagem terapêutica.

Brasil registra centenas de milhares de casos

A dimensão do problema ajuda a explicar a relevância da medida.

O Ministério da Saúde estima que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano no Brasil. Somente em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos relacionados a AVC, sendo aproximadamente 218 mil referentes a AVC isquêmico.

O uso de trombolíticos pelo Samu ainda está concentrado em parte do território nacional. Atualmente, 102 unidades de Suporte Avançado de Vida do Samu 192, distribuídas por sete estados, estão habilitadas para receber recursos destinados a esse tipo de assistência.

Em 2025, foram registradas 861 aplicações de tenecteplase pelo Samu 192 em todo o país. A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar a quantidade de unidades preparadas para iniciar o tratamento quando houver indicação clínica.

Reconhecer rapidamente os sintomas pode salvar uma vida

A ampliação do tratamento não elimina um dos maiores obstáculos no enfrentamento ao AVC e ao infarto: a demora para buscar atendimento.

No caso do AVC, sinais como fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, alteração repentina da fala, dificuldade de compreensão, perda de equilíbrio, alterações na visão e dor de cabeça súbita e intensa exigem atendimento imediato.

No infarto, os sinais mais conhecidos incluem dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braços, costas ou rosto, além de falta de ar, suor frio, palidez e sensação de desmaio. Idosos e pessoas com diabetes podem apresentar sintomas menos típicos.

Diante de sintomas compatíveis com essas emergências, a orientação é acionar o Samu pelo telefone 192 ou procurar imediatamente um serviço de urgência.

Não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente.

Impacto também interessa diretamente à Região dos Lagos

Para municípios da Região dos Lagos, onde o deslocamento entre uma unidade inicial de atendimento e hospitais de maior complexidade pode consumir um período decisivo, a ampliação efetiva dos protocolos merece acompanhamento.

A lei cria a possibilidade de aproximar uma terapia tempo-dependente do local onde muitos pacientes chegam primeiro: a UPA ou o próprio atendimento móvel de urgência.

O impacto real, entretanto, dependerá da regulamentação, da disponibilidade dos medicamentos, da capacitação das equipes e da estrutura diagnóstica oferecida por estados e municípios.

Por isso, o próximo ponto a ser observado será como a nova política chegará às UPAs e às bases do Samu da Região dos Lagos e quais unidades estarão preparadas para utilizar os trombolíticos dentro dos protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A mudança representa um avanço potencialmente importante, mas sua eficácia será medida longe de Brasília: no momento em que uma pessoa com AVC ou infarto chegar a uma unidade de emergência e encontrar diagnóstico, equipe, medicamento e estrutura disponíveis antes que o tempo se transforme em sequelas irreversíveis ou morte.

sábado, 29 de agosto de 2026

Arraiá das Gerações reúne cerca de 700 pessoas e transforma aniversário de Emanoel Fernandes em demonstração de força popular em Cabo Frio


Celebração dos 53 anos do ex-vereador lotou o Hotel Nanuque, reuniu lideranças de toda a cidade e reafirmou uma trajetória construída ao lado de Cris Fernandes; presença de Marco Figueiredo e participação de Renan Ferreirinha apontaram para um novo ciclo político

O que aconteceu na noite desta sexta-feira, 28 de agosto, no Hotel Nanuque, em Cabo Frio, foi muito maior do que uma festa de aniversário. O Arraiá das Gerações transformou a celebração dos 53 anos de Emanoel Fernandes em um grande encontro de histórias, afetos, gratidão e força popular.

Segundo a organização, cerca de 700 pessoas passaram pelo evento ao longo da noite. O público reuniu familiares, amigos, lideranças comunitárias de todas as regiões da cidade, representantes políticos e idosos atendidos por políticas e equipamentos públicos implantados durante a trajetória de Emanoel e de sua esposa, Cris Fernandes.

O pátio tomado por diferentes gerações resumiu, em uma única imagem, o significado da festa: havia ali crianças, jovens, adultos e idosos unidos não apenas para cantar parabéns, mas para reconhecer uma história de mais de três décadas de trabalho público em Cabo Frio.

Uma festa com o rosto de Cabo Frio

O Arraiá das Gerações não foi um encontro restrito a autoridades ou grupos políticos. A presença de moradores de diferentes bairros deu à celebração um caráter popular e revelou a capacidade de articulação construída por Emanoel ao longo dos anos.

Vereador por dois mandatos, Emanoel Fernandes consolidou sua liderança por meio da presença constante nas comunidades, da escuta e da participação direta na vida pública da cidade. Atualmente, coordena em Cabo Frio a campanha de Renan Ferreirinha para deputado federal e de Marco Figueiredo para deputado estadual.

Mas a dimensão alcançada pelo evento não pode ser compreendida apenas pela política eleitoral. A mobilização vista no Hotel Nanuque foi resultado de relações construídas ao longo do tempo. Muitos dos presentes acompanharam Emanoel em diferentes fases de sua vida pública; outros foram alcançados por projetos, serviços e equipamentos implantados na cidade durante esse período.

Não foi uma plateia formada de última hora. Foi o reencontro de uma trajetória com as pessoas que ajudaram a construí-la.


Emanoel e Cris: uma história dedicada às pessoas

Falar da caminhada de Emanoel Fernandes também significa reconhecer o trabalho desenvolvido ao lado de Cris Fernandes.

Gerontóloga e referência na defesa dos direitos da pessoa idosa, Cris ocupou por duas vezes a Secretaria da Melhor Idade de Cabo Frio e esteve à frente de uma experiência considerada pioneira em toda a Região dos Lagos. O trabalho do casal contribuiu para colocar o envelhecimento, a autonomia e a qualidade de vida da população idosa no centro das políticas públicas municipais.

Ao longo de aproximadamente 30 anos, Emanoel e Cris participaram da construção de uma rede que acolheu milhares de pessoas, criou espaços de convivência e ajudou a combater o isolamento social de quem, muitas vezes, se tornava invisível para o poder público.

A forte presença de idosos no Arraiá das Gerações foi, por isso, uma das imagens mais simbólicas da noite. Eram pessoas que não estavam ali apenas como convidadas de uma festa, mas como testemunhas vivas de um trabalho que deixou marcas concretas na cidade.

O reconhecimento demonstrado no evento reforçou uma verdade difícil de fabricar artificialmente: liderança popular não nasce apenas de discursos. Ela é construída com presença, memória, serviço e vínculo humano.

Marco Figueiredo: uma amizade construída no trabalho

Entre as presenças mais importantes da noite esteve o candidato a deputado estadual Marco Figueiredo, amigo da família Fernandes há muitos anos.

A relação entre Marco e Emanoel não começou nesta eleição. Os dois trabalharam juntos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em pautas importantes para Cabo Frio e para toda a Região dos Lagos.

Entre essas iniciativas estão os trabalhos voltados à defesa da pessoa idosa e as ações relacionadas à recuperação da Laguna de Araruama. Registros da própria Alerj confirmam que Marco presidiu uma comissão criada para acompanhar e assegurar os direitos sociais dos idosos, além de promover sua integração com a sociedade. A instalação da comissão ocorreu em 2018.

Marco também presidiu a comissão especial dedicada à despoluição da Lagoa de Araruama, tema que segue decisivo para o desenvolvimento ambiental, econômico e turístico da Região dos Lagos. A continuidade dos trabalhos dessa comissão consta dos registros oficiais da Assembleia Legislativa.

Sua presença no Arraiá das Gerações, portanto, não representou uma aproximação circunstancial. Foi o reencontro público de pessoas que já dividiram responsabilidades, projetos e compromissos institucionais.

Ferreirinha participa por videochamada e reforça parceria

Mesmo sem estar fisicamente em Cabo Frio, Renan Ferreirinha participou da celebração por videochamada e enviou seu abraço a Emanoel. O gesto reforçou uma articulação que aproxima a experiência local construída pelo casal Fernandes de uma atuação política com alcance federal.

Ferreirinha ganhou projeção nacional na área da educação e teve papel central na aprovação da legislação que restringiu o uso de celulares nas escolas. Para manter a precisão: ele foi relator, na Câmara dos Deputados, do projeto que resultou na Lei nº 15.100/2025, conforme os registros oficiais do Congresso.

Agora, o candidato a deputado federal também é autor do Projeto de Lei nº 330/2026, que propõe impedir que menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais de acesso aberto. A autoria e a tramitação constam da ficha oficial da Câmara dos Deputados.

São pautas que dialogam diretamente com as preocupações das famílias: aprendizagem, saúde emocional, proteção das crianças e responsabilidade das grandes plataformas digitais.

Uma construção política com raízes e capacidade de realização

A principal mensagem política do Arraiá das Gerações não esteve apenas nos discursos ou nas presenças. Ela surgiu da combinação de trajetórias complementares.

De um lado, Emanoel e Cris Fernandes, com conhecimento profundo de Cabo Frio, presença nos bairros, experiência na gestão pública e uma história especialmente ligada à população idosa.

De outro, Marco Figueiredo, com experiência parlamentar, atuação em pautas sociais e ambientais e conhecimento das estruturas do Estado do Rio de Janeiro.

E, completando essa construção, Renan Ferreirinha, com atuação federal, protagonismo na educação e capacidade de levar ao Congresso debates que afetam diretamente crianças, jovens e famílias.

Essa articulação pode abrir caminhos para que demandas antigas de Cabo Frio deixem de ser tratadas de maneira isolada. Políticas para a pessoa idosa, recuperação ambiental, educação, qualificação profissional, proteção da juventude e fortalecimento dos equipamentos públicos exigem conexão entre município, Estado e União.

Emanoel conhece o território. Cris conhece profundamente as políticas para o envelhecimento. Marco conhece os caminhos do Estado. Ferreirinha conhece os caminhos da educação e do Congresso Nacional.

Se essa união for transformada em planejamento, compromisso e ação, Cabo Frio poderá recuperar políticas que deram resultado, ampliar projetos abandonados e construir respostas novas para desafios que mudaram com o tempo.

Aos 53 anos, Emanoel celebra o passado olhando para o futuro

O aniversário de Emanoel Fernandes terminou com o peso simbólico de um reencontro entre história e futuro.

A noite celebrou um homem público, mas também reconheceu o trabalho de um casal que dedicou parte significativa da própria vida à cidade. Celebrou amizades antigas, reuniu gerações e demonstrou que ainda existe espaço para uma política construída com proximidade, memória e participação popular.

As cerca de 700 pessoas que passaram pelo Hotel Nanuque não representaram apenas um número expressivo. Representaram bairros, famílias, amizades, histórias e diferentes gerações que, em algum momento, cruzaram o caminho de Emanoel e Cris Fernandes.

O Arraiá das Gerações deixou um recado contundente: o trabalho realizado não foi esquecido — e a esperança em relação ao que ainda pode ser construído permanece viva.

Ao lado de Marco Figueiredo e Renan Ferreirinha, Emanoel inicia uma nova etapa de sua trajetória política com raízes profundas em Cabo Frio e com a possibilidade de transformar experiência local em uma articulação capaz de gerar resultados para toda a cidade.

Mais do que celebrar 53 anos de vida, a festa mostrou que há histórias que não terminam quando as bandeirinhas são retiradas e as luzes se apagam.

Algumas histórias estão apenas se preparando para um novo capítulo.