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sábado, 29 de agosto de 2026

Arraiá das Gerações reúne cerca de 700 pessoas e transforma aniversário de Emanoel Fernandes em demonstração de força popular em Cabo Frio


Celebração dos 53 anos do ex-vereador lotou o Hotel Nanuque, reuniu lideranças de toda a cidade e reafirmou uma trajetória construída ao lado de Cris Fernandes; presença de Marco Figueiredo e participação de Renan Ferreirinha apontaram para um novo ciclo político

O que aconteceu na noite desta sexta-feira, 28 de agosto, no Hotel Nanuque, em Cabo Frio, foi muito maior do que uma festa de aniversário. O Arraiá das Gerações transformou a celebração dos 53 anos de Emanoel Fernandes em um grande encontro de histórias, afetos, gratidão e força popular.

Segundo a organização, cerca de 700 pessoas passaram pelo evento ao longo da noite. O público reuniu familiares, amigos, lideranças comunitárias de todas as regiões da cidade, representantes políticos e idosos atendidos por políticas e equipamentos públicos implantados durante a trajetória de Emanoel e de sua esposa, Cris Fernandes.

O pátio tomado por diferentes gerações resumiu, em uma única imagem, o significado da festa: havia ali crianças, jovens, adultos e idosos unidos não apenas para cantar parabéns, mas para reconhecer uma história de mais de três décadas de trabalho público em Cabo Frio.

Uma festa com o rosto de Cabo Frio

O Arraiá das Gerações não foi um encontro restrito a autoridades ou grupos políticos. A presença de moradores de diferentes bairros deu à celebração um caráter popular e revelou a capacidade de articulação construída por Emanoel ao longo dos anos.

Vereador por dois mandatos, Emanoel Fernandes consolidou sua liderança por meio da presença constante nas comunidades, da escuta e da participação direta na vida pública da cidade. Atualmente, coordena em Cabo Frio a campanha de Renan Ferreirinha para deputado federal e de Marco Figueiredo para deputado estadual.

Mas a dimensão alcançada pelo evento não pode ser compreendida apenas pela política eleitoral. A mobilização vista no Hotel Nanuque foi resultado de relações construídas ao longo do tempo. Muitos dos presentes acompanharam Emanoel em diferentes fases de sua vida pública; outros foram alcançados por projetos, serviços e equipamentos implantados na cidade durante esse período.

Não foi uma plateia formada de última hora. Foi o reencontro de uma trajetória com as pessoas que ajudaram a construí-la.


Emanoel e Cris: uma história dedicada às pessoas

Falar da caminhada de Emanoel Fernandes também significa reconhecer o trabalho desenvolvido ao lado de Cris Fernandes.

Gerontóloga e referência na defesa dos direitos da pessoa idosa, Cris ocupou por duas vezes a Secretaria da Melhor Idade de Cabo Frio e esteve à frente de uma experiência considerada pioneira em toda a Região dos Lagos. O trabalho do casal contribuiu para colocar o envelhecimento, a autonomia e a qualidade de vida da população idosa no centro das políticas públicas municipais.

Ao longo de aproximadamente 30 anos, Emanoel e Cris participaram da construção de uma rede que acolheu milhares de pessoas, criou espaços de convivência e ajudou a combater o isolamento social de quem, muitas vezes, se tornava invisível para o poder público.

A forte presença de idosos no Arraiá das Gerações foi, por isso, uma das imagens mais simbólicas da noite. Eram pessoas que não estavam ali apenas como convidadas de uma festa, mas como testemunhas vivas de um trabalho que deixou marcas concretas na cidade.

O reconhecimento demonstrado no evento reforçou uma verdade difícil de fabricar artificialmente: liderança popular não nasce apenas de discursos. Ela é construída com presença, memória, serviço e vínculo humano.

Marco Figueiredo: uma amizade construída no trabalho

Entre as presenças mais importantes da noite esteve o candidato a deputado estadual Marco Figueiredo, amigo da família Fernandes há muitos anos.

A relação entre Marco e Emanoel não começou nesta eleição. Os dois trabalharam juntos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em pautas importantes para Cabo Frio e para toda a Região dos Lagos.

Entre essas iniciativas estão os trabalhos voltados à defesa da pessoa idosa e as ações relacionadas à recuperação da Laguna de Araruama. Registros da própria Alerj confirmam que Marco presidiu uma comissão criada para acompanhar e assegurar os direitos sociais dos idosos, além de promover sua integração com a sociedade. A instalação da comissão ocorreu em 2018.

Marco também presidiu a comissão especial dedicada à despoluição da Lagoa de Araruama, tema que segue decisivo para o desenvolvimento ambiental, econômico e turístico da Região dos Lagos. A continuidade dos trabalhos dessa comissão consta dos registros oficiais da Assembleia Legislativa.

Sua presença no Arraiá das Gerações, portanto, não representou uma aproximação circunstancial. Foi o reencontro público de pessoas que já dividiram responsabilidades, projetos e compromissos institucionais.

Ferreirinha participa por videochamada e reforça parceria

Mesmo sem estar fisicamente em Cabo Frio, Renan Ferreirinha participou da celebração por videochamada e enviou seu abraço a Emanoel. O gesto reforçou uma articulação que aproxima a experiência local construída pelo casal Fernandes de uma atuação política com alcance federal.

Ferreirinha ganhou projeção nacional na área da educação e teve papel central na aprovação da legislação que restringiu o uso de celulares nas escolas. Para manter a precisão: ele foi relator, na Câmara dos Deputados, do projeto que resultou na Lei nº 15.100/2025, conforme os registros oficiais do Congresso.

Agora, o candidato a deputado federal também é autor do Projeto de Lei nº 330/2026, que propõe impedir que menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais de acesso aberto. A autoria e a tramitação constam da ficha oficial da Câmara dos Deputados.

São pautas que dialogam diretamente com as preocupações das famílias: aprendizagem, saúde emocional, proteção das crianças e responsabilidade das grandes plataformas digitais.

Uma construção política com raízes e capacidade de realização

A principal mensagem política do Arraiá das Gerações não esteve apenas nos discursos ou nas presenças. Ela surgiu da combinação de trajetórias complementares.

De um lado, Emanoel e Cris Fernandes, com conhecimento profundo de Cabo Frio, presença nos bairros, experiência na gestão pública e uma história especialmente ligada à população idosa.

De outro, Marco Figueiredo, com experiência parlamentar, atuação em pautas sociais e ambientais e conhecimento das estruturas do Estado do Rio de Janeiro.

E, completando essa construção, Renan Ferreirinha, com atuação federal, protagonismo na educação e capacidade de levar ao Congresso debates que afetam diretamente crianças, jovens e famílias.

Essa articulação pode abrir caminhos para que demandas antigas de Cabo Frio deixem de ser tratadas de maneira isolada. Políticas para a pessoa idosa, recuperação ambiental, educação, qualificação profissional, proteção da juventude e fortalecimento dos equipamentos públicos exigem conexão entre município, Estado e União.

Emanoel conhece o território. Cris conhece profundamente as políticas para o envelhecimento. Marco conhece os caminhos do Estado. Ferreirinha conhece os caminhos da educação e do Congresso Nacional.

Se essa união for transformada em planejamento, compromisso e ação, Cabo Frio poderá recuperar políticas que deram resultado, ampliar projetos abandonados e construir respostas novas para desafios que mudaram com o tempo.

Aos 53 anos, Emanoel celebra o passado olhando para o futuro

O aniversário de Emanoel Fernandes terminou com o peso simbólico de um reencontro entre história e futuro.

A noite celebrou um homem público, mas também reconheceu o trabalho de um casal que dedicou parte significativa da própria vida à cidade. Celebrou amizades antigas, reuniu gerações e demonstrou que ainda existe espaço para uma política construída com proximidade, memória e participação popular.

As cerca de 700 pessoas que passaram pelo Hotel Nanuque não representaram apenas um número expressivo. Representaram bairros, famílias, amizades, histórias e diferentes gerações que, em algum momento, cruzaram o caminho de Emanoel e Cris Fernandes.

O Arraiá das Gerações deixou um recado contundente: o trabalho realizado não foi esquecido — e a esperança em relação ao que ainda pode ser construído permanece viva.

Ao lado de Marco Figueiredo e Renan Ferreirinha, Emanoel inicia uma nova etapa de sua trajetória política com raízes profundas em Cabo Frio e com a possibilidade de transformar experiência local em uma articulação capaz de gerar resultados para toda a cidade.

Mais do que celebrar 53 anos de vida, a festa mostrou que há histórias que não terminam quando as bandeirinhas são retiradas e as luzes se apagam.

Algumas histórias estão apenas se preparando para um novo capítulo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ferreirinha diz que escola disputa jovens com o crime e defende expansão do ensino integral no Rio


Em entrevista ao Diário do Rio, candidato a deputado federal relaciona educação, segurança pública e geração de oportunidades; ex-secretário também defende fortalecimento da Faetec, combate à evasão e restrição das redes sociais para menores de 16 anos

Para o candidato a deputado federal Renan Ferreirinha, a disputa contra o crime organizado não acontece apenas por meio de operações policiais. Ela também ocorre diariamente dentro das escolas, quando crianças e adolescentes encontram educação de qualidade, alimentação, proteção social e uma perspectiva concreta de futuro.

A avaliação foi apresentada durante uma entrevista de aproximadamente 53 minutos ao Diário do Rio, na qual o ex-secretário municipal de Educação da capital fluminense falou sobre sua trajetória, os resultados alcançados na rede carioca e as propostas que pretende levar ao debate estadual e nacional.

“A escola compete com o crime organizado”, afirmou Ferreirinha em um dos momentos centrais da conversa. Segundo ele, o ambiente escolar também disputa a permanência dos estudantes com o trabalho infantil, a gravidez precoce, a evasão e a falta de oportunidades profissionais.

O candidato defende que a educação seja compreendida não apenas como transmissão de conhecimento, mas como uma política integrada de segurança pública, mobilidade social, alimentação, proteção da infância e desenvolvimento econômico.

Da escola pública em São Gonçalo à gestão da maior rede municipal do país

Nascido e criado em São Gonçalo, Ferreirinha contou que sua trajetória foi transformada pelas oportunidades que encontrou na educação pública. Ainda adolescente, saía de casa de madrugada para estudar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, na Tijuca.

Posteriormente, conseguiu uma bolsa integral por necessidade financeira para estudar Economia e Ciência Política na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Durante a graduação, participou da criação de movimentos voltados à educação, ao engajamento cívico e à renovação política.

Ferreirinha afirmou que recusou oportunidades profissionais no exterior para retornar ao Brasil e tentar fazer com que sua história educacional deixasse de ser uma exceção.

Em 2018, foi eleito deputado estadual. Em janeiro de 2021, assumiu a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde permaneceu, com interrupções para o exercício parlamentar e para o período eleitoral de 2022, até março de 2026.

Na entrevista, ele procura se apresentar como uma combinação de político e gestor. Para Ferreirinha, conhecimento técnico e legitimidade eleitoral não devem ser tratados como caminhos opostos: a política pública depende da capacidade de gestão, mas também do voto e da construção democrática.

Ensino integral como estratégia de proteção

Uma das principais propostas defendidas por Ferreirinha é a expansão da educação em tempo integral para a rede estadual.

Ele argumenta que, em países que fizeram da educação uma prioridade, permanecer na escola durante todo o dia não é uma modalidade excepcional, mas parte do funcionamento regular do sistema de ensino.

Durante sua passagem pela Secretaria de Educação, a Prefeitura do Rio ampliou o número de alunos matriculados em jornada integral. Ferreirinha afirmou que o percentual teria chegado a aproximadamente 56% da rede no momento de sua saída.

O candidato também destacou a implantação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo combina jornada ampliada, ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, programação, audiovisual e atividades práticas realizadas em espaços de cultura maker.

Segundo Ferreirinha, a rede carioca já alcançava aproximadamente 320 GETs na ocasião da entrevista. O balanço oficial publicado em março registrava a inauguração da unidade de número 300, com cerca de 125 mil estudantes atendidos e a meta de chegar a 350 unidades até o fim de 2026. A previsão da Prefeitura é alcançar 500 GETs em 2028. Confira o balanço da Secretaria Municipal de Educação.

Os números representam escolas implantadas ou convertidas para o modelo tecnológico, e não necessariamente a construção de centenas de novos prédios escolares.

Ferreirinha define os GETs como uma atualização dos antigos Centros Integrados de Educação Pública. Em sua avaliação, o modelo pode ser adaptado para a rede estadual, especialmente no ensino médio, aproximando a formação dos jovens da ciência, da tecnologia e do mercado de trabalho.

Defesa da Faetec e da formação para o emprego

O candidato também fez críticas ao enfraquecimento da educação profissional no Estado do Rio e defendeu a recuperação da Fundação de Apoio à Escola Técnica, a Faetec.

Ferreirinha recordou que, durante sua juventude em São Gonçalo, estudar em uma unidade da Faetec era considerado um caminho importante para conseguir qualificação e entrar no mercado de trabalho. Para ele, essa perspectiva foi enfraquecida pela falta de investimentos e de prioridade política.

Embora destaque que a educação é um direito fundamental, o candidato rejeita a ideia de que as escolas não devam dialogar com a geração de emprego e renda.

Na avaliação de Ferreirinha, muitos jovens deixam de enxergar sentido nos estudos porque não identificam uma conexão entre o conteúdo escolar e as oportunidades que encontrarão no futuro. Por isso, ele defende a ampliação do ensino técnico, da educação integral e de currículos capazes de despertar maior interesse.

O candidato citou experiências desenvolvidas em Goiás, Espírito Santo e Piauí para sustentar que políticas educacionais consistentes podem avançar sob governos de diferentes orientações ideológicas.

Alfabetização baseada em acompanhamento permanente

Ao falar sobre alfabetização e recuperação da aprendizagem, Ferreirinha apresentou quatro pilares adotados pela Secretaria Municipal de Educação.

O primeiro foi a criação de um material pedagógico próprio, o Rioeduca, com conteúdos relacionados aos bairros, à cultura e às diferentes realidades sociais e raciais da cidade.

O segundo pilar foi a implantação de avaliações diagnósticas periódicas. De acordo com o ex-secretário, as provas não deveriam servir apenas para classificar escolas, mas para identificar as habilidades já desenvolvidas por cada estudante e as dificuldades que ainda precisavam ser enfrentadas.

A formação continuada dos professores foi apresentada como o terceiro eixo. O quarto foi a Gestão de Resultados da Aprendizagem, sistema que permite acompanhar o desenvolvimento dos alunos e definir metas pedagógicas para escolas, turmas e diferentes etapas de ensino.

Ferreirinha também mencionou programas de mentoria nos quais escolas com melhores resultados compartilham práticas com unidades que enfrentam dificuldades. Na entrevista, ele afirmou que o percentual de crianças alfabetizadas na idade adequada teria chegado a 67%.

Apesar do avanço, reconheceu que ainda existe um grupo expressivo de estudantes que não aprende a ler e escrever no período esperado e que a alfabetização precisa continuar sendo uma prioridade permanente.

Evasão escolar e busca ativa

Outro programa destacado foi o Bora Pra Escola, voltado ao enfrentamento da evasão e do abandono escolar.

Ferreirinha explicou que o antigo sistema de frequência dependia de registros em papel que demoravam meses para chegar à administração central. A digitalização passou a permitir que as faltas fossem informadas diariamente.

Com esses dados, a escola pode identificar ausências recorrentes, procurar os responsáveis e compreender se o estudante enfrenta problemas de transporte, saúde, trabalho infantil, violência ou dificuldades familiares.

O candidato relaciona a busca ativa à prevenção da criminalidade. Ele ressalta que abandonar os estudos não significa necessariamente ingressar no crime, mas considera a evasão uma das condições que aumentam a vulnerabilidade de adolescentes e jovens.

Na entrevista, Ferreirinha também destacou que a escola cumpre funções que ultrapassam o ensino. Para muitas crianças, ela garante a principal refeição do dia, acesso a profissionais preparados, convivência social e proteção diante de diferentes formas de violência.

Pandemia deixou uma geração marcada

Ferreirinha reconheceu que as consequências do fechamento das escolas durante a pandemia ainda não foram inteiramente superadas.

Segundo ele, as maiores dificuldades atingiram as crianças que estavam no período de alfabetização, uma etapa que exige acompanhamento próximo e intervenção constante do professor.

Embora defenda a utilização de recursos tecnológicos, Ferreirinha considera o educador insubstituível como mediador do conhecimento, especialmente na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental.

Para o candidato, a recuperação dessa geração exige avaliações diagnósticas, reforço escolar, acompanhamento individualizado e políticas contínuas, sem a expectativa de uma solução imediata.

Restrição dos celulares começou no Rio

A proibição do uso indiscriminado de celulares nas escolas ocupa uma parte importante da trajetória apresentada por Ferreirinha.

A medida começou nas salas de aula da rede municipal e posteriormente foi ampliada para intervalos e recreios. Permaneceram autorizados os usos pedagógicos, os recursos de acessibilidade, as necessidades relacionadas à saúde e as situações de emergência.

Ferreirinha explicou que a ampliação foi antecedida por uma consulta pública com mais de 11 mil participações. Segundo o resultado divulgado pela Prefeitura, aproximadamente 83% dos participantes apoiaram a restrição durante todo o horário escolar.

Já na Câmara dos Deputados, Ferreirinha atuou como relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida para escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

Ele não foi o autor original da proposta, mas teve participação na análise e na aprovação do texto durante uma etapa decisiva de sua tramitação.

Uma pesquisa conduzida por estudiosos ligados à Universidade Stanford encontrou avanços maiores entre estudantes das escolas cariocas que, antes da política municipal, possuíam regras fracas ou inexistentes sobre celulares.

Nessas unidades, o avanço foi 25,7% maior em Matemática e 13,4% maior em Língua Portuguesa quando comparado ao desempenho das escolas que já aplicavam restrições rígidas. Os pesquisadores tratam o resultado como evidência do impacto da medida, embora recomendem a continuidade dos estudos sobre o tema. Veja a análise publicada por Stanford.

“Maioridade digital” aos 16 anos

Depois da restrição dos celulares, Ferreirinha afirma que sua principal pauta passou a ser a proteção das crianças dentro das próprias plataformas digitais.

O candidato apresentou o PL 330/2026, que estabelece 16 anos como idade mínima para a criação e manutenção de contas individuais em redes sociais abertas.

A proposta coloca sobre as plataformas a responsabilidade de impedir novas contas e identificar perfis operados por menores de 16 anos. O texto diferencia redes sociais abertas de serviços voltados prioritariamente a mensagens privadas, ferramentas escolares e outros ambientes digitais.

Ferreirinha chama a proposta de “maioridade digital”. Para ele, não é razoável transferir toda a responsabilidade às famílias enquanto empresas utilizam algoritmos, notificações e sistemas de recomendação desenvolvidos para manter o usuário conectado durante o maior tempo possível.

O candidato afirma que sua intenção não é demonizar a tecnologia, mas criar limites semelhantes aos que a sociedade já estabeleceu para outras atividades que exigem maturidade.

O PL 330/2026 ainda não foi aprovado e não está em vigor. A proposta foi apensada a outros projetos que discutem idade mínima e proteção de crianças nas redes sociais. Acompanhe a tramitação na Câmara dos Deputados.

Fundeb e o atraso do ICMS Educacional

Ferreirinha classificou o Fundeb como uma das mais importantes políticas de financiamento da educação brasileira, mas defendeu mudanças para incentivar a ampliação do ensino integral e fortalecer a educação especial.

Ele também criticou o atraso do Estado do Rio na aprovação do chamado ICMS Educacional, uma das condicionalidades relacionadas ao recebimento da complementação federal do Fundeb vinculada a resultados e à redução das desigualdades.

Esse ponto precisa ser considerado dentro da cronologia atual. A Assembleia Legislativa aprovou a regulamentação do ICMS Educacional em maio de 2026. O atraso, entretanto, já havia provocado prejuízos.

Segundo a Alerj, 30 municípios fluminenses deixaram de receber a complementação em 2026, acumulando uma perda estimada em R$ 135 milhões. Confira as informações divulgadas pela Assembleia Legislativa.

Gestão também enfrentou conflito com professores

Embora a entrevista esteja concentrada nos resultados e nas propostas de Ferreirinha, sua passagem pela Secretaria de Educação também foi marcada por um conflito com parte dos profissionais da rede.

No fim de 2024, professores realizaram uma greve de 11 dias contra mudanças nas regras funcionais aprovadas pela Câmara Municipal. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação criticou alterações na contagem da carga horária e na licença especial. A Prefeitura, por outro lado, sustentou que as medidas buscavam reorganizar a jornada e assegurar o cumprimento dos tempos de aula.

A controvérsia representa um dos principais pontos de tensão do período em que Ferreirinha comandou a pasta, mesmo diante dos avanços registrados em indicadores, expansão do ensino integral e ampliação de programas pedagógicos.

Apoio a Eduardo Paes

Na parte final da entrevista, Ferreirinha declarou apoio a Eduardo Paes para o Governo do Estado.

O candidato destacou a capacidade de trabalho, a experiência administrativa e o conhecimento que Paes possui sobre o Rio de Janeiro. Também fez críticas aos adversários Douglas Ruas e Anthony Garotinho, apresentando avaliações políticas negativas sobre as trajetórias dos dois.

As declarações consolidam Ferreirinha como um dos principais defensores da tentativa de levar para o Governo do Estado políticas implantadas pela gestão municipal do Rio.

Mais do que apresentar um balanço de sua passagem pela Secretaria, a entrevista mostra o candidato tentando transformar a educação em um eixo capaz de conectar diferentes desafios fluminenses.

Na visão defendida por Ferreirinha, uma escola atrativa, integral e vinculada às oportunidades profissionais pode melhorar a aprendizagem, reduzir a evasão e oferecer aos jovens uma alternativa concreta diante do crime organizado e da ausência de perspectivas.

Assista à entrevista completa:

Renan Ferreirinha: “A escola compete com o crime organizado” — Diário do Rio