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domingo, 4 de outubro de 2026

Ferreirinha é eleito deputado federal com 93.504 votos e conquista mandato próprio em Brasília


Ex-secretário de Educação do Rio mais que dobra a votação obtida em 2022 e transforma uma trajetória marcada pela gestão pública e pela defesa da educação em vitória nas urnas

Renan Ferreirinha foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições realizadas neste domingo, 4 de outubro. Candidato pelo PSD com o número 5521, ele recebeu 93.504 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos, e garantiu uma das 46 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.

O resultado representa um avanço expressivo em sua trajetória eleitoral. Em 2022, Ferreirinha havia recebido 40.540 votos e terminado a disputa como segundo suplente. Quatro anos depois, conquistou 52.964 votos a mais, crescimento superior a 130%, e alcançou um mandato próprio na Câmara.

Ferreirinha chegou a exercer brevemente o mandato federal como suplente durante a atual legislatura. A vitória de 2026, porém, muda sua posição política: a partir de 2027, ele chegará a Brasília respaldado diretamente pelas urnas para cumprir um mandato completo.

Uma vitória construída pela educação

A campanha de Ferreirinha apresentou como principal credencial o trabalho desenvolvido à frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

Durante o período, ele comandou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. A gestão ficou marcada pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação da educação em tempo integral, pela criação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos e pelo combate ao abandono escolar.

O Rio chegou à marca de 300 GETs, modelo que combina jornada ampliada, cultura maker, programação, ciências, audiovisual e novas tecnologias. A rede também registrou avanço no Ideb dos anos iniciais, que passou de 5,4 para 6,2 no ciclo associado à sua gestão.

Outro ponto de grande repercussão foi a restrição ao uso de celulares durante todo o horário escolar. A experiência implementada no Rio ganhou dimensão nacional quando Ferreirinha, já na Câmara como suplente, relatou o projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida às escolas públicas e privadas do país.

Das políticas locais para uma agenda nacional

A vitória abre caminho para que Ferreirinha transforme experiências testadas em uma grande rede municipal em propostas de alcance nacional.

Entre os temas associados à sua atuação estão a ampliação da educação integral, o fortalecimento do Fundeb, a primeira infância, a valorização dos profissionais da educação, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o enfrentamento à publicidade das apostas.

Ferreirinha também apresentou propostas relacionadas à idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas e à proteção de professores e demais trabalhadores da educação. Parte dessas matérias ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso.

Com o mandato conquistado nas urnas, ele passa a ter condições políticas mais sólidas para participar das comissões permanentes, apresentar projetos, propor emendas ao orçamento, fiscalizar programas federais e articular políticas entre União, estados e municípios.

Mais que o dobro dos votos

O salto de 40.540 votos, em 2022, para 93.504, em 2026, mostra que Ferreirinha ampliou significativamente sua base eleitoral.

A votação também sinaliza o reconhecimento de uma candidatura construída em torno de resultados administrativos mensuráveis. Em vez de apresentar apenas promessas, a campanha buscou mostrar políticas já implementadas, indicadores educacionais e experiências que podem ser avaliadas pela sociedade.

Esse crescimento não elimina os desafios. A atuação de Ferreirinha será acompanhada pela capacidade de transformar o capital político conquistado nas urnas em entregas concretas, formação de alianças e recursos para o Rio de Janeiro.

Um novo capítulo em Brasília

A eleição coloca Ferreirinha entre os representantes fluminenses que assumirão a nova legislatura da Câmara dos Deputados em 2027.

O resultado encerra uma etapa marcada pela condição de suplente e inicia outra, com responsabilidade direta sobre um mandato conferido por 93.504 eleitores.

Para quem acompanhou sua trajetória desde a mobilização social pela educação, passando pela Assembleia Legislativa e pela gestão da maior rede municipal de ensino do país, a vitória representa a chegada a um novo patamar político.

Agora, o desafio será fazer com que a experiência construída no Rio se converta em políticas capazes de alcançar estudantes, professores e famílias de todo o Brasil.

Ferreirinha venceu nas urnas com uma mensagem centrada na educação. A partir de 2027, terá a oportunidade — e a responsabilidade — de transformar essa confiança em trabalho no Congresso Nacional.

Fontes

sábado, 3 de outubro de 2026

Quando o aluno pede ajuda em silêncio: lei de Ferreirinha antecipou uma urgência que chegou às escolas


Coautor do Selo Escola Amiga da Saúde Mental, candidato a deputado federal reúne experiência legislativa e de gestão; desafio nacional é transformar reconhecimento institucional em prevenção, formação de profissionais e acesso efetivo ao cuidado

Nem todo pedido de ajuda é feito em voz alta. Dentro das escolas, mudanças de comportamento, isolamento, queda repentina no rendimento, crises de ansiedade, automutilação e faltas frequentes podem revelar sofrimentos que ultrapassam os limites da sala de aula.

O tema ganhou urgência diante dos números mais recentes. Segundo levantamento divulgado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com dados da Secretaria de Estado de Saúde, as 27 UPAs estaduais realizaram 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental entre 2023 e 2025. O total anual passou de 50.624 para 64.400 no período, crescimento aproximado de 27%.

No cenário nacional, o Atlas da Violência 2026 apontou que a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre pessoas de 10 a 19 anos aumentou 73% em uma década, passando de 3,7 para 6,4 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024.

É nesse contexto que uma parte menos conhecida da trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, volta a ganhar relevância. Antes de comandar a Secretaria Municipal de Educação do Rio, Ferreirinha participou da criação de leis estaduais voltadas à inclusão e à promoção da saúde mental em escolas e ambientes de trabalho.

Uma lei para reconhecer escolas comprometidas com a inclusão

Em 2019, quando exercia mandato na Assembleia Legislativa, Ferreirinha apresentou com a deputada Lucinha o projeto que deu origem à Lei Estadual 9.250/2021, responsável pela criação do Selo Escola Amiga da Saúde Mental.

A legislação prevê o reconhecimento de instituições de ensino que comprovem ações de inclusão social de pessoas com transtornos mentais e com Transtorno do Espectro Autista. Entre seus objetivos estão a conscientização das famílias e da sociedade, a humanização das relações, a prevenção ao suicídio e a promoção da saúde mental.

O selo tem validade de dois anos e pode ser renovado após nova avaliação. A fiscalização dos critérios cabe à Secretaria de Estado de Educação, que também pode cancelar a autorização quando a escola deixa de cumprir as exigências.

O ponto central da lei é colocar a saúde mental dentro da responsabilidade institucional da escola. A proposta rompe com a ideia de que o sofrimento emocional deve ser enfrentado exclusivamente pelo estudante e por sua família.

Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer os limites do instrumento: um selo não substitui atendimento psicológico, rede pública de saúde, profissionais capacitados ou protocolos de acolhimento. Seu valor depende da regulamentação, da fiscalização e da existência de práticas verificáveis dentro das instituições reconhecidas.

A preocupação também chegou ao ambiente de trabalho

Ferreirinha e Lucinha também são autores da Lei Estadual 8.613/2019, que criou o Selo Empresa Amiga da Saúde Mental no Rio de Janeiro.

Nesse caso, a certificação é direcionada a empresas que contribuam para a inclusão de pessoas com deficiências mentais em seus quadros ou entre os trabalhadores terceirizados. A lei exige ações de valorização, aperfeiçoamento e humanização das relações de trabalho.

As duas legislações revelam uma linha de atuação que atravessa diferentes etapas da vida: a inclusão dentro da escola e a construção de oportunidades no mercado de trabalho.

Não se trata de afirmar que essas leis, isoladamente, resolveram o problema. A ausência de informações públicas consolidadas sobre o número de instituições certificadas e os efeitos produzidos dificulta uma avaliação completa da implementação. Esse é justamente um dos desafios das políticas baseadas em selos: sem metas, indicadores e transparência, o reconhecimento pode perder força e se tornar apenas simbólico.

A escola não é consultório, mas não pode ignorar os sinais

Professores e gestores não devem substituir psicólogos, psiquiatras ou equipes do Sistema Único de Saúde. A escola, entretanto, ocupa uma posição estratégica para perceber alterações de comportamento, acolher o estudante e encaminhá-lo à rede de proteção.

Essa compreensão ganhou novo peso em 2026. A Lei Federal 15.413 incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente o direito de crianças e adolescentes a programas de saúde mental promovidos pelo SUS. A norma determina atendimento psicossocial básico e especializado, assistência de urgência e formação permanente dos profissionais responsáveis pela identificação de sinais de risco.

O avanço legal cria uma obrigação nacional, mas sua efetividade dependerá da articulação entre escolas, unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial, assistência social, conselhos tutelares e famílias.

Na prática, o desafio é impedir que o estudante seja simplesmente encaminhado de um serviço para outro sem receber atendimento. Uma política eficiente precisa definir fluxos, responsáveis, prazos e formas de acompanhamento.

Experiência de gestão amplia a responsabilidade

Entre 2021 e 2026, Ferreirinha comandou uma das maiores redes municipais de ensino do país. A experiência administrativa acrescentou uma dimensão prática à atuação legislativa: gerir uma rede com centenas de milhares de alunos significa lidar diariamente com situações de vulnerabilidade, conflitos familiares, violência, inclusão e dificuldades de aprendizagem.

Essa trajetória não autoriza atribuir a uma única pessoa todo o trabalho realizado pela rede. Resultados educacionais dependem de professores, gestores escolares, equipes técnicas, profissionais de apoio e das demais áreas do poder público.

Mas a combinação entre mandato parlamentar e gestão executiva oferece a Ferreirinha uma visão relevante sobre a distância existente entre aprovar uma lei e fazer a política funcionar na rotina de uma escola.

O que essa experiência pode representar em Brasília

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode transformar esse histórico em uma agenda nacional de saúde mental ligada à educação. Isso não significa que todas as medidas abaixo já sejam projetos formalmente apresentados por ele. Trata-se das frentes em que um parlamentar federal pode atuar a partir da experiência acumulada:

  • ampliar recursos para a Rede de Atenção Psicossocial e para programas voltados a crianças e adolescentes;
  • apoiar a formação de professores e gestores para identificar sinais de risco sem transformar educadores em profissionais clínicos;
  • criar parâmetros nacionais para protocolos de acolhimento e encaminhamento;
  • fiscalizar a implementação do direito ao atendimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente;
  • fortalecer a integração entre educação, saúde e assistência social;
  • exigir indicadores públicos que permitam avaliar se certificações e programas produzem resultados concretos.

O Congresso também pode aperfeiçoar propostas que discutem a criação de um Selo Escola Amiga da Saúde Mental em âmbito nacional. A experiência fluminense ajuda a mostrar tanto o potencial quanto os limites desse modelo.

Saúde mental não pode aparecer somente na emergência

A maior dificuldade das políticas de saúde mental é vencer a lógica da reação tardia. Muitas vezes, a rede pública só é acionada quando o sofrimento já se transformou em crise.

Prevenção exige ambientes escolares seguros, combate ao bullying, formação permanente, escuta qualificada, diálogo com as famílias e acesso rápido ao atendimento especializado. Também exige cuidado com professores e demais profissionais da educação, que convivem com sobrecarga, violência e pressão por resultados.

Ao colocar o tema em leis voltadas às escolas e às empresas, Ferreirinha ajudou a abrir uma discussão necessária sobre inclusão e responsabilidade institucional. O próximo passo é mais exigente: transformar reconhecimento em política monitorada, com orçamento, profissionais e atendimento real.

Na véspera de uma eleição em que Ferreirinha disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados, esse aspecto de sua trajetória revela uma pauta que vai além dos indicadores tradicionais da educação.

Uma escola preparada para ensinar também precisa estar preparada para acolher. E uma política pública só cumpre sua função quando o pedido de ajuda encontra uma porta aberta — antes que se transforme em emergência.

Fontes consultadas

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história: gestão de Ferreirinha levou 40 mil alunos à Pequena África


Criação de uma gerência dedicada às relações étnico-raciais e visitas pedagógicas ao Cais do Valongo transformaram o patrimônio histórico em sala de aula; candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha pode levar a Brasília uma agenda de formação docente, memória e equidade

Há aulas que começam diante de um quadro. Outras começam quando o estudante pisa no lugar onde a história aconteceu.

No Rio de Janeiro, mais de 40 mil alunos da rede municipal participaram, desde 2021, do Circuito da Herança Africana, na região conhecida como Pequena África. O percurso inclui o Cais do Valongo, um dos lugares mais importantes para compreender a escravidão, a resistência negra e a própria formação do Brasil.

A iniciativa foi estruturada durante a gestão de Renan Ferreirinha na Secretaria Municipal de Educação. Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha apresenta essa experiência como parte de um legado que procura combinar aprendizagem, memória, identidade e enfrentamento ao racismo.

O princípio é direto: não existe educação completa quando uma parte decisiva da história brasileira permanece distante dos estudantes.

Um território que ajuda a explicar o Brasil

O Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, foi o principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas. A Unesco estima que aproximadamente 900 mil pessoas tenham chegado ao continente por aquele local.

Redescoberto durante escavações realizadas em 2011, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2017. Para a Unesco, trata-se do vestígio físico mais importante associado à chegada de africanos escravizados ao continente americano.

O lugar não representa apenas sofrimento. Ele também preserva histórias de resistência, cultura, religiosidade e contribuição africana para a construção do país. Nas proximidades estão outros pontos de referência, como a Pedra do Sal, o Instituto dos Pretos Novos e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

Transformar esse território em espaço pedagógico significa permitir que o estudante encontre, fora do livro, marcas concretas de uma história que continua produzindo efeitos na sociedade.

Mais de 40 mil estudantes no Circuito da Herança Africana

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, um acordo de cooperação mantido desde 2021 com o Instituto dos Pretos Novos já levou mais de 40 mil estudantes ao Circuito da Herança Africana.

As atividades não se limitam a visitas pontuais. A política passou a reunir circuitos destinados a alunos, professores e demais profissionais da educação, ações de leitura e parcerias com o Museu de Arte do Rio e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

No mesmo período, a Secretaria criou a Gerência de Relações Étnico-Raciais — GERER, estrutura dedicada a planejar e articular ações nos eixos de currículo, formação e projetos.

A política foi executada por professores, gestores, técnicos, mediadores, instituições culturais e equipes da rede. O resultado, portanto, não pertence a uma única pessoa. Mas a criação de uma estrutura permanente dentro da Secretaria e a continuidade dos circuitos ocorreram sob a liderança administrativa de Ferreirinha.

Essa diferença importa. Educação antirracista não pode depender somente da iniciativa isolada de um professor ou aparecer apenas no mês de novembro. Ela precisa estar presente no planejamento, nos materiais, na formação profissional e nas experiências oferecidas durante todo o ano.

Ensinar toda a história já é uma obrigação legal

Desde 2003, a Lei Federal 10.639 determina a inclusão da história e da cultura afro-brasileira no currículo das escolas públicas e privadas. Em 2008, a Lei 11.645 ampliou essa obrigação para incluir também a história e a cultura dos povos indígenas.

O desafio brasileiro, portanto, não é apenas aprovar novas regras. É fazer com que as leis existentes saiam do papel e se transformem em práticas pedagógicas consistentes.

Isso exige professores preparados, materiais de qualidade, participação das comunidades, acesso a espaços de memória e acompanhamento dos resultados. Também exige que o tema seja tratado como parte central da formação brasileira, e não como um conteúdo periférico.

A experiência carioca mostra uma possibilidade: aproximar currículo, formação docente e território. Em vez de ensinar a história somente de maneira abstrata, o circuito coloca os estudantes diante de um patrimônio reconhecido mundialmente.

Uma agenda possível para Brasília

Um deputado federal não administra diretamente as escolas municipais. Também não pode, sozinho, reproduzir um programa local em todo o país.

O Congresso, porém, pode atuar em pontos decisivos: financiamento de programas de formação docente, preservação de espaços de memória, produção de materiais pedagógicos, fiscalização do cumprimento das leis nacionais e inclusão de metas de equidade nas políticas educacionais.

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode levar a Brasília uma experiência concreta de execução. O diferencial não está em apresentar a educação antirracista como uma ideia inédita, mas em mostrar uma política que ganhou estrutura administrativa, parcerias e presença territorial em uma das maiores redes públicas do país.

Uma atuação federal coerente com esse legado precisaria defender:

  • formação continuada de professores para a educação das relações étnico-raciais;
  • apoio a visitas pedagógicas e projetos de memória em diferentes regiões;
  • recursos para museus, sítios históricos e instituições comunitárias que colaboram com as escolas;
  • acompanhamento do cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008;
  • materiais pedagógicos que representem a diversidade da formação brasileira;
  • participação de pesquisadores, movimentos sociais e comunidades tradicionais na construção das políticas.

Essas medidas não dependem apenas de discurso. Exigem orçamento, articulação federativa, fiscalização e continuidade.

O número impressiona, mas o trabalho precisa continuar

Levar mais de 40 mil estudantes ao circuito é um resultado relevante, mas não encerra a discussão. O número de participantes, sozinho, não permite medir mudanças de aprendizagem, redução do preconceito ou transformação das relações dentro das escolas.

Para consolidar a política, é necessário avaliar o que os alunos aprenderam, acompanhar a aplicação dos conteúdos em sala, ampliar a formação dos profissionais e garantir que todas as regiões tenham acesso às atividades.

Também é preciso preservar os próprios espaços de memória. O Cais do Valongo é um patrimônio sensível, cuja conservação e interpretação pública exigem trabalho permanente do poder público e da sociedade.

Reconhecer esses limites não diminui a política. Ao contrário: ajuda a separar uma ação institucional duradoura de uma iniciativa meramente simbólica.

Conhecer o passado para disputar o futuro

O Brasil é um país de maioria negra, mas durante muito tempo a escola apresentou sua formação histórica a partir de uma visão incompleta. Corrigir esse desequilíbrio não significa substituir uma narrativa por outra. Significa permitir que os estudantes compreendam o país em toda a sua complexidade.

Ao criar a GERER e aproximar dezenas de milhares de estudantes da Pequena África, a gestão de Ferreirinha transformou memória em experiência educacional.

Agora, como candidato à Câmara dos Deputados, o desafio é demonstrar como essa experiência pode ajudar o país a cumprir leis que já existem e fortalecer uma educação que reconheça todas as pessoas que construíram o Brasil.

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história — inclusive aquela que durante muito tempo tentaram deixar fora da sala de aula.


Fontes consultadas

CRECHE MUDA DUAS VIDAS: Ferreirinha coloca primeira infância e autonomia das famílias no centro da agenda federal


Gestão da Educação do Rio ampliou em mais de 26 mil as vagas em creches desde 2021; agora, candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha defende um novo modelo para ampliar o atendimento com qualidade, contrapartida social e transparência

Uma vaga em creche não muda apenas a rotina de uma criança. Ela pode transformar a vida de uma família inteira.

Para os pequenos, significa acesso desde cedo a cuidado, alimentação, convivência, estímulos e educação. Para pais e responsáveis — especialmente para milhares de mães que ainda concentram a maior parte do trabalho de cuidado — representa a possibilidade de procurar emprego, permanecer no mercado de trabalho, estudar e reconstruir a própria autonomia.

É por isso que a primeira infância ocupa um espaço estratégico na trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, número 5521. À frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, ele comandou uma política de expansão do atendimento em creches. Em Brasília, apresentou uma proposta para fortalecer instituições privadas de educação infantil que cumpram exigências de qualidade, ofereçam contrapartidas sociais e prestem contas do uso dos recursos.

O ponto central dessa agenda é simples e de enorme impacto social: creche não é favor, depósito de criança ou serviço secundário. É educação, proteção e infraestrutura para que as famílias possam avançar.

Mais de 26 mil novas vagas desde 2021

O Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação registra que o Rio ampliou em mais de 26 mil o número de vagas em creches entre 2021 e 2025. O resultado foi alcançado durante o ciclo em que Ferreirinha comandou a pasta, em uma rede que reúne unidades próprias e instituições parceiras.

A distinção é importante: o número representa novas vagas oferecidas, e não 26 mil creches construídas. Parte da expansão ocorreu por meio de chamamentos públicos para entidades comunitárias, confessionais e sem fins lucrativos já autorizadas pelo sistema municipal de ensino. Essas instituições precisavam cumprir requisitos de atendimento educacional, alimentação, segurança e adequação dos espaços.

Em 2021, quando o primeiro grande chamamento foi lançado, Ferreirinha estabeleceu como meta criar 22 mil vagas em três anos. O balanço oficial de 2025 informa que a expansão superou aquele objetivo.

O resultado deve ser atribuído à política da Prefeitura, às equipes técnicas, aos profissionais das creches e às instituições envolvidas. Mas também ajuda a revelar uma característica do trabalho de Ferreirinha: a busca de mecanismos para ampliar a oferta utilizando capacidade pública e parcerias submetidas a regras.

O impacto vai muito além do portão da creche

O Brasil ainda está distante de universalizar o acesso. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 39,8% das crianças de zero a três anos frequentavam creche ou escola. O percentual cresceu, mas permanece abaixo da meta de 50% que havia sido fixada no Plano Nacional de Educação.

A falta de vaga não produz apenas uma perda educacional. Ela também agrava desigualdades econômicas e de gênero.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base em dados da Pnad, encontrou uma relação positiva e significativa entre acesso à creche e participação das mães no mercado de trabalho. O próprio IBGE já mostrou que mulheres com filhos pequenos enfrentam níveis menores de ocupação, sobretudo entre as pretas e pardas.

Isso ajuda a explicar por que a frase “creche muda duas vidas” tem tanta força. Quando a criança encontra um espaço seguro e adequado, a família também recupera tempo, renda e possibilidades.

De uma experiência municipal para uma proposta nacional

Em fevereiro de 2026, Ferreirinha apresentou na Câmara o Projeto de Lei Complementar 17/2026. A proposta cria uma categoria específica de certificação beneficente para creches privadas, o chamado CEBAS–Educação Infantil – Creches Privadas.

Na prática, o texto procura permitir que instituições de educação infantil tenham acesso a benefícios vinculados à certificação, mas condiciona essa possibilidade ao cumprimento de requisitos. Entre eles estão padrões de qualidade, contrapartidas sociais, transparência, fiscalização de gastos, contabilidade separada e divulgação de informações.

A proposta tenta enfrentar um problema concreto: muitos municípios não conseguem expandir a rede própria na velocidade exigida pela demanda, enquanto creches comunitárias e instituições sem fins lucrativos já atuam nos territórios. A ideia é fortalecer essa capacidade sem abrir mão do controle público.

O projeto, porém, ainda não é lei. Na Câmara, aguarda parecer do relator na Comissão de Educação. Se avançar, ainda deverá passar pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania, além do Plenário.

Essa precisão é essencial. Ferreirinha pode apresentar a proposta como parte de sua agenda para a primeira infância, mas não como política nacional já implantada.

Ampliar vagas exige cobrar qualidade

Quantidade, sozinha, não resolve o desafio.

Uma política responsável de expansão precisa garantir profissionais preparados, instalações seguras, alimentação adequada, projeto pedagógico, fiscalização contínua e transparência nos repasses. Também deve assegurar que as vagas cheguem primeiro às famílias com maior vulnerabilidade e aos territórios onde a fila é mais longa.

Parcerias podem acelerar o atendimento, mas precisam ser acompanhadas de metas verificáveis e prestação de contas. É justamente nesse ponto que o projeto de Ferreirinha tenta construir salvaguardas: os benefícios só seriam concedidos mediante contrapartidas e mecanismos de controle.

O debate, portanto, não deve ser reduzido a uma escolha entre creche pública e creche parceira. A questão decisiva é saber se cada criança receberá educação e cuidado de qualidade — e se o poder público terá capacidade de fiscalizar cada vaga financiada ou incentivada.

O que um deputado federal pode fazer pela primeira infância

Deputados federais não administram diretamente as creches municipais. Essa responsabilidade está nas redes locais. O Congresso, entretanto, pode mudar as condições que determinam quantas vagas os municípios conseguem oferecer e com qual qualidade.

Um parlamentar pode atuar na legislação, no Orçamento da União, nas regras de financiamento da educação infantil, na fiscalização dos programas federais e na construção de incentivos para ampliar a oferta. Também pode cobrar metas nacionais, transparência e apoio técnico aos municípios.

É nesse campo que Ferreirinha apresenta sua experiência como gestor. Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, ele busca transformar uma política aplicada na capital em uma agenda nacional de expansão da primeira infância.

O desafio será demonstrar que o modelo pode crescer sem perder qualidade, que as parcerias serão fiscalizadas e que os recursos chegarão a quem mais precisa.

Uma pauta que começa na criança e alcança o futuro do país

Debates eleitorais costumam destacar grandes obras, segurança, economia e disputas ideológicas. A creche raramente recebe a mesma atenção, embora esteja no centro de todos esses temas.

Ela protege a infância, prepara o caminho da aprendizagem, ajuda as famílias a trabalhar, reduz desigualdades e movimenta a economia. Quando falta uma vaga, a consequência aparece dentro de casa. Quando ela existe e funciona bem, o efeito se espalha por toda a comunidade.

Ao colocar a primeira infância entre suas prioridades, Ferreirinha apresenta uma pauta que combina experiência de gestão e proposta legislativa. O resultado obtido no Rio é um ponto de partida; o PLP 17/2026 é uma tentativa de levar a discussão para o plano federal.

No fim, a pergunta é maior do que o número de vagas abertas: que país queremos construir quando o cuidado e a educação começam nos primeiros anos de vida?

Para Ferreirinha, a resposta passa por tratar a creche como direito da criança, apoio concreto às famílias e investimento no futuro do Brasil.


Fontes consultadas

sábado, 26 de setembro de 2026

O CEP NÃO PODE DECIDIR O FUTURO: Ferreirinha coloca formação e oportunidades para jovens das periferias no centro da disputa federal


Da expansão dos Ginásios Educacionais Tecnológicos à Olimpíada Carioca de Matemática, trajetória do candidato a deputado federal reúne políticas que aproximaram ensino integral, ciência e tecnologia de territórios historicamente deixados para trás

O talento de uma criança não muda conforme o bairro onde ela nasceu. As oportunidades, porém, ainda mudam — e muito.

Para milhares de jovens das periferias, a distância entre o potencial e o futuro começa na falta de acesso a uma escola em tempo integral, laboratórios, tecnologia, formação científica e experiências capazes de ampliar horizontes.

É sobre essa desigualdade que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, procura construir uma das principais marcas de sua atuação pública.

Nascido e criado em São Gonçalo e formado em Economia e Ciências Políticas em Harvard, Ferreirinha iniciou sua trajetória em movimentos ligados à educação e ao protagonismo jovem antes de assumir funções no Legislativo e na gestão de uma das maiores redes municipais de ensino do país.

O ponto central de sua agenda não é apenas colocar o jovem dentro da escola. É fazer com que a escola pública ofereça estrutura, repertório e caminhos para que o endereço de origem não funcione como uma sentença sobre o destino.

Da Maré para o mundo

Um dos retratos mais recentes dessa visão veio do Complexo da Maré.

Em agosto de 2026, o GET IV Centenário conquistou, em Pequim, o Practice Innovation Prize, uma das categorias do Global Smart Education Innovation Prize.

O reconhecimento foi concedido ao projeto “Fábrica de Sonhos”, que combina aprendizagem por projetos, tecnologia, ações socioemocionais e participação das famílias.

Localizada na comunidade do Timbau, a unidade também esteve entre as dez finalistas do World’s Best School Prizes de 2026 na categoria Superação de Adversidades.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a escola alcançou 97% de alfabetização e não registrou evasão. Os resultados são fruto do trabalho coletivo de professores, gestores, estudantes, famílias e equipes da rede.

Ao mesmo tempo, o reconhecimento internacional ajuda a dimensionar uma política iniciada e ampliada durante a gestão de Ferreirinha na Educação do Rio: os Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs.

Lançado em 2022, o modelo chegou a 316 unidades em 2026. Nos GETs, o ensino integral é combinado com ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

Os estudantes desenvolvem projetos interdisciplinares e utilizam recursos como robótica, inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser e óculos de realidade virtual.

O diferencial não está apenas nos equipamentos. A proposta integra tecnologia ao currículo, incentiva a criatividade, fortalece o protagonismo dos alunos e aproxima a escola dos desafios de cada território.

Quando a rede inaugurou a unidade de número 300, em março de 2026, a Prefeitura informou que o modelo já atendia aproximadamente 125 mil estudantes.

Para jovens das periferias, isso significa acesso, dentro da escola pública, a ferramentas que durante muito tempo ficaram restritas a ambientes privados ou a famílias com maior renda.

Reconhecer talentos e abrir portas

Outra iniciativa associada à gestão de Ferreirinha foi a Olimpíada Carioca de Matemática, criada em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o Impa.

Em cinco edições, a competição acumulou mais de 1,6 milhão de inscrições e premiou 264 estudantes com viagens educacionais.

Em janeiro de 2026, 44 alunos embarcaram para conhecer a Disney e a Nasa, nos Estados Unidos. Entre eles estavam estudantes de territórios como Ponto Chic, em Padre Miguel, e Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho.

As histórias mostram o alcance simbólico da iniciativa: a medalha deixa de representar somente um prêmio escolar e passa a funcionar como porta de entrada para novas referências, possibilidades profissionais e projetos de vida.

Ao comentar a premiação, Ferreirinha afirmou que “nossos jovens têm um potencial único” e que a olimpíada “abre portas para o futuro”. A declaração dialoga com sua própria trajetória, marcada pela participação em competições de matemática na juventude.

É importante observar que o número divulgado corresponde às inscrições acumuladas nas cinco edições, e não necessariamente a 1,6 milhão de estudantes diferentes. Ainda assim, a escala mostra como uma política de reconhecimento pode mobilizar a rede e identificar talentos que poderiam permanecer invisíveis.

Oportunidade também começa com permanência

Nenhum programa de formação ou tecnologia alcança seu objetivo se o estudante deixa de frequentar a escola.

Por isso, o combate à evasão também integra esse conjunto de políticas. O Bora Pra Escola combinou registro diário de frequência, telefonemas, mensagens, busca ativa e articulação com conselhos escolares e associações de moradores.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, aproximadamente 24 mil estudantes foram localizados e levados de volta às salas de aula desde 2023.

A busca ativa tem impacto especial nos territórios mais vulneráveis, onde a ausência escolar pode estar relacionada a problemas de renda, insegurança alimentar, violência, trabalho precoce ou dificuldades familiares.

Trazer o aluno de volta não é apenas uma medida administrativa. É reconstruir o vínculo com um direito básico e impedir que uma interrupção temporária se transforme em exclusão permanente.

Da experiência local para uma política nacional

A candidatura de Ferreirinha a deputado federal coloca uma questão objetiva: quais partes dessa experiência podem ser transformadas em políticas para outros municípios e estados?

Na Câmara, um parlamentar não administra diretamente escolas nem implanta sozinho uma rede de GETs. Seu papel é criar leis, disputar prioridades no Orçamento, fiscalizar políticas públicas e construir condições para que estados e municípios possam ampliar programas de educação integral e inovação.

Ferreirinha já apresentou o Projeto de Lei 2.752/2023, que aumenta para 1,50 a ponderação do Fundeb destinada às matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca elevar o valor considerado no financiamento por aluno e dar maior capacidade financeira às redes que ampliarem a jornada escolar.

O projeto, contudo, ainda não é lei. A proposta aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara e dependerá de negociação política, análise das comissões e aprovação do Congresso.

Se eleito, Ferreirinha poderá retomar essa agenda em Brasília e defender recursos federais para laboratórios, conectividade, formação de professores, educação integral e projetos de ciência e tecnologia.

O desafio será transformar uma experiência municipal em política escalável, respeitando as diferenças entre as redes e garantindo financiamento permanente.

Tecnologia sozinha não resolve

Os resultados apresentados pelos GETs apontam um caminho, mas também exigem cautela.

Equipamentos modernos, por si só, não garantem aprendizagem. Uma política consistente depende de professores valorizados e preparados, manutenção, internet de qualidade, alimentação, segurança, acompanhamento pedagógico e continuidade entre o ensino fundamental, o ensino médio e a formação profissional.

Também é necessário avaliar os resultados, comparar escolas e impedir que a inovação fique concentrada em poucas unidades. Expandir o modelo significa preservar sua qualidade — não apenas multiplicar uma marca.

É nesse ponto que a experiência de gestão se encontra com a missão parlamentar. Levar oportunidades para jovens das periferias exige mais do que anunciar projetos: exige orçamento, metas, transparência e capacidade de execução.

Ferreirinha chega à disputa federal apresentando como credencial políticas que saíram do papel e alcançaram estudantes reais. O prêmio internacional conquistado por uma escola pública da Maré torna essa mensagem ainda mais concreta.

O futuro de um jovem não deveria ser definido pelo CEP. Para mudar essa realidade em escala nacional, será preciso fazer com que qualidade, tecnologia e oportunidades deixem de ser exceção e passem a fazer parte do cotidiano da escola pública brasileira.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GETS PARA TODO O ESTADO: proposta de Paes coloca experiência liderada por Ferreirinha no centro do futuro da educação fluminense


Candidato ao Governo do Rio promete levar gradualmente o modelo tecnológico à rede estadual; candidato a deputado federal, Ferreirinha comandou a expansão na capital e é autor de projeto que amplia recursos do Fundeb para o ensino integral

O modelo de escola que transformou parte da rede municipal do Rio pode começar a ganhar escala estadual. O candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes anunciou que pretende levar o conceito dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs, para escolas de todas as regiões fluminenses.

A proposta foi apresentada durante uma visita ao GET Luiz Paulo Horta, na Rocinha. Paes afirmou que a implantação seria gradual e teria como eixos ciência, tecnologia e Matemática.

Ao lado dessa discussão aparece Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD e gestor que comandou a Secretaria Municipal de Educação durante o período de criação e forte expansão do programa na capital.

A combinação das duas candidaturas desenha uma divisão objetiva de responsabilidades. Ao Governo do Estado caberia planejar, financiar e executar a transformação das unidades estaduais. Em Brasília, Ferreirinha poderia atuar na legislação, no orçamento e na articulação de recursos federais para ampliar o ensino em tempo integral.

Não se trata, portanto, de anunciar que os GETs já serão implantados em todo o estado. A medida é uma proposta eleitoral de Paes e dependerá do resultado das urnas, de planejamento, orçamento, formação de profissionais e adaptação do modelo à realidade da rede estadual.

Paes assume compromisso de expansão estadual

Durante a visita realizada em setembro, Eduardo Paes declarou que pretende levar o conceito dos GETs para as escolas do Estado do Rio de Janeiro.

“A ideia é levar esse conceito dos GETs, com muita ciência, tecnologia e matemática, para todas as escolas do Rio de Janeiro”, afirmou Paes.

Segundo o candidato, a transformação deverá ser feita aos poucos, aproveitando a experiência acumulada na capital.

Na cidade do Rio, o programa começou em março de 2022. Em setembro de 2026, a rede carioca chegou a 317 escolas transformadas em GETs. A meta municipal anunciada é alcançar 500 unidades até o fim de 2028.

O número representa escolas implantadas ou convertidas para o modelo pedagógico, e não a construção de 317 novos prédios. Em maio, quando a rede possuía 308 unidades, a Prefeitura informava atendimento superior a 125 mil alunos.

A expansão estadual permitiria que a experiência alcançasse não apenas a capital, mas também a Baixada Fluminense, o Leste Metropolitano, a Região dos Lagos, o Norte e o Noroeste, a Região Serrana, o Médio Paraíba, o Centro-Sul e a Costa Verde.

Para isso, o programa precisará ser adaptado às características de cada território. Uma escola localizada em uma região ligada à indústria, por exemplo, pode desenvolver projetos diferentes de uma unidade inserida em cidades com vocação turística, agrícola, energética ou audiovisual.

O que diferencia um GET

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos funcionam em tempo integral e utilizam metodologias ativas, nas quais os estudantes participam da construção de projetos, da investigação e da solução de problemas.

O modelo adota a abordagem STEAM, sigla em inglês que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A proposta é integrar essas áreas em atividades práticas, evitando que a tecnologia seja tratada como um conteúdo isolado do restante do currículo.

Uma das principais estruturas é o colaboratório, espaço de aprendizagem “mão na massa”. Dependendo da unidade, os estudantes utilizam inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser, computadores, óculos de realidade virtual, kits de robótica e até máquinas de costura para desenvolver projetos interdisciplinares.

O objetivo não é simplesmente colocar equipamentos dentro das escolas. A transformação exige currículo, jornada ampliada, formação de professores e integração entre tecnologia e aprendizagem. Sem esses elementos, laboratórios sofisticados correm o risco de se tornar espaços subutilizados.

O Ministério da Educação selecionou o modelo entre as experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos em ensino integral. A experiência foi contemplada em iniciativas de intercâmbio, documentação e exposição de práticas educacionais.

Ferreirinha costuma definir os GETs como os “CIEPs do século XXI”. A comparação recupera a ideia histórica da escola pública de tempo integral, mas acrescenta cultura digital, pensamento computacional, experimentação e projetos ligados aos desafios contemporâneos.

Ferreirinha comandou a expansão na capital

Como secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha esteve à frente da implantação do programa durante a gestão de Eduardo Paes. O modelo saiu das primeiras unidades experimentais, em 2022, para alcançar centenas de escolas distribuídas pela cidade.

Ao apresentar a proposta, Ferreirinha afirmou que os GETs preparam os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, estimulam diferentes áreas do conhecimento e ampliam as perspectivas de futuro.

“São os CIEPs do século XXI, com o modelo de escola mais inovador do país”, declarou Ferreirinha ao tratar da expansão do programa na capital.

Sua participação em uma eventual expansão estadual, porém, não seria a de gestor direto da Secretaria de Educação. Como candidato a deputado federal, sua atribuição estaria em outra frente: criar condições nacionais de financiamento e apoio para que estados e municípios consigam manter escolas de jornada ampliada.

Projeto de Ferreirinha aumenta recursos para o ensino integral

Nesse ponto, existe uma iniciativa concreta. Ferreirinha é autor do Projeto de Lei 2.752/2023, apresentado na Câmara dos Deputados, que propõe elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por aluno do Fundeb nas matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca aumentar o peso dessas matrículas no cálculo da distribuição de recursos, reconhecendo que uma escola funcionando durante mais horas precisa de alimentação, profissionais, materiais, manutenção e estrutura compatíveis com a jornada ampliada.

O projeto ainda não foi aprovado. De acordo com a Câmara, aguarda parecer na Comissão de Educação e depois deverá passar por outras etapas de tramitação. Portanto, não pode ser apresentado como uma lei em vigor.

Mesmo assim, o texto mostra uma conexão objetiva entre a experiência administrativa de Ferreirinha e sua atuação parlamentar: ampliar a educação integral exige não apenas defender o modelo, mas discutir de onde virá o dinheiro para sustentá-lo.

Um modelo estadual não pode ser simples cópia

Levar os GETs para todas as regiões do Rio exigirá mais do que reproduzir laboratórios e trocar placas de escolas. A rede estadual possui características diferentes da rede municipal da capital e concentra grande parte de sua atuação nos anos finais e, principalmente, no ensino médio.

Uma política estadual precisará definir quais unidades serão priorizadas, como ocorrerá a formação dos professores, quais escolas possuem estrutura para o turno integral e de que maneira o modelo será associado à educação profissional.

Também será necessário garantir alimentação, transporte escolar e condições de permanência. Em áreas rurais ou municípios nos quais os estudantes percorrem longas distâncias, ampliar o horário sem reorganizar o transporte pode criar novos problemas.

A implantação gradual anunciada por Paes pode permitir projetos-piloto em diferentes regiões, avaliação dos resultados e correção de falhas antes da ampliação. Escolas instaladas em antigos CIEPs podem ter vantagens estruturais, mas cada prédio precisará passar por avaliação técnica.

Outro cuidado será evitar que a tecnologia seja confundida com solução automática. Impressoras 3D, robótica e inteligência artificial podem ampliar as possibilidades pedagógicas, mas não substituem professores valorizados, planejamento, conectividade, currículo e acompanhamento da aprendizagem.

Da capital para o interior

A proposta de levar os GETs a todo o estado estabelece uma ponte política clara entre Eduardo Paes e Renan Ferreirinha. Paes apresenta o compromisso de expandir o modelo pela rede estadual; Ferreirinha carrega a experiência da implantação municipal e uma proposta legislativa voltada ao financiamento da educação integral.

Para municípios do interior, a articulação federal também pode abrir caminhos para cooperação técnica, programas nacionais, formação de professores e investimentos que não dependam exclusivamente dos cofres locais.

O potencial da proposta está justamente em combinar escala estadual, experiência de gestão e apoio federal. Seu sucesso, entretanto, dependerá de metas públicas, orçamento, profissionais qualificados e avaliação transparente dos resultados.

Os GETs demonstraram que escolas públicas podem incorporar tecnologia, criatividade e aprendizagem prática sem abandonar os conteúdos fundamentais. O próximo desafio será provar que o modelo consegue ser adaptado às diferentes realidades do Rio de Janeiro e alcançar estudantes da capital, da Região Metropolitana e do interior com a mesma qualidade.

Se essa expansão sair do compromisso eleitoral e chegar efetivamente às salas de aula, a experiência construída por Paes e Ferreirinha na capital poderá se transformar em uma das principais políticas educacionais do próximo ciclo estadual.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Plano não pode ficar no papel: Ferreirinha defende cobrança e execução das metas da educação até 2036


Novo Plano Nacional de Educação estabelece 73 metas para a próxima década; candidato a deputado federal sustenta que o país precisa transformar objetivos legais em orçamento, acompanhamento e resultados dentro das escolas

O Brasil já tem um novo Plano Nacional de Educação. A pergunta que passa a definir os próximos dez anos é outra: as metas sairão do papel e chegarão às salas de aula?

Sancionada em abril, a Lei 15.388/2026 instituiu o PNE 2026–2036 com 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. O texto estabelece compromissos para creches, alfabetização, aprendizagem, educação integral, conectividade, formação dos professores, infraestrutura e financiamento.

Na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, coloca a implementação do plano entre os eixos de sua agenda educacional.

O ponto central de sua defesa é que uma lei extensa não transforma a escola sozinha: é preciso definir prioridades, garantir recursos, acompanhar indicadores e cobrar responsabilidades de União, estados e municípios.

O tema está ligado à atuação recente de Ferreirinha. Ele coordena o Fórum de Educação e Políticas Públicas da FGV Conhecimento, que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os desafios do PNE.

No encontro, Ferreirinha destacou a inclusão da equidade como princípio estruturante, o fortalecimento da colaboração entre os entes federativos e a necessidade de planejamento e investimentos de longo prazo.

Metas ambiciosas e um desafio ainda maior

Entre os compromissos do PNE está a ampliação da educação em tempo integral para 65% das escolas públicas, alcançando 50% dos estudantes da educação básica.

O plano também pretende atender toda a demanda manifesta por creches e alcançar, nacionalmente, pelo menos 60% das crianças de até 3 anos.

Na alfabetização, a meta é garantir que as crianças estejam alfabetizadas e apresentem aprendizagem adequada em Matemática até o fim do 2º ano do ensino fundamental.

O texto prevê ainda conectividade, educação digital, formação, valorização, carreira e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação.

O tamanho do plano mostra por que sua execução exigirá mais do que discursos. Cada meta precisa ser transformada em programas, cronogramas, indicadores e decisões orçamentárias.

É nesse espaço que o mandato de um deputado federal pode produzir efeitos concretos: votar o orçamento, fiscalizar programas, cobrar o cumprimento das metas, propor aperfeiçoamentos legais e atuar para que o financiamento acompanhe as responsabilidades atribuídas às redes públicas.

A experiência do Rio como argumento

Ferreirinha usa os resultados de sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação do Rio, entre 2021 e 2026, como base para defender uma participação mais direta na implementação nacional do PNE.

Durante sua gestão, a rede inaugurou o 300º Ginásio Educacional Tecnológico. Os GETs combinam ensino em tempo integral, tecnologia, cultura maker, ciências e metodologias práticas. O modelo ultrapassou 125 mil estudantes e continuou sendo ampliado depois de sua saída da secretaria.

O Rio também chegou à marca de 50% dos alunos atendidos em tempo integral, segundo balanço da Secretaria. O dado aproxima a experiência municipal de uma das principais metas nacionais para 2036.

Isso não significa, entretanto, que um modelo possa ser simplesmente copiado para todo o país. Municípios possuem estruturas, orçamentos e desafios diferentes, e a expansão dependerá de financiamento e adaptação local.

Na aprendizagem, o Ideb dos anos iniciais da rede carioca passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025, o melhor resultado histórico do município nessa etapa. O avanço foi de 14,8% no período.

Nos anos finais, porém, a evolução foi menor, reforçando que o país precisa de estratégias específicas para cada fase da educação básica.

Esses números dão consistência à candidatura, mas não eliminam os pontos de tensão. A valorização dos profissionais, prevista no PNE, exige diálogo permanente sobre carreira, remuneração, formação e condições de trabalho.

A gestão de Ferreirinha enfrentou conflitos com parte dos educadores, especialmente em torno das mudanças na jornada docente. Esse histórico torna ainda mais necessária a construção de compromissos transparentes com a categoria.

Da meta nacional à escola de cada bairro

O principal risco de um plano decenal é produzir uma grande lista de boas intenções sem alterar a realidade das redes. A diferença será determinada pela capacidade de monitorar resultados e corrigir políticas ao longo do caminho.

Ferreirinha defende que a experiência de administrar uma rede com mais de 1.500 escolas lhe deu conhecimento sobre a distância existente entre anunciar um programa e fazê-lo funcionar em unidades com realidades diferentes.

Também será necessário evitar que tecnologia seja confundida com a simples compra de equipamentos.

O debate coordenado por Ferreirinha na FGV apontou que recursos digitais e inteligência artificial devem ser incorporados com finalidade pedagógica, formação docente e acompanhamento da aprendizagem — e não apenas como elementos de propaganda.

O novo PNE oferece ao Brasil uma direção para a próxima década. O teste começa agora, quando a lei precisa disputar espaço no orçamento e se converter em políticas dentro das escolas.

Na reta final da eleição, Ferreirinha procura se apresentar como uma ponte entre a experiência municipal e esse desafio nacional. Sua missão, se eleito, será ajudar a impedir que 73 metas e 372 estratégias se transformem em mais um documento ambicioso esquecido em Brasília.

O país não precisa apenas de um plano para a educação. Precisa de responsáveis por fazê-lo acontecer, indicadores para medir seus resultados e fiscalização para corrigir o caminho quando as promessas não chegarem aos estudantes.

sábado, 19 de setembro de 2026

Faltam 15 dias: Ferreirinha transforma resultados na educação em agenda para Brasília


Candidato a deputado federal pelo PSD chega à reta final defendendo educação integral, proteção digital, primeira infância e valorização dos profissionais da educação

Faltam 15 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro no calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Na reta final da campanha, Renan Ferreirinha busca transformar a experiência acumulada na gestão de uma das maiores redes públicas de ensino do país em uma agenda nacional para a educação.

Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha chega à disputa com uma trajetória que reúne mobilização social, atuação parlamentar e gestão executiva. Foi deputado estadual, exerceu mandato como suplente na Câmara dos Deputados e comandou a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

O principal argumento de sua candidatura está justamente nessa combinação: levar ao Congresso propostas construídas a partir de políticas já colocadas em prática, sem ignorar os desafios que ainda permanecem na educação pública.

Da gestão de uma grande rede ao Congresso

À frente da Educação do Rio, Ferreirinha administrou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. O período foi marcado pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação do ensino em tempo integral e pela incorporação de tecnologia ao cotidiano pedagógico.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb da rede municipal passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025 — o melhor resultado já alcançado pelo município nessa etapa. Nos anos finais, o indicador avançou de 5,0 para 5,2, mas permaneceu estável entre 2023 e 2025, mostrando que a recuperação não ocorreu com a mesma intensidade em toda a rede.

Uma das principais marcas da gestão foi a implantação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo chegou a 300 unidades e passou a atender cerca de 125 mil estudantes, combinando jornada ampliada, cultura maker, ciências, programação, audiovisual e novas metodologias de ensino.

A rede também ampliou a educação em tempo integral, fortaleceu programas de alfabetização e recuperação da aprendizagem e adotou uma estratégia de busca ativa para enfrentar a evasão. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o programa Bora Pra Escola ajudou a localizar e reintegrar mais de 24 mil alunos.

Dos celulares nas escolas à proteção digital

Outra medida que ganhou projeção nacional foi a restrição do uso de celulares durante todo o horário escolar na rede municipal do Rio. Implantada em 2024, a regra preservou exceções para atividades pedagógicas, acessibilidade, questões de saúde e situações de emergência.

Quando retornou à Câmara, Ferreirinha foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que deu origem à Lei Federal 15.100/2025, responsável por estabelecer limites ao uso de aparelhos eletrônicos nas escolas públicas e privadas do país.

Ele não foi o autor original da proposta, mas participou de uma etapa decisiva de sua tramitação.

Agora, sua agenda avança para a proteção de crianças e adolescentes fora do ambiente escolar. O PL 330/2026 propõe 16 anos como idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas. O texto ainda está em tramitação, mas coloca Ferreirinha no centro do debate sobre verificação de idade, controle parental e responsabilidade das plataformas.

Projetos para uma agenda nacional

Entre suas propostas no Congresso está o PL 2.752/2023, que busca aumentar a ponderação do Fundeb para matrículas em tempo integral. A medida pretende ampliar a capacidade de estados e municípios financiarem jornadas escolares mais longas e modelos inspirados na experiência dos GETs.

Outra frente é a proteção dos profissionais da educação. O PL 5.974/2025 propõe agravar as penas para crimes cometidos contra professores e demais trabalhadores do setor em razão do exercício de suas funções.

Na primeira infância, o PLP 17/2026 cria uma categoria de certificação beneficente voltada às creches privadas que cumpram contrapartidas sociais, padrões de qualidade e requisitos de transparência. Todas essas proposições ainda dependem da análise do Congresso.

Legado, desafios e futuro

A candidatura se apoia em resultados mensuráveis, mas também carrega os desafios enfrentados durante a gestão. Além da evolução mais lenta do Ideb nos anos finais, a rede continuou convivendo com dificuldades na contratação permanente de profissionais. No fim de 2024, uma greve de 11 dias expôs o conflito entre a Prefeitura e parte dos educadores em torno de mudanças nas regras funcionais da categoria.

Registrar esses limites é essencial para avaliar o legado com equilíbrio. A experiência de Ferreirinha combina políticas de grande escala, avanços em indicadores e reconhecimento nacional, mas também decisões contestadas e problemas que ainda exigem respostas.

A 15 dias das urnas, a escolha apresentada aos eleitores é se essa experiência deve ganhar uma nova dimensão em Brasília.

Ferreirinha tenta se afirmar não apenas como um candidato que fala sobre educação, mas como um gestor que já precisou executar políticas, administrar recursos e responder por resultados.

Sua proposta para o futuro é levar ao plano federal uma agenda baseada em educação integral, primeira infância, proteção digital e segurança para os profissionais da educação. A reta final será decisiva para saber se esse legado construído no Rio encontrará espaço para se transformar em política nacional.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Fim do Tigrinho? Debate sobre cassinos online impulsiona luta de Ferreirinha contra propaganda das bets


Candidato a deputado federal pelo PSD defende ampliar a retirada de anúncios de apostas dos espaços públicos e levar a discussão para Brasília

A possibilidade de o Brasil proibir cassinos virtuais abriu uma nova frente no debate sobre os impactos das apostas online. Uma medida nacional em estudo atingiria jogos como roletas, caça-níqueis digitais, “Aviator”, “Tigrinho” e produtos semelhantes oferecidos pelas plataformas autorizadas.

A proposta ainda não foi publicada e nenhuma proibição entrou em vigor. Na configuração discutida até agora, as apostas esportivas continuariam permitidas, assim como os patrocínios de clubes e campeonatos. O alvo principal seriam os jogos de cassino disponíveis dentro dos aplicativos e sites das próprias bets. Entenda o que está sendo discutido.

A discussão nacional reforça uma bandeira que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, pretende levar a Brasília: restringir a publicidade das casas de apostas, retirar essas marcas dos espaços públicos e impedir que crianças e adolescentes cresçam cercados por anúncios que apresentam o jogo como diversão, investimento ou caminho para ganhar dinheiro.

Cassinos virtuais concentram grande parte do mercado

Os cassinos online representam uma parcela expressiva das receitas das plataformas. Embora sejam oferecidos nos mesmos aplicativos das apostas esportivas, funcionam de maneira diferente: os resultados não dependem de partidas reais, mas de sistemas digitais que reproduzem caça-níqueis, roletas e outros jogos de azar.

Informações divulgadas durante as discussões apontam que esses produtos podem responder por mais da metade do faturamento de determinadas empresas. Por isso, uma eventual proibição poderia afetar o modelo de negócio das operadoras e, indiretamente, os recursos aplicados em publicidade e patrocínios.

Também existe uma diferença entre empresas, marcas e endereços eletrônicos. A página oficial de transparência registra 85 processos de agentes operadores autorizados, enquanto números próximos de 188 divulgados no noticiário consideram as diferentes marcas e plataformas mantidas por essas empresas. Consulte a relação oficial do mercado autorizado.

O impacto econômico ajuda a explicar a resistência do setor, mas não elimina a discussão social. A expansão das apostas levou seus anúncios para transmissões esportivas, redes sociais, ônibus, eventos, estádios, influenciadores e diferentes áreas de circulação pública. O resultado é uma exposição permanente, inclusive de pessoas que nunca procuraram uma plataforma de apostas.

Ferreirinha apoia retirada das bets dos espaços públicos

Em julho, Ferreirinha apoiou publicamente a decisão da Prefeitura do Rio de proibir anúncios de bets em espaços públicos municipais. A restrição alcança bens, equipamentos e eventos vinculados ao poder público, impedindo que estruturas mantidas pela população sejam usadas para promover plataformas de apostas.

Na ocasião, Ferreirinha resumiu sua posição com a mensagem “Rio contra as bets”. Veja a manifestação publicada por Ferreirinha.

A medida adotada na capital não proíbe que adultos façam apostas nem impede completamente a atuação das empresas. Ela estabelece outro princípio: o poder público não deve oferecer seus espaços, contratos, equipamentos e eventos como vitrine para uma atividade associada ao risco de dependência e endividamento.

Ferreirinha defende que esse modelo seja ampliado para todo o Estado do Rio, alcançando espaços públicos, meios de transporte, eventos financiados com recursos públicos e locais frequentados por crianças e adolescentes.

Como candidato a deputado federal, ele pretende levar a discussão para Brasília e transformar a restrição da publicidade das bets em uma política de alcance nacional.

Até o momento, essa posição deve ser apresentada como uma bandeira política e programática, e não como uma lei federal de sua autoria já aprovada. O desafio de um eventual mandato será converter a defesa pública em proposta legislativa, articulação no Congresso e fiscalização das empresas.

A publicidade normaliza o risco

A discussão sobre anúncios é diferente do debate sobre proibir totalmente as apostas.

Mesmo quando uma atividade permanece legal para adultos, o Estado pode limitar sua publicidade para reduzir a exposição de públicos vulneráveis. Foi o que ocorreu, em diferentes proporções, com produtos como cigarros e bebidas alcoólicas.

As regras nacionais para as bets já ficaram mais rígidas. Desde julho, os anúncios precisam exibir advertências como “Apostar pode causar dependência”, ocupar espaço mínimo nas peças publicitárias e evitar mensagens que apresentem o jogo como investimento.

Também é considerada abusiva a publicidade direcionada a menores de 18 anos. As normas proíbem elementos de apelo infantojuvenil e anúncios em ambientes predominantemente frequentados por crianças, como escolas e locais de atendimento infantil. Confira as exigências nacionais para a publicidade de apostas.

Essas restrições, porém, ainda não significam uma retirada geral das bets dos espaços públicos brasileiros. É justamente nesse ponto que a proposta defendida por Ferreirinha pretende avançar.

Para ele, não basta inserir uma advertência pequena ao lado de uma campanha milionária. É necessário reduzir a presença das marcas em ambientes nos quais crianças, adolescentes e famílias ficam expostos à propaganda de maneira involuntária.

Proteção digital e educação fazem parte da mesma agenda

A posição de Ferreirinha sobre as bets se conecta a outras iniciativas de sua trajetória.

Quando comandava a Secretaria Municipal de Educação, ele participou da implantação da restrição dos celulares durante todo o horário escolar na rede do Rio. Posteriormente, quando exerceu mandato como suplente na Câmara, foi relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que deu origem à lei nacional sobre celulares nas escolas.

Ferreirinha também apresentou o PL 330/2026, que propõe idade mínima de 16 anos para contas individuais em redes sociais abertas.

As pautas tratam de problemas diferentes, mas seguem uma mesma lógica: crianças e adolescentes não podem enfrentar sozinhos plataformas digitais, algoritmos e empresas com enorme capacidade financeira para disputar sua atenção.

No caso das bets, essa preocupação é ainda maior porque a publicidade associa entretenimento, futebol, influenciadores e promessas de ganho a uma atividade que pode causar dependência e perdas financeiras.

Para Ferreirinha, a proteção não pode ser responsabilidade exclusiva das famílias. Empresas e poder público também precisam responder pelos ambientes e pelas mensagens oferecidas ao público.

De uma experiência municipal para uma política nacional

A possível proibição dos cassinos virtuais mostra que o país entrou em uma nova etapa do debate. A questão já não se limita a regulamentar empresas ou cobrar impostos. Ela envolve saúde mental, endividamento, publicidade, proteção de menores e responsabilidade pública.

A agenda defendida por Ferreirinha busca atuar antes que o problema aconteça: reduzir a exposição, retirar anúncios dos espaços mantidos pelo Estado e impedir que o jogo seja tratado como parte natural do cotidiano de crianças e adolescentes.

Em Brasília, essa atuação poderá alcançar projetos para restringir publicidade em bens públicos federais, concessões, transportes, eventos financiados com dinheiro público e ambientes frequentados por menores, além da fiscalização das plataformas e dos influenciadores envolvidos na divulgação.

A eventual retirada do “Tigrinho” e de outros cassinos virtuais dependerá de uma decisão que ainda não foi tomada. Mas o debate já produz uma conclusão importante: não é aceitável que o poder público permaneça passivo enquanto a publicidade das apostas ocupa ruas, eventos, telas e espaços frequentados por famílias.

Para Ferreirinha, levar essa pauta ao Congresso significa transformar uma iniciativa iniciada no Rio em uma política de proteção para todo o Brasil.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Europa avança contra redes para crianças e reforça proposta de Ferreirinha no Brasil


União Europeia anuncia restrições para menores de 13 anos enquanto Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, defende idade mínima de 16 anos para contas individuais em redes sociais abertas

A proposta de restringir o acesso de crianças às redes sociais ganhou uma nova dimensão internacional. Nesta quarta-feira, 16 de setembro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou as bases do chamado EU Kids Act, projeto que pretende estabelecer regras comuns de proteção digital nos 27 países da União Europeia.

Pelo modelo apresentado, crianças com menos de 13 anos não poderiam utilizar redes sociais. Entre 13 e 14 anos, o acesso ocorreria somente por meio de contas supervisionadas pelos responsáveis, com recursos reduzidos e limites de tempo. Para adolescentes de 15 a 17 anos, as plataformas teriam de oferecer ambientes desenvolvidos especificamente para aumentar a segurança.

O anúncio europeu fortalece uma discussão que já chegou ao Congresso brasileiro por iniciativa de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD no Rio de Janeiro. Autor do PL 330/2026, Ferreirinha propõe que somente maiores de 16 anos possam manter contas individuais em redes sociais abertas — uma espécie de “maturidade digital”.

A proposta brasileira e o projeto europeu não são idênticos, mas partem de uma preocupação comum: crianças não podem continuar expostas, sem proteção suficiente, a plataformas desenvolvidas para capturar sua atenção e estimular o uso contínuo.

O que a União Europeia pretende mudar

Além das restrições por idade, o EU Kids Act deve enfrentar recursos considerados especialmente prejudiciais ao público infantojuvenil.

Entre as medidas anunciadas estão a verificação efetiva da idade dos usuários, contas privadas por padrão, restrições ao contato de desconhecidos e limites para mecanismos de engajamento, como a rolagem infinita, as notificações constantes e a recomendação automatizada de conteúdos.

A proposta também amplia a responsabilidade das empresas. TikTok, Instagram, Facebook, YouTube e outras plataformas poderão ser obrigadas a demonstrar que seus produtos são seguros para crianças e adolescentes, em vez de transferir todo o dever de proteção para as famílias.

A Comissão Europeia ainda deverá apresentar os detalhes legislativos. Depois disso, o texto terá de ser discutido pelos países integrantes da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. Portanto, a restrição ainda não está em vigor em todo o continente e poderá sofrer alterações durante a tramitação. Veja o anúncio repercutido pela Associated Press.

Ferreirinha quer estabelecer idade mínima de 16 anos no Brasil

No Brasil, Ferreirinha apresentou, em fevereiro de 2026, o Projeto de Lei 330/2026, que altera o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para estabelecer 16 anos como idade mínima para o acesso individual a redes sociais abertas.

Na prática, o texto busca impedir que menores de 16 anos mantenham contas próprias em plataformas abertas, nas quais ficam expostos a desconhecidos, publicidade, sistemas de recomendação e conteúdos selecionados por algoritmos.

O projeto não propõe retirar crianças da internet, proibir ferramentas educacionais ou impedir formas de acesso supervisionado. O foco está nas contas individuais em ambientes públicos construídos para interação constante, exposição e coleta de dados.

A proposta ainda não foi aprovada. Atualmente, ela tramita apensada ao PL 309/2026 e dependerá da análise das comissões e do Congresso Nacional. Acompanhe a tramitação do PL 330/2026 na Câmara.

Para Ferreirinha, a discussão precisa considerar a desigualdade existente entre as famílias e as grandes empresas de tecnologia. De um lado estão pais tentando controlar o acesso dos filhos; do outro, plataformas bilionárias, algoritmos sofisticados e recursos desenvolvidos para ampliar o tempo de permanência dos usuários.

O candidato a deputado federal argumenta que o problema não pode ser tratado apenas como falha de disciplina dentro de casa. Na avaliação dele, empresas e poder público também precisam assumir responsabilidades pela proteção da infância.

Uma luta que começou dentro das escolas

A atuação de Ferreirinha na área de proteção digital ganhou projeção quando ele comandava a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 2024, a rede municipal restringiu o uso de celulares durante todo o horário escolar, incluindo aulas, intervalos e recreios. Permaneceram autorizadas as utilizações pedagógicas, os recursos de acessibilidade, as necessidades de saúde e as situações de emergência.

A experiência do Rio ajudou a levar o assunto para o debate nacional. Quando exerceu mandato como suplente na Câmara, Ferreirinha foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça, do projeto que posteriormente deu origem à Lei Federal 15.100/2025.

A legislação restringiu o uso de celulares por estudantes durante aulas, recreios e intervalos nas escolas públicas e privadas brasileiras. Ferreirinha não foi o autor original da proposta, mas participou de sua etapa decisiva como relator na Câmara. Consulte a Lei 15.100/2025.

Agora, sua agenda avança para além do ambiente escolar. Se a primeira medida buscou proteger o tempo de aprendizagem, a convivência e a concentração dos estudantes, o PL 330/2026 pretende enfrentar a exposição permanente às redes sociais também fora da escola.

ECA Digital avançou, mas não fixou idade mínima de 16 anos

O Brasil já possui uma legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, estabeleceu obrigações para plataformas, incluindo mecanismos de supervisão parental, prevenção de riscos, proteção de dados e verificação de idade. As regras entraram em vigor em março de 2026, sob fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

A legislação, entretanto, não estabeleceu uma proibição geral de contas individuais em redes abertas para menores de 16 anos. É justamente essa lacuna que o projeto de Ferreirinha pretende preencher. Conheça as regras do ECA Digital.

Um movimento que ultrapassa fronteiras

A União Europeia não está sozinha nessa discussão. A Austrália colocou em vigor, em dezembro de 2025, uma restrição nacional para menores de 16 anos em determinadas redes sociais. A responsabilidade pelo cumprimento das regras recai principalmente sobre as plataformas, que devem adotar medidas razoáveis de verificação e bloqueio. Veja as orientações do governo australiano.

Outros países discutem diferentes modelos de controle de idade, supervisão parental e responsabilização das empresas. O desafio comum é criar sistemas capazes de verificar a idade sem ampliar indevidamente a coleta de dados pessoais.

Também existe o risco de crianças e adolescentes tentarem contornar os bloqueios. Especialistas alertam ainda que a definição de uma idade mínima, isoladamente, não resolve problemas como publicidade direcionada, recomendações perigosas e mecanismos desenvolvidos para estimular o uso compulsivo.

Essas dificuldades não anulam a necessidade de regras, mas mostram que a proteção digital exige fiscalização, tecnologia, educação para o uso responsável e compromisso permanente das plataformas.

Uma bandeira para o próximo mandato

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha coloca a proteção da infância digital entre as prioridades de sua agenda nacional.

Sua proposta conecta três etapas de uma mesma trajetória: a restrição dos celulares nas escolas do Rio, a participação na aprovação da lei nacional sobre aparelhos no ambiente escolar e, agora, a tentativa de estabelecer uma idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas.

O anúncio da União Europeia não significa que o projeto brasileiro esteja automaticamente correto ou que será aprovado sem mudanças. Mas demonstra que a preocupação levantada por Ferreirinha deixou de ser uma discussão isolada e passou a fazer parte de um movimento internacional.

A questão central já não é apenas quanto tempo uma criança permanece diante da tela. O debate envolve quem desenvolve as plataformas, quem lucra com a atenção dos usuários mais jovens e quem deve responder quando o ambiente digital oferece riscos à infância.

Com Europa e Austrália avançando na criação de limites, o Brasil também precisará decidir até que idade crianças devem permanecer fora das redes abertas — e qual responsabilidade será exigida das maiores empresas de tecnologia do mundo