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domingo, 6 de setembro de 2026

Da Maré para o estado: prêmio internacional fortalece proposta de Ferreirinha para expandir os GETs


Reconhecimento conquistado pelo GET IV Centenário, em Pequim, projeta modelo criado na gestão de Eduardo Paes e Renan Ferreirinha; candidato a deputado federal quer articular financiamento e apoio nacional para levar a experiência a outras regiões do Rio e do Brasil

Uma escola pública localizada no Complexo da Maré atravessou fronteiras e colocou a educação carioca no centro de um debate internacional sobre inovação, tecnologia e transformação social.

O Ginásio Educacional Tecnológico IV Centenário venceu o Practice Innovation Prize, uma das categorias do Global Smart Education Innovation Prize 2026. A premiação ocorreu durante conferência realizada entre os dias 18 e 20 de agosto, em Pequim, na China.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-secretário municipal de Educação e candidato a deputado federal Renan Ferreirinha comemorou o resultado e destacou o significado de uma unidade pública da Maré ser reconhecida internacionalmente.

“Uma escola pública da Maré sendo reconhecida do outro lado do mundo. Vocês têm noção disso?”, afirmou Ferreirinha.

O reconhecimento foi concedido ao projeto Fábrica de Sonhos, que combina aprendizagem tecnológica, atividades práticas e acompanhamento socioemocional. A proposta aproxima estudantes, professores, famílias e território, estimulando as crianças a desenvolver projetos e imaginar perspectivas de futuro para além das adversidades enfrentadas em seu cotidiano.

A escola também foi selecionada entre as dez finalistas do World’s Best School Prizes 2026, na categoria Superação de Adversidades. Isso significa que ficou entre as dez melhores escolas inscritas naquela categoria específica — e não entre as dez melhores do mundo em uma classificação geral. O GET IV Centenário foi a única escola pública brasileira presente nessa relação de finalistas. Confira o perfil da unidade na T4 Education.

Tecnologia, acolhimento e aprendizagem dentro da Maré

O GET IV Centenário atende crianças do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental na comunidade do Timbau.

Segundo as informações apresentadas à organização internacional, a unidade perdeu 37 dias letivos em 2024 em consequência da violência no território. Mesmo diante desse cenário, registrou frequência superior a 90%, ausência de evasão, alfabetização de 97% dos estudantes na idade esperada e Ideb de 6,6 em 2023.

A escola utiliza robótica, realidade virtual, computadores, impressoras 3D e outros recursos tecnológicos. Entretanto, o projeto premiado mostra que a proposta não se resume à compra de equipamentos.

Um dos exemplos é o Café com Música e Prosa, realizado antes do início das atividades. Nesse momento, estudantes e professores compartilham sentimentos e conversam sobre os desafios vividos dentro e fora da escola. A prática procura criar segurança emocional para crianças expostas à violência e à instabilidade.

Os alunos também identificam problemas ou ideias, pesquisam, criam protótipos, apresentam soluções e avaliam o trabalho desenvolvido. A tecnologia funciona como ferramenta para estimular criatividade, colaboração, autonomia e resolução de problemas.

O prêmio recebido em Pequim reconheceu justamente essa combinação entre inovação pedagógica, inclusão, equidade e capacidade de responder às dificuldades do território. Veja os detalhes da premiação.

Um projeto construído por Eduardo Paes e Ferreirinha

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos começaram a ser implantados em março de 2022, durante a administração do então prefeito Eduardo Paes, quando Ferreirinha comandava a Secretaria Municipal de Educação.

O modelo reúne ensino em tempo integral, aprendizagem por projetos e abordagem STEAM, sigla que representa Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. As unidades possuem espaços conhecidos como colaboratórios, nos quais os estudantes utilizam ferramentas tecnológicas e desenvolvem atividades práticas.

Em junho de 2024, Paes e Ferreirinha inauguraram juntos o GET de número 200. Naquele momento, o programa atendia aproximadamente 100 mil estudantes. Relembre a inauguração do 200º GET.

Em março de 2026, a rede alcançou 300 unidades e cerca de 125 mil alunos. Em agosto, já eram 316 GETs em funcionamento. A Prefeitura trabalha com a meta de chegar a 350 unidades e 150 mil estudantes ainda em 2026, além de alcançar 500 GETs até o final de 2028.

Esses números representam escolas que passaram a operar segundo o modelo GET. Não significam que todos os prédios foram construídos do zero: o processo envolve novas unidades, reformas e transformação pedagógica de escolas existentes.

A expansão aconteceu dentro de uma rede que atendia mais de 586 mil estudantes em 1.558 escolas em 2025. Nesse período, o Ideb dos anos iniciais do Ensino Fundamental passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025. Nos anos finais, o avanço foi menor, de 5,0 para 5,2. Consulte os resultados divulgados pela SME.

A evolução da rede não pode ser atribuída exclusivamente aos GETs. Ela resulta do trabalho de professores, gestores, profissionais da educação e de diferentes políticas de alfabetização, reforço, avaliação e combate ao abandono. Ainda assim, o crescimento do programa e o reconhecimento internacional mostram que o modelo se tornou uma das principais marcas educacionais da gestão.

O próximo passo: levar a experiência para o estado

Agora candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha apresenta a expansão dos GETs para além da capital como uma das possibilidades para transformar a educação fluminense.

A proposta ganha dimensão política com a candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Estado. Paes foi oficializado pelo PSD como candidato a governador em julho de 2026 e apresenta os GETs entre as realizações de sua gestão municipal. Veja a confirmação da candidatura.

Uma eventual ampliação para todo o estado dependeria de uma atuação conjunta. O governador e a Secretaria Estadual de Educação teriam a responsabilidade de planejar, financiar e implantar uma versão do modelo na rede estadual. As prefeituras, que possuem autonomia sobre suas redes, poderiam participar por meio de adesão e cooperação.

Ferreirinha, se eleito deputado federal, não teria poder para abrir ou administrar escolas estaduais diretamente. Sua atuação aconteceria no Congresso, onde poderia trabalhar para ampliar os recursos disponíveis, apresentar emendas ao Orçamento, articular programas com o Ministério da Educação e criar incentivos nacionais para redes que adotem educação integral associada à inovação pedagógica.

Essa divisão de responsabilidades torna a aliança com Paes relevante: enquanto o governo estadual teria os instrumentos executivos para adaptar o modelo ao Rio de Janeiro, o mandato federal poderia buscar financiamento e apoio nacional.

Fundeb e educação integral no centro da atuação federal

Ferreirinha já apresentou uma proposta relacionada ao financiamento da educação integral.

O PL 2.752/2023 pretende elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por estudante do Fundeb nas matrículas em tempo integral. Na prática, a mudança busca ampliar os recursos destinados aos estados e municípios que mantêm os alunos por mais tempo na escola.

O projeto ainda está em tramitação e aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara. Portanto, não é uma regra em vigor. Acompanhe o PL 2.752/2023.

Um mandato dedicado à expansão desse modelo também poderia trabalhar por recursos federais para conectividade, laboratórios, formação continuada de professores, materiais pedagógicos e avaliação independente dos resultados.

O governo federal já mantém o Programa Escola em Tempo Integral, que considera integrais as matrículas com jornada mínima de sete horas diárias ou 35 horas semanais. A articulação com essa política permitiria adaptar elementos dos GETs a redes com estruturas e necessidades diferentes.

Replicar a experiência, porém, exige mais do que instalar impressoras 3D ou equipamentos de robótica. É necessário garantir internet de qualidade, manutenção, professores preparados, segurança, alimentação, infraestrutura e acompanhamento constante da aprendizagem.

Também será importante avaliar quanto custa o modelo por estudante e comparar os resultados de escolas GETs com outras unidades de perfil semelhante. O prêmio conquistado por uma escola da Maré é um sinal relevante de qualidade, mas a expansão em grande escala precisa ser acompanhada por transparência e evidências.

Da experiência local para uma agenda nacional

A trajetória recente de Ferreirinha oferece um exemplo de como uma política municipal pode alcançar o debate nacional.

Depois de implantar a restrição dos celulares nas escolas do Rio, ele atuou como relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que deu origem à Lei Federal 15.100/2025, aplicada às escolas públicas e particulares de todo o país. Ferreirinha não foi o autor original da proposta, mas teve participação decisiva como relator. Confira o histórico na Câmara.

Em 2025, também foi eleito presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais, função que ampliou sua articulação com gestores de diferentes regiões brasileiras. Veja a eleição para o Consec.

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha procura ocupar justamente esse espaço: o de um gestor que participou da implantação de políticas em uma das maiores redes públicas do país e que agora pretende transformá-las em propostas para o Rio de Janeiro e para o Brasil.

O reconhecimento conquistado pelo GET IV Centenário não pertence apenas a uma administração ou a um candidato. Como o próprio Ferreirinha ressaltou no vídeo, a conquista é dos professores, gestores, estudantes, famílias e profissionais que mantêm a escola funcionando diariamente dentro da Maré.

Politicamente, porém, o resultado fortalece o argumento defendido por ele e por Eduardo Paes: experiências implantadas na capital podem servir de referência para uma nova política educacional estadual.

O desafio será transformar reconhecimento em escala sem perder qualidade. Se conseguir combinar a capacidade executiva do governo estadual com financiamento, legislação e articulação federal, a parceria poderá levar educação integral, tecnologia e aprendizagem prática a um número muito maior de estudantes.

Da Maré para Pequim, o GET IV Centenário mostrou o potencial da escola pública. O compromisso apresentado por Ferreirinha agora é fazer com que oportunidades semelhantes não sejam uma exceção, mas uma possibilidade concreta para crianças e jovens de todo o Rio de Janeiro — e uma referência para a educação brasileira.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ferreirinha diz que escola disputa jovens com o crime e defende expansão do ensino integral no Rio


Em entrevista ao Diário do Rio, candidato a deputado federal relaciona educação, segurança pública e geração de oportunidades; ex-secretário também defende fortalecimento da Faetec, combate à evasão e restrição das redes sociais para menores de 16 anos

Para o candidato a deputado federal Renan Ferreirinha, a disputa contra o crime organizado não acontece apenas por meio de operações policiais. Ela também ocorre diariamente dentro das escolas, quando crianças e adolescentes encontram educação de qualidade, alimentação, proteção social e uma perspectiva concreta de futuro.

A avaliação foi apresentada durante uma entrevista de aproximadamente 53 minutos ao Diário do Rio, na qual o ex-secretário municipal de Educação da capital fluminense falou sobre sua trajetória, os resultados alcançados na rede carioca e as propostas que pretende levar ao debate estadual e nacional.

“A escola compete com o crime organizado”, afirmou Ferreirinha em um dos momentos centrais da conversa. Segundo ele, o ambiente escolar também disputa a permanência dos estudantes com o trabalho infantil, a gravidez precoce, a evasão e a falta de oportunidades profissionais.

O candidato defende que a educação seja compreendida não apenas como transmissão de conhecimento, mas como uma política integrada de segurança pública, mobilidade social, alimentação, proteção da infância e desenvolvimento econômico.

Da escola pública em São Gonçalo à gestão da maior rede municipal do país

Nascido e criado em São Gonçalo, Ferreirinha contou que sua trajetória foi transformada pelas oportunidades que encontrou na educação pública. Ainda adolescente, saía de casa de madrugada para estudar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, na Tijuca.

Posteriormente, conseguiu uma bolsa integral por necessidade financeira para estudar Economia e Ciência Política na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Durante a graduação, participou da criação de movimentos voltados à educação, ao engajamento cívico e à renovação política.

Ferreirinha afirmou que recusou oportunidades profissionais no exterior para retornar ao Brasil e tentar fazer com que sua história educacional deixasse de ser uma exceção.

Em 2018, foi eleito deputado estadual. Em janeiro de 2021, assumiu a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde permaneceu, com interrupções para o exercício parlamentar e para o período eleitoral de 2022, até março de 2026.

Na entrevista, ele procura se apresentar como uma combinação de político e gestor. Para Ferreirinha, conhecimento técnico e legitimidade eleitoral não devem ser tratados como caminhos opostos: a política pública depende da capacidade de gestão, mas também do voto e da construção democrática.

Ensino integral como estratégia de proteção

Uma das principais propostas defendidas por Ferreirinha é a expansão da educação em tempo integral para a rede estadual.

Ele argumenta que, em países que fizeram da educação uma prioridade, permanecer na escola durante todo o dia não é uma modalidade excepcional, mas parte do funcionamento regular do sistema de ensino.

Durante sua passagem pela Secretaria de Educação, a Prefeitura do Rio ampliou o número de alunos matriculados em jornada integral. Ferreirinha afirmou que o percentual teria chegado a aproximadamente 56% da rede no momento de sua saída.

O candidato também destacou a implantação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo combina jornada ampliada, ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, programação, audiovisual e atividades práticas realizadas em espaços de cultura maker.

Segundo Ferreirinha, a rede carioca já alcançava aproximadamente 320 GETs na ocasião da entrevista. O balanço oficial publicado em março registrava a inauguração da unidade de número 300, com cerca de 125 mil estudantes atendidos e a meta de chegar a 350 unidades até o fim de 2026. A previsão da Prefeitura é alcançar 500 GETs em 2028. Confira o balanço da Secretaria Municipal de Educação.

Os números representam escolas implantadas ou convertidas para o modelo tecnológico, e não necessariamente a construção de centenas de novos prédios escolares.

Ferreirinha define os GETs como uma atualização dos antigos Centros Integrados de Educação Pública. Em sua avaliação, o modelo pode ser adaptado para a rede estadual, especialmente no ensino médio, aproximando a formação dos jovens da ciência, da tecnologia e do mercado de trabalho.

Defesa da Faetec e da formação para o emprego

O candidato também fez críticas ao enfraquecimento da educação profissional no Estado do Rio e defendeu a recuperação da Fundação de Apoio à Escola Técnica, a Faetec.

Ferreirinha recordou que, durante sua juventude em São Gonçalo, estudar em uma unidade da Faetec era considerado um caminho importante para conseguir qualificação e entrar no mercado de trabalho. Para ele, essa perspectiva foi enfraquecida pela falta de investimentos e de prioridade política.

Embora destaque que a educação é um direito fundamental, o candidato rejeita a ideia de que as escolas não devam dialogar com a geração de emprego e renda.

Na avaliação de Ferreirinha, muitos jovens deixam de enxergar sentido nos estudos porque não identificam uma conexão entre o conteúdo escolar e as oportunidades que encontrarão no futuro. Por isso, ele defende a ampliação do ensino técnico, da educação integral e de currículos capazes de despertar maior interesse.

O candidato citou experiências desenvolvidas em Goiás, Espírito Santo e Piauí para sustentar que políticas educacionais consistentes podem avançar sob governos de diferentes orientações ideológicas.

Alfabetização baseada em acompanhamento permanente

Ao falar sobre alfabetização e recuperação da aprendizagem, Ferreirinha apresentou quatro pilares adotados pela Secretaria Municipal de Educação.

O primeiro foi a criação de um material pedagógico próprio, o Rioeduca, com conteúdos relacionados aos bairros, à cultura e às diferentes realidades sociais e raciais da cidade.

O segundo pilar foi a implantação de avaliações diagnósticas periódicas. De acordo com o ex-secretário, as provas não deveriam servir apenas para classificar escolas, mas para identificar as habilidades já desenvolvidas por cada estudante e as dificuldades que ainda precisavam ser enfrentadas.

A formação continuada dos professores foi apresentada como o terceiro eixo. O quarto foi a Gestão de Resultados da Aprendizagem, sistema que permite acompanhar o desenvolvimento dos alunos e definir metas pedagógicas para escolas, turmas e diferentes etapas de ensino.

Ferreirinha também mencionou programas de mentoria nos quais escolas com melhores resultados compartilham práticas com unidades que enfrentam dificuldades. Na entrevista, ele afirmou que o percentual de crianças alfabetizadas na idade adequada teria chegado a 67%.

Apesar do avanço, reconheceu que ainda existe um grupo expressivo de estudantes que não aprende a ler e escrever no período esperado e que a alfabetização precisa continuar sendo uma prioridade permanente.

Evasão escolar e busca ativa

Outro programa destacado foi o Bora Pra Escola, voltado ao enfrentamento da evasão e do abandono escolar.

Ferreirinha explicou que o antigo sistema de frequência dependia de registros em papel que demoravam meses para chegar à administração central. A digitalização passou a permitir que as faltas fossem informadas diariamente.

Com esses dados, a escola pode identificar ausências recorrentes, procurar os responsáveis e compreender se o estudante enfrenta problemas de transporte, saúde, trabalho infantil, violência ou dificuldades familiares.

O candidato relaciona a busca ativa à prevenção da criminalidade. Ele ressalta que abandonar os estudos não significa necessariamente ingressar no crime, mas considera a evasão uma das condições que aumentam a vulnerabilidade de adolescentes e jovens.

Na entrevista, Ferreirinha também destacou que a escola cumpre funções que ultrapassam o ensino. Para muitas crianças, ela garante a principal refeição do dia, acesso a profissionais preparados, convivência social e proteção diante de diferentes formas de violência.

Pandemia deixou uma geração marcada

Ferreirinha reconheceu que as consequências do fechamento das escolas durante a pandemia ainda não foram inteiramente superadas.

Segundo ele, as maiores dificuldades atingiram as crianças que estavam no período de alfabetização, uma etapa que exige acompanhamento próximo e intervenção constante do professor.

Embora defenda a utilização de recursos tecnológicos, Ferreirinha considera o educador insubstituível como mediador do conhecimento, especialmente na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental.

Para o candidato, a recuperação dessa geração exige avaliações diagnósticas, reforço escolar, acompanhamento individualizado e políticas contínuas, sem a expectativa de uma solução imediata.

Restrição dos celulares começou no Rio

A proibição do uso indiscriminado de celulares nas escolas ocupa uma parte importante da trajetória apresentada por Ferreirinha.

A medida começou nas salas de aula da rede municipal e posteriormente foi ampliada para intervalos e recreios. Permaneceram autorizados os usos pedagógicos, os recursos de acessibilidade, as necessidades relacionadas à saúde e as situações de emergência.

Ferreirinha explicou que a ampliação foi antecedida por uma consulta pública com mais de 11 mil participações. Segundo o resultado divulgado pela Prefeitura, aproximadamente 83% dos participantes apoiaram a restrição durante todo o horário escolar.

Já na Câmara dos Deputados, Ferreirinha atuou como relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida para escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

Ele não foi o autor original da proposta, mas teve participação na análise e na aprovação do texto durante uma etapa decisiva de sua tramitação.

Uma pesquisa conduzida por estudiosos ligados à Universidade Stanford encontrou avanços maiores entre estudantes das escolas cariocas que, antes da política municipal, possuíam regras fracas ou inexistentes sobre celulares.

Nessas unidades, o avanço foi 25,7% maior em Matemática e 13,4% maior em Língua Portuguesa quando comparado ao desempenho das escolas que já aplicavam restrições rígidas. Os pesquisadores tratam o resultado como evidência do impacto da medida, embora recomendem a continuidade dos estudos sobre o tema. Veja a análise publicada por Stanford.

“Maioridade digital” aos 16 anos

Depois da restrição dos celulares, Ferreirinha afirma que sua principal pauta passou a ser a proteção das crianças dentro das próprias plataformas digitais.

O candidato apresentou o PL 330/2026, que estabelece 16 anos como idade mínima para a criação e manutenção de contas individuais em redes sociais abertas.

A proposta coloca sobre as plataformas a responsabilidade de impedir novas contas e identificar perfis operados por menores de 16 anos. O texto diferencia redes sociais abertas de serviços voltados prioritariamente a mensagens privadas, ferramentas escolares e outros ambientes digitais.

Ferreirinha chama a proposta de “maioridade digital”. Para ele, não é razoável transferir toda a responsabilidade às famílias enquanto empresas utilizam algoritmos, notificações e sistemas de recomendação desenvolvidos para manter o usuário conectado durante o maior tempo possível.

O candidato afirma que sua intenção não é demonizar a tecnologia, mas criar limites semelhantes aos que a sociedade já estabeleceu para outras atividades que exigem maturidade.

O PL 330/2026 ainda não foi aprovado e não está em vigor. A proposta foi apensada a outros projetos que discutem idade mínima e proteção de crianças nas redes sociais. Acompanhe a tramitação na Câmara dos Deputados.

Fundeb e o atraso do ICMS Educacional

Ferreirinha classificou o Fundeb como uma das mais importantes políticas de financiamento da educação brasileira, mas defendeu mudanças para incentivar a ampliação do ensino integral e fortalecer a educação especial.

Ele também criticou o atraso do Estado do Rio na aprovação do chamado ICMS Educacional, uma das condicionalidades relacionadas ao recebimento da complementação federal do Fundeb vinculada a resultados e à redução das desigualdades.

Esse ponto precisa ser considerado dentro da cronologia atual. A Assembleia Legislativa aprovou a regulamentação do ICMS Educacional em maio de 2026. O atraso, entretanto, já havia provocado prejuízos.

Segundo a Alerj, 30 municípios fluminenses deixaram de receber a complementação em 2026, acumulando uma perda estimada em R$ 135 milhões. Confira as informações divulgadas pela Assembleia Legislativa.

Gestão também enfrentou conflito com professores

Embora a entrevista esteja concentrada nos resultados e nas propostas de Ferreirinha, sua passagem pela Secretaria de Educação também foi marcada por um conflito com parte dos profissionais da rede.

No fim de 2024, professores realizaram uma greve de 11 dias contra mudanças nas regras funcionais aprovadas pela Câmara Municipal. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação criticou alterações na contagem da carga horária e na licença especial. A Prefeitura, por outro lado, sustentou que as medidas buscavam reorganizar a jornada e assegurar o cumprimento dos tempos de aula.

A controvérsia representa um dos principais pontos de tensão do período em que Ferreirinha comandou a pasta, mesmo diante dos avanços registrados em indicadores, expansão do ensino integral e ampliação de programas pedagógicos.

Apoio a Eduardo Paes

Na parte final da entrevista, Ferreirinha declarou apoio a Eduardo Paes para o Governo do Estado.

O candidato destacou a capacidade de trabalho, a experiência administrativa e o conhecimento que Paes possui sobre o Rio de Janeiro. Também fez críticas aos adversários Douglas Ruas e Anthony Garotinho, apresentando avaliações políticas negativas sobre as trajetórias dos dois.

As declarações consolidam Ferreirinha como um dos principais defensores da tentativa de levar para o Governo do Estado políticas implantadas pela gestão municipal do Rio.

Mais do que apresentar um balanço de sua passagem pela Secretaria, a entrevista mostra o candidato tentando transformar a educação em um eixo capaz de conectar diferentes desafios fluminenses.

Na visão defendida por Ferreirinha, uma escola atrativa, integral e vinculada às oportunidades profissionais pode melhorar a aprendizagem, reduzir a evasão e oferecer aos jovens uma alternativa concreta diante do crime organizado e da ausência de perspectivas.

Assista à entrevista completa:

Renan Ferreirinha: “A escola compete com o crime organizado” — Diário do Rio