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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Fenômeno K-pop: Stray Kids faz história no Rock in Rio e público quebra recorde de internet


Dia dedicado ao gênero registrou 90,5 terabytes de tráfego móvel; apresentação do grupo sul-coreano concentrou o maior volume de dados do festival

A força do K-pop no Brasil ganhou uma dimensão concreta durante o Rock in Rio 2026. O dia dedicado ao gênero registrou o maior tráfego de internet móvel desta edição do festival, com 90,5 terabytes de dados consumidos pelo público, segundo levantamento da TIM divulgado pela Folha de S.Paulo.

O número representa cerca de um terço de todo o tráfego acumulado nos quatro dias anteriores do evento. Instagram e WhatsApp foram os aplicativos mais utilizados pelos fãs, que compartilharam vídeos, fotos, transmissões e registros dos shows diretamente da Cidade do Rock.

A apresentação do Stray Kids foi o momento de maior movimentação digital da edição até agora. O show consumiu 2,3 terabytes de dados — aproximadamente 20% a mais do que o registrado durante a apresentação do Black Eyed Peas.

O impacto também foi percebido dentro do festival. Com uma plateia estimada em 100 mil pessoas, o grupo sul-coreano se tornou o primeiro artista de K-pop a ocupar a posição de headliner do Rock in Rio, conforme destacou a agência internacional Yonhap.

Uma estreia histórica

A edição de 2026 marcou a primeira vez que o Rock in Rio dedicou uma programação específica ao K-pop no Palco Mundo. Além do Stray Kids, o público acompanhou apresentações de Hwasa e NEXZ.

O Stray Kids encerrou a noite com músicas conhecidas pelos fãs, como “S-Class”, “God’s Menu”, “MANIAC”, “Thunderous”, “Chk Chk Boom” e “LALALALA”. A apresentação também teve efeitos de luz, pirotecnia, coreografias e momentos de interação com o público brasileiro.

A Billboard Brasil classificou o show como histórico e destacou a reação dos fãs, que chegaram cedo ao festival usando lightsticks, camisetas e acessórios ligados ao grupo.

Mais do que medir a qualidade de uma apresentação, o volume de dados revela a dimensão da comunidade mobilizada pelo gênero. O público não apenas assistiu aos shows: registrou, publicou e compartilhou a experiência em tempo real.

O que o recorde revela

Os 90,5 terabytes não representam apenas um indicador técnico da rede de telefonia. O dado mostra como a experiência musical se tornou inseparável das redes sociais e das plataformas de mensagens.

No caso do K-pop, essa relação é ainda mais forte. Os fãs costumam acompanhar apresentações por diferentes ângulos, produzir vídeos, comentar cada momento e manter a repercussão ativa mesmo depois do fim do show.

A estreia do gênero no palco principal também sinaliza uma mudança na relação dos grandes festivais com o público jovem. O K-pop deixou de ser tratado como um segmento restrito e passou a ocupar o centro de uma das maiores programações musicais do país.

O recorde de tráfego e a repercussão internacional da apresentação indicam que o Stray Kids não apenas participou do Rock in Rio. O grupo ajudou a transformar a edição de 2026 em um marco para a presença do K-pop nos grandes festivais brasileiros.

domingo, 6 de setembro de 2026

Ator de “Quem Ama Cuida” denuncia ataque homofóbico a caminho do Rock in Rio; polícia investiga e caso chega ao Ministério Público


João Victor Gonçalves afirma ter sido seguido, filmado e ridicularizado durante transmissão ao vivo; streamer pede desculpas e nega preconceito, enquanto Decradi abre investigação e episódio reacende debate sobre homofobia transformada em “entretenimento” nas redes

O ator João Victor Gonçalves, de 24 anos, intérprete de Mau Mau na novela Quem Ama Cuida, tornou-se o centro de uma ampla discussão sobre homofobia, exposição pública e responsabilidade das plataformas digitais depois de denunciar ter sido hostilizado nas imediações do Rock in Rio, no Rio de Janeiro.

O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (4), quando João Victor caminhava em direção ao festival. Uma transmissão ao vivo feita na plataforma Kick registrou o momento em que o streamer conhecido como GH Rell RJ, acompanhado de outros homens, se aproxima do ator, passa a filmá-lo e faz comentários depreciativos sobre sua roupa e aparência. As imagens circularam rapidamente nas redes sociais.

João Victor não respondeu às provocações durante a abordagem. Posteriormente, publicou um vídeo emocionado no qual afirmou ter se sentido acuado, com receio sobre o que poderia acontecer em seguida, e classificou o episódio como um ataque homofóbico. Segundo o ator, somente depois de chegar em casa conseguiu dimensionar o que havia ocorrido.

A repercussão ultrapassou as redes sociais. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) abriu investigação para apurar o caso depois de tomar conhecimento das imagens, mesmo sem a existência inicial de registro formal de ocorrência por parte do ator.

Transmissão ao vivo transforma abordagem em caso nacional

O elemento que ampliou a repercussão foi justamente o fato de toda a abordagem ter ocorrido diante de uma audiência.

GH Rell RJ produz conteúdo no formato conhecido como IRL — “In Real Life”, em que streamers transmitem atividades cotidianas e interações em espaços públicos. Naquela noite, João Victor acabou se tornando personagem involuntário da transmissão.

Nas imagens divulgadas, os integrantes do grupo fazem comentários depreciativos sobre o visual usado pelo ator e continuam acompanhando seus passos enquanto riem da situação. João Victor afirmou posteriormente que esse tipo de comportamento não pode ser apresentado simplesmente como brincadeira ou produção de conteúdo.

O episódio trouxe para o centro da discussão uma questão que vem crescendo junto com as transmissões ao vivo: até onde vai o direito de produzir entretenimento quando uma pessoa é abordada, exposta e ridicularizada sem ter escolhido participar daquele conteúdo?

O caso ganhou ainda mais peso porque Mau Mau, personagem interpretado por João Victor em Quem Ama Cuida, também enfrenta situações de homofobia na trama. O ator relacionou a experiência vivida fora das telas com a história apresentada diariamente na televisão.

Streamer pede desculpas, mas nega homofobia

Depois da intensa reação nas redes sociais, GH Rell RJ se pronunciou.

O streamer afirmou que costuma abordar pessoas nas ruas durante suas transmissões, disse que pretendia produzir “entretenimento” e alegou que o trecho que viralizou teria sido retirado de contexto. Ele pediu desculpas a João Victor pela abordagem, mas negou ter agido com intenção homofóbica ou possuir preconceito contra pessoas LGBTQIA+.

A justificativa não encerrou a controvérsia.

A caracterização jurídica de uma conduta não depende exclusivamente da declaração posterior de intenção de quem a praticou. Caberá às autoridades analisar as imagens, as circunstâncias, as falas registradas e eventuais outros elementos para determinar se houve crime.

A defesa de João Victor afirmou que considera a abordagem intimidatória e com motivação homofóbica. Os advogados também rejeitaram uma acusação de racismo levantada pelo streamer depois que o ator contou ter sentido medo de ser roubado durante a aproximação do grupo. Segundo a defesa, a reação foi consequência da situação de vulnerabilidade e superioridade numérica, sem conotação racial.

Até a conclusão das investigações, essas versões precisam ser tratadas como alegações das partes envolvidas.

Erika Hilton aciona Ministério Público contra streamers e plataforma

A deputada federal Erika Hilton também entrou no caso.

A parlamentar anunciou que acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro para pedir investigação dos responsáveis pela abordagem e da própria plataforma Kick. Hilton argumentou que filmar alguém sem contexto, submetê-lo a ofensas de teor discriminatório e transformar a situação em conteúdo monetizado não pode ser tratado simplesmente como entretenimento.

A representação também solicita providências relacionadas à segurança no entorno do Rock in Rio.

A organização do festival informou que o episódio aconteceu fora do perímetro atendido por sua segurança privada, em área pública sob responsabilidade dos órgãos competentes. Ainda assim, o Rock in Rio repudiou a hostilização e afirmou manter ações permanentes de combate à discriminação, além de recomendar o uso dos transportes oficiais de acesso ao evento.

Perfil na Kick chegou a ficar indisponível

Neste domingo (6), diversos veículos noticiaram que o perfil de GH Rell RJ havia sido banido da Kick após usuários encontrarem uma mensagem informando que a página não estava disponível.

Há, porém, uma atualização importante.

Em consulta realizada posteriormente, a página do streamer voltou a aparecer na própria Kick, identificada como “offline”, com histórico do perfil disponível. Isso impede afirmar, neste momento, que exista um banimento permanente e definitivo da conta.

Até a publicação desta reportagem, não localizamos comunicado público detalhado da Kick esclarecendo se houve suspensão temporária, retirada do perfil, punição posteriormente revertida ou outra medida disciplinar.

A ausência de explicação da plataforma também entra no debate provocado pelo caso: quais mecanismos as empresas de transmissão ao vivo utilizam para impedir que humilhação, discriminação ou intimidação sejam transformadas em conteúdo para audiência e monetização?

Homofobia é enquadrada como crime no Brasil

Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal determinou que atos de homofobia e transfobia sejam enquadrados na Lei do Racismo enquanto o Congresso Nacional não aprovar legislação específica sobre o tema.

A decisão foi tomada nos julgamentos da ADO 26 e do MI 4733 e permanece como referência jurídica para investigações relacionadas à discriminação contra pessoas LGBTQIA+.

Isso não significa que qualquer crítica à roupa, aparência ou comportamento de uma pessoa seja automaticamente crime de homofobia.

É necessário analisar contexto, conteúdo, motivação, intenção discriminatória e demais circunstâncias da conduta.

É justamente isso que a investigação da Decradi deverá fazer no caso de João Victor.

Artistas prestam solidariedade

A denúncia provocou uma grande onda de apoio no meio artístico.

Liniker, Eliana, Gil do Vigor, Marcos Mion, Luana Piovani e outros artistas se manifestaram em solidariedade a João Victor. O autor de Quem Ama Cuida, Walcyr Carrasco, também repudiou o episódio e afirmou que homofobia não deve ser confundida com entretenimento.

A atriz Maria Ribeiro, colega de elenco do ator, comentou o caso durante o próprio Rock in Rio e reforçou que a homofobia deve ser tratada como crime, não como opinião.

Neste domingo, João Victor voltou ao festival.

Em suas redes sociais, mostrou o visual escolhido para mais um dia na Cidade do Rock e resumiu a decisão de retornar com uma mensagem simples: “Bora viver”.

O retorno adquiriu significado simbólico depois do episódio da sexta-feira.

Quando a humilhação vira conteúdo

Mais do que uma ocorrência envolvendo um ator conhecido, o caso expõe uma discussão maior sobre o funcionamento de uma parte da economia digital.

Transmissões ao vivo incentivam improviso, reação instantânea e busca constante por situações capazes de gerar cortes virais. Quanto mais controverso o momento, maior pode ser a circulação do vídeo, o engajamento e a audiência.

O problema surge quando uma pessoa que não escolheu participar da transmissão é transformada em alvo.

A liberdade de expressão protege críticas, sátiras e opiniões, inclusive desagradáveis. Ela não elimina, porém, responsabilidades previstas em lei quando o conteúdo ultrapassa esse limite e passa para discriminação, ameaça, perseguição ou outras condutas ilícitas.

Será a investigação policial — e eventualmente o Ministério Público e a Justiça — que determinará se esse limite foi ultrapassado no episódio envolvendo João Victor Gonçalves.

O que já está estabelecido é que a abordagem foi registrada, transmitida e vista por milhares de pessoas; o ator afirma ter sido vítima de homofobia; o streamer pede desculpas, mas rejeita essa classificação; e a Polícia Civil agora investiga.

Uma transmissão que começou como conteúdo de rua terminou transformada em caso policial.

E a pergunta que fica para as plataformas e para quem constrói audiência a partir de pessoas encontradas ao acaso é direta: quando a diversão depende da humilhação de alguém, ainda é apenas entretenimento?

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Rock in Rio 2026 começa sexta com virada no tempo; Stray Kids é um dos shows mais aguardados


Festival ocupa a Cidade do Rock em sete dias de setembro, reúne Foo Fighters, Elton John, Stray Kids, Maroon 5 e Twenty One Pilots e terá transmissão ao vivo pela TV e pelo Globoplay

O Rock in Rio 2026 começa nesta sexta-feira, 4 de setembro, na Cidade do Rock, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. A edição será realizada nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, com sete dias de shows e uma programação que mistura rock, pop, música eletrônica, K-pop e artistas brasileiros.

A abertura terá Foo Fighters como principal atração do Palco Mundo, depois de apresentações de Rise Against, The Hives e Nova Twins. No sábado (5), o palco recebe Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, MGK e Sepultura. Calvin Harris lidera o domingo (6), enquanto o feriado de 7 de Setembro terá Elton John, Gilberto Gil, Jon Batiste e Luísa Sonza.

O segundo bloco do festival começa em 11 de setembro com uma das apresentações mais esperadas desta edição: o Stray Kids estreia na Cidade do Rock como atração principal do Palco Mundo. O grupo sul-coreano divide a programação do palco naquele dia com Alok, Hwasa e NEXZ. A procura foi intensa e os ingressos para o dia 11 chegaram a esgotar ainda em julho.

No sábado (12), o destaque será Maroon 5, acompanhado por Demi Lovato, J Balvin e Pedro Sampaio. A edição termina no domingo (13), com Twenty One Pilots, Halsey, Lola Young e Ivete Sangalo no Palco Mundo.

Primeiro fim de semana pode ter chuva e queda de temperatura

Quem pretende acompanhar os primeiros dias do festival precisará prestar atenção também à previsão do tempo. Segundo projeção da Climatempo divulgada nesta semana, a sexta-feira deve começar com tempo mais favorável, possibilidade de sol e temperatura próxima dos 30°C, sem expectativa de chuva significativa.

O cenário muda a partir de sábado. A previsão indicava 85% de possibilidade de chuva no dia 5, principalmente durante a noite, com máxima em torno de 26°C. Para domingo, a estimativa era de 84% de chance de chuva e temperatura máxima próxima de 22°C. Na segunda-feira, 7 de Setembro, a projeção apontava 80% de possibilidade de precipitação e máxima de aproximadamente 20°C.

Como previsões meteorológicas podem mudar rapidamente, especialmente com alguns dias de antecedência, quem for à Cidade do Rock deve acompanhar as atualizações antes de sair de casa. O INMET prevê para setembro tendência de chuva acima da média histórica em grande parte do Sudeste, incluindo boa parte do Estado do Rio de Janeiro.

Stray Kids marca avanço do K-pop no festival

A estreia do Stray Kids é um dos pontos de maior interesse internacional do Rock in Rio 2026. Formado por Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N, o grupo chega ao festival depois de consolidar uma das maiores bases de fãs do K-pop no mundo.

Segundo o próprio Rock in Rio, o Stray Kids já ultrapassou 30 milhões de álbuns vendidos e acumulou uma sequência de discos no primeiro lugar da Billboard 200. O show de 11 de setembro será a primeira apresentação do grupo na Cidade do Rock.

A programação daquele dia reforça a aposta do festival no público ligado à música asiática. Além do Stray Kids, o Palco Mundo terá Hwasa, uma das principais artistas sul-coreanas da atualidade, e o grupo japonês NEXZ, além do brasileiro Alok.

Festival terá transmissão ao vivo

Quem não estiver no Rio poderá acompanhar boa parte da programação pela televisão e pelo streaming. O Globoplay, Multishow e Canal Bis terão cobertura dos cinco palcos, enquanto a TV Globo exibirá flashes durante a programação e um especial ao final de cada noite.

No Multishow, a transmissão começa diariamente às 15h15. O Canal Bis entra no ar às 15h50. Assinantes do Globoplay Premium terão acesso à cobertura completa, incluindo sinal adicional do Multishow em 4K. A plataforma também oferecerá uma opção gratuita que alternará a transmissão de palcos selecionados.

Na Cidade do Rock, os portões serão abertos às 14h, com os primeiros shows começando pouco depois. Algumas atrações do espaço de música eletrônica seguem até depois das 3h da manhã.

A Prefeitura do Rio preparou operação especial de mobilidade, trânsito, saúde e segurança para os sete dias do festival. O principal acesso será pelo transporte público, com operação especial de BRT e integração com o metrô. A recomendação é evitar o uso de carro nas proximidades do Parque Olímpico devido aos bloqueios previstos para a região.

Com grandes nomes internacionais, forte presença brasileira e uma estreia de peso do K-pop, o Rock in Rio volta a transformar setembro em um dos períodos de maior movimentação musical do país. Para quem estará na Cidade do Rock no primeiro fim de semana, porém, além do ingresso e do planejamento de transporte, capa de chuva pode acabar entrando na lista de itens essenciais.