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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Quase 3 milhões de eleitores não votaram no Rio: abstenção teria força equivalente a 18 cadeiras na Alerj e cerca de 12 na Câmara


Ausentes representaram 23,33% do eleitorado fluminense; se formassem um único bloco eleitoral, seriam capazes de construir a segunda maior bancada estadual e federal do Rio de Janeiro

As eleições de 2026 deixaram um número que vai muito além da disputa entre candidatos e partidos: 2.996.650 eleitores do Estado do Rio de Janeiro não compareceram às urnas no primeiro turno.

O Rio possuía 12.842.517 eleitores aptos. Desse total, 9.845.867 compareceram, o equivalente a 76,67% do eleitorado. A abstenção chegou a 23,33%, superando a média nacional de pouco mais de 21%.

Em termos absolutos, quase três milhões de fluminenses deixaram de participar da escolha do governador, dos senadores e dos representantes do estado na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Mas qual seria o peso desse contingente na eleição proporcional? Quantos deputados poderiam ser eleitos se os ausentes comparecessem e votassem de maneira concentrada?

A resposta exige mais do que simplesmente comparar a abstenção com a votação individual dos candidatos.

Os números da abstenção no Rio

O resultado oficial apresenta o seguinte quadro:

  • Eleitorado apto: 12.842.517;

  • Comparecimento: 9.845.867 eleitores;

  • Percentual de comparecimento: 76,67%;

  • Abstenção: 2.996.650 eleitores;

  • Percentual de abstenção: 23,33%.

Isso significa que praticamente um em cada quatro eleitores do Rio de Janeiro não participou da votação.

O número de ausentes foi superior à população inteira de vários estados brasileiros e representou um contingente capaz de alterar profundamente a composição das bancadas estaduais e federais.

Comparação com o quociente eleitoral da Alerj

Na eleição para deputado estadual, foram contabilizados aproximadamente 8.479.505 votos válidos para a distribuição das 70 cadeiras da Assembleia Legislativa.

O quociente eleitoral oficial ficou em 121.136 votos por cadeira.

Em uma comparação direta com esse quociente:

2.996.650 ÷ 121.136 = 24,74

Portanto, usando apenas o quociente registrado na eleição, o número de ausentes corresponde a quase 25 quocientes eleitorais estaduais, ou a 24 quocientes completos.

Essa comparação, entretanto, é apenas ilustrativa. Caso os três milhões de ausentes realmente comparecessem e transformassem seus votos em votos válidos, o total de votos da eleição aumentaria. Consequentemente, o próprio quociente eleitoral também subiria.

Cenário corrigido: aproximadamente 18 cadeiras estaduais

Para construir uma projeção tecnicamente mais adequada, é necessário adicionar os votos dos ausentes ao total de votos válidos.

O cálculo ficaria assim:

  • Votos válidos apurados: 8.479.505;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.476.155;

  • Número de cadeiras da Alerj: 70;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 163.945 votos.

Dividindo os votos potenciais dos ausentes pelo novo quociente:

2.996.650 ÷ 163.945 = 18,28

Assim, se todos os eleitores ausentes comparecessem e votassem em uma única legenda ou federação, esse bloco teria força matemática equivalente a aproximadamente 18 deputados estaduais.

Dependendo da distribuição das sobras e das médias partidárias, o resultado poderia sofrer pequena variação. Mas a dimensão política é clara: os ausentes poderiam formar a segunda maior bancada da Alerj, atrás apenas do PL, que elegeu 21 parlamentares.

A bancada hipotética dos eleitores ausentes seria duas vezes maior que as bancadas do PT e do PSD, que elegeram nove deputados estaduais cada.

Efeito da abstenção na eleição para deputado federal

Na disputa pela Câmara dos Deputados, o Rio de Janeiro registrou aproximadamente 8.743.753 votos válidos para a distribuição de 46 cadeiras.

O quociente eleitoral federal ficou em 190.082 votos.

Utilizando apenas o quociente oficial registrado nas urnas:

2.996.650 ÷ 190.082 = 15,76

Nessa comparação simplificada, a abstenção corresponde a quase 16 quocientes eleitorais federais, sendo suficiente para completar 15 quocientes inteiros.

Novamente, esse cálculo não considera que a entrada de quase três milhões de votos aumentaria o total de votos válidos e, consequentemente, elevaria o próprio quociente.

Cenário corrigido: força equivalente a cerca de 12 deputados federais

Com a inclusão hipotética dos votos dos ausentes, o cálculo seria:

  • Votos válidos apurados: 8.743.753;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.740.403;

  • Número de cadeiras federais do Rio: 46;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 255.226 votos.

Aplicando o novo quociente:

2.996.650 ÷ 255.226 = 11,74

O contingente de ausentes teria, portanto, força proporcional equivalente a aproximadamente 12 deputados federais, sendo 11 quocientes completos e uma fração relevante para a disputa das vagas distribuídas pelas médias.

Uma bancada com cerca de 12 parlamentares seria a segunda maior representação federal do Rio de Janeiro, ficando atrás somente do PL, que elegeu 15 deputados.

O grupo hipotético dos ausentes teria o dobro da bancada do PT, que conquistou seis cadeiras, e seria maior que as bancadas do PP, PSOL, PSDB e PSD.

Resumo do impacto potencial

CargoQuociente oficialEquivalência usando o quociente já apuradoCenário corrigido com aumento dos votos válidos
Deputado estadual121.136 votos24,74 cadeiras18,28 cadeiras
Deputado federal190.082 votos15,76 cadeiras11,74 cadeiras

A primeira comparação mostra quantos quocientes atuais cabem dentro do total de abstenções. A segunda é mais adequada para uma simulação eleitoral, pois recalcula o quociente depois da entrada dos novos votos.

Por isso, a conclusão tecnicamente mais equilibrada é que os eleitores ausentes teriam força proporcional para eleger aproximadamente 18 deputados estaduais e 12 deputados federais, caso votassem de forma concentrada em um mesmo partido ou federação.

Ausentes não formam um grupo político homogêneo

É importante destacar que a abstenção não pode ser tratada como se fosse um partido político. Os quase três milhões de eleitores ausentes possuem opiniões, condições sociais, preferências ideológicas e motivações diferentes.

Entre as razões para o não comparecimento estão dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, mudança de domicílio, desatualização cadastral, desinteresse político, ausência do município e decisão deliberada de não votar.

Não existe qualquer garantia de que esses votos seriam direcionados para os mesmos candidatos ou partidos.

O cálculo apresentado nesta reportagem é uma equivalência matemática destinada a demonstrar o tamanho eleitoral da abstenção — e não uma previsão de como os ausentes efetivamente votariam.

Abstenção tem peso maior que a maioria dos partidos

Mesmo com essa ressalva, o diagnóstico revela uma dimensão política impressionante. Nenhum partido, com exceção do PL, conquistou nas urnas uma força parlamentar comparável àquela representada pelo conjunto dos eleitores que não votaram.

Na Alerj, os ausentes representariam aproximadamente 26,11% dos votos válidos em um cenário de comparecimento integral. Na eleição federal, representariam cerca de 25,52%.

Em outras palavras, o grupo dos que não compareceram às urnas seria responsável por aproximadamente um quarto da força eleitoral efetiva do estado.

A abstenção não aparece nas cadeiras do Legislativo, não apresenta projetos, não fiscaliza o governo e não participa das votações parlamentares. Mas seu tamanho demonstra que uma parcela decisiva da sociedade fluminense permaneceu fora da escolha de quem ocupará o poder pelos próximos quatro anos.

Participação poderia alterar completamente o resultado

Em uma eleição proporcional, pequenas variações na votação das legendas podem mudar a distribuição das últimas cadeiras. A entrada de quase três milhões de votos teria potencial para alterar quocientes, médias, bancadas partidárias, suplências e a própria relação dos candidatos eleitos.

Não seria apenas uma questão de adicionar novos parlamentares. Como o número total de cadeiras permanece fixo — 70 na Alerj e 46 na Câmara — o crescimento de um bloco necessariamente reduziria o espaço ocupado pelos demais partidos.

Por isso, a abstenção deve ser compreendida não somente como um dado estatístico, mas como uma ausência com efeitos concretos sobre a representação política.

Os 2.996.650 eleitores que não compareceram tinham, juntos, peso suficiente para construir uma das maiores forças parlamentares do Rio de Janeiro.

A eleição terminou, os mandatos foram distribuídos e os vencedores estão definidos. Mas o tamanho da abstenção deixa uma pergunta para os próximos pleitos: como seria a representação política do estado se todos os eleitores transformassem sua insatisfação, esperança ou cobrança em voto?

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — totalização das Eleições 2026 no Estado do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro elege 70 deputados estaduais e 46 federais; confira a lista completa


PL conquista as maiores bancadas do estado na Alerj e na Câmara dos Deputados; Índia Armelau e Dr. Luizinho lideram as votações proporcionais no Rio

Os eleitores do Rio de Janeiro definiram, neste domingo, 4 de outubro, os novos representantes do estado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados. Com 100% das urnas totalizadas, foram eleitos 70 deputados estaduais e 46 deputados federais para mandatos que começarão em 2027.

Na disputa pela Alerj, a maior votação foi alcançada por Índia Armelau, do PL, que recebeu 248.504 votos. Para a Câmara dos Deputados, Dr. Luizinho, do PP, liderou o resultado, com 213.904 votos.

O Partido Liberal confirmou o melhor desempenho nas duas eleições proporcionais. A legenda conquistou 21 cadeiras na Alerj e 15 das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara.

PL terá a maior bancada da Alerj

A composição partidária da próxima legislatura da Assembleia Legislativa ficou distribuída da seguinte maneira:

  • PL: 21 deputados;

  • PT: 9;

  • PSD: 9;

  • PSOL: 5;

  • PP: 5;

  • União Brasil: 4;

  • Republicanos: 3;

  • MDB: 2;

  • PDT: 2;

  • Solidariedade: 2;

  • PSB: 2;

  • PCdoB: 1;

  • Novo: 1;

  • PSDB: 1;

  • Agir: 1;

  • PRD: 1;

  • DC: 1.

Além da liderança do PL, o resultado mostra o crescimento conjunto de PT e PSD, que elegeram nove representantes cada. PSOL e PP aparecem em seguida, com cinco cadeiras para cada legenda.

Os 70 deputados estaduais eleitos no Rio de Janeiro

Confira a relação completa em ordem decrescente de votação:

  1. Índia Armelau (PL) — 248.504 votos

  2. Márcio Canella (União Brasil) — 197.178 votos

  3. Renata Souza (PSOL) — 176.871 votos

  4. Dani Balbi (PCdoB) — 169.474 votos

  5. Guilherme Delaroli (PL) — 166.374 votos

  6. Rosenverg Reis (MDB) — 139.866 votos

  7. Elika Takimoto (PT) — 135.271 votos

  8. Anderson Moraes (PL) — 129.325 votos

  9. Costenaro (Novo) — 121.780 votos

  10. Dra. Gabriela (PL) — 96.267 votos

  11. Flavio Serafini (PSOL) — 95.666 votos

  12. Felipinho Ravis (PP) — 93.606 votos

  13. Alan Lopes (PL) — 93.396 votos

  14. João Pires (PSD) — 90.195 votos

  15. Verônica Lima (PT) — 85.421 votos

  16. Alexandre Isquierdo Malafaia (PL) — 83.461 votos

  17. Fernanda Neves (PDT) — 83.326 votos

  18. Rafael Nobre (União Brasil) — 76.706 votos

  19. Jair Bittencourt (PL) — 73.722 votos

  20. Léo Vieira Filho (PSDB) — 72.939 votos

  21. André Ceciliano (PT) — 70.628 votos

  22. Nelsinho Ruas (PL) — 70.552 votos

  23. Bruno Dauaire (União Brasil) — 69.119 votos

  24. Marina do MST (PT) — 66.167 votos

  25. Rodrigo Medeiros (PL) — 65.530 votos

  26. André Correa (PSD) — 65.188 votos

  27. Carlinhos BNH (PP) — 61.724 votos

  28. Felipe Pampolha (PP) — 61.589 votos

  29. Jorge Felippe Neto (PL) — 58.508 votos

  30. Delegado Carlos Augusto (PL) — 58.142 votos

  31. Marcelo Dino (PL) — 57.982 votos

  32. Librelon (Republicanos) — 57.409 votos

  33. Dr. Pedro Ricardo (PL) — 57.354 votos

  34. Delegado Bernardo Leal (PP) — 57.254 votos

  35. Claudio Caiado (PSD) — 56.936 votos

  36. Gustavo Tutuca (PP) — 56.334 votos

  37. Renato Miranda (PL) — 56.329 votos

  38. Dani Monteiro (PSOL) — 55.227 votos

  39. Guilherme Schleder (PSD) — 54.760 votos

  40. Munir Neto (Solidariedade) — 52.808 votos

  41. Julio Rocha (Agir) — 51.609 votos

  42. Allyson Elias (PT) — 51.145 votos

  43. Márcio Gualberto (PL) — 50.804 votos

  44. Chico Machado (PL) — 50.664 votos

  45. Vinícius Cozzolino (PSD) — 49.353 votos

  46. Leandro (Republicanos) — 49.013 votos

  47. Tia Ju (Republicanos) — 47.302 votos

  48. Coronel Menezes (PL) — 46.700 votos

  49. Rafael Picciani (União Brasil) — 46.686 votos

  50. Giovani Ratinho (MDB) — 46.380 votos

  51. Luciana Boiteux (PSOL) — 44.928 votos

  52. Leonel de Esquerda (PT) — 44.597 votos

  53. Giselle Monteiro (PL) — 44.532 votos

  54. Luiz Paulo (PSD) — 43.720 votos

  55. Serginho (PDT) — 43.664 votos

  56. Ana Paula Mendes (PSD) — 43.356 votos

  57. Yuri Moura (PSOL) — 43.336 votos

  58. Zeidan (PT) — 43.115 votos

  59. Poubel Filho (PL) — 42.871 votos

  60. Daniel Marques (PL) — 42.768 votos

  61. Adilson Pires (PT) — 42.467 votos

  62. Felipe Tropa (PL) — 41.293 votos

  63. Carla Machado (PSD) — 39.208 votos

  64. Vantoil Martins (PSB) — 39.179 votos

  65. Soldado Tobias (PRD) — 37.969 votos

  66. Joyce Trindade (PSD) — 37.088 votos

  67. Arthur Monteiro (Solidariedade) — 35.844 votos

  68. Jari (PSB) — 34.199 votos

  69. Raone Ferreira (PT) — 28.377 votos

  70. Carlos Russo (DC) — 27.447 votos

L também lidera bancada federal do Rio

Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 15 das 46 vagas do estado. O PT elegeu seis deputados e o PP ficou com cinco. PSOL, PSDB e PSD conquistaram quatro cadeiras cada.

A composição partidária da bancada federal do Rio ficou assim:

  • PL: 15 deputados;

  • PT: 6;

  • PP: 5;

  • PSOL: 4;

  • PSDB: 4;

  • PSD: 4;

  • PCdoB: 2;

  • União Brasil: 1;

  • MDB: 1;

  • Solidariedade: 1;

  • Novo: 1;

  • Republicanos: 1;

  • PDT: 1.

Os 46 deputados federais eleitos pelo Rio de Janeiro

Confira a lista completa em ordem de votação:

  1. Dr. Luizinho (PP) — 213.904 votos

  2. Rick Azevedo (PSOL) — 191.371 votos

  3. Lindbergh (PT) — 181.768 votos

  4. Luciano Vieira (PSDB) — 177.887 votos

  5. Altineu Cortes (PL) — 175.161 votos

  6. Freixo (PT) — 172.969 votos

  7. Sóstenes Cavalcante (PL) — 170.290 votos

  8. Rueda (União Brasil) — 155.836 votos

  9. Anielle Franco (PT) — 149.726 votos

  10. General Pazuello (PL) — 146.148 votos

  11. Gutemberg Reis (MDB) — 145.876 votos

  12. Soraya Santos (PL) — 141.443 votos

  13. Aureo Ribeiro (Solidariedade) — 134.557 votos

  14. Delegado Felipe Curi (PP) — 133.626 votos

  15. Talíria Petrone (PSOL) — 122.500 votos

  16. Manoela Peres (PL) — 117.648 votos

  17. Dani Cunha (PL) — 116.984 votos

  18. Daniel Soranz (PSD) — 107.849 votos

  19. Julia de Castro (PL) — 103.880 votos

  20. Elias Jabbour (PCdoB) — 103.219 votos

  21. Diogo Balieiro Diniz (PL) — 102.026 votos

  22. Renan Ferreirinha (PSD) — 93.504 votos

  23. Rafael Satiê (PL) — 91.074 votos

  24. Glauber Braga (PSOL) — 86.314 votos

  25. Renato Cozzolino (PP) — 84.516 votos

  26. Fabiano Horta (PT) — 82.902 votos

  27. Chris Tonietto (PL) — 81.966 votos

  28. Poubel (PL) — 81.960 votos

  29. Wladimir Garotinho (PL) — 81.797 votos

  30. Douglas Gomes (PL) — 80.310 votos

  31. Luiz Lima (Novo) — 79.249 votos

  32. Pastor Henrique Vieira (PSOL) — 77.584 votos

  33. Márcio Rezende (PSD) — 75.148 votos

  34. Jandira Feghali (PCdoB) — 74.409 votos

  35. Leniel Borel (PP) — 72.658 votos

  36. Luis Carlos Gomes (Republicanos) — 70.331 votos

  37. Marcos Tavares (PDT) — 69.438 votos

  38. Diego Quaqua (PT) — 68.798 votos

  39. Marcio Ribeiro (PSD) — 67.989 votos

  40. Thiago Gagliasso (PL) — 67.700 votos

  41. Nísia Trindade (PT) — 67.350 votos

  42. Jorge Miranda (PL) — 67.298 votos

  43. Juninho do Pneu (PSDB) — 64.440 votos

  44. Marcelo Queiroz (PSDB) — 58.739 votos

  45. Bebeto (PP) — 52.761 votos

  46. Talita Galhardo (PSDB) — 46.780 votos

Renan Ferreirinha é eleito com mais de 93 mil votos

Entre os destaques da nova bancada federal está Renan Ferreirinha, do PSD. Ex-secretário municipal de Educação do Rio, ele recebeu 93.504 votos e terminou na 22ª posição geral.

A eleição de Ferreirinha consolida uma candidatura que apresentou a educação pública, a ampliação do ensino em tempo integral, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o combate aos impactos das apostas eletrônicas como algumas de suas principais bandeiras.

Votação individual não é o único critério

Nas eleições proporcionais, a definição dos eleitos não depende exclusivamente da votação individual. O cálculo considera os votos conquistados pelos candidatos, os votos dados às legendas, o desempenho total dos partidos e federações, o quociente eleitoral e a distribuição das vagas pelas médias.

Por esse motivo, candidatos com votações superiores às de alguns eleitos podem terminar como suplentes ou não conquistar mandato. O desempenho da legenda ou federação é decisivo para transformar votos individuais em cadeiras.

A relação apresentada nesta reportagem corresponde à totalização divulgada após a conclusão da apuração. Alterações posteriores ainda podem ocorrer em razão de decisões da Justiça Eleitoral envolvendo registros, recursos ou validade de votos.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — resultados totalizados em 4 de outubro de 2026.

domingo, 4 de outubro de 2026

Ferreirinha é eleito deputado federal com 93.504 votos e conquista mandato próprio em Brasília


Ex-secretário de Educação do Rio mais que dobra a votação obtida em 2022 e transforma uma trajetória marcada pela gestão pública e pela defesa da educação em vitória nas urnas

Renan Ferreirinha foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições realizadas neste domingo, 4 de outubro. Candidato pelo PSD com o número 5521, ele recebeu 93.504 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos, e garantiu uma das 46 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.

O resultado representa um avanço expressivo em sua trajetória eleitoral. Em 2022, Ferreirinha havia recebido 40.540 votos e terminado a disputa como segundo suplente. Quatro anos depois, conquistou 52.964 votos a mais, crescimento superior a 130%, e alcançou um mandato próprio na Câmara.

Ferreirinha chegou a exercer brevemente o mandato federal como suplente durante a atual legislatura. A vitória de 2026, porém, muda sua posição política: a partir de 2027, ele chegará a Brasília respaldado diretamente pelas urnas para cumprir um mandato completo.

Uma vitória construída pela educação

A campanha de Ferreirinha apresentou como principal credencial o trabalho desenvolvido à frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro entre 2021 e 2026.

Durante o período, ele comandou uma rede com aproximadamente 586 mil estudantes e mais de 1.500 unidades escolares. A gestão ficou marcada pela recuperação da aprendizagem após a pandemia, pela ampliação da educação em tempo integral, pela criação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos e pelo combate ao abandono escolar.

O Rio chegou à marca de 300 GETs, modelo que combina jornada ampliada, cultura maker, programação, ciências, audiovisual e novas tecnologias. A rede também registrou avanço no Ideb dos anos iniciais, que passou de 5,4 para 6,2 no ciclo associado à sua gestão.

Outro ponto de grande repercussão foi a restrição ao uso de celulares durante todo o horário escolar. A experiência implementada no Rio ganhou dimensão nacional quando Ferreirinha, já na Câmara como suplente, relatou o projeto que originou a Lei Federal 15.100/2025, responsável por levar a medida às escolas públicas e privadas do país.

Das políticas locais para uma agenda nacional

A vitória abre caminho para que Ferreirinha transforme experiências testadas em uma grande rede municipal em propostas de alcance nacional.

Entre os temas associados à sua atuação estão a ampliação da educação integral, o fortalecimento do Fundeb, a primeira infância, a valorização dos profissionais da educação, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o enfrentamento à publicidade das apostas.

Ferreirinha também apresentou propostas relacionadas à idade mínima para contas individuais em redes sociais abertas e à proteção de professores e demais trabalhadores da educação. Parte dessas matérias ainda depende de tramitação e aprovação no Congresso.

Com o mandato conquistado nas urnas, ele passa a ter condições políticas mais sólidas para participar das comissões permanentes, apresentar projetos, propor emendas ao orçamento, fiscalizar programas federais e articular políticas entre União, estados e municípios.

Mais que o dobro dos votos

O salto de 40.540 votos, em 2022, para 93.504, em 2026, mostra que Ferreirinha ampliou significativamente sua base eleitoral.

A votação também sinaliza o reconhecimento de uma candidatura construída em torno de resultados administrativos mensuráveis. Em vez de apresentar apenas promessas, a campanha buscou mostrar políticas já implementadas, indicadores educacionais e experiências que podem ser avaliadas pela sociedade.

Esse crescimento não elimina os desafios. A atuação de Ferreirinha será acompanhada pela capacidade de transformar o capital político conquistado nas urnas em entregas concretas, formação de alianças e recursos para o Rio de Janeiro.

Um novo capítulo em Brasília

A eleição coloca Ferreirinha entre os representantes fluminenses que assumirão a nova legislatura da Câmara dos Deputados em 2027.

O resultado encerra uma etapa marcada pela condição de suplente e inicia outra, com responsabilidade direta sobre um mandato conferido por 93.504 eleitores.

Para quem acompanhou sua trajetória desde a mobilização social pela educação, passando pela Assembleia Legislativa e pela gestão da maior rede municipal de ensino do país, a vitória representa a chegada a um novo patamar político.

Agora, o desafio será fazer com que a experiência construída no Rio se converta em políticas capazes de alcançar estudantes, professores e famílias de todo o Brasil.

Ferreirinha venceu nas urnas com uma mensagem centrada na educação. A partir de 2027, terá a oportunidade — e a responsabilidade — de transformar essa confiança em trabalho no Congresso Nacional.

Fontes

sábado, 3 de outubro de 2026

Quando o aluno pede ajuda em silêncio: lei de Ferreirinha antecipou uma urgência que chegou às escolas


Coautor do Selo Escola Amiga da Saúde Mental, candidato a deputado federal reúne experiência legislativa e de gestão; desafio nacional é transformar reconhecimento institucional em prevenção, formação de profissionais e acesso efetivo ao cuidado

Nem todo pedido de ajuda é feito em voz alta. Dentro das escolas, mudanças de comportamento, isolamento, queda repentina no rendimento, crises de ansiedade, automutilação e faltas frequentes podem revelar sofrimentos que ultrapassam os limites da sala de aula.

O tema ganhou urgência diante dos números mais recentes. Segundo levantamento divulgado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com dados da Secretaria de Estado de Saúde, as 27 UPAs estaduais realizaram 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental entre 2023 e 2025. O total anual passou de 50.624 para 64.400 no período, crescimento aproximado de 27%.

No cenário nacional, o Atlas da Violência 2026 apontou que a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre pessoas de 10 a 19 anos aumentou 73% em uma década, passando de 3,7 para 6,4 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024.

É nesse contexto que uma parte menos conhecida da trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, volta a ganhar relevância. Antes de comandar a Secretaria Municipal de Educação do Rio, Ferreirinha participou da criação de leis estaduais voltadas à inclusão e à promoção da saúde mental em escolas e ambientes de trabalho.

Uma lei para reconhecer escolas comprometidas com a inclusão

Em 2019, quando exercia mandato na Assembleia Legislativa, Ferreirinha apresentou com a deputada Lucinha o projeto que deu origem à Lei Estadual 9.250/2021, responsável pela criação do Selo Escola Amiga da Saúde Mental.

A legislação prevê o reconhecimento de instituições de ensino que comprovem ações de inclusão social de pessoas com transtornos mentais e com Transtorno do Espectro Autista. Entre seus objetivos estão a conscientização das famílias e da sociedade, a humanização das relações, a prevenção ao suicídio e a promoção da saúde mental.

O selo tem validade de dois anos e pode ser renovado após nova avaliação. A fiscalização dos critérios cabe à Secretaria de Estado de Educação, que também pode cancelar a autorização quando a escola deixa de cumprir as exigências.

O ponto central da lei é colocar a saúde mental dentro da responsabilidade institucional da escola. A proposta rompe com a ideia de que o sofrimento emocional deve ser enfrentado exclusivamente pelo estudante e por sua família.

Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer os limites do instrumento: um selo não substitui atendimento psicológico, rede pública de saúde, profissionais capacitados ou protocolos de acolhimento. Seu valor depende da regulamentação, da fiscalização e da existência de práticas verificáveis dentro das instituições reconhecidas.

A preocupação também chegou ao ambiente de trabalho

Ferreirinha e Lucinha também são autores da Lei Estadual 8.613/2019, que criou o Selo Empresa Amiga da Saúde Mental no Rio de Janeiro.

Nesse caso, a certificação é direcionada a empresas que contribuam para a inclusão de pessoas com deficiências mentais em seus quadros ou entre os trabalhadores terceirizados. A lei exige ações de valorização, aperfeiçoamento e humanização das relações de trabalho.

As duas legislações revelam uma linha de atuação que atravessa diferentes etapas da vida: a inclusão dentro da escola e a construção de oportunidades no mercado de trabalho.

Não se trata de afirmar que essas leis, isoladamente, resolveram o problema. A ausência de informações públicas consolidadas sobre o número de instituições certificadas e os efeitos produzidos dificulta uma avaliação completa da implementação. Esse é justamente um dos desafios das políticas baseadas em selos: sem metas, indicadores e transparência, o reconhecimento pode perder força e se tornar apenas simbólico.

A escola não é consultório, mas não pode ignorar os sinais

Professores e gestores não devem substituir psicólogos, psiquiatras ou equipes do Sistema Único de Saúde. A escola, entretanto, ocupa uma posição estratégica para perceber alterações de comportamento, acolher o estudante e encaminhá-lo à rede de proteção.

Essa compreensão ganhou novo peso em 2026. A Lei Federal 15.413 incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente o direito de crianças e adolescentes a programas de saúde mental promovidos pelo SUS. A norma determina atendimento psicossocial básico e especializado, assistência de urgência e formação permanente dos profissionais responsáveis pela identificação de sinais de risco.

O avanço legal cria uma obrigação nacional, mas sua efetividade dependerá da articulação entre escolas, unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial, assistência social, conselhos tutelares e famílias.

Na prática, o desafio é impedir que o estudante seja simplesmente encaminhado de um serviço para outro sem receber atendimento. Uma política eficiente precisa definir fluxos, responsáveis, prazos e formas de acompanhamento.

Experiência de gestão amplia a responsabilidade

Entre 2021 e 2026, Ferreirinha comandou uma das maiores redes municipais de ensino do país. A experiência administrativa acrescentou uma dimensão prática à atuação legislativa: gerir uma rede com centenas de milhares de alunos significa lidar diariamente com situações de vulnerabilidade, conflitos familiares, violência, inclusão e dificuldades de aprendizagem.

Essa trajetória não autoriza atribuir a uma única pessoa todo o trabalho realizado pela rede. Resultados educacionais dependem de professores, gestores escolares, equipes técnicas, profissionais de apoio e das demais áreas do poder público.

Mas a combinação entre mandato parlamentar e gestão executiva oferece a Ferreirinha uma visão relevante sobre a distância existente entre aprovar uma lei e fazer a política funcionar na rotina de uma escola.

O que essa experiência pode representar em Brasília

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode transformar esse histórico em uma agenda nacional de saúde mental ligada à educação. Isso não significa que todas as medidas abaixo já sejam projetos formalmente apresentados por ele. Trata-se das frentes em que um parlamentar federal pode atuar a partir da experiência acumulada:

  • ampliar recursos para a Rede de Atenção Psicossocial e para programas voltados a crianças e adolescentes;
  • apoiar a formação de professores e gestores para identificar sinais de risco sem transformar educadores em profissionais clínicos;
  • criar parâmetros nacionais para protocolos de acolhimento e encaminhamento;
  • fiscalizar a implementação do direito ao atendimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente;
  • fortalecer a integração entre educação, saúde e assistência social;
  • exigir indicadores públicos que permitam avaliar se certificações e programas produzem resultados concretos.

O Congresso também pode aperfeiçoar propostas que discutem a criação de um Selo Escola Amiga da Saúde Mental em âmbito nacional. A experiência fluminense ajuda a mostrar tanto o potencial quanto os limites desse modelo.

Saúde mental não pode aparecer somente na emergência

A maior dificuldade das políticas de saúde mental é vencer a lógica da reação tardia. Muitas vezes, a rede pública só é acionada quando o sofrimento já se transformou em crise.

Prevenção exige ambientes escolares seguros, combate ao bullying, formação permanente, escuta qualificada, diálogo com as famílias e acesso rápido ao atendimento especializado. Também exige cuidado com professores e demais profissionais da educação, que convivem com sobrecarga, violência e pressão por resultados.

Ao colocar o tema em leis voltadas às escolas e às empresas, Ferreirinha ajudou a abrir uma discussão necessária sobre inclusão e responsabilidade institucional. O próximo passo é mais exigente: transformar reconhecimento em política monitorada, com orçamento, profissionais e atendimento real.

Na véspera de uma eleição em que Ferreirinha disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados, esse aspecto de sua trajetória revela uma pauta que vai além dos indicadores tradicionais da educação.

Uma escola preparada para ensinar também precisa estar preparada para acolher. E uma política pública só cumpre sua função quando o pedido de ajuda encontra uma porta aberta — antes que se transforme em emergência.

Fontes consultadas

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história: gestão de Ferreirinha levou 40 mil alunos à Pequena África


Criação de uma gerência dedicada às relações étnico-raciais e visitas pedagógicas ao Cais do Valongo transformaram o patrimônio histórico em sala de aula; candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha pode levar a Brasília uma agenda de formação docente, memória e equidade

Há aulas que começam diante de um quadro. Outras começam quando o estudante pisa no lugar onde a história aconteceu.

No Rio de Janeiro, mais de 40 mil alunos da rede municipal participaram, desde 2021, do Circuito da Herança Africana, na região conhecida como Pequena África. O percurso inclui o Cais do Valongo, um dos lugares mais importantes para compreender a escravidão, a resistência negra e a própria formação do Brasil.

A iniciativa foi estruturada durante a gestão de Renan Ferreirinha na Secretaria Municipal de Educação. Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha apresenta essa experiência como parte de um legado que procura combinar aprendizagem, memória, identidade e enfrentamento ao racismo.

O princípio é direto: não existe educação completa quando uma parte decisiva da história brasileira permanece distante dos estudantes.

Um território que ajuda a explicar o Brasil

O Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, foi o principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas. A Unesco estima que aproximadamente 900 mil pessoas tenham chegado ao continente por aquele local.

Redescoberto durante escavações realizadas em 2011, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2017. Para a Unesco, trata-se do vestígio físico mais importante associado à chegada de africanos escravizados ao continente americano.

O lugar não representa apenas sofrimento. Ele também preserva histórias de resistência, cultura, religiosidade e contribuição africana para a construção do país. Nas proximidades estão outros pontos de referência, como a Pedra do Sal, o Instituto dos Pretos Novos e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

Transformar esse território em espaço pedagógico significa permitir que o estudante encontre, fora do livro, marcas concretas de uma história que continua produzindo efeitos na sociedade.

Mais de 40 mil estudantes no Circuito da Herança Africana

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, um acordo de cooperação mantido desde 2021 com o Instituto dos Pretos Novos já levou mais de 40 mil estudantes ao Circuito da Herança Africana.

As atividades não se limitam a visitas pontuais. A política passou a reunir circuitos destinados a alunos, professores e demais profissionais da educação, ações de leitura e parcerias com o Museu de Arte do Rio e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

No mesmo período, a Secretaria criou a Gerência de Relações Étnico-Raciais — GERER, estrutura dedicada a planejar e articular ações nos eixos de currículo, formação e projetos.

A política foi executada por professores, gestores, técnicos, mediadores, instituições culturais e equipes da rede. O resultado, portanto, não pertence a uma única pessoa. Mas a criação de uma estrutura permanente dentro da Secretaria e a continuidade dos circuitos ocorreram sob a liderança administrativa de Ferreirinha.

Essa diferença importa. Educação antirracista não pode depender somente da iniciativa isolada de um professor ou aparecer apenas no mês de novembro. Ela precisa estar presente no planejamento, nos materiais, na formação profissional e nas experiências oferecidas durante todo o ano.

Ensinar toda a história já é uma obrigação legal

Desde 2003, a Lei Federal 10.639 determina a inclusão da história e da cultura afro-brasileira no currículo das escolas públicas e privadas. Em 2008, a Lei 11.645 ampliou essa obrigação para incluir também a história e a cultura dos povos indígenas.

O desafio brasileiro, portanto, não é apenas aprovar novas regras. É fazer com que as leis existentes saiam do papel e se transformem em práticas pedagógicas consistentes.

Isso exige professores preparados, materiais de qualidade, participação das comunidades, acesso a espaços de memória e acompanhamento dos resultados. Também exige que o tema seja tratado como parte central da formação brasileira, e não como um conteúdo periférico.

A experiência carioca mostra uma possibilidade: aproximar currículo, formação docente e território. Em vez de ensinar a história somente de maneira abstrata, o circuito coloca os estudantes diante de um patrimônio reconhecido mundialmente.

Uma agenda possível para Brasília

Um deputado federal não administra diretamente as escolas municipais. Também não pode, sozinho, reproduzir um programa local em todo o país.

O Congresso, porém, pode atuar em pontos decisivos: financiamento de programas de formação docente, preservação de espaços de memória, produção de materiais pedagógicos, fiscalização do cumprimento das leis nacionais e inclusão de metas de equidade nas políticas educacionais.

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode levar a Brasília uma experiência concreta de execução. O diferencial não está em apresentar a educação antirracista como uma ideia inédita, mas em mostrar uma política que ganhou estrutura administrativa, parcerias e presença territorial em uma das maiores redes públicas do país.

Uma atuação federal coerente com esse legado precisaria defender:

  • formação continuada de professores para a educação das relações étnico-raciais;
  • apoio a visitas pedagógicas e projetos de memória em diferentes regiões;
  • recursos para museus, sítios históricos e instituições comunitárias que colaboram com as escolas;
  • acompanhamento do cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008;
  • materiais pedagógicos que representem a diversidade da formação brasileira;
  • participação de pesquisadores, movimentos sociais e comunidades tradicionais na construção das políticas.

Essas medidas não dependem apenas de discurso. Exigem orçamento, articulação federativa, fiscalização e continuidade.

O número impressiona, mas o trabalho precisa continuar

Levar mais de 40 mil estudantes ao circuito é um resultado relevante, mas não encerra a discussão. O número de participantes, sozinho, não permite medir mudanças de aprendizagem, redução do preconceito ou transformação das relações dentro das escolas.

Para consolidar a política, é necessário avaliar o que os alunos aprenderam, acompanhar a aplicação dos conteúdos em sala, ampliar a formação dos profissionais e garantir que todas as regiões tenham acesso às atividades.

Também é preciso preservar os próprios espaços de memória. O Cais do Valongo é um patrimônio sensível, cuja conservação e interpretação pública exigem trabalho permanente do poder público e da sociedade.

Reconhecer esses limites não diminui a política. Ao contrário: ajuda a separar uma ação institucional duradoura de uma iniciativa meramente simbólica.

Conhecer o passado para disputar o futuro

O Brasil é um país de maioria negra, mas durante muito tempo a escola apresentou sua formação histórica a partir de uma visão incompleta. Corrigir esse desequilíbrio não significa substituir uma narrativa por outra. Significa permitir que os estudantes compreendam o país em toda a sua complexidade.

Ao criar a GERER e aproximar dezenas de milhares de estudantes da Pequena África, a gestão de Ferreirinha transformou memória em experiência educacional.

Agora, como candidato à Câmara dos Deputados, o desafio é demonstrar como essa experiência pode ajudar o país a cumprir leis que já existem e fortalecer uma educação que reconheça todas as pessoas que construíram o Brasil.

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história — inclusive aquela que durante muito tempo tentaram deixar fora da sala de aula.


Fontes consultadas

CRECHE MUDA DUAS VIDAS: Ferreirinha coloca primeira infância e autonomia das famílias no centro da agenda federal


Gestão da Educação do Rio ampliou em mais de 26 mil as vagas em creches desde 2021; agora, candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha defende um novo modelo para ampliar o atendimento com qualidade, contrapartida social e transparência

Uma vaga em creche não muda apenas a rotina de uma criança. Ela pode transformar a vida de uma família inteira.

Para os pequenos, significa acesso desde cedo a cuidado, alimentação, convivência, estímulos e educação. Para pais e responsáveis — especialmente para milhares de mães que ainda concentram a maior parte do trabalho de cuidado — representa a possibilidade de procurar emprego, permanecer no mercado de trabalho, estudar e reconstruir a própria autonomia.

É por isso que a primeira infância ocupa um espaço estratégico na trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, número 5521. À frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, ele comandou uma política de expansão do atendimento em creches. Em Brasília, apresentou uma proposta para fortalecer instituições privadas de educação infantil que cumpram exigências de qualidade, ofereçam contrapartidas sociais e prestem contas do uso dos recursos.

O ponto central dessa agenda é simples e de enorme impacto social: creche não é favor, depósito de criança ou serviço secundário. É educação, proteção e infraestrutura para que as famílias possam avançar.

Mais de 26 mil novas vagas desde 2021

O Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação registra que o Rio ampliou em mais de 26 mil o número de vagas em creches entre 2021 e 2025. O resultado foi alcançado durante o ciclo em que Ferreirinha comandou a pasta, em uma rede que reúne unidades próprias e instituições parceiras.

A distinção é importante: o número representa novas vagas oferecidas, e não 26 mil creches construídas. Parte da expansão ocorreu por meio de chamamentos públicos para entidades comunitárias, confessionais e sem fins lucrativos já autorizadas pelo sistema municipal de ensino. Essas instituições precisavam cumprir requisitos de atendimento educacional, alimentação, segurança e adequação dos espaços.

Em 2021, quando o primeiro grande chamamento foi lançado, Ferreirinha estabeleceu como meta criar 22 mil vagas em três anos. O balanço oficial de 2025 informa que a expansão superou aquele objetivo.

O resultado deve ser atribuído à política da Prefeitura, às equipes técnicas, aos profissionais das creches e às instituições envolvidas. Mas também ajuda a revelar uma característica do trabalho de Ferreirinha: a busca de mecanismos para ampliar a oferta utilizando capacidade pública e parcerias submetidas a regras.

O impacto vai muito além do portão da creche

O Brasil ainda está distante de universalizar o acesso. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 39,8% das crianças de zero a três anos frequentavam creche ou escola. O percentual cresceu, mas permanece abaixo da meta de 50% que havia sido fixada no Plano Nacional de Educação.

A falta de vaga não produz apenas uma perda educacional. Ela também agrava desigualdades econômicas e de gênero.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base em dados da Pnad, encontrou uma relação positiva e significativa entre acesso à creche e participação das mães no mercado de trabalho. O próprio IBGE já mostrou que mulheres com filhos pequenos enfrentam níveis menores de ocupação, sobretudo entre as pretas e pardas.

Isso ajuda a explicar por que a frase “creche muda duas vidas” tem tanta força. Quando a criança encontra um espaço seguro e adequado, a família também recupera tempo, renda e possibilidades.

De uma experiência municipal para uma proposta nacional

Em fevereiro de 2026, Ferreirinha apresentou na Câmara o Projeto de Lei Complementar 17/2026. A proposta cria uma categoria específica de certificação beneficente para creches privadas, o chamado CEBAS–Educação Infantil – Creches Privadas.

Na prática, o texto procura permitir que instituições de educação infantil tenham acesso a benefícios vinculados à certificação, mas condiciona essa possibilidade ao cumprimento de requisitos. Entre eles estão padrões de qualidade, contrapartidas sociais, transparência, fiscalização de gastos, contabilidade separada e divulgação de informações.

A proposta tenta enfrentar um problema concreto: muitos municípios não conseguem expandir a rede própria na velocidade exigida pela demanda, enquanto creches comunitárias e instituições sem fins lucrativos já atuam nos territórios. A ideia é fortalecer essa capacidade sem abrir mão do controle público.

O projeto, porém, ainda não é lei. Na Câmara, aguarda parecer do relator na Comissão de Educação. Se avançar, ainda deverá passar pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania, além do Plenário.

Essa precisão é essencial. Ferreirinha pode apresentar a proposta como parte de sua agenda para a primeira infância, mas não como política nacional já implantada.

Ampliar vagas exige cobrar qualidade

Quantidade, sozinha, não resolve o desafio.

Uma política responsável de expansão precisa garantir profissionais preparados, instalações seguras, alimentação adequada, projeto pedagógico, fiscalização contínua e transparência nos repasses. Também deve assegurar que as vagas cheguem primeiro às famílias com maior vulnerabilidade e aos territórios onde a fila é mais longa.

Parcerias podem acelerar o atendimento, mas precisam ser acompanhadas de metas verificáveis e prestação de contas. É justamente nesse ponto que o projeto de Ferreirinha tenta construir salvaguardas: os benefícios só seriam concedidos mediante contrapartidas e mecanismos de controle.

O debate, portanto, não deve ser reduzido a uma escolha entre creche pública e creche parceira. A questão decisiva é saber se cada criança receberá educação e cuidado de qualidade — e se o poder público terá capacidade de fiscalizar cada vaga financiada ou incentivada.

O que um deputado federal pode fazer pela primeira infância

Deputados federais não administram diretamente as creches municipais. Essa responsabilidade está nas redes locais. O Congresso, entretanto, pode mudar as condições que determinam quantas vagas os municípios conseguem oferecer e com qual qualidade.

Um parlamentar pode atuar na legislação, no Orçamento da União, nas regras de financiamento da educação infantil, na fiscalização dos programas federais e na construção de incentivos para ampliar a oferta. Também pode cobrar metas nacionais, transparência e apoio técnico aos municípios.

É nesse campo que Ferreirinha apresenta sua experiência como gestor. Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, ele busca transformar uma política aplicada na capital em uma agenda nacional de expansão da primeira infância.

O desafio será demonstrar que o modelo pode crescer sem perder qualidade, que as parcerias serão fiscalizadas e que os recursos chegarão a quem mais precisa.

Uma pauta que começa na criança e alcança o futuro do país

Debates eleitorais costumam destacar grandes obras, segurança, economia e disputas ideológicas. A creche raramente recebe a mesma atenção, embora esteja no centro de todos esses temas.

Ela protege a infância, prepara o caminho da aprendizagem, ajuda as famílias a trabalhar, reduz desigualdades e movimenta a economia. Quando falta uma vaga, a consequência aparece dentro de casa. Quando ela existe e funciona bem, o efeito se espalha por toda a comunidade.

Ao colocar a primeira infância entre suas prioridades, Ferreirinha apresenta uma pauta que combina experiência de gestão e proposta legislativa. O resultado obtido no Rio é um ponto de partida; o PLP 17/2026 é uma tentativa de levar a discussão para o plano federal.

No fim, a pergunta é maior do que o número de vagas abertas: que país queremos construir quando o cuidado e a educação começam nos primeiros anos de vida?

Para Ferreirinha, a resposta passa por tratar a creche como direito da criança, apoio concreto às famílias e investimento no futuro do Brasil.


Fontes consultadas

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GETS PARA TODO O ESTADO: proposta de Paes coloca experiência liderada por Ferreirinha no centro do futuro da educação fluminense


Candidato ao Governo do Rio promete levar gradualmente o modelo tecnológico à rede estadual; candidato a deputado federal, Ferreirinha comandou a expansão na capital e é autor de projeto que amplia recursos do Fundeb para o ensino integral

O modelo de escola que transformou parte da rede municipal do Rio pode começar a ganhar escala estadual. O candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes anunciou que pretende levar o conceito dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs, para escolas de todas as regiões fluminenses.

A proposta foi apresentada durante uma visita ao GET Luiz Paulo Horta, na Rocinha. Paes afirmou que a implantação seria gradual e teria como eixos ciência, tecnologia e Matemática.

Ao lado dessa discussão aparece Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD e gestor que comandou a Secretaria Municipal de Educação durante o período de criação e forte expansão do programa na capital.

A combinação das duas candidaturas desenha uma divisão objetiva de responsabilidades. Ao Governo do Estado caberia planejar, financiar e executar a transformação das unidades estaduais. Em Brasília, Ferreirinha poderia atuar na legislação, no orçamento e na articulação de recursos federais para ampliar o ensino em tempo integral.

Não se trata, portanto, de anunciar que os GETs já serão implantados em todo o estado. A medida é uma proposta eleitoral de Paes e dependerá do resultado das urnas, de planejamento, orçamento, formação de profissionais e adaptação do modelo à realidade da rede estadual.

Paes assume compromisso de expansão estadual

Durante a visita realizada em setembro, Eduardo Paes declarou que pretende levar o conceito dos GETs para as escolas do Estado do Rio de Janeiro.

“A ideia é levar esse conceito dos GETs, com muita ciência, tecnologia e matemática, para todas as escolas do Rio de Janeiro”, afirmou Paes.

Segundo o candidato, a transformação deverá ser feita aos poucos, aproveitando a experiência acumulada na capital.

Na cidade do Rio, o programa começou em março de 2022. Em setembro de 2026, a rede carioca chegou a 317 escolas transformadas em GETs. A meta municipal anunciada é alcançar 500 unidades até o fim de 2028.

O número representa escolas implantadas ou convertidas para o modelo pedagógico, e não a construção de 317 novos prédios. Em maio, quando a rede possuía 308 unidades, a Prefeitura informava atendimento superior a 125 mil alunos.

A expansão estadual permitiria que a experiência alcançasse não apenas a capital, mas também a Baixada Fluminense, o Leste Metropolitano, a Região dos Lagos, o Norte e o Noroeste, a Região Serrana, o Médio Paraíba, o Centro-Sul e a Costa Verde.

Para isso, o programa precisará ser adaptado às características de cada território. Uma escola localizada em uma região ligada à indústria, por exemplo, pode desenvolver projetos diferentes de uma unidade inserida em cidades com vocação turística, agrícola, energética ou audiovisual.

O que diferencia um GET

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos funcionam em tempo integral e utilizam metodologias ativas, nas quais os estudantes participam da construção de projetos, da investigação e da solução de problemas.

O modelo adota a abordagem STEAM, sigla em inglês que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A proposta é integrar essas áreas em atividades práticas, evitando que a tecnologia seja tratada como um conteúdo isolado do restante do currículo.

Uma das principais estruturas é o colaboratório, espaço de aprendizagem “mão na massa”. Dependendo da unidade, os estudantes utilizam inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser, computadores, óculos de realidade virtual, kits de robótica e até máquinas de costura para desenvolver projetos interdisciplinares.

O objetivo não é simplesmente colocar equipamentos dentro das escolas. A transformação exige currículo, jornada ampliada, formação de professores e integração entre tecnologia e aprendizagem. Sem esses elementos, laboratórios sofisticados correm o risco de se tornar espaços subutilizados.

O Ministério da Educação selecionou o modelo entre as experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos em ensino integral. A experiência foi contemplada em iniciativas de intercâmbio, documentação e exposição de práticas educacionais.

Ferreirinha costuma definir os GETs como os “CIEPs do século XXI”. A comparação recupera a ideia histórica da escola pública de tempo integral, mas acrescenta cultura digital, pensamento computacional, experimentação e projetos ligados aos desafios contemporâneos.

Ferreirinha comandou a expansão na capital

Como secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha esteve à frente da implantação do programa durante a gestão de Eduardo Paes. O modelo saiu das primeiras unidades experimentais, em 2022, para alcançar centenas de escolas distribuídas pela cidade.

Ao apresentar a proposta, Ferreirinha afirmou que os GETs preparam os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, estimulam diferentes áreas do conhecimento e ampliam as perspectivas de futuro.

“São os CIEPs do século XXI, com o modelo de escola mais inovador do país”, declarou Ferreirinha ao tratar da expansão do programa na capital.

Sua participação em uma eventual expansão estadual, porém, não seria a de gestor direto da Secretaria de Educação. Como candidato a deputado federal, sua atribuição estaria em outra frente: criar condições nacionais de financiamento e apoio para que estados e municípios consigam manter escolas de jornada ampliada.

Projeto de Ferreirinha aumenta recursos para o ensino integral

Nesse ponto, existe uma iniciativa concreta. Ferreirinha é autor do Projeto de Lei 2.752/2023, apresentado na Câmara dos Deputados, que propõe elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por aluno do Fundeb nas matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca aumentar o peso dessas matrículas no cálculo da distribuição de recursos, reconhecendo que uma escola funcionando durante mais horas precisa de alimentação, profissionais, materiais, manutenção e estrutura compatíveis com a jornada ampliada.

O projeto ainda não foi aprovado. De acordo com a Câmara, aguarda parecer na Comissão de Educação e depois deverá passar por outras etapas de tramitação. Portanto, não pode ser apresentado como uma lei em vigor.

Mesmo assim, o texto mostra uma conexão objetiva entre a experiência administrativa de Ferreirinha e sua atuação parlamentar: ampliar a educação integral exige não apenas defender o modelo, mas discutir de onde virá o dinheiro para sustentá-lo.

Um modelo estadual não pode ser simples cópia

Levar os GETs para todas as regiões do Rio exigirá mais do que reproduzir laboratórios e trocar placas de escolas. A rede estadual possui características diferentes da rede municipal da capital e concentra grande parte de sua atuação nos anos finais e, principalmente, no ensino médio.

Uma política estadual precisará definir quais unidades serão priorizadas, como ocorrerá a formação dos professores, quais escolas possuem estrutura para o turno integral e de que maneira o modelo será associado à educação profissional.

Também será necessário garantir alimentação, transporte escolar e condições de permanência. Em áreas rurais ou municípios nos quais os estudantes percorrem longas distâncias, ampliar o horário sem reorganizar o transporte pode criar novos problemas.

A implantação gradual anunciada por Paes pode permitir projetos-piloto em diferentes regiões, avaliação dos resultados e correção de falhas antes da ampliação. Escolas instaladas em antigos CIEPs podem ter vantagens estruturais, mas cada prédio precisará passar por avaliação técnica.

Outro cuidado será evitar que a tecnologia seja confundida com solução automática. Impressoras 3D, robótica e inteligência artificial podem ampliar as possibilidades pedagógicas, mas não substituem professores valorizados, planejamento, conectividade, currículo e acompanhamento da aprendizagem.

Da capital para o interior

A proposta de levar os GETs a todo o estado estabelece uma ponte política clara entre Eduardo Paes e Renan Ferreirinha. Paes apresenta o compromisso de expandir o modelo pela rede estadual; Ferreirinha carrega a experiência da implantação municipal e uma proposta legislativa voltada ao financiamento da educação integral.

Para municípios do interior, a articulação federal também pode abrir caminhos para cooperação técnica, programas nacionais, formação de professores e investimentos que não dependam exclusivamente dos cofres locais.

O potencial da proposta está justamente em combinar escala estadual, experiência de gestão e apoio federal. Seu sucesso, entretanto, dependerá de metas públicas, orçamento, profissionais qualificados e avaliação transparente dos resultados.

Os GETs demonstraram que escolas públicas podem incorporar tecnologia, criatividade e aprendizagem prática sem abandonar os conteúdos fundamentais. O próximo desafio será provar que o modelo consegue ser adaptado às diferentes realidades do Rio de Janeiro e alcançar estudantes da capital, da Região Metropolitana e do interior com a mesma qualidade.

Se essa expansão sair do compromisso eleitoral e chegar efetivamente às salas de aula, a experiência construída por Paes e Ferreirinha na capital poderá se transformar em uma das principais políticas educacionais do próximo ciclo estadual.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

STJ encerra foro especial de Cláudio Castro e envia investigação ao TJ-RJ; pressão aumenta, mas prisão não é imediata


O Superior Tribunal de Justiça decidiu enviar ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a investigação que apura a possível participação do ex-governador Cláudio Castro em supostos desvios relacionados à compra de respiradores e outros equipamentos médicos durante a pandemia de Covid-19.

A investigação trata de fatos ocorridos em 2020, quando Castro era vice-governador na gestão de Wilson Witzel. O caso havia permanecido no STJ porque Cláudio Castro assumiu o governo do estado. Com a renúncia ao cargo, em março de 2026, a discussão sobre o foro especial voltou a ser analisada.

A decisão foi tomada pela ministra Isabel Gallotti, que passou a conduzir o caso depois de o ministro Benedito Gonçalves declarar-se suspeito. Segundo a fundamentação divulgada, os fatos investigados devem ser analisados levando em conta a função ocupada por Castro no momento em que teriam ocorrido. Por isso, a competência passou ao TJ-RJ. Leia a reportagem do ConJur e os detalhes publicados pela CartaCapital.

O que muda com a decisão

Na prática, o caso deixa de tramitar no STJ e passa a ser examinado pela Justiça estadual do Rio de Janeiro. O TJ-RJ poderá avaliar os próximos passos da investigação, incluindo a análise das provas, eventuais manifestações do Ministério Público e a possibilidade de oferecimento de denúncia, caso existam elementos suficientes.

A mudança representa um novo capítulo para uma investigação que estava parada em uma instância superior desde 2023. Naquele momento, o STJ havia decidido manter o caso sob sua competência porque Castro ocupava o cargo de governador.

O fim do foro especial aumenta a pressão jurídica sobre o ex-governador, mas não significa, por si só, que ele será preso nos próximos dias.

Prisão ainda depende de decisão específica

A decisão que remete o caso ao TJ-RJ não informa a existência de mandado de prisão contra Cláudio Castro. Também não há, nesse processo, condenação criminal definitiva divulgada.

Uma eventual prisão preventiva dependeria de uma decisão judicial fundamentada e da presença dos requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal, como prova da existência do crime, indícios suficientes de autoria e uma situação concreta que justifique a medida.

Portanto, o cenário correto é de avanço da investigação e aumento da exposição jurídica, não de prisão automática.

Outras frentes também aumentam a pressão

A decisão do STJ ocorre em um momento em que Cláudio Castro enfrenta outras frentes judiciais. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral declarou o ex-governador inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O Ministério Público Federal ressalta, porém, que a inelegibilidade não é uma pena criminal. Veja a explicação oficial do MPF.

Além disso, Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão em fases da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas relacionadas à refinaria Refit, lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades na concessão de licenças ambientais. Essa investigação é independente do caso dos respiradores. Entenda a operação.

O conjunto de processos e investigações coloca o ex-governador sob forte pressão institucional. Ainda assim, qualquer afirmação sobre prisão iminente dependeria de uma nova decisão judicial, baseada em fatos e fundamentos próprios.

O que existe neste momento é a retirada de uma proteção processual, a transferência do caso para o TJ-RJ e a abertura de um novo caminho para que a apuração avance.

domingo, 13 de setembro de 2026

Eleições 2026: veja todas as enquetes para deputado estadual e federal no Rio de Janeiro


Papo de Nível reúne 36 enquetes com candidatos de partidos e federações que disputam vagas na Alerj e na Câmara dos Deputados; leitores também podem indicar nomes que não aparecem nas artes

O Papo de Nível concluiu a publicação de uma série especial com 36 enquetes sobre as eleições de 2026 no Estado do Rio de Janeiro. São 18 publicações dedicadas aos candidatos a deputado estadual e outras 18 com nomes que disputam vagas de deputado federal.

As enquetes foram organizadas por partido ou federação e apresentam dez candidatos acompanhados de emojis. Para participar, basta acessar a publicação correspondente e comentar o emoji relacionado ao nome escolhido.

A relação apresentada em cada arte não esgota a nominata do partido. Por isso, o leitor também pode indicar um candidato ou candidata que não esteja entre os dez nomes selecionados. Nesse caso, deve procurar a enquete do partido ou federação correspondente, observar se a publicação é para deputado estadual ou federal e escrever o nome de sua preferência nos comentários.

Encontre a enquete do seu partido ou federação

A seguir, todas as publicações estão organizadas em ordem alfabética. Nos casos em que o partido ou a federação possui enquetes para os dois cargos, os links aparecem separados entre estadual e federal.

AGIR

O AGIR não possui enquete para deputado federal porque não apresentou candidatura ao cargo no Rio de Janeiro na base utilizada para a produção da série.

AVANTE

Federação Brasil da Esperança

Democracia Cristã — DC

Democrata

MDB

MISSÃO

O MISSÃO não possui enquete para deputado estadual porque apresentou somente seis candidaturas ao cargo, número inferior ao mínimo estabelecido para a série.

MOBILIZA

NOVO

PDT

PL

PODEMOS

PSB

PSD

Federação PSDB/Cidadania

Federação PSOL/Rede

Federação Renovação Solidária

Republicanos

Federação União Progressista

Por que alguns partidos ficaram sem enquete?

Para manter o mesmo formato em todas as publicações, o Papo de Nível estabeleceu um critério editorial: somente foram produzidas enquetes para partidos ou federações com dez ou mais candidaturas registradas para o mesmo cargo no Rio de Janeiro. 

Vaja aqui a publicação para essas candidaturas com quadros reduzidos

A análise da base do Tribunal Superior Eleitoral identificou sete nominatas abaixo desse limite:

  • MISSÃO para deputado estadual: seis candidaturas;

  • PCO para deputado estadual: duas candidaturas;

  • PCO para deputado federal: seis candidaturas;

  • PSTU para deputado estadual: duas candidaturas;

  • PSTU para deputado federal: duas candidaturas;

  • Unidade Popular para deputado estadual: sete candidaturas;

  • Unidade Popular para deputado federal: duas candidaturas.

O AGIR também ficou sem enquete para deputado federal porque não apresentou candidatura ao cargo na base consultada.

Ao todo, 27 candidatos e candidatas integravam nominatas com menos de dez nomes. A ausência dessas enquetes não representa avaliação política, ideológica ou eleitoral. Foi exclusivamente uma decisão de padronização editorial.

Os leitores que preferirem algum desses candidatos podem registrar a indicação na publicação explicativa sobre as nominatas que ficaram fora da série, informando o nome, o partido e o cargo disputado.

Participação aberta a todos os candidatos

Os dez nomes apresentados em cada arte funcionam como opções iniciais de interação, mas não limitam a participação dos leitores. Caso o candidato escolhido não apareça na imagem, basta escrever o nome nos comentários da enquete correspondente ao partido e ao cargo.

A proposta é estimular o interesse pelas eleições, ampliar o conhecimento sobre as candidaturas e abrir espaço para manifestações políticas diferentes, sempre com respeito entre os participantes.

As enquetes são instrumentos editoriais de interação com o público. Não constituem pesquisa eleitoral, não possuem metodologia científica e não têm validade eleitoral.

A democracia também se fortalece quando o cidadão pesquisa, acompanha, compara propostas e manifesta livremente sua preferência.

Participe, compartilhe e ajude outras pessoas a conhecerem os candidatos. E viva a democracia!

Fonte: Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral.