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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

PF faz 49 buscas e investiga suspeita de uso de dinheiro público em filme sobre Bolsonaro


Operação Make Up mira o deputado Mario Frias, a produtora Karina Gama e organizações ligadas ao longa “Dark Horse”; sete armas foram apreendidas e 29 investigados estão proibidos de deixar o país

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados a emendas parlamentares e contratos que teriam ligação com a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor de emendas sob investigação e produtor-executivo e roteirista do filme.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e contou com a participação da Controladoria-Geral da União. Segundo a PF, a investigação apura a atuação de uma possível organização formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado recursos para empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços contratados.

As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.

Emendas parlamentares estão no centro da apuração

Uma das frentes da investigação envolve repasses de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também ligada à produção de “Dark Horse”.

De acordo com a apuração, Mario Frias teria destinado até R$ 2 milhões em emendas ao instituto. Uma das transferências, no valor de R$ 1 milhão, seria destinada a um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo que, segundo os investigadores, não chegou a ser executado.

A PF também apura se documentos foram produzidos ou retrodatados para dar aparência regular às operações e se parte dos valores teria sido direcionada a empresas ligadas à produção do filme.

A investigação ainda examina contratos envolvendo organizações comandadas por Karina Gama, incluindo a Academia Nacional de Cultura e o próprio Instituto Conhecer Brasil.

Sete armas são apreendidas

Durante a operação, sete armas foram apreendidas. Segundo informações divulgadas pelo UOL, os armamentos estavam registrados em nome de Mario Frias, mas teriam sido encontrados em endereços diferentes daquele declarado pelo parlamentar. A possível irregularidade na posse e na localização das armas também será analisada pelos investigadores.

Além das armas, agentes recolheram computadores, celulares, documentos e outros materiais que deverão passar por perícia.

A operação determinou ainda que 29 investigados não deixem o país sem autorização judicial. Outras 22 empresas foram proibidas de contratar com o poder público enquanto as apurações estiverem em andamento.

As medidas cautelares não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados. O material apreendido ainda será analisado pela Polícia Federal.

Investigação envolve contratos de Wi-Fi e movimentações milionárias

A apuração sobre o filme também se conecta a contratos públicos que não têm relação direta, ao menos formalmente, com a produção cinematográfica.

Um dos pontos investigados envolve um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de internet Wi-Fi em comunidades carentes. A PF apura se parte dos recursos desse contrato foi desviada ou utilizada para financiar pessoas e empresas ligadas ao filme.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao grupo investigado.

Outra frente apura possíveis vínculos com recursos do antigo Banco Master e com transações internacionais. O senador Flávio Bolsonaro não é alvo da operação desta quinta-feira, mas aparece em uma investigação separada relacionada à captação de recursos para o filme.

Crimes investigados

A Polícia Federal apura suspeitas de:

  • peculato;

  • falsidade documental;

  • lavagem de dinheiro;

  • organização criminosa;

  • fraude em licitações;

  • irregularidades na execução de contratos públicos.

A suspeita central é que recursos originalmente destinados a projetos públicos tenham sido transferidos para organizações e empresas subcontratadas, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente realizados.

O caso ainda está em fase de investigação. A análise dos documentos, aparelhos eletrônicos e dados financeiros poderá indicar se houve desvio, quais valores foram movimentados e quem teria participado do eventual esquema.

O que dizem os investigados

Mario Frias nega as acusações e já afirmou que as denúncias são falsas e difamatórias. A defesa do deputado também sustenta que as emendas foram consideradas legais pela Câmara dos Deputados.

Karina Gama declarou que a aplicação dos recursos foi regular. As defesas dos demais investigados ainda poderão se manifestar ao longo da apuração.

A PF não informou, até o momento, a existência de prisões na operação. As medidas cumpridas nesta quinta-feira foram de busca e apreensão, restrição de saída do país e suspensão temporária do direito de empresas contratarem com o poder público.

Filme ainda não tem lançamento definido

“Dark Horse” foi apresentado como uma cinebiografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Mario Frias participa do projeto como produtor-executivo e roteirista, enquanto Karina Gama aparece como responsável pela produtora ligada à obra.

O longa tornou-se alvo de questionamentos por causa da origem dos recursos utilizados em sua produção e das relações entre as empresas, organizações sociais e pessoas envolvidas na captação do dinheiro.

A operação não prova, neste momento, que o filme tenha sido financiado ilegalmente. A investigação busca justamente esclarecer se emendas parlamentares, contratos públicos e outras fontes de recursos foram utilizados de forma irregular.

O avanço da Operação Make Up deverá provocar novas manifestações dos investigados e pode levar à análise de documentos, quebras de sigilo e outras medidas judiciais. O ponto central agora é descobrir se os recursos destinados a projetos públicos foram realmente aplicados nas finalidades previstas ou se acabaram abastecendo empresas e atividades ligadas à produção do filme sobre Bolsonaro.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Rodrigo Amorim, Laterça e TH Jóias também aparecem em planilha de Adilsinho


Documento apreendido pela PF cita suposta doação de R$ 2 milhões ao parlamentar durante investigação sobre lavagem de dinheiro

O deputado estadual e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, Rodrigo Amorim, é um dos nomes que aparece em uma lista encontrada pela Polícia Federal atribuída ao bicheiro Adilsinho, com supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade da lavagem de dinheiro. 

Adilsinho foi alvo da 5ª fase da operação Unha e Carne, nesta quinta-feira (2). Na planilha é citada uma doação de R$ 2 milhões ao parlamentar. O ex-deputado TH Jóias, preso por envolvimento com o Comando Vermelho e o delegado federal Felício Laterça também aparecem na lista.

Além deles, o ex-governador Cláudio Castro está na planilha. Ele teria recebido uma doação de R$ 3,2 milhões durante uma das candidaturas ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. O ex-governador não foi alvo da operação, mas a lista vai ser analisada.

O empresário e pré-candidato à Câmara dos Deputados Márcio Poncio, do Solidariedade, foi preso durante a ação da PF em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste. Ele é pai da deputada estadual e também pré-candidata à reeleição, Sarah Poncio, do mesmo partido.

A corporação apura o envolvimento da nova cúpula do jogo do bicho com os poderes Executivo e Legislativo do Rio. Além do pastor, os agentes cumpriram mandados de prisão contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar e contra Adilson Oliveira Filho, o Adilsinho, envolvido com a máfia de cigarros. Os dois já estavam presos.

A quinta fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal foi realizada após os agentes apreenderem uma lista de repasses para políticos do Estado do Rio na casa de Adilsinho.

A defesa de Márcio Poncio alegou que não teve acesso aos autos do processo, o que impede os advogados de entender os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva do pastor. Em nota, a defesa de Rodrigo Amorim afirma que o deputado não tem relação com Adilsinho e que não aceitará a tentativa de assassinato de sua reputação