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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história: gestão de Ferreirinha levou 40 mil alunos à Pequena África


Criação de uma gerência dedicada às relações étnico-raciais e visitas pedagógicas ao Cais do Valongo transformaram o patrimônio histórico em sala de aula; candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha pode levar a Brasília uma agenda de formação docente, memória e equidade

Há aulas que começam diante de um quadro. Outras começam quando o estudante pisa no lugar onde a história aconteceu.

No Rio de Janeiro, mais de 40 mil alunos da rede municipal participaram, desde 2021, do Circuito da Herança Africana, na região conhecida como Pequena África. O percurso inclui o Cais do Valongo, um dos lugares mais importantes para compreender a escravidão, a resistência negra e a própria formação do Brasil.

A iniciativa foi estruturada durante a gestão de Renan Ferreirinha na Secretaria Municipal de Educação. Candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha apresenta essa experiência como parte de um legado que procura combinar aprendizagem, memória, identidade e enfrentamento ao racismo.

O princípio é direto: não existe educação completa quando uma parte decisiva da história brasileira permanece distante dos estudantes.

Um território que ajuda a explicar o Brasil

O Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, foi o principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas. A Unesco estima que aproximadamente 900 mil pessoas tenham chegado ao continente por aquele local.

Redescoberto durante escavações realizadas em 2011, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial em 2017. Para a Unesco, trata-se do vestígio físico mais importante associado à chegada de africanos escravizados ao continente americano.

O lugar não representa apenas sofrimento. Ele também preserva histórias de resistência, cultura, religiosidade e contribuição africana para a construção do país. Nas proximidades estão outros pontos de referência, como a Pedra do Sal, o Instituto dos Pretos Novos e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

Transformar esse território em espaço pedagógico significa permitir que o estudante encontre, fora do livro, marcas concretas de uma história que continua produzindo efeitos na sociedade.

Mais de 40 mil estudantes no Circuito da Herança Africana

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, um acordo de cooperação mantido desde 2021 com o Instituto dos Pretos Novos já levou mais de 40 mil estudantes ao Circuito da Herança Africana.

As atividades não se limitam a visitas pontuais. A política passou a reunir circuitos destinados a alunos, professores e demais profissionais da educação, ações de leitura e parcerias com o Museu de Arte do Rio e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

No mesmo período, a Secretaria criou a Gerência de Relações Étnico-Raciais — GERER, estrutura dedicada a planejar e articular ações nos eixos de currículo, formação e projetos.

A política foi executada por professores, gestores, técnicos, mediadores, instituições culturais e equipes da rede. O resultado, portanto, não pertence a uma única pessoa. Mas a criação de uma estrutura permanente dentro da Secretaria e a continuidade dos circuitos ocorreram sob a liderança administrativa de Ferreirinha.

Essa diferença importa. Educação antirracista não pode depender somente da iniciativa isolada de um professor ou aparecer apenas no mês de novembro. Ela precisa estar presente no planejamento, nos materiais, na formação profissional e nas experiências oferecidas durante todo o ano.

Ensinar toda a história já é uma obrigação legal

Desde 2003, a Lei Federal 10.639 determina a inclusão da história e da cultura afro-brasileira no currículo das escolas públicas e privadas. Em 2008, a Lei 11.645 ampliou essa obrigação para incluir também a história e a cultura dos povos indígenas.

O desafio brasileiro, portanto, não é apenas aprovar novas regras. É fazer com que as leis existentes saiam do papel e se transformem em práticas pedagógicas consistentes.

Isso exige professores preparados, materiais de qualidade, participação das comunidades, acesso a espaços de memória e acompanhamento dos resultados. Também exige que o tema seja tratado como parte central da formação brasileira, e não como um conteúdo periférico.

A experiência carioca mostra uma possibilidade: aproximar currículo, formação docente e território. Em vez de ensinar a história somente de maneira abstrata, o circuito coloca os estudantes diante de um patrimônio reconhecido mundialmente.

Uma agenda possível para Brasília

Um deputado federal não administra diretamente as escolas municipais. Também não pode, sozinho, reproduzir um programa local em todo o país.

O Congresso, porém, pode atuar em pontos decisivos: financiamento de programas de formação docente, preservação de espaços de memória, produção de materiais pedagógicos, fiscalização do cumprimento das leis nacionais e inclusão de metas de equidade nas políticas educacionais.

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha pode levar a Brasília uma experiência concreta de execução. O diferencial não está em apresentar a educação antirracista como uma ideia inédita, mas em mostrar uma política que ganhou estrutura administrativa, parcerias e presença territorial em uma das maiores redes públicas do país.

Uma atuação federal coerente com esse legado precisaria defender:

  • formação continuada de professores para a educação das relações étnico-raciais;
  • apoio a visitas pedagógicas e projetos de memória em diferentes regiões;
  • recursos para museus, sítios históricos e instituições comunitárias que colaboram com as escolas;
  • acompanhamento do cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008;
  • materiais pedagógicos que representem a diversidade da formação brasileira;
  • participação de pesquisadores, movimentos sociais e comunidades tradicionais na construção das políticas.

Essas medidas não dependem apenas de discurso. Exigem orçamento, articulação federativa, fiscalização e continuidade.

O número impressiona, mas o trabalho precisa continuar

Levar mais de 40 mil estudantes ao circuito é um resultado relevante, mas não encerra a discussão. O número de participantes, sozinho, não permite medir mudanças de aprendizagem, redução do preconceito ou transformação das relações dentro das escolas.

Para consolidar a política, é necessário avaliar o que os alunos aprenderam, acompanhar a aplicação dos conteúdos em sala, ampliar a formação dos profissionais e garantir que todas as regiões tenham acesso às atividades.

Também é preciso preservar os próprios espaços de memória. O Cais do Valongo é um patrimônio sensível, cuja conservação e interpretação pública exigem trabalho permanente do poder público e da sociedade.

Reconhecer esses limites não diminui a política. Ao contrário: ajuda a separar uma ação institucional duradoura de uma iniciativa meramente simbólica.

Conhecer o passado para disputar o futuro

O Brasil é um país de maioria negra, mas durante muito tempo a escola apresentou sua formação histórica a partir de uma visão incompleta. Corrigir esse desequilíbrio não significa substituir uma narrativa por outra. Significa permitir que os estudantes compreendam o país em toda a sua complexidade.

Ao criar a GERER e aproximar dezenas de milhares de estudantes da Pequena África, a gestão de Ferreirinha transformou memória em experiência educacional.

Agora, como candidato à Câmara dos Deputados, o desafio é demonstrar como essa experiência pode ajudar o país a cumprir leis que já existem e fortalecer uma educação que reconheça todas as pessoas que construíram o Brasil.

O futuro começa quando a escola ensina toda a nossa história — inclusive aquela que durante muito tempo tentaram deixar fora da sala de aula.


Fontes consultadas