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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Copiloto planejava lançar avião contra aeroporto em Israel, afirma Procuradoria dos Emirados


Autoridades apresentam novas conclusões sobre o voo FZ1073; aeronave perdeu cerca de 4.900 metros de altitude em 30 segundos e pousou em segurança na Arábia Saudita

A Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos afirmou nesta sexta-feira, 9 de outubro, que o copiloto do voo FZ1073, da Flydubai, pretendia tomar o controle da aeronave e lançá-la contra um terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel.

O anúncio acrescenta um novo desdobramento à investigação da ocorrência de 30 de setembro, durante um voo entre Dubai e Tel Aviv. Segundo o procurador-geral Hamad Saif Al Shamsi, o suspeito, cidadão de Omã, havia iniciado a execução de um plano de atentado suicida.

Plano teria sido inspirado no 11 de Setembro

De acordo com a versão apresentada pelas autoridades dos Emirados, o copiloto teria se inspirado nos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

A Reuters destacou que o comunicado representa a primeira confirmação pública, por parte da Procuradoria, dessa alegada inspiração. As informações fazem parte da investigação criminal e não de uma sentença judicial.

Descida abrupta colocou o voo em risco

Durante a ocorrência, o comandante foi atacado dentro da cabine. O avião perdeu aproximadamente 16 mil pés de altitude — cerca de 4.900 metros — em apenas 30 segundos, segundo a Reuters.

A aeronave foi estabilizada após a contenção do copiloto. Outros pilotos que estavam a bordo assumiram o controle e conduziram o pouso de emergência na Arábia Saudita.

O comunicado oficial relata que um piloto que viajaria na tripulação do voo de retorno interveio com auxílio de um tripulante de cabine e de passageiros. O suspeito foi imobilizado, e o comandante ferido recebeu ajuda. O pouso ocorreu no Aeroporto de Tabuk.

Investigação continua

Segundo a Procuradoria, o suspeito declarou ter agido sozinho durante depoimento acompanhado por advogado. As autoridades, entretanto, continuam verificando essa afirmação e apurando possíveis vínculos ou participação de outras pessoas.

A análise inclui depoimentos, gravações e relatórios técnicos. Novas conclusões poderão ser divulgadas conforme o avanço da investigação.

Além da apuração criminal conduzida pelos Emirados, a Arábia Saudita abriu uma investigação de segurança aérea, conforme reportagem da Reuters publicada em 7 de outubro.

Essa investigação tem finalidade distinta: examinar aspectos técnicos e possíveis recomendações para a segurança da aviação, enquanto a apuração criminal busca esclarecer responsabilidades pelo ataque.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Passageiro indisciplinado pode pagar R$ 17,5 mil e ficar até um ano sem voar


Nova regra da Anac começa a valer nesta segunda-feira (14) e prevê suspensão para casos graves em voos domésticos

Passageiros que cometerem atos graves ou gravíssimos em aeroportos ou dentro de aviões poderão ser multados em até R$ 17,5 mil e ficar proibidos de voar por até 12 meses. As novas regras da Resolução nº 800/2026 da Anac entram em vigor nesta segunda-feira (14).

A medida vale para o transporte aéreo regular doméstico e permite que as companhias compartilhem os dados dos passageiros suspensos. Durante o período da punição, a pessoa poderá ter o check-in bloqueado, ser impedida de comprar passagens e não poderá embarcar em voos domésticos de outras empresas.

A suspensão poderá durar seis ou 12 meses, dependendo da gravidade da conduta e do impacto causado na operação aérea. Entre os casos que podem levar à punição estão agressões físicas contra tripulantes ou passageiros, importunação sexual, danos a equipamentos de segurança, entrada não autorizada na cabine de comando, porte de armas ou explosivos e tentativa de assumir o controle da aeronave.

A regra também prevê multa de R$ 17,5 mil para atos classificados como graves ou gravíssimos. A cobrança será aplicada pela própria Anac, após a abertura de processo administrativo e análise das provas apresentadas.

O passageiro deverá ser comunicado sobre a punição, receber informações sobre a ocorrência e ter direito à ampla defesa. A resolução prevê prazo de até cinco dias para reclamações formais relacionadas à inclusão do nome na lista de suspensão.

A norma não transforma qualquer discussão ou reclamação em motivo para impedir alguém de voar. As punições mais severas estão relacionadas a comportamentos que ameaçam a segurança, a ordem ou a dignidade das pessoas.

Número de ocorrências preocupa

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), foram registrados 881 casos de indisciplina no transporte aéreo entre janeiro e junho de 2026. Desse total, 154 poderiam ter comprometido a segurança operacional.

Em 2025, foram contabilizados 1.764 episódios — quase cinco ocorrências por dia, conforme levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo.

As companhias continuam autorizadas a advertir, retirar passageiros da aeronave, acionar a polícia e buscar reparação por eventuais danos. Empresas que deixarem de aplicar uma suspensão determinada ou descumprirem as regras também poderão ser multadas.

A Anac informou que fará uma avaliação dos resultados após dois anos de vigência. A expectativa é verificar se a medida reduziu conflitos e aumentou a segurança nos aeroportos e dentro das aeronaves.

Para os passageiros, a principal mudança é que agressões, ameaças e atitudes capazes de comprometer um voo poderão gerar consequências que vão muito além da retirada imediata do avião.