Pesquisadores da University College London conseguiram reconstruir vídeos observados por camundongos usando apenas registros da atividade cerebral dos animais.
O estudo, publicado na revista científica eLife, utilizou imagens do córtex visual — região do cérebro responsável pelo processamento das informações captadas pelos olhos. A equipe acompanhou a atividade de milhares de neurônios enquanto os camundongos assistiam a vídeos de aproximadamente 10 segundos.
Com esses dados, os cientistas desenvolveram um modelo computacional capaz de estimar quais imagens poderiam ter provocado determinada reação neural. O sistema então reconstruiu versões das cenas exibidas aos animais.
Os resultados conseguiram reproduzir movimentos, formas e mudanças visuais presentes nos vídeos originais. A semelhança média entre as imagens reais e as reconstruídas atingiu uma correlação de aproximadamente 0,57 em nível de pixels.
Apesar do avanço, o experimento não significa que os pesquisadores tenham “lido os pensamentos” dos camundongos. O sistema não recuperou um vídeo armazenado na mente dos animais. Ele fez uma reconstrução computacional baseada nos sinais registrados em uma área específica do cérebro.
A técnica também possui limitações. Os pesquisadores analisaram apenas uma parte do córtex visual, com campo de observação restrito. Detalhes muito pequenos e movimentos rápidos foram mais difíceis de reproduzir.
Mesmo assim, o trabalho pode ajudar a entender como o cérebro transforma estímulos visuais em percepção. A pesquisa também reforça que a atividade neural carrega informações suficientes para permitir que algoritmos façam estimativas sobre aquilo que um animal está observando.
Por enquanto, não existe uma aplicação imediata para “reconstruir pensamentos” em seres humanos. O resultado representa, principalmente, uma ferramenta para estudar o funcionamento do cérebro e a forma como a visão é processada.

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