Mostrando postagens com marcador clima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador clima. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de setembro de 2026

El Niño pode persistir além do verão de 2026/2027 e acende alerta para cheias, seca e calor no Brasil


ANA lançou plano de preparação após estimar probabilidade superior a 80% de permanência do fenômeno até o trimestre março–abril–maio de 2027

O El Niño pode continuar influenciando o clima brasileiro mesmo depois do verão de 2026/2027. Uma atualização publicada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) nesta segunda-feira (14) aponta probabilidade superior a 80% de o fenômeno persistir até o trimestre março–abril–maio de 2027. A agência também estima mais de 90% de chance de o episódio atingir intensidade “muito forte” ainda no segundo semestre de 2026. Confira a atualização oficial da ANA.

De acordo com os dados do Climate Prediction Center, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de persistência entre setembro e novembro de 2026 chega a 100%. A projeção superior a 80% até março–maio de 2027 amplia o horizonte de atenção para além dos meses tradicionalmente associados ao verão brasileiro.

Diante desse cenário, a ANA lançou o Plano de Preparação para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño 2026/2027 sobre os Recursos Hídricos do Brasil. O documento reúne medidas de monitoramento, articulação institucional e possíveis respostas regulatórias para reduzir os riscos sobre abastecimento, reservatórios, navegação, geração de energia e segurança de barragens.

A região Sul concentra, neste momento, a situação mais sensível. A ANA informou que mantém uma Sala de Crise ativa para acompanhar cheias, inundações graduais, enxurradas e possíveis problemas relacionados à segurança de barragens em razão da previsão de aumento das chuvas e das vazões.

No Norte e no Nordeste, o cenário previsto é diferente, com possibilidade de redução das chuvas e elevação das temperaturas. No Semiárido, a agência monitora o risco de menor recarga dos açudes, com possíveis reflexos sobre a irrigação e o abastecimento público. Na Amazônia, a redução dos níveis dos rios pode afetar a navegação, o abastecimento e a geração de energia.

A ANA também chama atenção para o risco de ondas de calor no Sudeste e no Centro-Oeste. No Pantanal, o aumento das temperaturas e a redução da umidade do ar podem elevar a preocupação com incêndios, disponibilidade hídrica, navegação, pesca e turismo.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia informado, em 3 de setembro, que o El Niño poderia persistir com probabilidade próxima de 100% até fevereiro de 2027 e se intensificar para uma condição muito forte, com efeitos sobre os padrões de chuva e temperatura ao longo do próximo ano. Leia a atualização da OMM.

Apesar do cenário de atenção, as previsões não significam que cheias, secas, incêndios ou ondas de calor ocorrerão automaticamente em todas as regiões. A intensidade do El Niño é apenas um dos fatores envolvidos, e os impactos dependem da combinação com outros sistemas meteorológicos e das condições locais.

A orientação é que órgãos públicos, empresas e população acompanhem os boletins oficiais e os alertas das autoridades de meteorologia e defesa civil. O plano da ANA poderá ser revisado conforme novas informações sobre a evolução do fenômeno sejam divulgadas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Pico do El Niño se aproxima "em nível jamais visto" e pode superar todos os eventos dos últimos 170 anos


Modelos climáticos projetam anomalia próxima de 4°C no Pacífico e acendem alerta para chuvas, calor e eventos extremos no Brasil

O El Niño previsto para os próximos meses pode se transformar em um dos eventos climáticos mais intensos já registrados. Atualizações recentes dos modelos meteorológicos projetam que o fenômeno alcance seu pico entre novembro e dezembro de 2026, com uma anomalia de temperatura próxima de 4°C na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial.

Caso a projeção se confirme, o evento poderá superar, por ampla margem, os principais episódios registrados ao longo do século 20 e entrar em um patamar considerado excepcional nos últimos 170 anos de observações. A análise foi divulgada pela MetSul Meteorologia.

É importante destacar que se trata de uma projeção, e não de um recorde já confirmado. Os modelos climáticos indicam uma tendência para os próximos meses, que ainda poderá sofrer alterações conforme a evolução das temperaturas do oceano e da atmosfera.

Pacífico já registra aquecimento muito forte

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam significativamente mais quentes do que a média, acompanhadas pelo enfraquecimento dos ventos de leste.

De acordo com os dados mais recentes mencionados na análise, a região Niño 3.4 já apresentava uma anomalia de aproximadamente 2,7°C. Esse valor corresponde a um El Niño muito forte e está acima do patamar de 2°C utilizado informalmente para classificar um Super El Niño.

A previsão atual aponta que o aquecimento poderá continuar avançando até o fim do ano, alcançando níveis próximos ou superiores a 4°C. Os episódios históricos de 1997-1998 e 2015-2016 estão entre os mais intensos já observados, mas o evento projetado para 2026 poderá alcançar uma magnitude ainda maior.

Quais podem ser os efeitos no Brasil?

Os impactos do El Niño variam de acordo com cada região e dependem da interação entre o oceano, a atmosfera e outros sistemas meteorológicos. Mesmo assim, os padrões históricos permitem antecipar alguns riscos.

No Sul do Brasil, o fenômeno costuma aumentar a frequência e a intensidade das chuvas, elevando a possibilidade de temporais, cheias de rios, enchentes e episódios de instabilidade severa. Também pode haver maior risco de ciclones e tempestades durante determinados períodos.

No Norte e no Nordeste, o El Niño geralmente está associado à redução das chuvas e ao aumento do calor. Esse cenário pode favorecer períodos de seca, prejudicar o abastecimento de água, afetar a agricultura e aumentar o risco de queimadas.

Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência costuma ser de temperaturas acima da média e maior ocorrência de ondas de calor. A distribuição das chuvas, no entanto, pode variar bastante entre os estados e não permite afirmar antecipadamente que todas as cidades terão o mesmo comportamento.

Alerta não significa previsão de desastre

A possibilidade de um El Niño excepcional não significa que todos os impactos já estejam definidos ou que uma determinada cidade necessariamente enfrentará enchentes, seca ou calor extremo.

O fenômeno altera os padrões climáticos em escala global, mas seus efeitos dependem de diversos fatores. Por isso, as previsões precisam ser atualizadas continuamente por órgãos meteorológicos e centros de monitoramento.

O principal alerta está na intensidade projetada. Um aquecimento tão elevado no Pacífico pode aumentar a frequência de extremos climáticos, pressionar sistemas de abastecimento, afetar a produção agrícola e exigir maior preparação das cidades para chuvas fortes, calor intenso e períodos de estiagem.

Nas próximas semanas, novos dados deverão indicar se o fenômeno continuará seguindo a trajetória apontada pelos modelos. Se a previsão se confirmar, o El Niño de 2026 poderá entrar para a história como um dos episódios climáticos mais intensos da era moderna.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Bomba Oculta: força-tarefa mira 1.283 CNPJs e fecha cerco a postos usados na engrenagem financeira do crime organizado


Operação deflagrada nesta sexta-feira bloqueia cadastros e interdita estabelecimentos clandestinos; ofensiva é desdobramento da Carbono Oculto, investigação que revelou bilhões movimentados por uma estrutura infiltrada na cadeia de combustíveis, com suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação, adulteração e uso de empresas para ocultar patrimônio

Por trás de uma bomba de combustível aparentemente comum pode existir uma estrutura financeira muito mais sofisticada do que a simples venda de gasolina, etanol ou diesel.

É justamente essa engrenagem que autoridades federais e estaduais voltaram a atacar nesta sexta-feira, 28 de agosto, com a Operação Bomba Oculta, uma ofensiva destinada a impedir o funcionamento de postos clandestinos e cortar os mecanismos empresariais que permitiam que estabelecimentos sem autorização continuassem comprando, vendendo e movimentando combustíveis formalmente.

A força-tarefa prevê tornar 1.283 CNPJs inaptos, além de suspender 228 inscrições estaduais e lacrar postos que operavam sem autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Participam da ação a Receita Federal, a ANP, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, as procuradorias das Fazendas Nacional e paulista e a Polícia Civil.

A operação é mais do que uma fiscalização administrativa.

Ela representa uma nova etapa de uma investigação que, há exatamente um ano, revelou como o setor de combustíveis se tornou uma das portas de entrada do crime organizado na economia formal brasileira.

Segundo a Receita Federal, a Operação Carbono Oculto demonstrou que organizações criminosas haviam se infiltrado em diferentes pontos da cadeia, passando pela importação, produção, distribuição e venda ao consumidor. A estrutura investigada teria utilizado empresas, fintechs e fundos de investimento para movimentar recursos e ocultar patrimônio.

O cenário descrito pelas autoridades ajuda a compreender por que o posto da esquina pode ter importância estratégica muito maior do que sua aparência sugere.

Combustível movimenta dinheiro diariamente, gera elevado volume de transações, possui uma extensa cadeia de fornecedores e consumidores e está presente praticamente em todo o território nacional.

Quando essa estrutura é capturada por organizações criminosas, o posto deixa de ser apenas o destino final de gasolina e diesel.

Pode se transformar em uma máquina de circulação e aparência de legalidade para dinheiro de origem criminosa.

Postos perdiam autorização, mas continuavam funcionando

Um dos pontos mais impressionantes revelados pela operação está na distância entre cancelar uma autorização e efetivamente retirar uma empresa do mercado.

Desde 2019, a ANP revogou a autorização de funcionamento de mais de 10 mil postos de combustíveis no Brasil. O problema é que parte desses estabelecimentos permaneceu com o CNPJ ativo e, segundo as autoridades, continuou utilizando essa existência empresarial formal para adquirir e comercializar produtos de maneira clandestina.

Na prática, a autorização regulatória desaparecia, mas a empresa ainda possuía instrumentos administrativos suficientes para tentar permanecer dentro da cadeia comercial.

Foi essa brecha que a Operação Bomba Oculta decidiu atacar.

A Receita Federal alterou recentemente as regras que permitem declarar uma pessoa jurídica inapta quando ela exerce atividade sem as autorizações exigidas. Com isso, informações produzidas por órgãos reguladores, como a ANP, podem ser utilizadas para acelerar o bloqueio cadastral dessas empresas.

A inaptidão do CNPJ e a suspensão das inscrições estaduais atingem pontos vitais de qualquer operação comercial. As medidas dificultam ou impedem a emissão de documentos fiscais e podem afetar movimentações financeiras vinculadas às empresas.

O objetivo declarado é eliminar justamente a condição que permitia a um estabelecimento continuar parecendo formalmente ativo mesmo depois de perder autorização para vender combustível.

Em São Paulo, o alcance é ainda maior. Novecentos e dez registros estaduais de postos já foram atingidos por suspensões ou inaptidões, sendo 682 em medidas anteriores e outros 228 nesta etapa.

A investigação chegou aos “laranjas” e ao patrimônio escondido

Fechar bombas e impedir a emissão de notas fiscais resolve apenas uma parte do problema.

A outra está em descobrir quem realmente controla as empresas.

Nesta nova fase, mais de 400 pessoas apontadas como possíveis “laranjas” estão sob investigação, segundo informações divulgadas sobre a operação. O objetivo é identificar os verdadeiros beneficiários de empresas, bens e fluxos financeiros que podem ter sido registrados em nome de terceiros.

O uso de interpostas pessoas é uma estratégia recorrente em esquemas de ocultação patrimonial.

No papel, determinado posto pode pertencer a uma pessoa sem grande patrimônio ou histórico empresarial relevante. Na prática, a administração, os recursos e os beneficiários econômicos podem estar em outro lugar.

É essa distância entre o proprietário formal e o controlador real que as investigações procuram reconstruir.

As autoridades estimam que as medidas adotadas nesta etapa possam retirar mais de R$ 10 bilhões de circulação das estruturas investigadas, ao bloquear fluxos financeiros e patrimoniais associados aos negócios atingidos.

O número ajuda a revelar a escala do problema.

Já não se está falando de alguns postos vendendo combustível irregular em bairros isolados. Trata-se de um setor em que empresas podem ser utilizadas para movimentar cifras comparáveis ao orçamento anual de grandes cidades brasileiras.

A operação de 2025 revelou R$ 52 bilhões movimentados por cerca de mil postos

Para compreender a dimensão da Bomba Oculta, é necessário voltar a 28 de agosto de 2025.

Naquele dia, a Operação Carbono Oculto reuniu diversos órgãos públicos naquilo que a Receita Federal classificou como uma das maiores ações já realizadas contra estruturas econômicas do crime organizado no Brasil.

A investigação apontou que cerca de mil postos de combustíveis vinculados ao grupo investigado movimentaram aproximadamente R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

A apuração também identificou uma fintech suspeita de funcionar como uma espécie de “banco paralelo” da organização e pelo menos 40 fundos de investimento utilizados em estruturas de ocultação patrimonial.

Os números revelaram um modelo muito diferente daquela imagem tradicional do crime organizado restrito a armas, drogas e territórios.

A sofisticação estava justamente na capacidade de entrar na economia legal.

Postos.

Distribuidoras.

Empresas.

Instituições financeiras.

Fundos.

Patrimônio formalmente registrado.

A lógica é simples: quanto maior a capacidade de misturar dinheiro ilícito com receitas aparentemente legítimas, mais difícil se torna seguir o caminho original dos recursos.

O setor de combustíveis oferece características especialmente atraentes para esse tipo de operação. Existe grande volume diário de vendas, movimentação constante de caixa, alta capilaridade e uma cadeia que, segundo o governo, reúne mais de 130 mil agentes econômicos.

É um ambiente de enorme complexidade regulatória, tributária e comercial.

E, segundo as autoridades, essa complexidade foi explorada para lavagem de dinheiro, fraude fiscal e adulteração de produtos.

Quando o crime chega à bomba, o consumidor também paga

A dimensão financeira costuma dominar as manchetes, mas existe outro personagem diretamente atingido por esse tipo de esquema: quem estaciona o carro para abastecer.

Um mercado contaminado por agentes clandestinos produz diferentes riscos.

Um deles é a adulteração do combustível.

Produto fora das especificações pode provocar falhas no motor, danos mecânicos, aumento de consumo e emissões superiores às permitidas.

Outro problema é tributário.

Empresas que sistematicamente deixam de recolher impostos conseguem vender em condições que estabelecimentos regulares dificilmente conseguem acompanhar, distorcendo a concorrência.

Há ainda uma terceira consequência, mais grave e menos perceptível para quem olha apenas o preço exibido na placa.

Quando um estabelecimento é utilizado para lavar recursos produzidos por outras atividades criminosas, parte do dinheiro gasto pelo consumidor pode circular dentro de uma estrutura financeira que não possui como finalidade principal apenas o comércio de combustível.

A Receita Federal afirma que o setor se tornou instrumento para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, sonegação contumaz e adulteração de combustíveis.

Essa é provavelmente a dimensão mais perturbadora da investigação.

O crime organizado moderno não precisa controlar apenas esquinas.

Pode controlar empresas.

O posto como fronteira entre economia legal e dinheiro ilícito

O avanço das investigações sobre combustíveis revela uma transformação importante na forma como o Estado enfrenta organizações criminosas.

Durante décadas, a resposta esteve concentrada em apreensões de drogas, armas e prisões de integrantes das facções.

Essas operações continuam necessárias.

Mas possuem uma limitação evidente: organizações com grande capacidade financeira conseguem recompor parte das perdas enquanto mantêm funcionando seus mecanismos de financiamento.

A estratégia vista na Bomba Oculta procura atingir justamente esse ponto.

O objetivo deixa de ser apenas prender quem executa determinada atividade criminosa e passa a envolver o bloqueio da empresa que movimenta o dinheiro, do cadastro que permite emitir a nota fiscal, da conta bancária usada na operação e do patrimônio construído para armazenar a riqueza.

É o chamado estrangulamento financeiro.

Sem dinheiro, uma organização perde capacidade de comprar armas, financiar operações, corromper agentes, adquirir empresas, contratar intermediários e ampliar sua influência sobre setores da economia.

Por isso, a expressão “crime organizado” assumiu um significado muito diferente nos últimos anos.

Um grupo criminoso sofisticado pode possuir uma estrutura capaz de atravessar a fronteira entre clandestinidade e mercado formal repetidas vezes.

O dinheiro sai de uma atividade ilegal.

Entra em uma empresa.

Circula por outra.

Passa por uma instituição financeira.

Pode ser transformado em patrimônio.

E reaparece, depois de várias operações, com aparência de riqueza legítima.

É essa trilha que as autoridades tentam interromper.

Ainda é investigação — e isso precisa ficar claro

A dimensão da operação exige também cuidado jornalístico.

O bloqueio de um CNPJ, a interdição de um estabelecimento ou a inclusão de uma pessoa numa investigação não equivalem a uma condenação criminal definitiva.

Os diferentes envolvidos possuem direito de defesa, e responsabilidades individuais terão de ser demonstradas nos procedimentos administrativos e processos judiciais correspondentes.

Da mesma forma, seria incorreto concluir que todo o setor de combustíveis está contaminado pelo crime organizado.

O mercado brasileiro possui milhares de empresas regularmente autorizadas que operam de acordo com as regras tributárias, ambientais e regulatórias.

O problema apontado pelas operações está justamente na utilização de uma parcela dessa enorme infraestrutura econômica por grupos investigados por atividades ilícitas.

A ANP afirma que vem ampliando ferramentas de inteligência para identificar agentes suspeitos de irregularidades estruturadas e trabalhar em cooperação com autoridades criminais e fiscais.

A Bomba Oculta representa uma tentativa de integrar esses bancos de dados.

Se um posto perde autorização regulatória, a informação precisa chegar à Receita.

Se continua comprando combustível, o fluxo precisa ser identificado.

Se movimenta dinheiro por contas empresariais, as autoridades precisam conseguir seguir o patrimônio.

O desafio está justamente em fechar os espaços existentes entre diferentes órgãos do Estado.

A guerra contra o crime organizado também será travada no CNPJ

A imagem de policiais lacrando bombas de combustível é provavelmente a parte mais visível da operação desta sexta-feira.

Mas talvez não seja a mais importante.

O verdadeiro movimento ocorre nos cadastros, contas, documentos fiscais, estruturas societárias e fluxos financeiros.

A previsão de tornar 1.283 CNPJs inaptos demonstra que o Estado está tentando atacar aquilo que permitia a determinadas estruturas investigadas permanecerem vivas mesmo depois de perderem autorização para operar.

É uma guerra diferente daquela que costuma aparecer nas imagens de televisão.

Há menos fuzis.

Mais planilhas.

Menos barricadas.

Mais documentos fiscais.

Mas o objetivo é atingir a mesma estrutura criminosa pelo lugar em que ela mais precisa permanecer invisível: o dinheiro.

A Operação Carbono Oculto já havia mostrado que o posto de combustível poderia ser apenas a superfície de uma rede muito maior.

Um ano depois, a Bomba Oculta tenta cortar a ligação entre a bomba, o CNPJ e os recursos que continuam circulando.

O resultado dessa ofensiva ainda dependerá das investigações e dos processos que virão.

Mas uma conclusão já parece impossível de ignorar.

O combate ao crime organizado brasileiro deixou definitivamente de acontecer apenas nas ruas.

Agora, ele também passa pela contabilidade.

Palavras-chave: Bomba Oculta, combustíveis, postos, crime organizado, PCC, Receita, ANP, lavagem, fraude, sonegação, CNPJ, laranjas, bilhões, gasolina, fintech, dinheiro, investigação, polícia, Brasil, Papo de Nível