Mercado ganhou opções de semaglutida e liraglutida após o fim da patente do Ozempic, mas especialistas alertam que os medicamentos não são intercambiáveis
O mercado brasileiro de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade passou por uma forte expansão em 2026. Ao longo do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas canetas, ampliando a concorrência e abrindo espaço para preços mais baixos.
Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, foram registrados dez medicamentos à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, que utiliza tirzepatida.
A mudança foi impulsionada pelo fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. Com isso, outras empresas passaram a solicitar registros de medicamentos semelhantes e genéricos, aumentando a oferta de produtos que ficaram conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Preços podem ficar mais acessíveis
O Ozempic, uma das marcas mais conhecidas do segmento, custa entre R$ 975 e R$ 999, dependendo da apresentação. Já o Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida sintética aprovado após a queda da patente, chegou ao mercado com preços entre R$ 452 e R$ 498.
A estimativa é que os genéricos de semaglutida sejam comercializados entre R$ 293 e R$ 323, respeitando a regra que determina uma redução mínima de 35% em relação ao medicamento de referência.
As opções à base de liraglutida podem ser encontradas a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias. No entanto, o preço não é o único fator que deve ser considerado pelo paciente.
A frequência de aplicação, a indicação aprovada, as condições de saúde e a possibilidade de manter o tratamento por meses ou anos também influenciam na escolha.
Nem toda caneta serve para emagrecer
Apesar de serem frequentemente chamadas de “canetas emagrecedoras”, nem todos os produtos aprovados têm indicação para tratamento da obesidade.
Entre as novas versões de semaglutida, várias foram autorizadas pela Anvisa exclusivamente para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. O fato de um medicamento ter princípio ativo semelhante ao Ozempic não significa que ele possa ser usado para qualquer finalidade.
A própria Anvisa explica que o Ozivy é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, como complemento à dieta e à prática de exercícios. O produto exige prescrição médica e possui regras específicas de armazenamento.
Também não é possível trocar automaticamente uma marca por outra. Medicamentos com semaglutida, liraglutida e tirzepatida possuem diferenças de dose, frequência de aplicação, indicações e efeitos colaterais.
Registro não significa disponibilidade imediata
Outro ponto importante é que a aprovação da Anvisa não significa que todas as canetas já estejam disponíveis nas farmácias.
Após o registro sanitário, alguns produtos ainda precisam passar pela definição de preço máximo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A empresa responsável também decide quando iniciará a comercialização.
Para que um medicamento seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde, ainda é necessário passar por avaliação da Conitec e aprovação do Ministério da Saúde.
Os especialistas alertam que os tratamentos podem provocar efeitos como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e alterações no funcionamento do intestino. Por isso, a escolha deve ser feita com acompanhamento médico e levando em conta o quadro clínico de cada paciente.
Anvisa reforça combate a produtos irregulares
Com a popularização das canetas, a Anvisa também intensificou a fiscalização contra produtos importados, manipulados ou vendidos sem registro.
A agência já anunciou medidas para combater a comercialização de medicamentos irregulares e alertou para riscos relacionados à falta de controle de qualidade, esterilização inadequada e origem desconhecida dos insumos. Veja as medidas anunciadas pela Anvisa.
A chegada de novas opções pode aumentar a concorrência e reduzir os preços, mas não elimina a necessidade de receita, avaliação profissional e acompanhamento durante o tratamento.
