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domingo, 20 de setembro de 2026

Canetas emagrecedoras no SUS podem gerar impacto de quase R$ 7 bilhões


Promessa de oferta gratuita ainda depende de análise da Conitec, definição do público e previsão orçamentária

A possível incorporação de canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde pode gerar um impacto financeiro estimado em até R$ 6,8 bilhões ao longo de cinco anos, segundo avaliações técnicas relacionadas ao uso da semaglutida no tratamento da obesidade.

O tema ganhou força após o anúncio de que o governo pretende disponibilizar os medicamentos gratuitamente pelo SUS. Apesar da promessa, a oferta ainda não tem data definida e depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec.

A avaliação considera o uso da semaglutida para pacientes com obesidade grave, especialmente pessoas com obesidade graus II e III, sem diabetes, com idade a partir de 45 anos e histórico de doença cardiovascular.

Isso significa que uma eventual incorporação não representaria a distribuição ampla do medicamento para qualquer pessoa interessada em emagrecer. O tratamento deverá seguir critérios médicos e protocolos específicos.

O Ministério da Saúde também acompanha um estudo realizado com 250 pacientes do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A pesquisa avalia se o uso da medicação pode ajudar pacientes com obesidade grave e indicação para cirurgia bariátrica.

Além da possibilidade de reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos, o governo avalia os efeitos clínicos, a segurança e o custo de uma eventual oferta nacional.

O preço é um dos principais obstáculos. A estimativa apresentada em avaliações anteriores apontava custo de aproximadamente R$ 12,6 mil por paciente no primeiro ano de tratamento. Com a entrada de novas versões e a queda da patente da semaglutida, os valores podem cair, mas ainda será necessário definir preços, contratos e critérios de distribuição.

A própria Conitec já havia demonstrado preocupação com o impacto financeiro e com a duração do tratamento. Como muitos pacientes podem precisar utilizar a medicação por períodos prolongados, o custo não se limita à primeira aplicação ou ao primeiro ano.

Atualmente, as canetas da classe dos agonistas de GLP-1 ainda não são oferecidas regularmente pelo SUS para tratamento da obesidade. A Anvisa autorizou novos medicamentos e apresentações, mas o registro sanitário não significa distribuição automática pela rede pública.

Para que um medicamento seja incorporado ao SUS, é necessário avaliar evidências científicas, segurança, eficácia, custo-efetividade, impacto orçamentário e capacidade de organização da rede de saúde.

A discussão também envolve o risco de transformar um tratamento médico em produto de consumo estético. Especialistas defendem que a indicação seja feita exclusivamente para pacientes que realmente atendam aos critérios clínicos.

A decisão final deverá estabelecer quem poderá receber o medicamento, quais exames serão exigidos, por quanto tempo o tratamento será mantido e como será feito o acompanhamento dos pacientes.

Por enquanto, a promessa representa uma possibilidade em análise, e não uma liberação imediata para todos os usuários do SUS.

O debate coloca frente a frente dois desafios: ampliar o acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade e garantir que a medida seja financeiramente sustentável para o sistema público de saúde.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade; preços podem cair


Mercado ganhou opções de semaglutida e liraglutida após o fim da patente do Ozempic, mas especialistas alertam que os medicamentos não são intercambiáveis

O mercado brasileiro de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade passou por uma forte expansão em 2026. Ao longo do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas canetas, ampliando a concorrência e abrindo espaço para preços mais baixos.

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, foram registrados dez medicamentos à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, que utiliza tirzepatida.

A mudança foi impulsionada pelo fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. Com isso, outras empresas passaram a solicitar registros de medicamentos semelhantes e genéricos, aumentando a oferta de produtos que ficaram conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.

Preços podem ficar mais acessíveis

O Ozempic, uma das marcas mais conhecidas do segmento, custa entre R$ 975 e R$ 999, dependendo da apresentação. Já o Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida sintética aprovado após a queda da patente, chegou ao mercado com preços entre R$ 452 e R$ 498.

A estimativa é que os genéricos de semaglutida sejam comercializados entre R$ 293 e R$ 323, respeitando a regra que determina uma redução mínima de 35% em relação ao medicamento de referência.

As opções à base de liraglutida podem ser encontradas a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias. No entanto, o preço não é o único fator que deve ser considerado pelo paciente.

A frequência de aplicação, a indicação aprovada, as condições de saúde e a possibilidade de manter o tratamento por meses ou anos também influenciam na escolha.

Nem toda caneta serve para emagrecer

Apesar de serem frequentemente chamadas de “canetas emagrecedoras”, nem todos os produtos aprovados têm indicação para tratamento da obesidade.

Entre as novas versões de semaglutida, várias foram autorizadas pela Anvisa exclusivamente para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. O fato de um medicamento ter princípio ativo semelhante ao Ozempic não significa que ele possa ser usado para qualquer finalidade.

A própria Anvisa explica que o Ozivy é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, como complemento à dieta e à prática de exercícios. O produto exige prescrição médica e possui regras específicas de armazenamento.

Também não é possível trocar automaticamente uma marca por outra. Medicamentos com semaglutida, liraglutida e tirzepatida possuem diferenças de dose, frequência de aplicação, indicações e efeitos colaterais.

Registro não significa disponibilidade imediata

Outro ponto importante é que a aprovação da Anvisa não significa que todas as canetas já estejam disponíveis nas farmácias.

Após o registro sanitário, alguns produtos ainda precisam passar pela definição de preço máximo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A empresa responsável também decide quando iniciará a comercialização.

Para que um medicamento seja oferecido pelo Sistema Único de Saúde, ainda é necessário passar por avaliação da Conitec e aprovação do Ministério da Saúde.

Os especialistas alertam que os tratamentos podem provocar efeitos como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e alterações no funcionamento do intestino. Por isso, a escolha deve ser feita com acompanhamento médico e levando em conta o quadro clínico de cada paciente.

Anvisa reforça combate a produtos irregulares

Com a popularização das canetas, a Anvisa também intensificou a fiscalização contra produtos importados, manipulados ou vendidos sem registro.

A agência já anunciou medidas para combater a comercialização de medicamentos irregulares e alertou para riscos relacionados à falta de controle de qualidade, esterilização inadequada e origem desconhecida dos insumos. Veja as medidas anunciadas pela Anvisa.

A chegada de novas opções pode aumentar a concorrência e reduzir os preços, mas não elimina a necessidade de receita, avaliação profissional e acompanhamento durante o tratamento.