sábado, 26 de setembro de 2026

O CEP NÃO PODE DECIDIR O FUTURO: Ferreirinha coloca formação e oportunidades para jovens das periferias no centro da disputa federal


Da expansão dos Ginásios Educacionais Tecnológicos à Olimpíada Carioca de Matemática, trajetória do candidato a deputado federal reúne políticas que aproximaram ensino integral, ciência e tecnologia de territórios historicamente deixados para trás

O talento de uma criança não muda conforme o bairro onde ela nasceu. As oportunidades, porém, ainda mudam — e muito.

Para milhares de jovens das periferias, a distância entre o potencial e o futuro começa na falta de acesso a uma escola em tempo integral, laboratórios, tecnologia, formação científica e experiências capazes de ampliar horizontes.

É sobre essa desigualdade que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, procura construir uma das principais marcas de sua atuação pública.

Nascido e criado em São Gonçalo e formado em Economia e Ciências Políticas em Harvard, Ferreirinha iniciou sua trajetória em movimentos ligados à educação e ao protagonismo jovem antes de assumir funções no Legislativo e na gestão de uma das maiores redes municipais de ensino do país.

O ponto central de sua agenda não é apenas colocar o jovem dentro da escola. É fazer com que a escola pública ofereça estrutura, repertório e caminhos para que o endereço de origem não funcione como uma sentença sobre o destino.

Da Maré para o mundo

Um dos retratos mais recentes dessa visão veio do Complexo da Maré.

Em agosto de 2026, o GET IV Centenário conquistou, em Pequim, o Practice Innovation Prize, uma das categorias do Global Smart Education Innovation Prize.

O reconhecimento foi concedido ao projeto “Fábrica de Sonhos”, que combina aprendizagem por projetos, tecnologia, ações socioemocionais e participação das famílias.

Localizada na comunidade do Timbau, a unidade também esteve entre as dez finalistas do World’s Best School Prizes de 2026 na categoria Superação de Adversidades.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a escola alcançou 97% de alfabetização e não registrou evasão. Os resultados são fruto do trabalho coletivo de professores, gestores, estudantes, famílias e equipes da rede.

Ao mesmo tempo, o reconhecimento internacional ajuda a dimensionar uma política iniciada e ampliada durante a gestão de Ferreirinha na Educação do Rio: os Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs.

Lançado em 2022, o modelo chegou a 316 unidades em 2026. Nos GETs, o ensino integral é combinado com ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

Os estudantes desenvolvem projetos interdisciplinares e utilizam recursos como robótica, inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser e óculos de realidade virtual.

O diferencial não está apenas nos equipamentos. A proposta integra tecnologia ao currículo, incentiva a criatividade, fortalece o protagonismo dos alunos e aproxima a escola dos desafios de cada território.

Quando a rede inaugurou a unidade de número 300, em março de 2026, a Prefeitura informou que o modelo já atendia aproximadamente 125 mil estudantes.

Para jovens das periferias, isso significa acesso, dentro da escola pública, a ferramentas que durante muito tempo ficaram restritas a ambientes privados ou a famílias com maior renda.

Reconhecer talentos e abrir portas

Outra iniciativa associada à gestão de Ferreirinha foi a Olimpíada Carioca de Matemática, criada em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o Impa.

Em cinco edições, a competição acumulou mais de 1,6 milhão de inscrições e premiou 264 estudantes com viagens educacionais.

Em janeiro de 2026, 44 alunos embarcaram para conhecer a Disney e a Nasa, nos Estados Unidos. Entre eles estavam estudantes de territórios como Ponto Chic, em Padre Miguel, e Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho.

As histórias mostram o alcance simbólico da iniciativa: a medalha deixa de representar somente um prêmio escolar e passa a funcionar como porta de entrada para novas referências, possibilidades profissionais e projetos de vida.

Ao comentar a premiação, Ferreirinha afirmou que “nossos jovens têm um potencial único” e que a olimpíada “abre portas para o futuro”. A declaração dialoga com sua própria trajetória, marcada pela participação em competições de matemática na juventude.

É importante observar que o número divulgado corresponde às inscrições acumuladas nas cinco edições, e não necessariamente a 1,6 milhão de estudantes diferentes. Ainda assim, a escala mostra como uma política de reconhecimento pode mobilizar a rede e identificar talentos que poderiam permanecer invisíveis.

Oportunidade também começa com permanência

Nenhum programa de formação ou tecnologia alcança seu objetivo se o estudante deixa de frequentar a escola.

Por isso, o combate à evasão também integra esse conjunto de políticas. O Bora Pra Escola combinou registro diário de frequência, telefonemas, mensagens, busca ativa e articulação com conselhos escolares e associações de moradores.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, aproximadamente 24 mil estudantes foram localizados e levados de volta às salas de aula desde 2023.

A busca ativa tem impacto especial nos territórios mais vulneráveis, onde a ausência escolar pode estar relacionada a problemas de renda, insegurança alimentar, violência, trabalho precoce ou dificuldades familiares.

Trazer o aluno de volta não é apenas uma medida administrativa. É reconstruir o vínculo com um direito básico e impedir que uma interrupção temporária se transforme em exclusão permanente.

Da experiência local para uma política nacional

A candidatura de Ferreirinha a deputado federal coloca uma questão objetiva: quais partes dessa experiência podem ser transformadas em políticas para outros municípios e estados?

Na Câmara, um parlamentar não administra diretamente escolas nem implanta sozinho uma rede de GETs. Seu papel é criar leis, disputar prioridades no Orçamento, fiscalizar políticas públicas e construir condições para que estados e municípios possam ampliar programas de educação integral e inovação.

Ferreirinha já apresentou o Projeto de Lei 2.752/2023, que aumenta para 1,50 a ponderação do Fundeb destinada às matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca elevar o valor considerado no financiamento por aluno e dar maior capacidade financeira às redes que ampliarem a jornada escolar.

O projeto, contudo, ainda não é lei. A proposta aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara e dependerá de negociação política, análise das comissões e aprovação do Congresso.

Se eleito, Ferreirinha poderá retomar essa agenda em Brasília e defender recursos federais para laboratórios, conectividade, formação de professores, educação integral e projetos de ciência e tecnologia.

O desafio será transformar uma experiência municipal em política escalável, respeitando as diferenças entre as redes e garantindo financiamento permanente.

Tecnologia sozinha não resolve

Os resultados apresentados pelos GETs apontam um caminho, mas também exigem cautela.

Equipamentos modernos, por si só, não garantem aprendizagem. Uma política consistente depende de professores valorizados e preparados, manutenção, internet de qualidade, alimentação, segurança, acompanhamento pedagógico e continuidade entre o ensino fundamental, o ensino médio e a formação profissional.

Também é necessário avaliar os resultados, comparar escolas e impedir que a inovação fique concentrada em poucas unidades. Expandir o modelo significa preservar sua qualidade — não apenas multiplicar uma marca.

É nesse ponto que a experiência de gestão se encontra com a missão parlamentar. Levar oportunidades para jovens das periferias exige mais do que anunciar projetos: exige orçamento, metas, transparência e capacidade de execução.

Ferreirinha chega à disputa federal apresentando como credencial políticas que saíram do papel e alcançaram estudantes reais. O prêmio internacional conquistado por uma escola pública da Maré torna essa mensagem ainda mais concreta.

O futuro de um jovem não deveria ser definido pelo CEP. Para mudar essa realidade em escala nacional, será preciso fazer com que qualidade, tecnologia e oportunidades deixem de ser exceção e passem a fazer parte do cotidiano da escola pública brasileira.

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