Gestão da Educação do Rio ampliou em mais de 26 mil as vagas em creches desde 2021; agora, candidato a deputado federal, Renan Ferreirinha defende um novo modelo para ampliar o atendimento com qualidade, contrapartida social e transparência
Uma vaga em creche não muda apenas a rotina de uma criança. Ela pode transformar a vida de uma família inteira.
Para os pequenos, significa acesso desde cedo a cuidado, alimentação, convivência, estímulos e educação. Para pais e responsáveis — especialmente para milhares de mães que ainda concentram a maior parte do trabalho de cuidado — representa a possibilidade de procurar emprego, permanecer no mercado de trabalho, estudar e reconstruir a própria autonomia.
É por isso que a primeira infância ocupa um espaço estratégico na trajetória de Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, número 5521. À frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, ele comandou uma política de expansão do atendimento em creches. Em Brasília, apresentou uma proposta para fortalecer instituições privadas de educação infantil que cumpram exigências de qualidade, ofereçam contrapartidas sociais e prestem contas do uso dos recursos.
O ponto central dessa agenda é simples e de enorme impacto social: creche não é favor, depósito de criança ou serviço secundário. É educação, proteção e infraestrutura para que as famílias possam avançar.
Mais de 26 mil novas vagas desde 2021
O Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação registra que o Rio ampliou em mais de 26 mil o número de vagas em creches entre 2021 e 2025. O resultado foi alcançado durante o ciclo em que Ferreirinha comandou a pasta, em uma rede que reúne unidades próprias e instituições parceiras.
A distinção é importante: o número representa novas vagas oferecidas, e não 26 mil creches construídas. Parte da expansão ocorreu por meio de chamamentos públicos para entidades comunitárias, confessionais e sem fins lucrativos já autorizadas pelo sistema municipal de ensino. Essas instituições precisavam cumprir requisitos de atendimento educacional, alimentação, segurança e adequação dos espaços.
Em 2021, quando o primeiro grande chamamento foi lançado, Ferreirinha estabeleceu como meta criar 22 mil vagas em três anos. O balanço oficial de 2025 informa que a expansão superou aquele objetivo.
O resultado deve ser atribuído à política da Prefeitura, às equipes técnicas, aos profissionais das creches e às instituições envolvidas. Mas também ajuda a revelar uma característica do trabalho de Ferreirinha: a busca de mecanismos para ampliar a oferta utilizando capacidade pública e parcerias submetidas a regras.
O impacto vai muito além do portão da creche
O Brasil ainda está distante de universalizar o acesso. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 39,8% das crianças de zero a três anos frequentavam creche ou escola. O percentual cresceu, mas permanece abaixo da meta de 50% que havia sido fixada no Plano Nacional de Educação.
A falta de vaga não produz apenas uma perda educacional. Ela também agrava desigualdades econômicas e de gênero.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, com base em dados da Pnad, encontrou uma relação positiva e significativa entre acesso à creche e participação das mães no mercado de trabalho. O próprio IBGE já mostrou que mulheres com filhos pequenos enfrentam níveis menores de ocupação, sobretudo entre as pretas e pardas.
Isso ajuda a explicar por que a frase “creche muda duas vidas” tem tanta força. Quando a criança encontra um espaço seguro e adequado, a família também recupera tempo, renda e possibilidades.
De uma experiência municipal para uma proposta nacional
Em fevereiro de 2026, Ferreirinha apresentou na Câmara o Projeto de Lei Complementar 17/2026. A proposta cria uma categoria específica de certificação beneficente para creches privadas, o chamado CEBAS–Educação Infantil – Creches Privadas.
Na prática, o texto procura permitir que instituições de educação infantil tenham acesso a benefícios vinculados à certificação, mas condiciona essa possibilidade ao cumprimento de requisitos. Entre eles estão padrões de qualidade, contrapartidas sociais, transparência, fiscalização de gastos, contabilidade separada e divulgação de informações.
A proposta tenta enfrentar um problema concreto: muitos municípios não conseguem expandir a rede própria na velocidade exigida pela demanda, enquanto creches comunitárias e instituições sem fins lucrativos já atuam nos territórios. A ideia é fortalecer essa capacidade sem abrir mão do controle público.
O projeto, porém, ainda não é lei. Na Câmara, aguarda parecer do relator na Comissão de Educação. Se avançar, ainda deverá passar pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e Cidadania, além do Plenário.
Essa precisão é essencial. Ferreirinha pode apresentar a proposta como parte de sua agenda para a primeira infância, mas não como política nacional já implantada.
Ampliar vagas exige cobrar qualidade
Quantidade, sozinha, não resolve o desafio.
Uma política responsável de expansão precisa garantir profissionais preparados, instalações seguras, alimentação adequada, projeto pedagógico, fiscalização contínua e transparência nos repasses. Também deve assegurar que as vagas cheguem primeiro às famílias com maior vulnerabilidade e aos territórios onde a fila é mais longa.
Parcerias podem acelerar o atendimento, mas precisam ser acompanhadas de metas verificáveis e prestação de contas. É justamente nesse ponto que o projeto de Ferreirinha tenta construir salvaguardas: os benefícios só seriam concedidos mediante contrapartidas e mecanismos de controle.
O debate, portanto, não deve ser reduzido a uma escolha entre creche pública e creche parceira. A questão decisiva é saber se cada criança receberá educação e cuidado de qualidade — e se o poder público terá capacidade de fiscalizar cada vaga financiada ou incentivada.
O que um deputado federal pode fazer pela primeira infância
Deputados federais não administram diretamente as creches municipais. Essa responsabilidade está nas redes locais. O Congresso, entretanto, pode mudar as condições que determinam quantas vagas os municípios conseguem oferecer e com qual qualidade.
Um parlamentar pode atuar na legislação, no Orçamento da União, nas regras de financiamento da educação infantil, na fiscalização dos programas federais e na construção de incentivos para ampliar a oferta. Também pode cobrar metas nacionais, transparência e apoio técnico aos municípios.
É nesse campo que Ferreirinha apresenta sua experiência como gestor. Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, ele busca transformar uma política aplicada na capital em uma agenda nacional de expansão da primeira infância.
O desafio será demonstrar que o modelo pode crescer sem perder qualidade, que as parcerias serão fiscalizadas e que os recursos chegarão a quem mais precisa.
Uma pauta que começa na criança e alcança o futuro do país
Debates eleitorais costumam destacar grandes obras, segurança, economia e disputas ideológicas. A creche raramente recebe a mesma atenção, embora esteja no centro de todos esses temas.
Ela protege a infância, prepara o caminho da aprendizagem, ajuda as famílias a trabalhar, reduz desigualdades e movimenta a economia. Quando falta uma vaga, a consequência aparece dentro de casa. Quando ela existe e funciona bem, o efeito se espalha por toda a comunidade.
Ao colocar a primeira infância entre suas prioridades, Ferreirinha apresenta uma pauta que combina experiência de gestão e proposta legislativa. O resultado obtido no Rio é um ponto de partida; o PLP 17/2026 é uma tentativa de levar a discussão para o plano federal.
No fim, a pergunta é maior do que o número de vagas abertas: que país queremos construir quando o cuidado e a educação começam nos primeiros anos de vida?
Para Ferreirinha, a resposta passa por tratar a creche como direito da criança, apoio concreto às famílias e investimento no futuro do Brasil.
Fontes consultadas
- Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação do Rio — exercício de 2025
- Prefeitura do Rio — chamamento para novas vagas em creches, 2021
- Câmara dos Deputados — tramitação do PLP 17/2026
- IBGE — indicadores educacionais de 2024
- Ipea — oferta de creche e participação das mulheres no mercado de trabalho
- Dados eleitorais de Renan Ferreirinha — fonte declarada: TSE
