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sábado, 19 de setembro de 2026

Clubes ameaçam perder bilhões se governo restringir apostas esportivas


Times da Série A tentam negociar com o governo enquanto discutem o futuro dos patrocínios de casas de apostas no futebol brasileiro

Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tentam abrir uma negociação com o governo federal diante da possibilidade de novas restrições às apostas esportivas e aos cassinos online.

Em manifesto, dirigentes afirmaram que uma eventual proibição ou limitação do setor pode comprometer a sustentabilidade financeira do futebol brasileiro. Segundo os clubes, as casas de apostas movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios, publicidade, naming rights e outros contratos comerciais.

A preocupação é que a medida atinja não apenas os cassinos virtuais, mas também empresas que atuam simultaneamente com apostas esportivas. O texto final da proposta ainda não foi divulgado, e o governo não confirmou quais atividades serão efetivamente alcançadas.

O receio dos clubes ocorre em um momento de forte dependência financeira do futebol em relação às bets. Entre 2025 e 2026, o número de equipes da Série A com casas de apostas como patrocinadoras principais caiu de 18 para 13. Alguns contratos foram encerrados, reduzidos ou afetados por problemas de pagamento.

Na avaliação dos dirigentes, uma restrição ampla poderia provocar perdas de bilhões de reais ao longo dos próximos anos, principalmente para clubes que utilizam os contratos de patrocínio para equilibrar seus orçamentos e manter investimentos em atletas, categorias de base e estrutura.

Apesar da pressão, entidades que defendem a restrição das apostas contestam o argumento dos clubes. A coalizão Brasil Contra Bets afirma que o futebol não pode depender de um setor associado ao endividamento das famílias, ao vício e a problemas de saúde mental.

O governo também sustenta que precisa avaliar os efeitos sociais das apostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende acabar com as bets, mas ainda discute o formato e o alcance de uma eventual medida.

O debate, portanto, envolve duas questões centrais: de um lado, a necessidade de proteger consumidores contra o endividamento e a dependência; de outro, o impacto financeiro que uma restrição poderá provocar em clubes, campeonatos e empresas que já possuem contratos autorizados.

Até o momento, não existe uma estimativa oficial consolidada sobre o total que o futebol perderia. O valor de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano é uma projeção apresentada pelos clubes e representantes do setor.

A discussão deverá avançar nas próximas semanas e pode alterar a relação entre futebol, publicidade e apostas esportivas no Brasil.