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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ancelotti inicia reconstrução da Seleção Brasileira sem Neymar, Casemiro e Danilo


Carlo Ancelotti iniciou uma nova etapa no comando da Seleção Brasileira com uma convocação que simboliza o fim de um ciclo e o começo de outro. Após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o treinador italiano decidiu apostar na renovação do elenco e deixou de fora nomes consagrados como Neymar, Casemiro e Danilo.

A primeira lista de Ancelotti após o Mundial reúne 26 jogadores e conta com oito estreantes na equipe principal. A convocação também inclui dez atletas que atuam no futebol brasileiro, em uma tentativa de aproximar a comissão técnica de novos talentos que podem formar a base da Seleção até a Copa do Mundo de 2030.

Entre os jogadores chamados estão nomes jovens como Rayan, Breno Bidon, Gabriel Bontempo e Jair, além de atletas que já vinham ganhando espaço no cenário internacional. A proposta é observar alternativas, ampliar a concorrência por posição e construir um grupo menos dependente dos antigos protagonistas.

Primeiro desafio será contra a Austrália

O novo ciclo começa com dois amistosos contra a Austrália. O primeiro será disputado no dia 25 de setembro, em Townsville, e o segundo está marcado para o dia 29, em Brisbane.

Na sequência, o Brasil enfrentará a Índia em 3 de outubro, em Calcutá. Os jogos fazem parte da chamada Super Data Fifa, que reúne compromissos internacionais em um período mais longo do calendário.

A preparação, no entanto, começou cercada por dificuldades logísticas. Alguns jogadores enfrentaram viagens de até 40 horas para chegar à Austrália, e o treinador terá pouco tempo para trabalhar com o grupo completo antes da primeira partida.

Lesões já interferem nos planos

Ancelotti também precisou fazer alterações na lista original por causa de problemas físicos. O atacante João Pedro, do Chelsea, foi cortado, e o meio-campista Martinelli, do Fluminense, recebeu a primeira convocação para a Seleção principal.

Outros desfalques também exigiram ajustes na equipe, repetindo um problema que marcou o ciclo anterior: a dificuldade de manter os principais jogadores disponíveis durante os grandes torneios.

Uma Seleção em busca de identidade

A missão de Ancelotti é maior do que simplesmente escolher novos nomes. O treinador precisa recuperar a confiança da torcida, definir uma identidade de jogo e preparar uma equipe competitiva para os próximos ciclos.

A Seleção chega a essa reconstrução depois de uma campanha marcada por instabilidade, troca de treinadores e desempenho abaixo das expectativas. A ausência de Neymar, Casemiro e Danilo representa uma mudança geracional, mas também abre espaço para que novos líderes assumam responsabilidades.

Os primeiros amistosos não devem ser tratados como uma solução definitiva. Eles servirão para testar jogadores, observar combinações e iniciar um processo que terá como principais objetivos a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030.

O desafio de Ancelotti será encontrar o equilíbrio entre a experiência de jogadores como Marquinhos, Bruno Guimarães, Raphinha e Vinícius Júnior e a energia de uma geração que ainda busca espaço.

Mais do que vencer amistosos, o Brasil precisa reconstruir uma Seleção capaz de voltar a convencer dentro de campo.

sábado, 19 de setembro de 2026

Clubes ameaçam perder bilhões se governo restringir apostas esportivas


Times da Série A tentam negociar com o governo enquanto discutem o futuro dos patrocínios de casas de apostas no futebol brasileiro

Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tentam abrir uma negociação com o governo federal diante da possibilidade de novas restrições às apostas esportivas e aos cassinos online.

Em manifesto, dirigentes afirmaram que uma eventual proibição ou limitação do setor pode comprometer a sustentabilidade financeira do futebol brasileiro. Segundo os clubes, as casas de apostas movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios, publicidade, naming rights e outros contratos comerciais.

A preocupação é que a medida atinja não apenas os cassinos virtuais, mas também empresas que atuam simultaneamente com apostas esportivas. O texto final da proposta ainda não foi divulgado, e o governo não confirmou quais atividades serão efetivamente alcançadas.

O receio dos clubes ocorre em um momento de forte dependência financeira do futebol em relação às bets. Entre 2025 e 2026, o número de equipes da Série A com casas de apostas como patrocinadoras principais caiu de 18 para 13. Alguns contratos foram encerrados, reduzidos ou afetados por problemas de pagamento.

Na avaliação dos dirigentes, uma restrição ampla poderia provocar perdas de bilhões de reais ao longo dos próximos anos, principalmente para clubes que utilizam os contratos de patrocínio para equilibrar seus orçamentos e manter investimentos em atletas, categorias de base e estrutura.

Apesar da pressão, entidades que defendem a restrição das apostas contestam o argumento dos clubes. A coalizão Brasil Contra Bets afirma que o futebol não pode depender de um setor associado ao endividamento das famílias, ao vício e a problemas de saúde mental.

O governo também sustenta que precisa avaliar os efeitos sociais das apostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende acabar com as bets, mas ainda discute o formato e o alcance de uma eventual medida.

O debate, portanto, envolve duas questões centrais: de um lado, a necessidade de proteger consumidores contra o endividamento e a dependência; de outro, o impacto financeiro que uma restrição poderá provocar em clubes, campeonatos e empresas que já possuem contratos autorizados.

Até o momento, não existe uma estimativa oficial consolidada sobre o total que o futebol perderia. O valor de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano é uma projeção apresentada pelos clubes e representantes do setor.

A discussão deverá avançar nas próximas semanas e pode alterar a relação entre futebol, publicidade e apostas esportivas no Brasil.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Santos acerta contratação de Philippe Coutinho após articulação de Neymar


Meia de 34 anos está sem atuar desde fevereiro e fará exames médicos e preparação física antes de estrear pelo Peixe

O Santos acertou a contratação do meia Philippe Coutinho, de 34 anos. O jogador chega após sua saída do Vasco e terá um contrato de curto prazo, válido até o fim da temporada, com parte da remuneração ligada à produtividade.

A negociação contou com a participação de Neymar. Companheiro de Coutinho na Seleção Brasileira, o atacante teria ajudado nas conversas para convencer o meia a aceitar o projeto santista. A influência de Neymar na chegada do jogador foi destacada pelo UOL.

Coutinho está sem atuar desde fevereiro, quando deixou o Vasco. Antes de ser apresentado oficialmente e iniciar os trabalhos com o elenco, ele passará por exames médicos no Centro de Treinamento Rei Pelé.

Depois da avaliação clínica, o jogador também deverá cumprir um período de recondicionamento físico. Por isso, a estreia pelo Santos ainda não tem data definida e dependerá da resposta do atleta aos treinamentos.

Reforço de impacto para o meio-campo

A contratação representa uma aposta do Santos na experiência e na capacidade técnica de Philippe Coutinho. Revelado pelo Vasco, o meia construiu carreira internacional e defendeu clubes como Liverpool, Barcelona, Bayern de Munique e Aston Villa.

No Santos, a expectativa é que ele possa oferecer criatividade, qualidade no passe e experiência ao setor de meio-campo. No entanto, o principal desafio neste primeiro momento será recuperar o ritmo de jogo depois de vários meses sem entrar em campo.

O clube optou por um acordo de duração limitada e com componente de produtividade. O modelo permite que a contratação seja avaliada ao longo da temporada, levando em conta a participação do jogador nas partidas e sua condição física.

Neymar ajuda a aproximar Coutinho do Santos

A relação entre Neymar e Coutinho teve peso importante na negociação. Os dois atuaram juntos na Seleção Brasileira e mantêm uma relação próxima fora dos gramados.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, Neymar participou diretamente das conversas para aproximar o meia do Santos.

A chegada também aumenta a expectativa dos torcedores por uma parceria entre os dois jogadores no clube. Antes disso, porém, Coutinho precisará completar os exames e o processo de preparação física.

Torcida terá de esperar pela estreia

Embora o acordo esteja encaminhado, a estreia não será imediata. O Santos deverá acompanhar de perto a condição física do meia antes de colocá-lo em campo.

A cautela é necessária porque Coutinho não atua desde fevereiro. O período sem partidas pode exigir uma preparação individualizada, com aumento gradual da carga de treinamentos.

A contratação empolga pelo nome e pelo histórico do jogador, mas o rendimento dentro de campo dependerá principalmente da recuperação do ritmo competitivo.

Para o Santos, o objetivo é transformar a experiência de Coutinho em uma alternativa de qualidade para a reta final da temporada. Para o meia, o desafio será retomar a carreira em um clube de grande visibilidade e diante de uma torcida que espera ver novamente seu melhor futebol.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Palmeiras ironiza Neymar após crítica ao gramado da Vila e reacende guerra entre sintético e natural


Atacante do Santos reclamou das condições do campo depois de sentir a coxa direita; Palmeiras respondeu exaltando o gramado do Nubank Parque, enquanto episódio devolve ao centro do futebol brasileiro a discussão sobre a qualidade dos pisos

A discussão sobre gramados ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3), desta vez com Neymar e Palmeiras trocando provocações depois da eliminação do Santos na Copa do Brasil. O atacante criticou duramente as condições da Vila Belmiro após sentir um problema na coxa direita, e o clube alviverde respondeu horas depois exaltando justamente o gramado sintético de sua casa, o Nubank Parque.

Neymar deixou o empate por 0 a 0 com o Palmeiras no intervalo da partida de volta das quartas de final. O resultado confirmou a classificação palmeirense, que havia vencido o primeiro confronto por 3 a 0. Durante o aquecimento, o camisa 10 já demonstrava incômodo com as condições do campo da Vila e, depois da partida, classificou aquele como “o pior gramado que a Vila já teve”.

Segundo Neymar, o piso estava cheio de buracos após um procedimento de descompactação realizado na véspera. O jogador afirmou que a irregularidade aumentava o esforço necessário para arrancadas e freadas e associou o estado do campo aos problemas físicos sentidos por ele, Lucas Veríssimo e Barreal durante o primeiro tempo.

Não há, porém, diagnóstico médico divulgado que permita afirmar que o gramado provocou o problema muscular de Neymar. O atacante sentiu a coxa direita e deverá passar por exames para determinar a natureza e a gravidade da ocorrência. Transformar a coincidência em relação de causa e efeito, antes dessa avaliação, seria precipitado.

Palmeiras responde copiando o tom de Neymar

A reação do Palmeiras veio pelas redes sociais e não deixou muitas dúvidas sobre o destinatário.

O clube publicou uma mensagem elogiando as condições do gramado sintético do Nubank Parque, utilizando uma estrutura semelhante à empregada por Neymar em sua reclamação. Entre as frases, escreveu que o campo está sempre regular e concluiu: “A solução para um gramado ruim é fazer um gramado bom”. A presidente Leila Pereira também compartilhou a publicação.

A ironia ganha força porque Neymar é um dos principais críticos dos campos artificiais no futebol brasileiro. Em 2025, esteve entre os jogadores que participaram do movimento “Futebol é natural, não sintético”, defendendo melhores gramados naturais e questionando a utilização de pisos artificiais. Na ocasião, o Palmeiras reagiu afirmando que seu campo possui certificação da Fifa e contestando a ideia de que o sintético provoque necessariamente mais lesões.

Há também uma coincidência que alimentou ainda mais a provocação. Neymar não participou do jogo de ida das quartas de final, disputado justamente no gramado sintético do Nubank Parque.

O próprio atacante, entretanto, negou que tenha recusado a partida por causa do piso. Neymar afirmou que estava à disposição e que a decisão de preservá-lo foi tomada pela comissão técnica em razão da sequência de jogos. O diretor Alexandre Mattos deu versão semelhante, citando controle de carga e planejamento físico.

Uma semana depois, Neymar retornou no gramado natural da Vila Belmiro e terminou a primeira etapa com dores na coxa.

A sequência criou uma ironia pronta para as redes sociais, mas não resolve o debate técnico.

Sintético x natural: episódio mostra que discussão é mais complexa

O caso expõe justamente um dos problemas da discussão sobre gramados no Brasil: comparar apenas a origem do piso — natural ou sintético — pode esconder uma questão mais elementar, que é a qualidade da superfície entregue aos jogadores.

Um gramado natural mal conservado pode apresentar buracos, irregularidade e instabilidade. Um sintético também possui características próprias de absorção de impacto, temperatura e resposta durante mudanças bruscas de direção. A segurança de cada piso depende de fatores como tecnologia, manutenção, utilização e qualidade.

O Palmeiras costuma utilizar seus números de departamento médico como argumento em defesa do sintético. Um levantamento do ge realizado com dados desde 2016 apontou média de 30,5 lesões por temporada antes da instalação do piso artificial e 27,83 depois, entre 2020 e 2025. O próprio levantamento, porém, registrou que 2020 — primeiro ano do sintético — teve 42 lesões, o maior número da série, numa temporada também marcada pelo calendário excepcional provocado pela pandemia.

Ou seja: os números não sustentam uma conclusão simplista de que todo gramado sintético provoca mais lesões — tampouco permitem afirmar que um campo natural seja automaticamente mais seguro.

Foi justamente essa contradição que o Palmeiras explorou na provocação.

Neymar criticou durante meses os campos artificiais. Na Vila Belmiro, jogou sobre grama natural, reclamou da condição do piso e terminou a partida com um problema físico. O clube paulista aproveitou o episódio para defender sua própria estrutura e devolver publicamente as críticas.

Para o Santos, contudo, a discussão ultrapassa a rivalidade. O clube foi eliminado da Copa do Brasil e pode perder seu principal jogador em um momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Cuca já admitiu que provavelmente terá de preparar a equipe sem Neymar para o confronto com o Internacional.

A provocação do Palmeiras provavelmente terá vida longa nas redes sociais. Mas o episódio deixa uma conclusão menos divertida para o futebol brasileiro: mais importante do que escolher entre natural e sintético é garantir que qualquer gramado colocado diante dos jogadores esteja em condições adequadas para uma partida profissional.