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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Fim do Tigrinho? Debate sobre cassinos online impulsiona luta de Ferreirinha contra propaganda das bets


Candidato a deputado federal pelo PSD defende ampliar a retirada de anúncios de apostas dos espaços públicos e levar a discussão para Brasília

A possibilidade de o Brasil proibir cassinos virtuais abriu uma nova frente no debate sobre os impactos das apostas online. Uma medida nacional em estudo atingiria jogos como roletas, caça-níqueis digitais, “Aviator”, “Tigrinho” e produtos semelhantes oferecidos pelas plataformas autorizadas.

A proposta ainda não foi publicada e nenhuma proibição entrou em vigor. Na configuração discutida até agora, as apostas esportivas continuariam permitidas, assim como os patrocínios de clubes e campeonatos. O alvo principal seriam os jogos de cassino disponíveis dentro dos aplicativos e sites das próprias bets. Entenda o que está sendo discutido.

A discussão nacional reforça uma bandeira que Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, pretende levar a Brasília: restringir a publicidade das casas de apostas, retirar essas marcas dos espaços públicos e impedir que crianças e adolescentes cresçam cercados por anúncios que apresentam o jogo como diversão, investimento ou caminho para ganhar dinheiro.

Cassinos virtuais concentram grande parte do mercado

Os cassinos online representam uma parcela expressiva das receitas das plataformas. Embora sejam oferecidos nos mesmos aplicativos das apostas esportivas, funcionam de maneira diferente: os resultados não dependem de partidas reais, mas de sistemas digitais que reproduzem caça-níqueis, roletas e outros jogos de azar.

Informações divulgadas durante as discussões apontam que esses produtos podem responder por mais da metade do faturamento de determinadas empresas. Por isso, uma eventual proibição poderia afetar o modelo de negócio das operadoras e, indiretamente, os recursos aplicados em publicidade e patrocínios.

Também existe uma diferença entre empresas, marcas e endereços eletrônicos. A página oficial de transparência registra 85 processos de agentes operadores autorizados, enquanto números próximos de 188 divulgados no noticiário consideram as diferentes marcas e plataformas mantidas por essas empresas. Consulte a relação oficial do mercado autorizado.

O impacto econômico ajuda a explicar a resistência do setor, mas não elimina a discussão social. A expansão das apostas levou seus anúncios para transmissões esportivas, redes sociais, ônibus, eventos, estádios, influenciadores e diferentes áreas de circulação pública. O resultado é uma exposição permanente, inclusive de pessoas que nunca procuraram uma plataforma de apostas.

Ferreirinha apoia retirada das bets dos espaços públicos

Em julho, Ferreirinha apoiou publicamente a decisão da Prefeitura do Rio de proibir anúncios de bets em espaços públicos municipais. A restrição alcança bens, equipamentos e eventos vinculados ao poder público, impedindo que estruturas mantidas pela população sejam usadas para promover plataformas de apostas.

Na ocasião, Ferreirinha resumiu sua posição com a mensagem “Rio contra as bets”. Veja a manifestação publicada por Ferreirinha.

A medida adotada na capital não proíbe que adultos façam apostas nem impede completamente a atuação das empresas. Ela estabelece outro princípio: o poder público não deve oferecer seus espaços, contratos, equipamentos e eventos como vitrine para uma atividade associada ao risco de dependência e endividamento.

Ferreirinha defende que esse modelo seja ampliado para todo o Estado do Rio, alcançando espaços públicos, meios de transporte, eventos financiados com recursos públicos e locais frequentados por crianças e adolescentes.

Como candidato a deputado federal, ele pretende levar a discussão para Brasília e transformar a restrição da publicidade das bets em uma política de alcance nacional.

Até o momento, essa posição deve ser apresentada como uma bandeira política e programática, e não como uma lei federal de sua autoria já aprovada. O desafio de um eventual mandato será converter a defesa pública em proposta legislativa, articulação no Congresso e fiscalização das empresas.

A publicidade normaliza o risco

A discussão sobre anúncios é diferente do debate sobre proibir totalmente as apostas.

Mesmo quando uma atividade permanece legal para adultos, o Estado pode limitar sua publicidade para reduzir a exposição de públicos vulneráveis. Foi o que ocorreu, em diferentes proporções, com produtos como cigarros e bebidas alcoólicas.

As regras nacionais para as bets já ficaram mais rígidas. Desde julho, os anúncios precisam exibir advertências como “Apostar pode causar dependência”, ocupar espaço mínimo nas peças publicitárias e evitar mensagens que apresentem o jogo como investimento.

Também é considerada abusiva a publicidade direcionada a menores de 18 anos. As normas proíbem elementos de apelo infantojuvenil e anúncios em ambientes predominantemente frequentados por crianças, como escolas e locais de atendimento infantil. Confira as exigências nacionais para a publicidade de apostas.

Essas restrições, porém, ainda não significam uma retirada geral das bets dos espaços públicos brasileiros. É justamente nesse ponto que a proposta defendida por Ferreirinha pretende avançar.

Para ele, não basta inserir uma advertência pequena ao lado de uma campanha milionária. É necessário reduzir a presença das marcas em ambientes nos quais crianças, adolescentes e famílias ficam expostos à propaganda de maneira involuntária.

Proteção digital e educação fazem parte da mesma agenda

A posição de Ferreirinha sobre as bets se conecta a outras iniciativas de sua trajetória.

Quando comandava a Secretaria Municipal de Educação, ele participou da implantação da restrição dos celulares durante todo o horário escolar na rede do Rio. Posteriormente, quando exerceu mandato como suplente na Câmara, foi relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que deu origem à lei nacional sobre celulares nas escolas.

Ferreirinha também apresentou o PL 330/2026, que propõe idade mínima de 16 anos para contas individuais em redes sociais abertas.

As pautas tratam de problemas diferentes, mas seguem uma mesma lógica: crianças e adolescentes não podem enfrentar sozinhos plataformas digitais, algoritmos e empresas com enorme capacidade financeira para disputar sua atenção.

No caso das bets, essa preocupação é ainda maior porque a publicidade associa entretenimento, futebol, influenciadores e promessas de ganho a uma atividade que pode causar dependência e perdas financeiras.

Para Ferreirinha, a proteção não pode ser responsabilidade exclusiva das famílias. Empresas e poder público também precisam responder pelos ambientes e pelas mensagens oferecidas ao público.

De uma experiência municipal para uma política nacional

A possível proibição dos cassinos virtuais mostra que o país entrou em uma nova etapa do debate. A questão já não se limita a regulamentar empresas ou cobrar impostos. Ela envolve saúde mental, endividamento, publicidade, proteção de menores e responsabilidade pública.

A agenda defendida por Ferreirinha busca atuar antes que o problema aconteça: reduzir a exposição, retirar anúncios dos espaços mantidos pelo Estado e impedir que o jogo seja tratado como parte natural do cotidiano de crianças e adolescentes.

Em Brasília, essa atuação poderá alcançar projetos para restringir publicidade em bens públicos federais, concessões, transportes, eventos financiados com dinheiro público e ambientes frequentados por menores, além da fiscalização das plataformas e dos influenciadores envolvidos na divulgação.

A eventual retirada do “Tigrinho” e de outros cassinos virtuais dependerá de uma decisão que ainda não foi tomada. Mas o debate já produz uma conclusão importante: não é aceitável que o poder público permaneça passivo enquanto a publicidade das apostas ocupa ruas, eventos, telas e espaços frequentados por famílias.

Para Ferreirinha, levar essa pauta ao Congresso significa transformar uma iniciativa iniciada no Rio em uma política de proteção para todo o Brasil.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Bocejo termina no hospital: adolescente desloca mandíbula e vídeo ultrapassa 8 milhões de visualizações


Caso ocorrido em Brasília viralizou nesta quinta-feira (3) e chamou atenção para uma emergência pouco conhecida: abrir excessivamente a boca pode provocar luxação da mandíbula

Um movimento absolutamente comum transformou a rotina de uma família de Brasília em uma corrida para o hospital. Felipe Firmino, de 14 anos, deslocou a mandíbula simplesmente ao bocejar, ficou impossibilitado de fechar a boca e precisou ser transferido para uma unidade especializada para que a articulação fosse recolocada no lugar.

O episódio ocorreu no dia 28 de agosto, mas explodiu nas redes sociais nesta semana. Nesta quinta-feira (3), o vídeo publicado pela família já havia superado 8,4 milhões de visualizações, tornando o caso um dos assuntos de saúde de maior repercussão do dia.

Segundo os relatos divulgados pela família, Felipe estava em casa quando bocejou, ouviu um estalo e percebeu que não conseguia mais fechar a boca. Ele foi levado inicialmente ao Hospital da Região Leste, no Paranoá, onde recebeu medicação e passou por exames de imagem. Como a unidade não dispunha do especialista necessário, foi transferido de ambulância para o Hospital de Base do Distrito Federal.

No Hospital de Base, um especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial realizou a manobra para reposicionar a mandíbula. Não houve necessidade de cirurgia e, depois do procedimento, o adolescente recebeu alta. Ele passa bem e iniciou acompanhamento para a articulação temporomandibular, a conhecida ATM.

Mas é realmente possível deslocar a mandíbula apenas bocejando?

Apesar de parecer improvável, a resposta é sim.

A mandíbula se conecta ao crânio por meio da articulação temporomandibular. Quando a boca é aberta excessivamente, a cabeça da mandíbula pode ultrapassar seu limite normal de movimento e ficar presa fora da posição correta.

Um bocejo muito amplo está entre as situações capazes de desencadear a luxação. O problema também pode ocorrer ao morder alimentos muito grandes, durante alguns procedimentos odontológicos ou em decorrência de traumas. Pessoas com maior frouxidão dos ligamentos, hipermobilidade da ATM ou histórico de luxações apresentam risco aumentado.

Isso não significa que bocejar normalmente seja perigoso. A luxação mandibular provocada dessa forma não é uma ocorrência frequente, mas o caso de Brasília chamou tanta atenção justamente porque surgiu durante uma ação realizada diariamente por praticamente todas as pessoas.

Boca fica aberta e pessoa não consegue fechá-la

Um dos sinais mais característicos da luxação é a incapacidade de fechar a boca.

Também podem aparecer dor intensa na região da mandíbula, dificuldade para falar ou engolir, salivação excessiva e espasmos musculares. Quanto mais tempo a articulação permanece deslocada, maior pode ser a contração dos músculos e mais difícil pode se tornar o reposicionamento.

Por isso, trata-se de uma situação que exige avaliação médica ou odontológica rápida.

E há um alerta especialmente importante diante de vídeos e tutoriais disponíveis na internet: não se deve tentar colocar a mandíbula no lugar por conta própria.

O reposicionamento é uma manobra realizada por profissionais e uma tentativa inadequada pode provocar lesões adicionais. O MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, recomenda procurar atendimento rapidamente e não tentar corrigir a posição da mandíbula sozinho.

Como diminuir o risco durante um bocejo

Para quem possui histórico de luxação ou problemas na ATM, especialistas recomendam evitar abertura excessiva da boca. Uma orientação simples é apoiar levemente a mandíbula com a mão ao perceber que vai bocejar, limitando a amplitude do movimento.

O mesmo cuidado pode ser útil ao consumir alimentos muito grandes ou em outras situações que exijam abertura prolongada da boca.

Depois de uma luxação, o paciente também pode receber orientação para evitar grandes aberturas durante o período de recuperação, utilizar alimentação mais macia temporariamente e realizar acompanhamento especializado, dependendo do caso.

O susto vivido por Felipe terminou bem, mas a combinação de uma situação cotidiana, imagens impressionantes e uma condição médica pouco conhecida transformou o caso em fenômeno nas redes sociais.

O adolescente apenas bocejou.

Segundos depois, estava com a boca travada e começava uma peregrinação até encontrar o especialista capaz de resolver o problema.

É justamente essa improbabilidade que ajudou o vídeo a ultrapassar milhões de visualizações — e deixou um alerta simples: se a mandíbula deslocar e a boca não fechar, não tente resolver em casa. Procure atendimento médico.