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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

GETS PARA TODO O ESTADO: proposta de Paes coloca experiência liderada por Ferreirinha no centro do futuro da educação fluminense


Candidato ao Governo do Rio promete levar gradualmente o modelo tecnológico à rede estadual; candidato a deputado federal, Ferreirinha comandou a expansão na capital e é autor de projeto que amplia recursos do Fundeb para o ensino integral

O modelo de escola que transformou parte da rede municipal do Rio pode começar a ganhar escala estadual. O candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes anunciou que pretende levar o conceito dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs, para escolas de todas as regiões fluminenses.

A proposta foi apresentada durante uma visita ao GET Luiz Paulo Horta, na Rocinha. Paes afirmou que a implantação seria gradual e teria como eixos ciência, tecnologia e Matemática.

Ao lado dessa discussão aparece Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD e gestor que comandou a Secretaria Municipal de Educação durante o período de criação e forte expansão do programa na capital.

A combinação das duas candidaturas desenha uma divisão objetiva de responsabilidades. Ao Governo do Estado caberia planejar, financiar e executar a transformação das unidades estaduais. Em Brasília, Ferreirinha poderia atuar na legislação, no orçamento e na articulação de recursos federais para ampliar o ensino em tempo integral.

Não se trata, portanto, de anunciar que os GETs já serão implantados em todo o estado. A medida é uma proposta eleitoral de Paes e dependerá do resultado das urnas, de planejamento, orçamento, formação de profissionais e adaptação do modelo à realidade da rede estadual.

Paes assume compromisso de expansão estadual

Durante a visita realizada em setembro, Eduardo Paes declarou que pretende levar o conceito dos GETs para as escolas do Estado do Rio de Janeiro.

“A ideia é levar esse conceito dos GETs, com muita ciência, tecnologia e matemática, para todas as escolas do Rio de Janeiro”, afirmou Paes.

Segundo o candidato, a transformação deverá ser feita aos poucos, aproveitando a experiência acumulada na capital.

Na cidade do Rio, o programa começou em março de 2022. Em setembro de 2026, a rede carioca chegou a 317 escolas transformadas em GETs. A meta municipal anunciada é alcançar 500 unidades até o fim de 2028.

O número representa escolas implantadas ou convertidas para o modelo pedagógico, e não a construção de 317 novos prédios. Em maio, quando a rede possuía 308 unidades, a Prefeitura informava atendimento superior a 125 mil alunos.

A expansão estadual permitiria que a experiência alcançasse não apenas a capital, mas também a Baixada Fluminense, o Leste Metropolitano, a Região dos Lagos, o Norte e o Noroeste, a Região Serrana, o Médio Paraíba, o Centro-Sul e a Costa Verde.

Para isso, o programa precisará ser adaptado às características de cada território. Uma escola localizada em uma região ligada à indústria, por exemplo, pode desenvolver projetos diferentes de uma unidade inserida em cidades com vocação turística, agrícola, energética ou audiovisual.

O que diferencia um GET

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos funcionam em tempo integral e utilizam metodologias ativas, nas quais os estudantes participam da construção de projetos, da investigação e da solução de problemas.

O modelo adota a abordagem STEAM, sigla em inglês que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. A proposta é integrar essas áreas em atividades práticas, evitando que a tecnologia seja tratada como um conteúdo isolado do restante do currículo.

Uma das principais estruturas é o colaboratório, espaço de aprendizagem “mão na massa”. Dependendo da unidade, os estudantes utilizam inteligência artificial, impressoras 3D, cortadoras a laser, computadores, óculos de realidade virtual, kits de robótica e até máquinas de costura para desenvolver projetos interdisciplinares.

O objetivo não é simplesmente colocar equipamentos dentro das escolas. A transformação exige currículo, jornada ampliada, formação de professores e integração entre tecnologia e aprendizagem. Sem esses elementos, laboratórios sofisticados correm o risco de se tornar espaços subutilizados.

O Ministério da Educação selecionou o modelo entre as experiências inspiradoras de gestão e de projetos pedagógicos em ensino integral. A experiência foi contemplada em iniciativas de intercâmbio, documentação e exposição de práticas educacionais.

Ferreirinha costuma definir os GETs como os “CIEPs do século XXI”. A comparação recupera a ideia histórica da escola pública de tempo integral, mas acrescenta cultura digital, pensamento computacional, experimentação e projetos ligados aos desafios contemporâneos.

Ferreirinha comandou a expansão na capital

Como secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha esteve à frente da implantação do programa durante a gestão de Eduardo Paes. O modelo saiu das primeiras unidades experimentais, em 2022, para alcançar centenas de escolas distribuídas pela cidade.

Ao apresentar a proposta, Ferreirinha afirmou que os GETs preparam os estudantes para os desafios do mercado de trabalho, estimulam diferentes áreas do conhecimento e ampliam as perspectivas de futuro.

“São os CIEPs do século XXI, com o modelo de escola mais inovador do país”, declarou Ferreirinha ao tratar da expansão do programa na capital.

Sua participação em uma eventual expansão estadual, porém, não seria a de gestor direto da Secretaria de Educação. Como candidato a deputado federal, sua atribuição estaria em outra frente: criar condições nacionais de financiamento e apoio para que estados e municípios consigam manter escolas de jornada ampliada.

Projeto de Ferreirinha aumenta recursos para o ensino integral

Nesse ponto, existe uma iniciativa concreta. Ferreirinha é autor do Projeto de Lei 2.752/2023, apresentado na Câmara dos Deputados, que propõe elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por aluno do Fundeb nas matrículas em tempo integral.

Na prática, a proposta busca aumentar o peso dessas matrículas no cálculo da distribuição de recursos, reconhecendo que uma escola funcionando durante mais horas precisa de alimentação, profissionais, materiais, manutenção e estrutura compatíveis com a jornada ampliada.

O projeto ainda não foi aprovado. De acordo com a Câmara, aguarda parecer na Comissão de Educação e depois deverá passar por outras etapas de tramitação. Portanto, não pode ser apresentado como uma lei em vigor.

Mesmo assim, o texto mostra uma conexão objetiva entre a experiência administrativa de Ferreirinha e sua atuação parlamentar: ampliar a educação integral exige não apenas defender o modelo, mas discutir de onde virá o dinheiro para sustentá-lo.

Um modelo estadual não pode ser simples cópia

Levar os GETs para todas as regiões do Rio exigirá mais do que reproduzir laboratórios e trocar placas de escolas. A rede estadual possui características diferentes da rede municipal da capital e concentra grande parte de sua atuação nos anos finais e, principalmente, no ensino médio.

Uma política estadual precisará definir quais unidades serão priorizadas, como ocorrerá a formação dos professores, quais escolas possuem estrutura para o turno integral e de que maneira o modelo será associado à educação profissional.

Também será necessário garantir alimentação, transporte escolar e condições de permanência. Em áreas rurais ou municípios nos quais os estudantes percorrem longas distâncias, ampliar o horário sem reorganizar o transporte pode criar novos problemas.

A implantação gradual anunciada por Paes pode permitir projetos-piloto em diferentes regiões, avaliação dos resultados e correção de falhas antes da ampliação. Escolas instaladas em antigos CIEPs podem ter vantagens estruturais, mas cada prédio precisará passar por avaliação técnica.

Outro cuidado será evitar que a tecnologia seja confundida com solução automática. Impressoras 3D, robótica e inteligência artificial podem ampliar as possibilidades pedagógicas, mas não substituem professores valorizados, planejamento, conectividade, currículo e acompanhamento da aprendizagem.

Da capital para o interior

A proposta de levar os GETs a todo o estado estabelece uma ponte política clara entre Eduardo Paes e Renan Ferreirinha. Paes apresenta o compromisso de expandir o modelo pela rede estadual; Ferreirinha carrega a experiência da implantação municipal e uma proposta legislativa voltada ao financiamento da educação integral.

Para municípios do interior, a articulação federal também pode abrir caminhos para cooperação técnica, programas nacionais, formação de professores e investimentos que não dependam exclusivamente dos cofres locais.

O potencial da proposta está justamente em combinar escala estadual, experiência de gestão e apoio federal. Seu sucesso, entretanto, dependerá de metas públicas, orçamento, profissionais qualificados e avaliação transparente dos resultados.

Os GETs demonstraram que escolas públicas podem incorporar tecnologia, criatividade e aprendizagem prática sem abandonar os conteúdos fundamentais. O próximo desafio será provar que o modelo consegue ser adaptado às diferentes realidades do Rio de Janeiro e alcançar estudantes da capital, da Região Metropolitana e do interior com a mesma qualidade.

Se essa expansão sair do compromisso eleitoral e chegar efetivamente às salas de aula, a experiência construída por Paes e Ferreirinha na capital poderá se transformar em uma das principais políticas educacionais do próximo ciclo estadual.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Plano não pode ficar no papel: Ferreirinha defende cobrança e execução das metas da educação até 2036


Novo Plano Nacional de Educação estabelece 73 metas para a próxima década; candidato a deputado federal sustenta que o país precisa transformar objetivos legais em orçamento, acompanhamento e resultados dentro das escolas

O Brasil já tem um novo Plano Nacional de Educação. A pergunta que passa a definir os próximos dez anos é outra: as metas sairão do papel e chegarão às salas de aula?

Sancionada em abril, a Lei 15.388/2026 instituiu o PNE 2026–2036 com 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias. O texto estabelece compromissos para creches, alfabetização, aprendizagem, educação integral, conectividade, formação dos professores, infraestrutura e financiamento.

Na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Renan Ferreirinha, candidato a deputado federal pelo PSD, coloca a implementação do plano entre os eixos de sua agenda educacional.

O ponto central de sua defesa é que uma lei extensa não transforma a escola sozinha: é preciso definir prioridades, garantir recursos, acompanhar indicadores e cobrar responsabilidades de União, estados e municípios.

O tema está ligado à atuação recente de Ferreirinha. Ele coordena o Fórum de Educação e Políticas Públicas da FGV Conhecimento, que reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os desafios do PNE.

No encontro, Ferreirinha destacou a inclusão da equidade como princípio estruturante, o fortalecimento da colaboração entre os entes federativos e a necessidade de planejamento e investimentos de longo prazo.

Metas ambiciosas e um desafio ainda maior

Entre os compromissos do PNE está a ampliação da educação em tempo integral para 65% das escolas públicas, alcançando 50% dos estudantes da educação básica.

O plano também pretende atender toda a demanda manifesta por creches e alcançar, nacionalmente, pelo menos 60% das crianças de até 3 anos.

Na alfabetização, a meta é garantir que as crianças estejam alfabetizadas e apresentem aprendizagem adequada em Matemática até o fim do 2º ano do ensino fundamental.

O texto prevê ainda conectividade, educação digital, formação, valorização, carreira e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação.

O tamanho do plano mostra por que sua execução exigirá mais do que discursos. Cada meta precisa ser transformada em programas, cronogramas, indicadores e decisões orçamentárias.

É nesse espaço que o mandato de um deputado federal pode produzir efeitos concretos: votar o orçamento, fiscalizar programas, cobrar o cumprimento das metas, propor aperfeiçoamentos legais e atuar para que o financiamento acompanhe as responsabilidades atribuídas às redes públicas.

A experiência do Rio como argumento

Ferreirinha usa os resultados de sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação do Rio, entre 2021 e 2026, como base para defender uma participação mais direta na implementação nacional do PNE.

Durante sua gestão, a rede inaugurou o 300º Ginásio Educacional Tecnológico. Os GETs combinam ensino em tempo integral, tecnologia, cultura maker, ciências e metodologias práticas. O modelo ultrapassou 125 mil estudantes e continuou sendo ampliado depois de sua saída da secretaria.

O Rio também chegou à marca de 50% dos alunos atendidos em tempo integral, segundo balanço da Secretaria. O dado aproxima a experiência municipal de uma das principais metas nacionais para 2036.

Isso não significa, entretanto, que um modelo possa ser simplesmente copiado para todo o país. Municípios possuem estruturas, orçamentos e desafios diferentes, e a expansão dependerá de financiamento e adaptação local.

Na aprendizagem, o Ideb dos anos iniciais da rede carioca passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025, o melhor resultado histórico do município nessa etapa. O avanço foi de 14,8% no período.

Nos anos finais, porém, a evolução foi menor, reforçando que o país precisa de estratégias específicas para cada fase da educação básica.

Esses números dão consistência à candidatura, mas não eliminam os pontos de tensão. A valorização dos profissionais, prevista no PNE, exige diálogo permanente sobre carreira, remuneração, formação e condições de trabalho.

A gestão de Ferreirinha enfrentou conflitos com parte dos educadores, especialmente em torno das mudanças na jornada docente. Esse histórico torna ainda mais necessária a construção de compromissos transparentes com a categoria.

Da meta nacional à escola de cada bairro

O principal risco de um plano decenal é produzir uma grande lista de boas intenções sem alterar a realidade das redes. A diferença será determinada pela capacidade de monitorar resultados e corrigir políticas ao longo do caminho.

Ferreirinha defende que a experiência de administrar uma rede com mais de 1.500 escolas lhe deu conhecimento sobre a distância existente entre anunciar um programa e fazê-lo funcionar em unidades com realidades diferentes.

Também será necessário evitar que tecnologia seja confundida com a simples compra de equipamentos.

O debate coordenado por Ferreirinha na FGV apontou que recursos digitais e inteligência artificial devem ser incorporados com finalidade pedagógica, formação docente e acompanhamento da aprendizagem — e não apenas como elementos de propaganda.

O novo PNE oferece ao Brasil uma direção para a próxima década. O teste começa agora, quando a lei precisa disputar espaço no orçamento e se converter em políticas dentro das escolas.

Na reta final da eleição, Ferreirinha procura se apresentar como uma ponte entre a experiência municipal e esse desafio nacional. Sua missão, se eleito, será ajudar a impedir que 73 metas e 372 estratégias se transformem em mais um documento ambicioso esquecido em Brasília.

O país não precisa apenas de um plano para a educação. Precisa de responsáveis por fazê-lo acontecer, indicadores para medir seus resultados e fiscalização para corrigir o caminho quando as promessas não chegarem aos estudantes.

domingo, 6 de setembro de 2026

Da Maré para o estado: prêmio internacional fortalece proposta de Ferreirinha para expandir os GETs


Reconhecimento conquistado pelo GET IV Centenário, em Pequim, projeta modelo criado na gestão de Eduardo Paes e Renan Ferreirinha; candidato a deputado federal quer articular financiamento e apoio nacional para levar a experiência a outras regiões do Rio e do Brasil

Uma escola pública localizada no Complexo da Maré atravessou fronteiras e colocou a educação carioca no centro de um debate internacional sobre inovação, tecnologia e transformação social.

O Ginásio Educacional Tecnológico IV Centenário venceu o Practice Innovation Prize, uma das categorias do Global Smart Education Innovation Prize 2026. A premiação ocorreu durante conferência realizada entre os dias 18 e 20 de agosto, em Pequim, na China.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-secretário municipal de Educação e candidato a deputado federal Renan Ferreirinha comemorou o resultado e destacou o significado de uma unidade pública da Maré ser reconhecida internacionalmente.

“Uma escola pública da Maré sendo reconhecida do outro lado do mundo. Vocês têm noção disso?”, afirmou Ferreirinha.

O reconhecimento foi concedido ao projeto Fábrica de Sonhos, que combina aprendizagem tecnológica, atividades práticas e acompanhamento socioemocional. A proposta aproxima estudantes, professores, famílias e território, estimulando as crianças a desenvolver projetos e imaginar perspectivas de futuro para além das adversidades enfrentadas em seu cotidiano.

A escola também foi selecionada entre as dez finalistas do World’s Best School Prizes 2026, na categoria Superação de Adversidades. Isso significa que ficou entre as dez melhores escolas inscritas naquela categoria específica — e não entre as dez melhores do mundo em uma classificação geral. O GET IV Centenário foi a única escola pública brasileira presente nessa relação de finalistas. Confira o perfil da unidade na T4 Education.

Tecnologia, acolhimento e aprendizagem dentro da Maré

O GET IV Centenário atende crianças do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental na comunidade do Timbau.

Segundo as informações apresentadas à organização internacional, a unidade perdeu 37 dias letivos em 2024 em consequência da violência no território. Mesmo diante desse cenário, registrou frequência superior a 90%, ausência de evasão, alfabetização de 97% dos estudantes na idade esperada e Ideb de 6,6 em 2023.

A escola utiliza robótica, realidade virtual, computadores, impressoras 3D e outros recursos tecnológicos. Entretanto, o projeto premiado mostra que a proposta não se resume à compra de equipamentos.

Um dos exemplos é o Café com Música e Prosa, realizado antes do início das atividades. Nesse momento, estudantes e professores compartilham sentimentos e conversam sobre os desafios vividos dentro e fora da escola. A prática procura criar segurança emocional para crianças expostas à violência e à instabilidade.

Os alunos também identificam problemas ou ideias, pesquisam, criam protótipos, apresentam soluções e avaliam o trabalho desenvolvido. A tecnologia funciona como ferramenta para estimular criatividade, colaboração, autonomia e resolução de problemas.

O prêmio recebido em Pequim reconheceu justamente essa combinação entre inovação pedagógica, inclusão, equidade e capacidade de responder às dificuldades do território. Veja os detalhes da premiação.

Um projeto construído por Eduardo Paes e Ferreirinha

Os Ginásios Educacionais Tecnológicos começaram a ser implantados em março de 2022, durante a administração do então prefeito Eduardo Paes, quando Ferreirinha comandava a Secretaria Municipal de Educação.

O modelo reúne ensino em tempo integral, aprendizagem por projetos e abordagem STEAM, sigla que representa Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. As unidades possuem espaços conhecidos como colaboratórios, nos quais os estudantes utilizam ferramentas tecnológicas e desenvolvem atividades práticas.

Em junho de 2024, Paes e Ferreirinha inauguraram juntos o GET de número 200. Naquele momento, o programa atendia aproximadamente 100 mil estudantes. Relembre a inauguração do 200º GET.

Em março de 2026, a rede alcançou 300 unidades e cerca de 125 mil alunos. Em agosto, já eram 316 GETs em funcionamento. A Prefeitura trabalha com a meta de chegar a 350 unidades e 150 mil estudantes ainda em 2026, além de alcançar 500 GETs até o final de 2028.

Esses números representam escolas que passaram a operar segundo o modelo GET. Não significam que todos os prédios foram construídos do zero: o processo envolve novas unidades, reformas e transformação pedagógica de escolas existentes.

A expansão aconteceu dentro de uma rede que atendia mais de 586 mil estudantes em 1.558 escolas em 2025. Nesse período, o Ideb dos anos iniciais do Ensino Fundamental passou de 5,4, em 2021, para 6,2, em 2025. Nos anos finais, o avanço foi menor, de 5,0 para 5,2. Consulte os resultados divulgados pela SME.

A evolução da rede não pode ser atribuída exclusivamente aos GETs. Ela resulta do trabalho de professores, gestores, profissionais da educação e de diferentes políticas de alfabetização, reforço, avaliação e combate ao abandono. Ainda assim, o crescimento do programa e o reconhecimento internacional mostram que o modelo se tornou uma das principais marcas educacionais da gestão.

O próximo passo: levar a experiência para o estado

Agora candidato a deputado federal pelo PSD, Ferreirinha apresenta a expansão dos GETs para além da capital como uma das possibilidades para transformar a educação fluminense.

A proposta ganha dimensão política com a candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Estado. Paes foi oficializado pelo PSD como candidato a governador em julho de 2026 e apresenta os GETs entre as realizações de sua gestão municipal. Veja a confirmação da candidatura.

Uma eventual ampliação para todo o estado dependeria de uma atuação conjunta. O governador e a Secretaria Estadual de Educação teriam a responsabilidade de planejar, financiar e implantar uma versão do modelo na rede estadual. As prefeituras, que possuem autonomia sobre suas redes, poderiam participar por meio de adesão e cooperação.

Ferreirinha, se eleito deputado federal, não teria poder para abrir ou administrar escolas estaduais diretamente. Sua atuação aconteceria no Congresso, onde poderia trabalhar para ampliar os recursos disponíveis, apresentar emendas ao Orçamento, articular programas com o Ministério da Educação e criar incentivos nacionais para redes que adotem educação integral associada à inovação pedagógica.

Essa divisão de responsabilidades torna a aliança com Paes relevante: enquanto o governo estadual teria os instrumentos executivos para adaptar o modelo ao Rio de Janeiro, o mandato federal poderia buscar financiamento e apoio nacional.

Fundeb e educação integral no centro da atuação federal

Ferreirinha já apresentou uma proposta relacionada ao financiamento da educação integral.

O PL 2.752/2023 pretende elevar para 1,50 a ponderação do valor anual por estudante do Fundeb nas matrículas em tempo integral. Na prática, a mudança busca ampliar os recursos destinados aos estados e municípios que mantêm os alunos por mais tempo na escola.

O projeto ainda está em tramitação e aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara. Portanto, não é uma regra em vigor. Acompanhe o PL 2.752/2023.

Um mandato dedicado à expansão desse modelo também poderia trabalhar por recursos federais para conectividade, laboratórios, formação continuada de professores, materiais pedagógicos e avaliação independente dos resultados.

O governo federal já mantém o Programa Escola em Tempo Integral, que considera integrais as matrículas com jornada mínima de sete horas diárias ou 35 horas semanais. A articulação com essa política permitiria adaptar elementos dos GETs a redes com estruturas e necessidades diferentes.

Replicar a experiência, porém, exige mais do que instalar impressoras 3D ou equipamentos de robótica. É necessário garantir internet de qualidade, manutenção, professores preparados, segurança, alimentação, infraestrutura e acompanhamento constante da aprendizagem.

Também será importante avaliar quanto custa o modelo por estudante e comparar os resultados de escolas GETs com outras unidades de perfil semelhante. O prêmio conquistado por uma escola da Maré é um sinal relevante de qualidade, mas a expansão em grande escala precisa ser acompanhada por transparência e evidências.

Da experiência local para uma agenda nacional

A trajetória recente de Ferreirinha oferece um exemplo de como uma política municipal pode alcançar o debate nacional.

Depois de implantar a restrição dos celulares nas escolas do Rio, ele atuou como relator na Comissão de Constituição e Justiça do projeto que deu origem à Lei Federal 15.100/2025, aplicada às escolas públicas e particulares de todo o país. Ferreirinha não foi o autor original da proposta, mas teve participação decisiva como relator. Confira o histórico na Câmara.

Em 2025, também foi eleito presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais, função que ampliou sua articulação com gestores de diferentes regiões brasileiras. Veja a eleição para o Consec.

Como candidato a deputado federal, Ferreirinha procura ocupar justamente esse espaço: o de um gestor que participou da implantação de políticas em uma das maiores redes públicas do país e que agora pretende transformá-las em propostas para o Rio de Janeiro e para o Brasil.

O reconhecimento conquistado pelo GET IV Centenário não pertence apenas a uma administração ou a um candidato. Como o próprio Ferreirinha ressaltou no vídeo, a conquista é dos professores, gestores, estudantes, famílias e profissionais que mantêm a escola funcionando diariamente dentro da Maré.

Politicamente, porém, o resultado fortalece o argumento defendido por ele e por Eduardo Paes: experiências implantadas na capital podem servir de referência para uma nova política educacional estadual.

O desafio será transformar reconhecimento em escala sem perder qualidade. Se conseguir combinar a capacidade executiva do governo estadual com financiamento, legislação e articulação federal, a parceria poderá levar educação integral, tecnologia e aprendizagem prática a um número muito maior de estudantes.

Da Maré para Pequim, o GET IV Centenário mostrou o potencial da escola pública. O compromisso apresentado por Ferreirinha agora é fazer com que oportunidades semelhantes não sejam uma exceção, mas uma possibilidade concreta para crianças e jovens de todo o Rio de Janeiro — e uma referência para a educação brasileira.