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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Danilo Morgado é preso em operação que investiga dinheiro do PCC em campanha eleitoral


Candidato a deputado estadual pelo PL está entre os alvos da Operação Vectura Corrupta, que também apura suspeitas de infiltração do crime organizado no transporte público de São Paulo

O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso na quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Segundo os investigadores, Morgado teria ligação com um núcleo político associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração busca esclarecer se a campanha dele nas eleições municipais de 2024 recebeu financiamento irregular de integrantes da organização criminosa.

A investigação também envolve suspeitas de influência do PCC sobre empresas de transporte coletivo, além de possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em contratos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

A Justiça autorizou a prisão de Morgado e de outros alvos da operação. Entre eles estão o ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira.

A ação é apontada como um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, os investigadores identificaram uma suposta rede envolvendo integrantes do PCC, uma fintech, empresários e políticos da Grande São Paulo e do litoral paulista.

Os mandados foram cumpridos na capital e nos municípios de Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

A apuração tenta identificar de que forma o crime organizado teria se aproximado de agentes públicos, empresas de ônibus e campanhas eleitorais. O objetivo é rastrear a origem dos recursos, os possíveis beneficiários e a eventual participação de intermediários.

Ao ser procurado, Milton Leite negou envolvimento com o esquema e afirmou que se apresentaria às autoridades. A defesa de Levi dos Santos Oliveira declarou ter sido surpreendida com a prisão e informou que aguardaria acesso aos autos para tomar as medidas cabíveis.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção nas empresas Transwolff e UPBus, determinada em abril de 2024, teve como objetivo proteger o sistema municipal de transporte. A administração declarou ainda que encerrou contratos para preservar o interesse público e instaurou procedimento pela Controladoria-Geral do Município, em atuação conjunta com o Ministério Público e a Polícia Civil.

A Câmara Municipal de São Paulo informou que acompanha os desdobramentos da investigação e aguarda a conclusão das autoridades responsáveis pelo caso.

As prisões e apreensões fazem parte de uma investigação em andamento. Os envolvidos são considerados suspeitos e terão direito à defesa e ao contraditório. A eventual responsabilidade criminal somente poderá ser definida após o avanço do processo e a análise das provas pela Justiça.

Fontes de referência: Folha de S.Paulo e UOL.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Justiça Eleitoral alerta servidores: campanha deve ficar fora do horário de expediente


Juiz de Barra do Garças destacou que manifestações políticas durante o trabalho podem caracterizar uso indevido do tempo de serviço público

O juiz Michell Lotfi Rocha da Silva, da Justiça Eleitoral de Barra do Garças, no Mato Grosso, fez um alerta aos servidores públicos sobre a participação em campanhas eleitorais durante o horário de expediente.

Segundo o magistrado, servidores que ocupam cargos ou funções públicas devem cumprir normalmente sua jornada de trabalho e permanecer dedicados às atividades profissionais. Durante esse período, não devem fazer propaganda eleitoral, participar de atos de campanha ou atuar em favor de candidatos.

A orientação também se aplica às redes sociais. O uso do celular pessoal não autoriza o servidor a publicar conteúdos de campanha, compartilhar propaganda ou promover candidatos enquanto deveria estar exercendo suas funções.

De acordo com o alerta, a participação em atividades políticas pode ocorrer fora do horário de trabalho, desde que sejam respeitadas as regras eleitorais e não sejam utilizados bens, serviços, estruturas ou recursos públicos em benefício de candidaturas.

Na prática, o servidor deve separar a atividade profissional da manifestação político-eleitoral. O encerramento da jornada, geralmente por volta das 17 horas, marca o momento a partir do qual a participação em atividades de campanha pode ocorrer, respeitadas as demais restrições legais.

A Lei das Eleições proíbe a cessão de servidores públicos ou o uso de seus serviços em comitês de campanha durante o horário normal de expediente. A Justiça Eleitoral também reúne entendimentos sobre condutas vedadas a agentes públicos durante o período eleitoral.

O alerta não impede que servidores tenham preferência política ou participem de campanhas. A recomendação é para que essa manifestação ocorra fora do expediente e sem o uso da estrutura pública.

A orientação foi divulgada durante informações sobre os preparativos da Justiça Eleitoral para as eleições em Barra do Garças e em municípios do Vale do Araguaia.

Referência legal: Lei nº 9.504/1997, art. 73, III.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm

https://temasselecionados.tse.jus.br/

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Debate presidencial marcado para hoje é cancelado após Lula e Flávio Bolsonaro não confirmarem presença


Encontro das 22h era organizado por um consórcio de 11 veículos; quatro candidatos haviam confirmado participação

O debate presidencial previsto para as 22h desta segunda-feira (14) foi cancelado pelo consórcio de 11 veículos que organizava o encontro. A decisão ocorreu depois que Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não confirmaram presença dentro do prazo estabelecido pelos organizadores.

Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema haviam confirmado participação. Mesmo assim, a ausência dos dois nomes mais aguardados levou ao cancelamento do evento, que fazia parte da programação eleitoral deste ano.

O encontro seria realizado pelo consórcio “O Momento da Decisão”, formado por empresas de comunicação como CNN Brasil, Exame, Metrópoles, RedeTV!, SBT, Terra e Veja, entre outras. A confirmação do cancelamento foi divulgada após o encerramento do prazo para que os candidatos formalizassem presença. Folha de S.Paulo

Para os eleitores que procuravam informações sobre onde assistir ao debate presidencial nesta segunda-feira, o serviço é direto: o evento não será realizado.

O cancelamento ocorre a apenas 20 dias do primeiro turno e reacende a discussão sobre o papel dos debates em uma eleição marcada pela forte disputa entre os principais candidatos. Sem o confronto direto entre os dois nomes mais esperados, o público deixa de acompanhar uma oportunidade de comparar propostas, posicionamentos e respostas sobre temas nacionais.

A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro também pode ser interpretada politicamente como uma decisão estratégica das campanhas. No entanto, os motivos específicos para a não confirmação de cada candidato não foram detalhados nas informações divulgadas. Por isso, não é possível afirmar que a decisão tenha sido tomada por uma razão específica sem manifestação oficial das respectivas campanhas.

O episódio ainda evidencia a dificuldade de organizar debates presidenciais quando os candidatos mais competitivos não confirmam participação. Em agosto, o primeiro debate presidencial do ano já havia contado com apenas três participantes.

Até o momento, o cancelamento refere-se ao encontro previsto para esta segunda-feira. Os eleitores devem acompanhar o calendário oficial da campanha para saber quando ocorrerão os próximos debates e entrevistas com os candidatos.

sábado, 5 de setembro de 2026

“Negona do Bolsonaro” acusa PL de barrá-la na própria sede e promete ir à Justiça por imagens


Vanessa Silva, candidata a deputada federal pelo PL-RJ, afirma que cinco seguranças formaram uma barreira para impedir sua entrada na sede estadual do partido; episódio ocorre poucos dias depois de disputa judicial sobre o uso do nome “Negona do Bolsonaro” nas urnas

A candidata a deputada federal Vanessa Silva (PL-RJ), conhecida politicamente como “Negona do Bolsonaro”, acusou o próprio Partido Liberal de tê-la impedido de entrar na sede estadual da legenda, no Rio de Janeiro, na sexta-feira (4). Em vídeo publicado nas redes sociais, Vanessa afirmou ter sido submetida a uma situação de humilhação e constrangimento e anunciou que pretende buscar judicialmente as imagens das câmeras de segurança para comprovar sua versão.

Segundo o relato da candidata, ela foi à sede para obter informações sobre sua situação dentro da legenda e conversar com representantes do partido. Vanessa afirma que, ao tentar subir para as dependências do PL, encontrou uma barreira formada por seguranças.

“Formou-se um paredão com cinco seguranças”, declarou a candidata no vídeo. Em seguida, afirmou que pediu para que nenhum deles encostasse nela e disse ter sido tratada de maneira profundamente humilhante.

Vanessa também afirmou que se sentiu tratada “como se fosse uma criminosa” e anunciou que pretende adotar medidas legais para esclarecer exatamente o que ocorreu dentro do prédio.

Até o momento, os relatos divulgados representam a versão apresentada pela candidata. As imagens internas mencionadas por ela ainda não foram tornadas públicas, e as fontes consultadas para esta reportagem não apresentavam uma manifestação oficial do diretório estadual do PL sobre as acusações.

Candidata promete buscar câmeras de segurança

Vanessa afirmou que pretende recorrer à Justiça para conseguir acesso às gravações das câmeras existentes no edifício.

A iniciativa poderá ser importante para determinar como ocorreu a abordagem, quantos funcionários participaram e se houve algum comportamento incompatível com os procedimentos normais de segurança do partido.

A candidata disse ainda que pretende registrar boletim de ocorrência e responsabilizar pessoas que, segundo seu relato, participaram do episódio.

Por enquanto, portanto, não é possível afirmar de maneira independente que tenha ocorrido discriminação ou abuso. O que está documentado publicamente é a denúncia feita por Vanessa e sua intenção de obter registros que, segundo ela, sustentariam as acusações.

“Diversos bolsonaristas estão sendo humilhados”

O caso ganhou uma dimensão política maior porque Vanessa não apresentou o episódio apenas como um conflito pessoal.

No vídeo, ela relacionou o tratamento recebido a uma suposta dificuldade enfrentada por integrantes da ala mais diretamente ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do PL.

“Diversos bolsonaristas, amigos de Jair Messias Bolsonaro, estão sendo humilhados no Partido Liberal”, afirmou.

Vanessa também disse que sua presença na legenda está diretamente relacionada à sua identificação política com Bolsonaro e lembrou que construiu sua atuação pública utilizando o apelido “Negona do Bolsonaro”.

A declaração expõe uma tensão particularmente delicada em plena campanha eleitoral: uma candidata do próprio PL acusa a estrutura partidária de impedi-la de acessar a sede enquanto afirma representar justamente uma parcela da base bolsonarista que ajudou a impulsionar o crescimento eleitoral da sigla.

Episódio ocorre após disputa pelo nome “Negona do Bolsonaro”

O conflito acontece poucos dias depois de Vanessa enfrentar outra controvérsia envolvendo sua candidatura.

Ela havia solicitado à Justiça Eleitoral autorização para disputar a eleição utilizando “Negona do Bolsonaro” como nome de urna. O Ministério Público Eleitoral pediu inicialmente a rejeição do registro, argumentando que o sobrenome Bolsonaro poderia levar parte do eleitorado a interpretar incorretamente que Vanessa pertencia à família do ex-presidente.

A Justiça Eleitoral acabou impedindo o uso do sobrenome na urna, mas a candidatura foi posteriormente deferida com o nome “Vanessa Silva” e o número 2230. Bases atualizadas a partir dos dados do TSE registram a candidata como apta à disputa pelo PL no Rio de Janeiro.

Isso significa que a controvérsia envolvendo o nome político não retirou Vanessa da eleição. Ela continua candidata a deputada federal, embora não possa aparecer na urna com o apelido que utiliza amplamente nas redes sociais e em sua comunicação política.

Vanessa diz enfrentar dificuldades dentro da campanha

Durante o desabafo, a candidata também afirmou estar enfrentando dificuldades para manter sua estrutura eleitoral.

Segundo Vanessa, a situação poderá levá-la a encerrar contratos com prestadores de serviços, devolver veículos usados na campanha e até abandonar seu comitê físico para continuar trabalhando a partir de casa.

As declarações ampliam o alcance da denúncia porque sugerem um conflito que vai além da entrada no prédio.

Se confirmadas as dificuldades relatadas, o episódio poderá levantar questionamentos sobre a relação entre a candidata e a direção partidária em um momento decisivo da campanha para a Câmara dos Deputados.

Vanessa foi candidata a vereadora pelo PL no Rio de Janeiro em 2024 e recebeu 10.416 votos, ficando como suplente. Em 2026, tenta chegar à Câmara dos Deputados mantendo sua associação pública com Bolsonaro como um dos principais elementos de sua identidade política.

Imagens podem definir os próximos capítulos

O ponto central agora será a existência das gravações solicitadas pela candidata.

Se as câmeras registraram todo o episódio, elas poderão esclarecer se Vanessa simplesmente foi impedida de acessar uma área restrita por determinação administrativa ou se houve o tratamento humilhante e abusivo descrito por ela.

Também será importante conhecer a versão da direção do PL-RJ e dos responsáveis pela segurança da sede.

Em ano eleitoral, o episódio tem potencial para ultrapassar a esfera pessoal porque envolve uma candidata oficialmente registrada pelo próprio partido acusando a estrutura da legenda de constrangê-la e impedir sua entrada.

Até que as imagens sejam obtidas e as demais partes se manifestem, qualquer conclusão definitiva seria precipitada.

Mas a crise já está pública.

E foi aberta por uma candidata que construiu sua identidade política em torno da lealdade ao bolsonarismo e que agora acusa o partido de Bolsonaro de tê-la tratado como alguém que não deveria sequer atravessar a porta.