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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Quase 3 milhões de eleitores não votaram no Rio: abstenção teria força equivalente a 18 cadeiras na Alerj e cerca de 12 na Câmara


Ausentes representaram 23,33% do eleitorado fluminense; se formassem um único bloco eleitoral, seriam capazes de construir a segunda maior bancada estadual e federal do Rio de Janeiro

As eleições de 2026 deixaram um número que vai muito além da disputa entre candidatos e partidos: 2.996.650 eleitores do Estado do Rio de Janeiro não compareceram às urnas no primeiro turno.

O Rio possuía 12.842.517 eleitores aptos. Desse total, 9.845.867 compareceram, o equivalente a 76,67% do eleitorado. A abstenção chegou a 23,33%, superando a média nacional de pouco mais de 21%.

Em termos absolutos, quase três milhões de fluminenses deixaram de participar da escolha do governador, dos senadores e dos representantes do estado na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Mas qual seria o peso desse contingente na eleição proporcional? Quantos deputados poderiam ser eleitos se os ausentes comparecessem e votassem de maneira concentrada?

A resposta exige mais do que simplesmente comparar a abstenção com a votação individual dos candidatos.

Os números da abstenção no Rio

O resultado oficial apresenta o seguinte quadro:

  • Eleitorado apto: 12.842.517;

  • Comparecimento: 9.845.867 eleitores;

  • Percentual de comparecimento: 76,67%;

  • Abstenção: 2.996.650 eleitores;

  • Percentual de abstenção: 23,33%.

Isso significa que praticamente um em cada quatro eleitores do Rio de Janeiro não participou da votação.

O número de ausentes foi superior à população inteira de vários estados brasileiros e representou um contingente capaz de alterar profundamente a composição das bancadas estaduais e federais.

Comparação com o quociente eleitoral da Alerj

Na eleição para deputado estadual, foram contabilizados aproximadamente 8.479.505 votos válidos para a distribuição das 70 cadeiras da Assembleia Legislativa.

O quociente eleitoral oficial ficou em 121.136 votos por cadeira.

Em uma comparação direta com esse quociente:

2.996.650 ÷ 121.136 = 24,74

Portanto, usando apenas o quociente registrado na eleição, o número de ausentes corresponde a quase 25 quocientes eleitorais estaduais, ou a 24 quocientes completos.

Essa comparação, entretanto, é apenas ilustrativa. Caso os três milhões de ausentes realmente comparecessem e transformassem seus votos em votos válidos, o total de votos da eleição aumentaria. Consequentemente, o próprio quociente eleitoral também subiria.

Cenário corrigido: aproximadamente 18 cadeiras estaduais

Para construir uma projeção tecnicamente mais adequada, é necessário adicionar os votos dos ausentes ao total de votos válidos.

O cálculo ficaria assim:

  • Votos válidos apurados: 8.479.505;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.476.155;

  • Número de cadeiras da Alerj: 70;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 163.945 votos.

Dividindo os votos potenciais dos ausentes pelo novo quociente:

2.996.650 ÷ 163.945 = 18,28

Assim, se todos os eleitores ausentes comparecessem e votassem em uma única legenda ou federação, esse bloco teria força matemática equivalente a aproximadamente 18 deputados estaduais.

Dependendo da distribuição das sobras e das médias partidárias, o resultado poderia sofrer pequena variação. Mas a dimensão política é clara: os ausentes poderiam formar a segunda maior bancada da Alerj, atrás apenas do PL, que elegeu 21 parlamentares.

A bancada hipotética dos eleitores ausentes seria duas vezes maior que as bancadas do PT e do PSD, que elegeram nove deputados estaduais cada.

Efeito da abstenção na eleição para deputado federal

Na disputa pela Câmara dos Deputados, o Rio de Janeiro registrou aproximadamente 8.743.753 votos válidos para a distribuição de 46 cadeiras.

O quociente eleitoral federal ficou em 190.082 votos.

Utilizando apenas o quociente oficial registrado nas urnas:

2.996.650 ÷ 190.082 = 15,76

Nessa comparação simplificada, a abstenção corresponde a quase 16 quocientes eleitorais federais, sendo suficiente para completar 15 quocientes inteiros.

Novamente, esse cálculo não considera que a entrada de quase três milhões de votos aumentaria o total de votos válidos e, consequentemente, elevaria o próprio quociente.

Cenário corrigido: força equivalente a cerca de 12 deputados federais

Com a inclusão hipotética dos votos dos ausentes, o cálculo seria:

  • Votos válidos apurados: 8.743.753;

  • Votos potenciais dos ausentes: 2.996.650;

  • Novo total hipotético de votos válidos: 11.740.403;

  • Número de cadeiras federais do Rio: 46;

  • Novo quociente eleitoral estimado: aproximadamente 255.226 votos.

Aplicando o novo quociente:

2.996.650 ÷ 255.226 = 11,74

O contingente de ausentes teria, portanto, força proporcional equivalente a aproximadamente 12 deputados federais, sendo 11 quocientes completos e uma fração relevante para a disputa das vagas distribuídas pelas médias.

Uma bancada com cerca de 12 parlamentares seria a segunda maior representação federal do Rio de Janeiro, ficando atrás somente do PL, que elegeu 15 deputados.

O grupo hipotético dos ausentes teria o dobro da bancada do PT, que conquistou seis cadeiras, e seria maior que as bancadas do PP, PSOL, PSDB e PSD.

Resumo do impacto potencial

CargoQuociente oficialEquivalência usando o quociente já apuradoCenário corrigido com aumento dos votos válidos
Deputado estadual121.136 votos24,74 cadeiras18,28 cadeiras
Deputado federal190.082 votos15,76 cadeiras11,74 cadeiras

A primeira comparação mostra quantos quocientes atuais cabem dentro do total de abstenções. A segunda é mais adequada para uma simulação eleitoral, pois recalcula o quociente depois da entrada dos novos votos.

Por isso, a conclusão tecnicamente mais equilibrada é que os eleitores ausentes teriam força proporcional para eleger aproximadamente 18 deputados estaduais e 12 deputados federais, caso votassem de forma concentrada em um mesmo partido ou federação.

Ausentes não formam um grupo político homogêneo

É importante destacar que a abstenção não pode ser tratada como se fosse um partido político. Os quase três milhões de eleitores ausentes possuem opiniões, condições sociais, preferências ideológicas e motivações diferentes.

Entre as razões para o não comparecimento estão dificuldades de deslocamento, problemas de saúde, mudança de domicílio, desatualização cadastral, desinteresse político, ausência do município e decisão deliberada de não votar.

Não existe qualquer garantia de que esses votos seriam direcionados para os mesmos candidatos ou partidos.

O cálculo apresentado nesta reportagem é uma equivalência matemática destinada a demonstrar o tamanho eleitoral da abstenção — e não uma previsão de como os ausentes efetivamente votariam.

Abstenção tem peso maior que a maioria dos partidos

Mesmo com essa ressalva, o diagnóstico revela uma dimensão política impressionante. Nenhum partido, com exceção do PL, conquistou nas urnas uma força parlamentar comparável àquela representada pelo conjunto dos eleitores que não votaram.

Na Alerj, os ausentes representariam aproximadamente 26,11% dos votos válidos em um cenário de comparecimento integral. Na eleição federal, representariam cerca de 25,52%.

Em outras palavras, o grupo dos que não compareceram às urnas seria responsável por aproximadamente um quarto da força eleitoral efetiva do estado.

A abstenção não aparece nas cadeiras do Legislativo, não apresenta projetos, não fiscaliza o governo e não participa das votações parlamentares. Mas seu tamanho demonstra que uma parcela decisiva da sociedade fluminense permaneceu fora da escolha de quem ocupará o poder pelos próximos quatro anos.

Participação poderia alterar completamente o resultado

Em uma eleição proporcional, pequenas variações na votação das legendas podem mudar a distribuição das últimas cadeiras. A entrada de quase três milhões de votos teria potencial para alterar quocientes, médias, bancadas partidárias, suplências e a própria relação dos candidatos eleitos.

Não seria apenas uma questão de adicionar novos parlamentares. Como o número total de cadeiras permanece fixo — 70 na Alerj e 46 na Câmara — o crescimento de um bloco necessariamente reduziria o espaço ocupado pelos demais partidos.

Por isso, a abstenção deve ser compreendida não somente como um dado estatístico, mas como uma ausência com efeitos concretos sobre a representação política.

Os 2.996.650 eleitores que não compareceram tinham, juntos, peso suficiente para construir uma das maiores forças parlamentares do Rio de Janeiro.

A eleição terminou, os mandatos foram distribuídos e os vencedores estão definidos. Mas o tamanho da abstenção deixa uma pergunta para os próximos pleitos: como seria a representação política do estado se todos os eleitores transformassem sua insatisfação, esperança ou cobrança em voto?

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — totalização das Eleições 2026 no Estado do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro elege 70 deputados estaduais e 46 federais; confira a lista completa


PL conquista as maiores bancadas do estado na Alerj e na Câmara dos Deputados; Índia Armelau e Dr. Luizinho lideram as votações proporcionais no Rio

Os eleitores do Rio de Janeiro definiram, neste domingo, 4 de outubro, os novos representantes do estado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados. Com 100% das urnas totalizadas, foram eleitos 70 deputados estaduais e 46 deputados federais para mandatos que começarão em 2027.

Na disputa pela Alerj, a maior votação foi alcançada por Índia Armelau, do PL, que recebeu 248.504 votos. Para a Câmara dos Deputados, Dr. Luizinho, do PP, liderou o resultado, com 213.904 votos.

O Partido Liberal confirmou o melhor desempenho nas duas eleições proporcionais. A legenda conquistou 21 cadeiras na Alerj e 15 das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara.

PL terá a maior bancada da Alerj

A composição partidária da próxima legislatura da Assembleia Legislativa ficou distribuída da seguinte maneira:

  • PL: 21 deputados;

  • PT: 9;

  • PSD: 9;

  • PSOL: 5;

  • PP: 5;

  • União Brasil: 4;

  • Republicanos: 3;

  • MDB: 2;

  • PDT: 2;

  • Solidariedade: 2;

  • PSB: 2;

  • PCdoB: 1;

  • Novo: 1;

  • PSDB: 1;

  • Agir: 1;

  • PRD: 1;

  • DC: 1.

Além da liderança do PL, o resultado mostra o crescimento conjunto de PT e PSD, que elegeram nove representantes cada. PSOL e PP aparecem em seguida, com cinco cadeiras para cada legenda.

Os 70 deputados estaduais eleitos no Rio de Janeiro

Confira a relação completa em ordem decrescente de votação:

  1. Índia Armelau (PL) — 248.504 votos

  2. Márcio Canella (União Brasil) — 197.178 votos

  3. Renata Souza (PSOL) — 176.871 votos

  4. Dani Balbi (PCdoB) — 169.474 votos

  5. Guilherme Delaroli (PL) — 166.374 votos

  6. Rosenverg Reis (MDB) — 139.866 votos

  7. Elika Takimoto (PT) — 135.271 votos

  8. Anderson Moraes (PL) — 129.325 votos

  9. Costenaro (Novo) — 121.780 votos

  10. Dra. Gabriela (PL) — 96.267 votos

  11. Flavio Serafini (PSOL) — 95.666 votos

  12. Felipinho Ravis (PP) — 93.606 votos

  13. Alan Lopes (PL) — 93.396 votos

  14. João Pires (PSD) — 90.195 votos

  15. Verônica Lima (PT) — 85.421 votos

  16. Alexandre Isquierdo Malafaia (PL) — 83.461 votos

  17. Fernanda Neves (PDT) — 83.326 votos

  18. Rafael Nobre (União Brasil) — 76.706 votos

  19. Jair Bittencourt (PL) — 73.722 votos

  20. Léo Vieira Filho (PSDB) — 72.939 votos

  21. André Ceciliano (PT) — 70.628 votos

  22. Nelsinho Ruas (PL) — 70.552 votos

  23. Bruno Dauaire (União Brasil) — 69.119 votos

  24. Marina do MST (PT) — 66.167 votos

  25. Rodrigo Medeiros (PL) — 65.530 votos

  26. André Correa (PSD) — 65.188 votos

  27. Carlinhos BNH (PP) — 61.724 votos

  28. Felipe Pampolha (PP) — 61.589 votos

  29. Jorge Felippe Neto (PL) — 58.508 votos

  30. Delegado Carlos Augusto (PL) — 58.142 votos

  31. Marcelo Dino (PL) — 57.982 votos

  32. Librelon (Republicanos) — 57.409 votos

  33. Dr. Pedro Ricardo (PL) — 57.354 votos

  34. Delegado Bernardo Leal (PP) — 57.254 votos

  35. Claudio Caiado (PSD) — 56.936 votos

  36. Gustavo Tutuca (PP) — 56.334 votos

  37. Renato Miranda (PL) — 56.329 votos

  38. Dani Monteiro (PSOL) — 55.227 votos

  39. Guilherme Schleder (PSD) — 54.760 votos

  40. Munir Neto (Solidariedade) — 52.808 votos

  41. Julio Rocha (Agir) — 51.609 votos

  42. Allyson Elias (PT) — 51.145 votos

  43. Márcio Gualberto (PL) — 50.804 votos

  44. Chico Machado (PL) — 50.664 votos

  45. Vinícius Cozzolino (PSD) — 49.353 votos

  46. Leandro (Republicanos) — 49.013 votos

  47. Tia Ju (Republicanos) — 47.302 votos

  48. Coronel Menezes (PL) — 46.700 votos

  49. Rafael Picciani (União Brasil) — 46.686 votos

  50. Giovani Ratinho (MDB) — 46.380 votos

  51. Luciana Boiteux (PSOL) — 44.928 votos

  52. Leonel de Esquerda (PT) — 44.597 votos

  53. Giselle Monteiro (PL) — 44.532 votos

  54. Luiz Paulo (PSD) — 43.720 votos

  55. Serginho (PDT) — 43.664 votos

  56. Ana Paula Mendes (PSD) — 43.356 votos

  57. Yuri Moura (PSOL) — 43.336 votos

  58. Zeidan (PT) — 43.115 votos

  59. Poubel Filho (PL) — 42.871 votos

  60. Daniel Marques (PL) — 42.768 votos

  61. Adilson Pires (PT) — 42.467 votos

  62. Felipe Tropa (PL) — 41.293 votos

  63. Carla Machado (PSD) — 39.208 votos

  64. Vantoil Martins (PSB) — 39.179 votos

  65. Soldado Tobias (PRD) — 37.969 votos

  66. Joyce Trindade (PSD) — 37.088 votos

  67. Arthur Monteiro (Solidariedade) — 35.844 votos

  68. Jari (PSB) — 34.199 votos

  69. Raone Ferreira (PT) — 28.377 votos

  70. Carlos Russo (DC) — 27.447 votos

L também lidera bancada federal do Rio

Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 15 das 46 vagas do estado. O PT elegeu seis deputados e o PP ficou com cinco. PSOL, PSDB e PSD conquistaram quatro cadeiras cada.

A composição partidária da bancada federal do Rio ficou assim:

  • PL: 15 deputados;

  • PT: 6;

  • PP: 5;

  • PSOL: 4;

  • PSDB: 4;

  • PSD: 4;

  • PCdoB: 2;

  • União Brasil: 1;

  • MDB: 1;

  • Solidariedade: 1;

  • Novo: 1;

  • Republicanos: 1;

  • PDT: 1.

Os 46 deputados federais eleitos pelo Rio de Janeiro

Confira a lista completa em ordem de votação:

  1. Dr. Luizinho (PP) — 213.904 votos

  2. Rick Azevedo (PSOL) — 191.371 votos

  3. Lindbergh (PT) — 181.768 votos

  4. Luciano Vieira (PSDB) — 177.887 votos

  5. Altineu Cortes (PL) — 175.161 votos

  6. Freixo (PT) — 172.969 votos

  7. Sóstenes Cavalcante (PL) — 170.290 votos

  8. Rueda (União Brasil) — 155.836 votos

  9. Anielle Franco (PT) — 149.726 votos

  10. General Pazuello (PL) — 146.148 votos

  11. Gutemberg Reis (MDB) — 145.876 votos

  12. Soraya Santos (PL) — 141.443 votos

  13. Aureo Ribeiro (Solidariedade) — 134.557 votos

  14. Delegado Felipe Curi (PP) — 133.626 votos

  15. Talíria Petrone (PSOL) — 122.500 votos

  16. Manoela Peres (PL) — 117.648 votos

  17. Dani Cunha (PL) — 116.984 votos

  18. Daniel Soranz (PSD) — 107.849 votos

  19. Julia de Castro (PL) — 103.880 votos

  20. Elias Jabbour (PCdoB) — 103.219 votos

  21. Diogo Balieiro Diniz (PL) — 102.026 votos

  22. Renan Ferreirinha (PSD) — 93.504 votos

  23. Rafael Satiê (PL) — 91.074 votos

  24. Glauber Braga (PSOL) — 86.314 votos

  25. Renato Cozzolino (PP) — 84.516 votos

  26. Fabiano Horta (PT) — 82.902 votos

  27. Chris Tonietto (PL) — 81.966 votos

  28. Poubel (PL) — 81.960 votos

  29. Wladimir Garotinho (PL) — 81.797 votos

  30. Douglas Gomes (PL) — 80.310 votos

  31. Luiz Lima (Novo) — 79.249 votos

  32. Pastor Henrique Vieira (PSOL) — 77.584 votos

  33. Márcio Rezende (PSD) — 75.148 votos

  34. Jandira Feghali (PCdoB) — 74.409 votos

  35. Leniel Borel (PP) — 72.658 votos

  36. Luis Carlos Gomes (Republicanos) — 70.331 votos

  37. Marcos Tavares (PDT) — 69.438 votos

  38. Diego Quaqua (PT) — 68.798 votos

  39. Marcio Ribeiro (PSD) — 67.989 votos

  40. Thiago Gagliasso (PL) — 67.700 votos

  41. Nísia Trindade (PT) — 67.350 votos

  42. Jorge Miranda (PL) — 67.298 votos

  43. Juninho do Pneu (PSDB) — 64.440 votos

  44. Marcelo Queiroz (PSDB) — 58.739 votos

  45. Bebeto (PP) — 52.761 votos

  46. Talita Galhardo (PSDB) — 46.780 votos

Renan Ferreirinha é eleito com mais de 93 mil votos

Entre os destaques da nova bancada federal está Renan Ferreirinha, do PSD. Ex-secretário municipal de Educação do Rio, ele recebeu 93.504 votos e terminou na 22ª posição geral.

A eleição de Ferreirinha consolida uma candidatura que apresentou a educação pública, a ampliação do ensino em tempo integral, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o combate aos impactos das apostas eletrônicas como algumas de suas principais bandeiras.

Votação individual não é o único critério

Nas eleições proporcionais, a definição dos eleitos não depende exclusivamente da votação individual. O cálculo considera os votos conquistados pelos candidatos, os votos dados às legendas, o desempenho total dos partidos e federações, o quociente eleitoral e a distribuição das vagas pelas médias.

Por esse motivo, candidatos com votações superiores às de alguns eleitos podem terminar como suplentes ou não conquistar mandato. O desempenho da legenda ou federação é decisivo para transformar votos individuais em cadeiras.

A relação apresentada nesta reportagem corresponde à totalização divulgada após a conclusão da apuração. Alterações posteriores ainda podem ocorrer em razão de decisões da Justiça Eleitoral envolvendo registros, recursos ou validade de votos.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral — resultados totalizados em 4 de outubro de 2026.

sábado, 19 de setembro de 2026

Abin alerta governo e TSE sobre nível “crítico” de pressão dos EUA nas eleições brasileiras


Relatório confidencial aponta risco de interferência externa no processo eleitoral de 2026 e foi encaminhado à Presidência, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o governo federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o que classificou como um nível “crítico” de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil durante o processo eleitoral de 2026.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um relatório confidencial foi encaminhado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça. O documento aponta risco de interferência externa nas eleições e menciona uma mudança na forma de atuação do governo norte-americano em relação ao Brasil.

A avaliação da Abin ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno e coloca a soberania do processo eleitoral no centro do debate. O relatório cita medidas políticas, econômicas e diplomáticas adotadas pelos Estados Unidos, além de possíveis tentativas de influenciar o debate público brasileiro.

Entre os episódios analisados estão sanções econômicas, pressões relacionadas à política externa, medidas contra organizações criminosas brasileiras e discussões envolvendo o acesso a recursos minerais estratégicos do país.

O documento também menciona a atuação de integrantes do governo norte-americano na tentativa de aproximar o Brasil de posições políticas defendidas pelos Estados Unidos e de reduzir a influência de países como a China na América Latina.

A divulgação do alerta acontece em um ambiente de forte tensão entre Brasília e Washington, marcado por disputas comerciais, declarações políticas e divergências sobre o sistema eleitoral brasileiro.

O relatório, no entanto, não representa uma confirmação de que tenha ocorrido interferência estrangeira nas eleições. Trata-se de uma avaliação de risco produzida pela inteligência brasileira, que deverá ser acompanhada pelas instituições responsáveis pela segurança e pela integridade do processo eleitoral.

O alerta reforça a preocupação com a circulação de informações manipuladas, campanhas coordenadas nas redes sociais e possíveis ações externas capazes de influenciar a percepção dos eleitores.

Em uma eleição marcada pela polarização e pelo uso crescente de inteligência artificial, a disputa pelo controle da informação pode ser tão importante quanto a campanha realizada nas ruas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Olha o que acontece quando você deixa outra pessoa escolher por você


Campanha do Burger King transformou o voto em branco em uma experiência inusitada e provocou reflexão sobre a importância de participar das eleições

Se alguém escolhesse o seu lanche sem perguntar quais ingredientes você gosta, provavelmente o resultado poderia não agradar. Foi a partir dessa comparação simples que o Burger King criou uma das campanhas publicitárias mais comentadas sobre voto consciente no Brasil.

Lançada em 2018, às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, a campanha “Whopper em Branco” levou para as ruas uma provocação: o que acontece quando uma pessoa abre mão do direito de escolher?

Um lanche escolhido por outra pessoa

Durante uma ação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, pessoas que afirmaram que pretendiam votar em branco receberam um sanduíche fictício, montado sem os ingredientes tradicionais de um Whopper.

Em alguns casos, o lanche tinha apenas pão e cebola. Em outros, a composição era ainda mais inesperada. A ideia era mostrar, de maneira visual e bem-humorada, como pode ser frustrante receber uma escolha feita por outra pessoa.

A embalagem trazia uma mensagem relacionando a experiência ao voto: quando alguém decide no seu lugar, não é possível reclamar do resultado.

A campanha foi criada pela agência DAVID para o Burger King Brasil e também ganhou desdobramentos nas redes sociais, com vídeos, enquetes e conteúdos voltados à conscientização dos eleitores.

A marca não apoiava nenhum candidato

Apesar de abordar diretamente um tema político, o Burger King informou que a campanha era apartidária e não fazia defesa de candidato ou partido.

O objetivo declarado era estimular o eleitor a refletir antes de votar em branco ou simplesmente deixar de participar da escolha entre os candidatos apresentados na eleição.

A estratégia chamou atenção justamente por transformar um debate abstrato em uma situação cotidiana. Em vez de apresentar longas explicações sobre política, a marca usou um lanche incompleto para criar uma associação fácil de entender.

O que a campanha quis dizer

A mensagem publicitária é uma metáfora. No sistema eleitoral brasileiro, votos brancos e nulos não são transferidos para o candidato vencedor e não são somados aos votos de nenhum partido.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, esses votos não são considerados válidos na apuração. Na prática, o eleitor que vota em branco ou nulo deixa de escolher uma das candidaturas disponíveis, enquanto o resultado é definido exclusivamente pelos votos válidos.

Por isso, a frase da campanha não significa que o voto será literalmente entregue a outra pessoa. A ideia é destacar que, ao não escolher, o eleitor deixa de participar da definição entre os candidatos que efetivamente disputam o resultado.

Uma mensagem que continua atual

A força da campanha está na simplicidade. Escolher um lanche e escolher representantes são decisões muito diferentes, mas ambas envolvem consequências.

O voto consciente não exige que o eleitor apoie determinado grupo político. Significa pesquisar, comparar propostas, verificar o histórico dos candidatos e tomar uma decisão própria.

A campanha do Burger King permanece como exemplo de publicidade que ultrapassou a venda de um produto e entrou no debate sobre cidadania. No fim, a pergunta continua provocadora:

Você deixaria outra pessoa escolher o seu lanche?

E deixaria essa mesma pessoa escolher o seu futuro?

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

TRE-RJ chega a 10 indeferimentos de candidaturas por vínculos com organizações criminosas


Decisões têm como fundamento o artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição; todos os casos ainda podem ser levados ao TSE

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou que já soma dez registros de candidatura indeferidos com base em elementos relacionados a vínculos com organizações criminosas de caráter paramilitar. O comunicado foi publicado às 18h58 desta segunda-feira (14), a menos de três semanas do primeiro turno das eleições.

Na sessão desta segunda, o tribunal indeferiu o registro de Cristiane Brasil Francisco, candidata a deputada federal pelo Democracia Cristã, e de Vagner Mateus dos Santos, conhecido como Vaguinho Neguinho, e Paulo César Melo de Sá, candidatos a deputado estadual.

Segundo o TRE-RJ, os três processos foram analisados com base no entendimento da existência de vínculos com organizações criminosas. Com os sete casos anteriores, a Corte chegou ao total de dez indeferimentos fundamentados no artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição Federal.

O dispositivo constitucional veda a utilização, direta ou indireta, de organização paramilitar no processo eleitoral. O tribunal informou que todas as decisões ainda podem ser contestadas por meio de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral. Leia o comunicado oficial do TRE-RJ.

Tese da “milícia de gravata”

Na mesma sessão, o TRE-RJ também analisou outros processos com aplicação da tese denominada “milícia de gravata”. Segundo a Corte, o conceito alcança organizações criminosas voltadas à prática de crimes contra a Administração Pública.

A interpretação foi associada a casos nos quais o tribunal identificou, nos processos, elementos considerados relevantes sobre supostas estruturas de influência política, desvio de recursos públicos e interferência na administração pública.

O uso dessa tese representa uma ampliação do debate sobre a influência de organizações criminosas no processo eleitoral. A Justiça Eleitoral tem analisado não apenas a existência de grupos armados, mas também estruturas que, segundo os elementos dos autos, poderiam utilizar relações políticas e administrativas para exercer poder ou obter vantagens.

Decisão eleitoral não equivale a condenação criminal

O indeferimento de um registro de candidatura é uma decisão da Justiça Eleitoral e não deve ser confundido automaticamente com uma condenação criminal definitiva. A análise considera os requisitos para participação no processo eleitoral e os elementos apresentados em cada caso.

Também é importante destacar que os candidatos atingidos ainda podem recorrer ao TSE. A instância superior poderá manter, modificar ou suspender os efeitos das decisões tomadas pelo tribunal regional.

O TRE-RJ afirmou que os julgamentos fazem parte da atuação da Corte contra tentativas de utilização do processo eleitoral por organizações criminosas. A sequência de decisões deve continuar provocando novos recursos, manifestações das defesas e possível revisão dos entendimentos pelo TSE.

TRE-RJ indefere, por unanimidade, candidatura de Magdala Furtado


Decisão cita ausência de documentos para esclarecer registros em certidão criminal; defesa ainda pode recorrer ao TSE

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Magdala Furtado (Republicanos) ao cargo de deputada federal. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (14) e representa um revés na tentativa da ex-prefeita de Cabo Frio de disputar as eleições de 2026.

Segundo informações sobre o julgamento, a certidão criminal de segunda instância apresentada no processo continha três anotações relacionadas a procedimentos criminais envolvendo a candidata. A Justiça Eleitoral solicitou documentos complementares para esclarecer a natureza e a situação de cada registro.

A defesa apresentou documentação referente a parte das anotações. Um dos registros foi relacionado a um inquérito policial ainda em andamento, enquanto outro procedimento antigo teve sua situação esclarecida com a comprovação de que a punição havia sido extinta e o caso encerrado em 2024.

No entanto, dois registros vinculados a grupos de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça permaneceram sem as respectivas certidões explicativas dentro do prazo estabelecido. De acordo com a decisão relatada, os procedimentos tramitam sob segredo de justiça, o que exigiria documentos oficiais emitidos pelo próprio Judiciário para permitir a análise eleitoral. Agenda do Poder

A ausência dessa documentação levou o tribunal a concluir que não era possível confirmar, naquele momento, o cumprimento integral das condições necessárias para o registro da candidatura.

O indeferimento do registro é uma decisão de natureza eleitoral e não equivale, por si só, a uma condenação criminal. O julgamento analisou a documentação apresentada e a possibilidade de verificar os requisitos legais para a candidatura.

Recurso ainda pode mudar o cenário

A decisão do TRE-RJ não encerra necessariamente a disputa judicial. Magdala Furtado ainda poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderá manter ou modificar o entendimento adotado pela corte regional.

Enquanto houver recurso, a situação da candidatura continuará sendo acompanhada pela Justiça Eleitoral. O caso também reforça a importância da apresentação completa das certidões e dos documentos exigidos durante o processo de registro.

Magdala Furtado foi vice-prefeita de Cabo Frio e assumiu a Prefeitura em 2023, após a morte do então prefeito José Bonifácio. Nas eleições municipais de 2024, disputou a reeleição, mas terminou o primeiro turno em segundo lugar.

A decisão desta segunda-feira amplia a sequência de julgamentos do TRE-RJ envolvendo registros de candidaturas para as eleições deste ano. A consulta oficial aos pedidos e às situações processuais pode ser feita na área de registro de candidaturas do TRE-RJ.